{"id":100574,"date":"2025-10-07T09:34:14","date_gmt":"2025-10-07T09:34:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/100574\/"},"modified":"2025-10-07T09:34:14","modified_gmt":"2025-10-07T09:34:14","slug":"cortar-ganglios-linfaticos-novo-estudo-questiona-metodo-comum-de-tratamento-do-cancro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/100574\/","title":{"rendered":"Cortar g\u00e2nglios linf\u00e1ticos: novo estudo questiona m\u00e9todo comum de tratamento do cancro"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\"><a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:3D_Medical_Animation_of_Afferent_Vessel.jpg\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" class=\"ext-link\">Scientific Animations \/ Wikipedia<\/a><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-704427\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/0e970564ff7f246a74df931db3a0e3c8-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">Ilustra\u00e7\u00e3o 3D de uma vista transversal de um g\u00e2nglio linf\u00e1tico<\/p>\n<p><strong>A remo\u00e7\u00e3o de g\u00e2nglios linf\u00e1ticos durante cirurgias oncol\u00f3gicas salvou in\u00fameras vidas em diversos tipos de tumor. No entanto, estudos recentes est\u00e3o a p\u00f4r em causa partes desta pr\u00e1tica h\u00e1 muito estabelecida.<\/strong><\/p>\n<p>Imagine que as defesas imunit\u00e1rias do corpo s\u00e3o uma cidade, e os g\u00e2nglios linf\u00e1ticos os centros onde a pol\u00edcia e os bombeiros se re\u00fanem para <strong>trocar informa\u00e7\u00f5es<\/strong> e preparar o combate ao crime.<\/p>\n<p>O que acontece se forem removidos demasiados desses centros? Esta \u00e9 a nova quest\u00e3o que est\u00e1 no centro da cirurgia oncol\u00f3gica moderna, explica <strong>Justin Stebbing<\/strong>, professor de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas na Anglia Ruskin University, no Reino Unido, num artigo no <a href=\"https:\/\/theconversation.com\/dont-cut-them-out-lymph-nodes-may-be-key-to-cancer-treatment-265557\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">The Conversation<\/a>.<\/p>\n<p>Quando os cirurgi\u00f5es removem g\u00e2nglios linf\u00e1ticos, fazem-no geralmente por duas raz\u00f5es: para <strong>determinar se o cancro j\u00e1 se espalhou e para prevenir<\/strong> a sua propaga\u00e7\u00e3o para outros \u00f3rg\u00e3os. Durante d\u00e9cadas, esta abordagem foi considerada o <strong>padr\u00e3o de tratamento mais eficaz<\/strong>.<\/p>\n<p>Quando um <strong>tumor escapa ao seu local de origem<\/strong>, as c\u00e9lulas cancer\u00edgenas tendem a viajar atrav\u00e9s dos vasos linf\u00e1ticos e a instalar-se nos g\u00e2nglios mais pr\u00f3ximos, que funcionam como filtros biol\u00f3gicos. Detetar c\u00e9lulas tumorais nesses g\u00e2nglios indica que a doen\u00e7a pode ter <strong>maior probabilidade de regressar<\/strong> ap\u00f3s o tratamento.<\/p>\n<p>A remo\u00e7\u00e3o desses g\u00e2nglios permite aos m\u00e9dicos determinar com precis\u00e3o a fase de desenvolvimento em que a doen\u00e7a se encontra e, potencialmente, aumentar as <strong>hip\u00f3teses de eliminar todas as c\u00e9lulas tumorais<\/strong>, al\u00e9m de dar indica\u00e7\u00e3o aos\u00a0 oncologistas de que o cancro deve ser tratado de forma mais agressiva.<\/p>\n<p>Mas os g\u00e2nglios linf\u00e1ticos <strong>n\u00e3o s\u00e3o meros pontos de passagem<\/strong>: t\u00eam um papel ativo na resposta imunit\u00e1ria do organismo, funcionando como locais de encontro onde as c\u00e9lulas do sistema imunit\u00e1rio trocam informa\u00e7\u00f5es sobre o cancro, real\u00e7a Stebbing.<\/p>\n<p>Estudos recentes levaram os investigadores a <strong>repensar a import\u00e2ncia<\/strong> destes centros na ativa\u00e7\u00e3o de rea\u00e7\u00f5es imunit\u00e1rias poderosas e duradouras.