{"id":100770,"date":"2025-10-07T12:48:15","date_gmt":"2025-10-07T12:48:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/100770\/"},"modified":"2025-10-07T12:48:15","modified_gmt":"2025-10-07T12:48:15","slug":"o-supermotor-diesel-da-renault-que-a-mercedes-tambem-quis-ter","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/100770\/","title":{"rendered":"O supermotor Diesel da Renault que a Mercedes tamb\u00e9m quis ter"},"content":{"rendered":"<p>\n\tCom o nome de c\u00f3digo K9K, este motor Diesel chamava-se 1.5 dCi para os amigos. A hist\u00f3ria de um supermotor que agradou a franceses e alem\u00e3es.\n<\/p>\n<p>Durante semanas, circularam rumores de que a <a href=\"https:\/\/www.razaoautomovel.com\/podcasts\/auto-radio-100-mercedes-benz-motor-bmw\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Mercedes poderia vir a recorrer a motores BMW<\/a>. A hist\u00f3ria foi <a href=\"https:\/\/www.razaoautomovel.com\/noticias\/motores-bmw-mercedes-benz-reage-oficialmente\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">entretanto desmentida<\/a>, mas serviu para recordar uma outra liga\u00e7\u00e3o \u2014 essa, bem real \u2014 entre a marca de Estugarda e a Renault.<\/p>\n<p>Sim, a Mercedes j\u00e1 utilizou um motor Renault \u2014 atualmente utiliza outro, mas com a chancela da Horse, a divis\u00e3o de motores t\u00e9rmicos da marca francesa numa joint venture com a Geely. E n\u00e3o foi um motor qualquer.<\/p>\n<p>Falamos do K9K, sobretudo conhecido como 1.5 dCi, um dos blocos Diesel mais produzidos dos \u00faltimos 25 anos, conhecido pela sua efici\u00eancia, simplicidade e longevidade \u2014 j\u00e1 vamos \u00e0 quest\u00e3o das capas de biela. Os consumos eram t\u00e3o baixos que acho que ainda detenho o \u00abrecorde n\u00e3o oficial\u00bb da volta mais poupada (e mais lenta\u2026) ao Circuito do Estoril:<\/p>\n<p>Um her\u00f3i sem capa (de biela\u2026)<\/p>\n<p>O K9K nasceu em 2001, numa altura em que a Renault se afirmava como uma refer\u00eancia em motores Diesel compactos. Com apenas 1461 cm\u00b3 de cilindrada, dispunha de quatro cilindros, inje\u00e7\u00e3o direta common-rail e um turbocompressor de geometria vari\u00e1vel nas vers\u00f5es mais \u201cespigadas\u201d \u2014 a partir das vers\u00f5es de 105 cv (K9K 732 em diante).<\/p>\n<p>Ao longo do tempo, ganhou tamb\u00e9m um intercooler, filtro de part\u00edculas e melhorias sucessivas na gest\u00e3o eletr\u00f3nica, mantendo sempre o mesmo ADN: baixo consumo, suavidade e resist\u00eancia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"1012\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns=\" http:=\"\" alt=\"Renault Clio 2 dci\" class=\"wp-image-1097522\" data-lazy- data-lazy- data-lazy-src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/renault-clio-1.5-dci-usado-problemas.jpeg.webp.webp\"\/>\u00a9 Renault Os primeiros modelos a receberem este motor: Renault Clio II, Megane II e Scenic II. A satisfa\u00e7\u00e3o no sorriso dos figurantes devia-se aos consumos.<\/p>\n<p>Com um di\u00e2metro de 76 mm e curso de 80,5 mm, foi um exemplo de equil\u00edbrio mec\u00e2nico, capaz de trabalhar em milhares de modelos diferentes e de cumprir v\u00e1rias normas europeias de emiss\u00f5es, do Euro 3 ao Euro 6. Um exemplo de longevidade.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que a primeira gera\u00e7\u00e3o do K9K 1.5 dCi n\u00e3o teve, durante muitos anos, uma boa fama. O desgaste prematuro das capas de biela, turbos pouco fi\u00e1veis e um sistema de inje\u00e7\u00e3o caprichoso deram algumas dores de cabe\u00e7a aos propriet\u00e1rios.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 perceberam pelo v\u00eddeo partilhado mais acima, fui um desses propriet\u00e1rios. Mas, talvez, fruto da utiliza\u00e7\u00e3o apenas de \u00f3leos de boa qualidade (sempre!), apenas tive problemas em dois injetores (aos 170 mil quil\u00f3metros).<\/p>\n<p>Por volta dos 220 mil quil\u00f3metros, por precau\u00e7\u00e3o e de forma preventiva, decidi pedir a substitui\u00e7\u00e3o das capas de biela. Uma interven\u00e7\u00e3o que, felizmente, veio a revelar-se desnecess\u00e1ria: n\u00e3o acusavam desgaste. Vendi a minha Renault M\u00e9gane II com 300 mil quil\u00f3metros e, segundo consta, ainda anda por a\u00ed\u2026<\/p>\n<p>Mais tarde, comprei um Renault Scenic II (2005) e tive zero problemas de motor. Claramente, a longevidade do bloco K9K suplantava a de outros componentes da Renault, como os elevadores dos vidros, fecho centralizado ou o trav\u00e3o de m\u00e3o el\u00e9trico. Mas vamos voltar ao \u00abher\u00f3i\u00bb deste artigo de Autop\u00e9dia\u2026<\/p>\n<p>Motor 1.5 dCi dos 65 aos 116 cv <\/p>\n<p>Ao longo de quase 20 anos, o 1.5 dCi foi ganhando pot\u00eancia e refinamento. Come\u00e7ou t\u00edmido, com 65 cv e 160 Nm de bin\u00e1rio, e chegou aos 116 cv e 260 Nm nas \u00faltimas vers\u00f5es, sempre mantendo consumos muito baixos e uma fiabilidade acima da m\u00e9dia \u2014 desde que a manuten\u00e7\u00e3o fosse feita a tempo e horas.