{"id":101518,"date":"2025-10-08T01:26:08","date_gmt":"2025-10-08T01:26:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/101518\/"},"modified":"2025-10-08T01:26:08","modified_gmt":"2025-10-08T01:26:08","slug":"cha-1107-7626-o-planeta-errante-comilao-meio-bit","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/101518\/","title":{"rendered":"Cha 1107-7626, o planeta errante comil\u00e3o \u2013 Meio Bit"},"content":{"rendered":"<p>Um <strong>planeta<\/strong> interestelar, segundo a nomenclatura cient\u00edfica brasileira, ou errante\/desgarrado\/rebelde na linguagem informal, \u00e9 um corpo de massa planet\u00e1ria que n\u00e3o orbita uma estrela e flutua de Cosmos livremente. Tais objetos costumam se comportar de formas distintas e um tanto estranhas, o que nos traz ao curioso caso de <strong>Cha-1107-7626<\/strong>.<\/p>\n<p>Descoberto em 2008 e ainda em forma\u00e7\u00e3o, ele iniciou recentemente um processo tresloucado de absor\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria, a uma taxa de 6 bilh\u00f5es de toneladas de g\u00e1s e poeira estelar por segundo.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/files.meiobit.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/cha-1107-7626.jpg\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-466957\" class=\"size-medium wp-image-466957\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns=\" http:=\"\" alt=\"Representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica de Cha 1107-7626 fazendo um \" lanchinho=\"\" l.=\"\" cal=\"\" kornmesser=\"\" southern=\"\" observatory=\"\" width=\"680\" height=\"383\" data-lazy- data-lazy- data-lazy-src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/cha-1107-7626-680x383.jpg\"\/><\/a><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-466957\" class=\"wp-caption-text\">Representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica de Cha 1107-7626 fazendo um &#8220;lanchinho&#8221; (Cr\u00e9dito: L. Cal\u00e7ada\/M. Kornmesser\/European Southern Observatory)<\/p>\n<p>Um planeta em fase de crescimento<\/p>\n<p>Planetas errantes n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o incomuns, eles podem se formar dentro de sistemas estelares, mas acabam ejetados pelas for\u00e7as gravitacionais, ou se agregam por conta pr\u00f3pria, no que alguns cientistas os consideram pequenas &#8220;estrelas falhas&#8221; (as grandes fracassadas seriam gigantes gasosos como J\u00fapiter, algo disputado at\u00e9 hoje), tendo proposto inclusive reclassific\u00e1-los como &#8220;sub-an\u00e3s marrons&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 teorizado que existem bilh\u00f5es, sen\u00e3o trilh\u00f5es de planetas errantes na Via L\u00e1ctea, e essa \u00e9 inclusive uma das miss\u00f5es do Telesc\u00f3pio Espacial Nancy Grace Roman (RST), a ser lan\u00e7ado em 2027 se <a href=\"https:\/\/meiobit.com\/466917\/nasa-orientacao-trabalhos-orcamento-congresso-eua-2026\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">nada mais<\/a> der errado: identificar exoplanetas usando o <a href=\"https:\/\/meiobit.com\/460657\/james-webb-einstein-sobral-lente-gravitacional\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">efeito<\/a> de microlente gravitacional, e reduzir o n\u00famero suposto de corpos do tipo a uma estimativa mais real.<\/p>\n<p>Cha 1107-7626 seria s\u00f3 mais um entre muitos outros, um planeta errante localizado na constela\u00e7\u00e3o de Camale\u00e3o, a 620 anos-luz da Terra, ou &#8220;logo ali na esquina&#8221; na escala c\u00f3smica. Ele teria massa equivalente a 6 ou 10 vezes a de J\u00fapiter, e um raio 2,8 vezes maior que nosso vizinho maior. Por estar ainda nos est\u00e1gios iniciais de forma\u00e7\u00e3o, ele continua absorvendo mat\u00e9ria do disco de acre\u00e7\u00e3o do qual se formou, mas de uns tempos para c\u00e1, cientistas identificaram o que pode ser chamado de &#8220;surto de crescimento&#8221;.