{"id":100138,"date":"2025-10-06T21:26:15","date_gmt":"2025-10-06T21:26:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/100138\/"},"modified":"2025-10-06T21:26:15","modified_gmt":"2025-10-06T21:26:15","slug":"descoberta-de-primeiro-planeta-fora-do-sistema-solar-faz-30-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/100138\/","title":{"rendered":"Descoberta de primeiro planeta fora do Sistema Solar faz 30 anos"},"content":{"rendered":"<p>Em 6 de outubro de 1995, os cientistas su\u00ed\u00e7os Michel Mayor e Didier Queloz anunciaram a detec\u00e7\u00e3o de 51 Pegasi b, o primeiro planeta descoberto fora do <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2025\/09\/09\/ciencia-e-espaco\/impacto-colossal-tornou-possivel-a-vida-na-terra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Sistema Solar<\/a>. O momento representou uma das maiores revolu\u00e7\u00f5es da astronomia, abrindo caminho para os mais de <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2025\/09\/18\/ciencia-e-espaco\/historico-nasa-contabiliza-6-mil-planetas-fora-do-sistema-solar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">seis mil <\/a>mundos alien\u00edgenas atualmente confirmados.<\/p>\n<p>Descrito em um artigo publicado na revista <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/Art1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener sponsored nofollow\">Nature<\/a>, 51 Pegasi b \u00e9 um planeta gasoso semelhante a J\u00fapiter, mas com uma \u00f3rbita extremamente pr\u00f3xima da estrela-m\u00e3e, 51 Pegasi, completando uma volta em torno dela em apenas quatro dias terrestres. Diferente de tudo j\u00e1 observado antes, ele pode atingir temperaturas de cerca de 1.000 \u00b0C, o que \u00e9 quente o bastante para evaporar metais, e fica a apenas 50 anos-luz da Terra.<\/p>\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o, os astr\u00f4nomos s\u00f3 conheciam os planetas que orbitam o Sol. Essa descoberta provou que a nossa estrela n\u00e3o era especial: existiam outros sistemas planet\u00e1rios espalhados pela Via L\u00e1ctea. A partir da\u00ed, a busca pelos chamados exoplanetas se tornou uma das \u00e1reas mais ativas da astronomia moderna.<\/p>\n<p><strong>\u201cGangorra\u201d entre planeta e estrela transformou a astronomia<\/strong><\/p>\n<p>A detec\u00e7\u00e3o de 51 Pegasi b, tamb\u00e9m chamado de Belerofonte, foi feita com um instrumento chamado ELODIE, instalado no Observat\u00f3rio de Haute-Provence, na Fran\u00e7a. Esse espectr\u00f3grafo media pequenas varia\u00e7\u00f5es na luz de uma estrela, causadas pelo movimento que ela faz ao ser puxada pela gravidade de um planeta invis\u00edvel. Essa t\u00e9cnica ficou conhecida como m\u00e9todo da velocidade radial.<\/p>\n<p>Para entender o princ\u00edpio, imagine uma gangorra. Mesmo que uma pessoa seja muito mais pesada que a outra, as duas giram em torno de um ponto comum \u2013 o centro de massa. O mesmo acontece entre uma estrela e um planeta. A estrela, embora muito mais massiva, tamb\u00e9m se move levemente ao redor desse ponto.<\/p>\n<p>Essas oscila\u00e7\u00f5es provocam pequenas mudan\u00e7as na luz que chega \u00e0 Terra, um fen\u00f4meno chamado efeito Doppler. Quando a estrela se aproxima, suas ondas de luz se comprimem; quando se afasta, elas se alongam. Foi observando esse padr\u00e3o que Mayor e Queloz perceberam que algo estava \u201cpuxando\u201d a estrela 51 Pegasi (e que esse algo era um planeta).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/comparao-entre-planetas-51-Pegasi-b-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1195864\"  \/>Compara\u00e7\u00e3o do exoplaneta 51 Pegasi b com J\u00fapiter. O primeiro exoplaneta descoberto \u00e9 47% menos massivo, mas 50% maior que o maior planeta do Sistema Solar. Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<strong>Por que 51 Pegasi b foi considerado um planeta \u201cimposs\u00edvel\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Os cientistas esperavam encontrar sistemas parecidos com o nosso, com pequenos mundos rochosos pr\u00f3ximos \u00e0 estrela e gigantes gasosos mais distantes. Mas 51 Pegasi b contrariou todas as previs\u00f5es. Era um planeta enorme, orbitando perigosamente perto de seu sol \u2013 o que parecia imposs\u00edvel de acordo com os modelos te\u00f3ricos.<\/p>\n<p>Esse tipo de planeta passou a ser chamado de \u201cJ\u00fapiter quente\u201d. Mais tarde, os pesquisadores descobriram que ele provavelmente se formou longe da estrela e migrou para perto dela. Isso for\u00e7ou a comunidade cient\u00edfica a repensar completamente como os planetas se formam e se movem pelo espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Pouco depois, uma equipe dos EUA liderada por Paul Butler e Geoff Marcy, da Universidade da Calif\u00f3rnia, confirmou a exist\u00eancia de 51 Pegasi b e descobriu outros planetas semelhantes, como 70 Virginis b, consolidando a nova ci\u00eancia dos exoplanetas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/tess-1024x600.