<\/p>\n<p>Um destes estudos, conduzido por investigadores da Universidade de Melbourne, na Austr\u00e1lia, e recentemente <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41590-025-02276-7\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">publicado<\/a> na Nature Immunology, mostra que os g\u00e2nglios linf\u00e1ticos <strong>ajudam a manter um tipo especial de c\u00e9lula imunit\u00e1ria<\/strong>, designada \u201c<strong>linf\u00f3cito T CD8 positivo<\/strong>\u201d, capaz de destruir c\u00e9lulas cancer\u00edgenas.<\/p>\n<p>Estas c\u00e9lulas s\u00e3o preparadas e <strong>mantidas prontas a agir<\/strong> gra\u00e7as ao ambiente dentro dos g\u00e2nglios linf\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Sem estes centros, a <strong>resposta imunit\u00e1ria do corpo contra o cancro<\/strong>, em especial durante tratamentos de imunoterapia, <strong>pode ser mais fraca do que se pensava<\/strong>.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o mostra que as c\u00e9lulas espec\u00edficas dos g\u00e2nglios desencadeiam um <strong>primeiro surto de atividade anticancer\u00edgena<\/strong>. Contudo, este efeito apenas foi demonstrado em laborat\u00f3rio, e ainda n\u00e3o em seres humanos.<\/p>\n<p>A remo\u00e7\u00e3o de g\u00e2nglios linf\u00e1ticos <strong>n\u00e3o est\u00e1 isenta de riscos<\/strong>. Os doentes podem sofrer incha\u00e7o (linfoedema), maior risco de infe\u00e7\u00f5es no membro afetado e, por vezes, dor cr\u00f3nica ou dificuldades de mobilidade.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m receios de que, ao remover g\u00e2nglios linf\u00e1ticos, reduzindo assim o risco imediato de dissemina\u00e7\u00e3o do cancro, se possa tamb\u00e9m, inadvertidamente, <strong>enfraquecer as defesas imunit\u00e1rias a prazo<\/strong>, sobretudo numa \u00e9poca em que os tratamentos modernos <strong>dependem cada vez mais da imunidade natural<\/strong> do pr\u00f3prio doente.<\/p>\n<p>Porque \u00e9 que os cirurgi\u00f5es continuam, ent\u00e3o, a remover g\u00e2nglios linf\u00e1ticos?<\/p>\n<p>Em muitos tipos de tumores s\u00f3lidos, o <strong>risco de metastiza\u00e7\u00e3o<\/strong> continua elevado, e o envolvimento dos g\u00e2nglios \u00e9 um dos melhores <strong>indicadores de recidiva do cancro<\/strong>.<\/p>\n<p>A remo\u00e7\u00e3o de g\u00e2nglios tamb\u00e9m <strong>fornece informa\u00e7\u00e3o essencial<\/strong> para escolher os tratamentos mais eficazes ap\u00f3s a cirurgia. No cancro da mama, por exemplo, os m\u00e9dicos recorrem frequentemente \u00e0 \u201cbi\u00f3psia do g\u00e2nglio sentinela\u201d, removendo <strong>apenas o primeiro g\u00e2nglio<\/strong> para onde drena o fluido proveniente do tumor.<\/p>\n<p>Ao analisar apenas esse \u201cg\u00e2nglio sentinela\u201d, \u00e9 poss\u00edvel verificar se o cancro se espalhou,<strong> reduzindo o n\u00famero de g\u00e2nglios removidos<\/strong> e diminuindo o risco de efeitos secund\u00e1rios.<\/p>\n<p>Os investigadores est\u00e3o a <strong>compreender melhor como funcionam<\/strong> os g\u00e2nglios linf\u00e1ticos em doen\u00e7as de longa dura\u00e7\u00e3o. O novo estudo mostra que os g\u00e2nglios n\u00e3o s\u00e3o simples filtros passivos; <strong>s\u00e3o verdadeiros centros de treino<\/strong>, onde c\u00e9lulas imunit\u00e1rias especiais crescem, multiplicam-se e se tornam combatentes eficazes.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 <strong>especialmente importante<\/strong> durante tratamentos que refor\u00e7am o sistema imunit\u00e1rio, como as <strong>terapias de bloqueio de pontos de controlo<\/strong>, atualmente usadas em diversos tipos de cancro.<\/p>\n<p>Estes resultados sugerem que remover g\u00e2nglios linf\u00e1ticos n\u00e3o s\u00f3 impede a propaga\u00e7\u00e3o do cancro, como tamb\u00e9m <strong>elimina centros fundamentais<\/strong> onde o sistema imunit\u00e1rio vigia o corpo e se reativa para combater a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Na \u00faltima d\u00e9cada, os hospitais t\u00eam adotado <strong>cirurgias mais suaves<\/strong> e direcionadas aos g\u00e2nglios linf\u00e1ticos. Em vez de remover todos os g\u00e2nglios de uma regi\u00e3o, o <strong>objetivo \u00e9 agora minimizar o impacto<\/strong>, retirando apenas os que t\u00eam maior probabilidade de conter c\u00e9lulas tumorais.