{"id":10227,"date":"2025-07-31T14:37:07","date_gmt":"2025-07-31T14:37:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/10227\/"},"modified":"2025-07-31T14:37:07","modified_gmt":"2025-07-31T14:37:07","slug":"liam-neeson-revive-the-naked-gun-com-nostalgia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/10227\/","title":{"rendered":"Liam Neeson Revive &#8216;The Naked Gun&#8217; com Nostalgia"},"content":{"rendered":"<p>A partir desta quinta-feira, 31 de julho, nas salas portuguesas, <strong>The Naked Gun: Aonde \u00e9 que P\u00e1ra a Pol\u00edcia<\/strong><strong>? tem na sua campanha um curioso cartaz em que Liam Neeson mostra o seu distintivo policial, \u201capoiando-se\u201d na moldura da pr\u00f3pria imagem numa pose de inusitada espargata de bailarino.<\/strong> A legenda prolonga o sarcasmo: \u201cO alcance da lei nunca se esticou at\u00e9 t\u00e3o longe&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Em boa verdade, a imagem n\u00e3o pertence ao filme. Isto porque o humor que esta realiza\u00e7\u00e3o de Akiva Schaffer tenta recuperar e, de alguma maneira, reinventar n\u00e3o \u00e9 especificamente burlesco. O que aqui mais conta n\u00e3o s\u00e3o as transfigura\u00e7\u00f5es mais ou menos ginasticadas (burlescas, precisamente) dos corpos, mas sim as componentes absurdas dos di\u00e1logos e tamb\u00e9m, logo a abrir, as desconcertantes palavras do discurso em off do protagonista, o tenente Frank Drebin Jr. \u2014 essa voz apresenta-se, ali\u00e1s, como uma caricatura dos narradores da grande tradi\u00e7\u00e3o do filme \u201cnoir\u201d.<\/p>\n<p>O novo Naked Gun \u00e9 o n\u00ba 4 de uma das mais at\u00edpicas franchises geradas por Hollywood ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas. <strong>Concebido por um trio de criadores \u2014 Jim Abrahams e os irm\u00e3os David e Jerry Zucker \u2014, vale a pena recordar que o primeiro t\u00edtulo, <\/strong><strong>Aonde \u00e9 que P\u00e1ra a Pol\u00edcia<\/strong><strong>? (agora recuperado como subt\u00edtulo portugu\u00eas) surgiu em 1988, numa \u00e9poca em que a \u201cgrande aventura\u201d (Indiana Jones &amp; etc.) era ainda a matriz dominante das produ\u00e7\u00f5es mais rent\u00e1veis.<\/strong> A\u00ed fic\u00e1mos a conhecer as atribula\u00e7\u00f5es do tenente Frank Drebin, interpretado, com apote\u00f3tica voca\u00e7\u00e3o para ser distra\u00eddo, pelo veterano Leslie Nielsen.<\/p>\n<p>Sempre a habitar um mundo de pernas para o ar (decididamente, a met\u00e1fora das pernas adequa-se a este universo&#8230;), Drebin regressou em 1991 e 1994 com dois t\u00edtulos ainda mais absurdos. Ou seja: primeiro, Aonde \u00e9 que P\u00e1ra a Pol\u00edcia? Parte 2 \u00bd: O Aroma do Medo; depois, Aonde \u00e9 que P\u00e1ra a Pol\u00edcia 33 1\/3. Nielsen faleceu em 2010, contava 84 anos, e o assunto parecia encerrado. De facto, <strong>este retorno de <\/strong><strong>Naked Gun<\/strong><strong>, al\u00e9m de francamente banal, parece decorrer menos de um genu\u00edno conceito de recria\u00e7\u00e3o ou reinven\u00e7\u00e3o, ilustrando apenas a falta de vis\u00e3o de alguns executivos dos grandes est\u00fadios (Paramount, neste caso) que tendem a identificar a ideia de sequela como princ\u00edpio \u201cobrigat\u00f3rio\u201d de qualquer plano de produ\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>Tr\u00eas d\u00e9cadas passadas, a escolha de Liam Neeson para interpretar o filho do primeiro Drebin \u2014 h\u00e1 uma cena com um retrato da personagem do pai para situar as mem\u00f3rias da pr\u00f3pria franchise \u2014 tem tanto de bizarro como ter\u00e1 tido a estreia de Nielsen no filme de 1988 (ele que, tanto em cinema como em televis\u00e3o, tinha sido quase sempre um competente secund\u00e1rio em registos predominantemente dram\u00e1ticos). <strong>Quanto a Neeson, ultimamente dedicado a policiais mais ou menos estereotipados, conv\u00e9m n\u00e3o esquecer que, em momento fulcral da sua carreira, obteve uma nomea\u00e7\u00e3o para o \u00d3scar de melhor ator pelo papel de Oskar Schindler em A Lista de Schindler (1993), de Steven Spielberg.<\/strong><\/p>\n<p>Humor &amp; nostalgia<\/p>\n<p><strong>Na companhia de Pamela Anderson, tamb\u00e9m ela marcada pela fr\u00e1gil gl\u00f3ria da s\u00e9rie Baywatch\/Mar\u00e9s Vivas (1989-2001), Neeson comp\u00f5e, assim, um investigador igualmente desastrado que, sempre com a m\u00e1xima inoc\u00eancia, debita frases de surpreendente elabora\u00e7\u00e3o \u201cintelectual\u201d contendo sugest\u00f5es sexuais mais ou menos obscenas&#8230;<\/strong> H\u00e1 em tudo isto um esfor\u00e7o para reencontrar as ra\u00edzes de um humor t\u00e3o primitivo quanto contagiante, mas a nostalgia n\u00e3o basta para salvar a com\u00e9dia (este g\u00e9nero de com\u00e9dia, entenda-se) da sua pr\u00f3pria decomposi\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica, art\u00edstica e, no fundo, industrial.<\/p>\n<p>Fica, ali\u00e1s, a ideia de que o melhor dos filmes Naked Gun est\u00e1 ligado a uma tradi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas cinematogr\u00e1fica, mas em grande parte televisiva. Penso, em particular, no humor surreal da magn\u00edfica s\u00e9rie Get Smart\/Olho Vivo (1965-1970), criada pela dupla Mel Brooks\/Buck Henry. Outros tempos, sem d\u00favida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A partir desta quinta-feira, 31 de julho, nas salas portuguesas, The Naked Gun: Aonde \u00e9 que P\u00e1ra a&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":10228,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[140],"tags":[4503,470,306,114,115,4502,147,148,146,32,33],"class_list":{"0":"post-10227","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-filmes","8":"tag-as-estreias-da-semana","9":"tag-cinema","10":"tag-edicao-impressa","11":"tag-entertainment","12":"tag-entretenimento","13":"tag-estreias-da-semana","14":"tag-film","15":"tag-filmes","16":"tag-movies","17":"tag-portugal","18":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10227","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10227"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10227\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10228"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10227"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10227"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10227"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}