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-635052\"  \/>Representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica do ca\u00e7ador de exoplanetas TESS, da NASA. Cr\u00e9dito: NASA<\/p>\n<p>Embora planetas j\u00e1 tivessem sido detectados em 1992 ao redor de um pulsar (o n\u00facleo girat\u00f3rio de uma estrela morta), aqueles mundos eram considerados ex\u00f3ticos e inabit\u00e1veis. J\u00e1 51 Pegasi b foi oficialmente o primeiro planeta descoberto em torno de uma estrela parecida com o Sol, uma descoberta muito mais significativa.<\/p>\n<p>Para muitos cientistas, a novidade n\u00e3o foi totalmente inesperada. \u201cEra s\u00f3 uma quest\u00e3o de tempo at\u00e9 que os instrumentos se tornassem sens\u00edveis o bastante para encontr\u00e1-los\u201d, disse Amanda Hendrix, do Instituto de Ci\u00eancias Planet\u00e1rias do Arizona, ao site <a href=\"https:\/\/www.space.com\/astronomy\/exoplanets\/the-exoplanet-revolution-at-30-1st-alien-world-was-found-around-a-sun-like-star-three-decades-ago\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener sponsored nofollow\">Space.com<\/a>. O avan\u00e7o tecnol\u00f3gico foi essencial para transformar suspeitas em descobertas concretas.<\/p>\n<p><strong>Leia mais:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Reconhecimento de descoberta revolucion\u00e1ria veio mais de duas d\u00e9cadas depois<\/strong><\/p>\n<p>Trinta anos depois, miss\u00f5es espaciais como <a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/kepler\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener sponsored nofollow\">Kepler <\/a>e <a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/tess\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener sponsored nofollow\">TESS<\/a>, da NASA, continuam identificando novos mundos com precis\u00e3o cada vez maior. Em breve, o time ganha o refor\u00e7o da <a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Space_Science\/Plato\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener sponsored nofollow\">sonda PLATO<\/a>, da Ag\u00eancia Espacial Europeia (ESA), prevista para ser lan\u00e7ada em dezembro do ano que vem.<\/p>\n<p>Observat\u00f3rios modernos, como o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb (JWST), da NASA, j\u00e1 conseguem <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2024\/10\/14\/ciencia-e-espaco\/james-webb-revela-atmosfera-de-vapor-dagua-em-exoplaneta\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">analisar a composi\u00e7\u00e3o das atmosferas <\/a>desses planetas, detectando tra\u00e7os de \u00e1gua, nuvens e gases associados \u00e0 vida. Cada nova observa\u00e7\u00e3o ajuda a entender como os sistemas planet\u00e1rios se formam \u2013 e at\u00e9 onde pode haver condi\u00e7\u00f5es parecidas com as da Terra.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"584\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/James-Webb-2.jpg\" alt=\"James Webb\" class=\"wp-image-389163\" style=\"width:822px;height:auto\"  \/>O Telesc\u00f3pio Espacial James Webb, que veio para revolucionar as pesquisas em astronomia, \u00e9 capaz de examinar atmosferas de exoplanetas. Cr\u00e9dio: Dima Zel\/Shutterstock<\/p>\n<p>Hoje, sabemos que existem exoplanetas de v\u00e1rios tipos: superterras, mini Netunos, mundos de lava e at\u00e9 aqueles travados por mar\u00e9, com um lado permanentemente voltado para sua estrela. Alguns t\u00eam oceanos de magma; outros, ventos supers\u00f4nicos ou atmosferas t\u00f3xicas. Ainda n\u00e3o encontramos um g\u00eameo da Terra, mas os astr\u00f4nomos acreditam que ele est\u00e1 por a\u00ed, escondido entre as cerca de 200 bilh\u00f5es de estrelas da nossa gal\u00e1xia.<\/p>\n<p>Em 2019, Mayor e Queloz receberam o Pr\u00eamio Nobel de F\u00edsica pela descoberta de 51 Pegasi b \u2013 um reconhecimento ao trabalho que mudou nossa vis\u00e3o do cosmos, fazendo com que a ideia da exist\u00eancia de mundos al\u00e9m das nossas fronteiras deixasse de ser fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para se tornar uma das frentes mais promissoras da pesquisa espacial.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em 6 de outubro de 1995, os cientistas su\u00ed\u00e7os Michel Mayor e Didier Queloz anunciaram a detec\u00e7\u00e3o de&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":100139,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[109,107,108,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":{"0":"post-100138","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-ciencia","9":"tag-ciencia-e-tecnologia","10":"tag-cienciaetecnologia","11":"tag-portugal","12":"tag-pt","13":"tag-science","14":"tag-science-and-technology","15":"tag-scienceandtechnology","16":"tag-technology","17":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/100138","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=100138"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/100138\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/100139"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=100138"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=100138"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=100138"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}