<\/p>\n<p>Usando o Very Large Telescope (VLT), aquele projeto da ESO (European Southern Observatory) do qual <a href=\"https:\/\/www.terra.com.br\/byte\/brasil-e-expulso-do-eso-apos-oito-anos-sem-cumprir-sua-parte-no-acordo,4ffd0e4e00f04e790da6a40883573c50d2h7dbwt.html\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">o Brasil foi chutado<\/a> (o que <a href=\"https:\/\/meiobit.com\/435240\/a-saga-do-brasil-na-estacao-espacial-internacional\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">\u00e9 bem a nossa cara<\/a>), foi observado que desde agosto de 2025, o planeta errante passou a absorver muito mais mat\u00e9ria do que vinha &#8220;comendo&#8221; at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p>V\u00edctor Almendros-Abad, ao Instituto Astron\u00f4mico de Palermo, do Instituto Nacional de Astrof\u00edsica da It\u00e1lia, e um dos co-autores do <a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ae09a8\/pdf\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">estudo<\/a> (cuidado, PDF), menciona que o consumo de mat\u00e9ria por Cha 1107-7626 acelerou em 8 vezes quando comparado \u00e0 taxa antes de 08\/2025, o que foi categorizado como o epis\u00f3dio de acre\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pido j\u00e1 registrado. \u00c9 como ele o planeta absorvesse uma quantidade de mat\u00e9ria equivalente \u00e0 massa de oito Pallas, o terceiro maior asteroide do Sistema Solar, por ano.<\/p>\n<p>O VLT n\u00e3o foi o \u00fanico telesc\u00f3pio usado, a ESO tamb\u00e9m teve acesso a dados do James Webb, operado pela NASA. Os pesquisadores notaram forte atividade magn\u00e9tica, e a qu\u00edmica ao redor do astro tamb\u00e9m mudou, com a identifica\u00e7\u00e3o de vapor de \u00e1gua durante o surto, mas n\u00e3o antes disso, ambos eventos que se acreditavam serem restritos a estrelas; \u00e9 a primeira vez que ambas ocorr\u00eancias foram documentadas em objetos de menos massa, como planetas.<\/p>\n<p>Os pesquisadores envolvidos no estudo est\u00e3o t\u00e3o confusos quanto maravilhados. Outra co-autora, a astr\u00f4noma Belinda Damian da Universidade de St. Andrews, no Reino Unido, diz que a descoberta &#8220;borra a linha entre estrelas e planetas&#8221;, e permite observar o processo de forma\u00e7\u00e3o inicial de um planeta interestelar, que ainda levanta uma s\u00e9rie de quest\u00f5es de acad\u00eamicos.<\/p>\n<p>J\u00e1 para Amelia Bayo, astr\u00f4noma do ESO e tamb\u00e9m co-autora, &#8220;a ideia de que um objeto planet\u00e1rio pode se comportar como uma estrela \u00e9 inspiradora, e nos convida a imaginar como seriam os mundos al\u00e9m do nosso, durante seus est\u00e1gios iniciais&#8221;, afinal, o Universo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 mais esquisito do que imaginamos, mas mais esquisito do que\u00a0podemos\u00a0imaginar.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p>ALMENDROS-ABAD, V., SCHOLZ, A., DAMIAN, B. et al. Discovery of an Accretion Burst in a Free-floating Planetary-mass Object. <strong>The Astrophysical Journal Letters<\/strong>, Volume 992, Edi\u00e7\u00e3o 1, 7 p\u00e1ginas, 2 de outubro de 2025.<\/p>\n<p>DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.3847\/2041-8213\/ae09a8\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">10.3847\/2041-8213\/ae09a8<\/a><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/news\/eso2516\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">European Southern Observatory<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um planeta interestelar, segundo a nomenclatura cient\u00edfica brasileira, ou errante\/desgarrado\/rebelde na linguagem informal, \u00e9 um corpo de massa&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":101519,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[443,109,107,108,4015,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":{"0":"post-101518","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-astronomia","9":"tag-ciencia","10":"tag-ciencia-e-tecnologia","11":"tag-cienciaetecnologia","12":"tag-exoplanetas","13":"tag-portugal","14":"tag-pt","15":"tag-science","16":"tag-science-and-technology","17":"tag-scienceandtechnology","18":"tag-technology","19":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101518","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=101518"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101518\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/101519"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=101518"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=101518"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=101518"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}