<\/p>\n<p>Como referimos antes, a longevidade deste motor foi t\u00e3o elevada que, ao longo de 20 anos, conheceu quatro gera\u00e7\u00f5es. A mais problem\u00e1tica, como expliquei h\u00e1 pouco, foi a primeira (2001-2005).<\/p>\n<p>Na segunda gera\u00e7\u00e3o (2005 a 2010), conheceram-se algumas melhorias de pot\u00eancia e de fiabilidade, mas o grande destaque vai para a ado\u00e7\u00e3o de uma caixa manual de seis velocidades. Os consumos agradeceram e as normas de emiss\u00f5es mais restritivas tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem defenda que a melhor gera\u00e7\u00e3o, em termos de fiabilidade, \u00e9 a terceira (2010-2016). As fraquezas do passado ficaram resolvidas e o K9K ainda n\u00e3o tinha de responder a normas de emiss\u00f5es t\u00e3o severas como a quarta gera\u00e7\u00e3o (2016-2021).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns=\" http:=\"\" alt=\"\" class=\"wp-image-1097561\" width=\"840\" height=\"455\" data-lazy- data-lazy- data-lazy-src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/mercedes-classe-a-motor-renault.jpg.webp.webp\"\/>Um dos trunfos do Mercedes-Classe A em Portugal foi precisamente o motor 1.5 dCi. Tinha algumas diferen\u00e7as para as vers\u00f5es da Renault ao n\u00edvel dos perif\u00e9ricos. Falamos sobre isso mais adiante.<\/p>\n<p>Neste per\u00edodo de tempo, este motor 1.5 dCi da Renault equipou modelos como o Clio, M\u00e9gane, Sc\u00e9nic, Kangoo, Modus, Dacia Sandero, Logan e Dokker, mas tamb\u00e9m Micra, Juke, Note e Qashqai, atrav\u00e9s da alian\u00e7a Renault-Nissan. E, surpreendentemente para alguns, tamb\u00e9m equipou Mercedes-Benz Classe A, Classe B e Citan.<\/p>\n<p>Um motor franc\u00eas orgulhosamente alem\u00e3o<\/p>\n<p>Para a Mercedes, o motor K9K foi uma solu\u00e7\u00e3o pragm\u00e1tica. O objetivo era oferecer vers\u00f5es de acesso com baixos consumos e custos de utiliza\u00e7\u00e3o reduzidos, ideais para frotas e mercados onde o gas\u00f3leo ainda dominava. Portugal foi, durante muitos anos, um desses mercados.<\/p>\n<p>A escolha n\u00e3o foi apenas estrat\u00e9gica, foi tamb\u00e9m t\u00e9cnica: o 1.5 dCi era compacto, leve e encaixava perfeitamente na arquitetura transversal dos modelos mais pequenos da marca alem\u00e3. O resultado foi um casamento improv\u00e1vel, mas funcional, entre a excelente imagem germ\u00e2nica e a engenharia francesa.<\/p>\n<p>Regressando ao caso portugu\u00eas, durante muitos anos foi o casamento perfeito no mercado autom\u00f3vel nacional. A Renault e a Mercedes ocuparam durante muitos anos o primeiro e o segundo lugar nas tabelas de vendas. Sempre animadas, sobretudo, pelo humilde mas trabalhador K9K.<\/p>\n<p>Um motor que, apesar de continuar a ser 100% franc\u00eas, para estar ao servi\u00e7o da Mercedes recebeu algumas melhorias, sobretudo para o tornar mais suave. <strong>Em 2018, escrevemos sobre essas diferen\u00e7as:<\/strong><\/p>\n<p>Um \u00edcone disfar\u00e7ado de motor utilit\u00e1rio<\/p>\n<p>Hoje, o K9K \u00e9 visto com respeito \u2014 e alguma nostalgia \u2014 entre os entusiastas e mec\u00e2nicos. Sobreviveu a mais de vinte anos de normas de emiss\u00f5es, milh\u00f5es de quil\u00f3metros e uma infinidade de modelos diferentes.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"895\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns=\" http:=\"\" alt=\"\" class=\"wp-image-1097535\" data-lazy- data-lazy- data-lazy-src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/MOTOR-renault-1.5-dci-mercedes.jpeg.webp.webp\"\/>\u00a9 Renault A fama menos positiva das primeiras unidades do K9K 1.5 dCi tem vindo a ser substitu\u00edda pela mem\u00f3ria mais fresca e menos problem\u00e1tica dos modelos mais recentes.<\/p>\n<p>Num mundo que se prepara para abandonar o Diesel, o 1.5 dCi fica na hist\u00f3ria como um dos \u00faltimos motores verdadeiramente universais. Um motor que nasceu na Renault, passou pela Nissan, pela Dacia\u2026 e, por momentos, fez a estrela de tr\u00eas pontas brilhar com sotaque franc\u00eas.<\/p>\n<p>E sim, tamb\u00e9m prefiro motores a gasolina, mas h\u00e1 motores Diesel que merecem mais do que uma nota de rodap\u00e9. O K9K \u00e9 um deles, o PD130 tamb\u00e9m, mas esse fica para outro dia\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Com o nome de c\u00f3digo K9K, este motor Diesel chamava-se 1.5 dCi para os amigos. 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