<\/p>\n<p>Esta abordagem <strong>reduz as complica\u00e7\u00f5es para os doentes<\/strong> e pode ajudar a preservar a sua imunidade. Alguns doentes com cancros em fase inicial podem at\u00e9 evitar completamente a remo\u00e7\u00e3o de g\u00e2nglios, recorrendo antes a exames de imagem e bi\u00f3psias para monitorizar eventuais dissemina\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para quem teme as consequ\u00eancias de uma remo\u00e7\u00e3o extensa de g\u00e2nglios, est\u00e3o a surgir <strong>terapias promissoras<\/strong>. F\u00e1rmacos de imunoterapia, tratamentos direcionados e at\u00e9 vacinas contra o cancro est\u00e3o a ser desenvolvidos para \u201creeducar\u201d o sistema imunit\u00e1rio, mesmo quando alguns g\u00e2nglios foram retirados.<\/p>\n<p>Ainda assim, h\u00e1 cada vez mais evid\u00eancia de que os doentes obt\u00eam melhores resultados <strong>quando pelo menos alguns desses centros s\u00e3o preservados<\/strong>, mantendo a capacidade do corpo de montar e sustentar uma defesa contra c\u00e9lulas cancer\u00edgenas remanescentes.<\/p>\n<p>No futuro, a cirurgia oncol\u00f3gica poder\u00e1 <strong>tornar-se ainda mais personalizada<\/strong>. Ao mapear a atividade no interior dos g\u00e2nglios linf\u00e1ticos \u2014 identificando quais s\u00e3o essenciais para a fun\u00e7\u00e3o imunit\u00e1ria e quais t\u00eam maior probabilidade de gerar novos tumores \u2014 os m\u00e9dicos poder\u00e3o adaptar a cirurgia, garantindo a cada doente o <strong>m\u00e1ximo benef\u00edcio com o m\u00ednimo de dano<\/strong>s.<\/p>\n<p>Estas descobertas recentes <strong>desafiam cirurgi\u00f5es e oncologistas<\/strong> a ponderar cuidadosamente cada decis\u00e3o: n\u00e3o apenas o que \u00e9 removido hoje, mas tamb\u00e9m as <strong>defesas imunit\u00e1rias que ficam para o amanh\u00e3<\/strong>.<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1759488252_901_2d51fe4a0ba54894421ead1809309ed9-1-450x140.jpg\" alt=\"Subscreva a Newsletter ZAP\" width=\"450\" height=\"140\"\/>&#13;<br \/>\n    <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaIC4EE2f3EJZPPSbR34\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1759488253_967_c68c559d956d4ca20f435ed74a6e71e6.png\" alt=\"Siga-nos no WhatsApp\" width=\"175\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAiEHRwZondIV71PDjWNoqMduEqFAgKIhB0cGaJ3SFe9Tw41jaKjHbh?hl=en-US&amp;gl=US&amp;ceid=US%3Aen\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1759488253_371_5123dd8b087b644fdb8f8603acd1bad4.png\" alt=\"Siga-nos no Google News\" width=\"176\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Scientific Animations \/ Wikipedia Ilustra\u00e7\u00e3o 3D de uma vista transversal de um g\u00e2nglio linf\u00e1tico A remo\u00e7\u00e3o de g\u00e2nglios&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":100575,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[1207,116,1208,32,33,117],"class_list":{"0":"post-100574","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-cancro","9":"tag-health","10":"tag-medicina","11":"tag-portugal","12":"tag-pt","13":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/100574","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=100574"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/100574\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/100575"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=100574"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=100574"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=100574"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}