{"id":100987,"date":"2025-10-07T16:32:11","date_gmt":"2025-10-07T16:32:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/100987\/"},"modified":"2025-10-07T16:32:11","modified_gmt":"2025-10-07T16:32:11","slug":"o-que-estou-lendo-bruno-de-almeida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/100987\/","title":{"rendered":"O que estou lendo: Bruno de Almeida"},"content":{"rendered":"<p>Ilustrador brasileiro \u00e9 finalista do Golden Pinwheel International Illustrators Competition, em Xangai<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/ZWhknLzzKFA3foXQrqp5OtR9oVCOkEfnmri1HzEk0JL0cd79GAaOcRYfOLLoZFcbTWi5AddygBKEPria.png\" \/>No m\u00eas de setembro, o ilustrador Bruno de Almeida foi selecionado como finalista do <strong>Golden Pinwheel International Illustrators Competition<\/strong> pelas imagens de seu livro Gambiarra (<a href=\"https:\/\/www.publishnews.com.br\/etiquetas\/solisluna\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Solisluna Editora<\/a>). Ele \u00e9 o \u00fanico brasileiro entre os 70 artistas escolhidos de 21 pa\u00edses e regi\u00f5es<b> <\/b>na edi\u00e7\u00e3o 2025 de uma das mais prestigiadas competi\u00e7\u00f5es de ilustra\u00e7\u00e3o do mundo. <\/p>\n<p>Nascido em 1995, em Muzambinho (MG), o ilustrador \u00e9 formado em design de moda e atualmente faz doutorado em design na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, em Portugal. Sua obra \u00e9 marcada pela valoriza\u00e7\u00e3o do cotidiano de comunidades invisibilizadas e pela mem\u00f3ria do interior.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de Bruno no Golden Pinwheel soma-se a outras conquistas recentes. Em 2024, ele foi o primeiro latino-americano convidado a criar a identidade visual da <strong>Feira Internacional do Livro Infantil de Bolonha 2025<\/strong>, um dos principais encontros do mercado editorial infantil no mundo.<\/p>\n<p>O <strong>PublishNews<\/strong> perguntou a Bruno de Almeida <a href=\"https:\/\/www.publishnews.com.br\/etiquetas\/o-que-estou-lendo\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">o que ele est\u00e1 lendo<\/a> e esta foi a resposta:<\/p>\n<p>&#8220;Aqui em cima da minha mesa tem uma pilha de livros que vou lendo aos poucos, em uma esp\u00e9cie de leitura cruzada. Sempre me rodeei de livros e nunca senti a necessidade de ler todos do in\u00edcio ao fim, algumas hist\u00f3rias ficam melhor em suspenso. H\u00e1 personagens de livros que li que at\u00e9 hoje n\u00e3o sei seu paradeiro final, mas pirilampa na minha mem\u00f3ria algumas passagens e situa\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0s minhas.<\/p>\n<p>Mas de todo, o livro que mais tenho carregado na bolsa e lido no metr\u00f4, nos caf\u00e9s e de ponta cabe\u00e7a na cama \u00e9 Metamorfoses, do fil\u00f3sofo franc\u00eas Emanuele Coccia. O livro, em vers\u00e3o brasileira editado pela Dantes, apresenta um modo de estar no mundo em di\u00e1logo com o que existe ao lado, desde os pequenos insetos aos grandes tubar\u00f5es. Temos em comum a ocupa\u00e7\u00e3o de um mesmo planeta com for\u00e7a metam\u00f3rfica e a partir dessas altera\u00e7\u00f5es vamos desenhando individua\u00e7\u00f5es que nos levam a encontros calorosos que justificam a nossa estadia nesta Terra.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s percorrer a obra do fil\u00f3sofo <strong>Ailton Krenak<\/strong>, ler Emanuele Coccia em seguida me traz um pouco de esperan\u00e7a: pensamentos sobre a ecologia, antes fragmentados em uma vis\u00e3o euroc\u00eantrica, parecem reconstruir uma filosofia do comum, da rede e da floresta. Tenho a percep\u00e7\u00e3o de um Sul Global que opera enquanto floresta viva, mutante, com esses saberes imbu\u00eddos no esp\u00edrito de quem a ocupa, e vivendo no continente europeu h\u00e1 alguns anos, sinto que essas quest\u00f5es n\u00e3o t\u00eam sido elaboradas da mesma forma por aqui ao longo do tempo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/eKILtbLDcr5y3fn9HXDHqlrBYNsVyiHL6Ja4GopUVFDbvS2zvZgAN0GSgyszhgln1xQEk2IeN0bXgNYS.jpg\" width=\"102\" height=\"157\" \/> <\/p>\n<p>E nessa leitura filos\u00f3fica, tem me acompanhado o livro de fic\u00e7\u00e3o Floresta \u00e9 o nome do mundo, de <strong>Ursula K. Le Guin<\/strong> editado no brasil pela <strong>Morro Branco<\/strong>. O livro me trouxe uma sensa\u00e7\u00e3o parecida com a de ler Coccia: a vida aparece como algo que circula e se transforma, onde ningu\u00e9m est\u00e1 separado do outro ou do ambiente ao redor. Os athsheanos vivem em comunh\u00e3o com a floresta, respirando, sonhando e existindo junto dela, como se fossem parte de um mesmo corpo. Quando os humanos chegam, tudo se altera e a viol\u00eancia que eles trazem for\u00e7a uma transforma\u00e7\u00e3o dolorosa, mostrando que qualquer ruptura nesse fluxo da vida afeta tudo e todos. <\/p>\n<p>Ler Le Guin assim, junto de Coccia, faz sentido porque transforma filosofia em experi\u00eancia, a ideia de que tudo est\u00e1 vivo, em constante metamorfose, deixa de ser pensamento e vira quase um modo de sentir o mundo. E sentir, talvez, seja o que mais precisamos, e por isso os livros se tornam portas para tantas sensa\u00e7\u00f5es, lembrando-nos de que estamos todos conectados, compartilhando algo comum: a exist\u00eancia neste planeta em metamorfose.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ilustrador brasileiro \u00e9 finalista do Golden Pinwheel International Illustrators Competition, em Xangai No m\u00eas de setembro, o ilustrador&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":100988,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[868,877,867,169,869,872,873,880,114,115,874,870,875,878,879,864,876,237,871,170,865,866,13,32,33],"class_list":{"0":"post-100987","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-best-seller","9":"tag-biblioteca","10":"tag-bienal-do-livro","11":"tag-books","12":"tag-clipping","13":"tag-e-book","14":"tag-ebook","15":"tag-editora","16":"tag-entertainment","17":"tag-entretenimento","18":"tag-escritor","19":"tag-eventos","20":"tag-festival-literario","21":"tag-lancamentos","22":"tag-leitura","23":"tag-literatura","24":"tag-livraria","25":"tag-livro","26":"tag-livro-digital","27":"tag-livros","28":"tag-mercado-editorial","29":"tag-mercado-livreiro","30":"tag-noticias","31":"tag-portugal","32":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/100987","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=100987"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/100987\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/100988"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=100987"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=100987"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=100987"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}