{"id":102738,"date":"2025-10-08T22:18:08","date_gmt":"2025-10-08T22:18:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/102738\/"},"modified":"2025-10-08T22:18:08","modified_gmt":"2025-10-08T22:18:08","slug":"esta-e-a-guerra-invisivel-do-kremlin-que-custa-menos-de-um-missil-mas-provoca-imensa-destruicao-num-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/102738\/","title":{"rendered":"Esta \u00e9 a guerra invis\u00edvel do Kremlin que custa menos de um m\u00edssil mas provoca &#8220;imensa destrui\u00e7\u00e3o num pa\u00eds&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>\t                A Europa acorda para uma amea\u00e7a que j\u00e1 dura d\u00e9cadas, orquestrada por Moscovo nas sombras da &#8220;paz&#8221;. E agora poder\u00e1 ter de fazer &#8220;coisas semelhantes&#8221;, mesmo que n\u00e3o esteja t\u00e3o preparada<\/p>\n<p>Tem milhares de anos, combate-se nas sombras, sem m\u00edsseis, avi\u00f5es e blindados, mas pode &#8220;provocar imensa destrui\u00e7\u00e3o num pa\u00eds&#8221; por apenas uma fra\u00e7\u00e3o do valor que se gasta num conflito militar. N\u00e3o se trata de batalhas abertas, mas de uma teia invis\u00edvel que atravessa dom\u00ednios m\u00faltiplos, sempre com o objetivo de esconder a origem do ataque. &#8220;Algo novo e perigoso est\u00e1 a acontecer&#8221;, alertou Ursula von der Leyen, na semana passada, no Conselho Europeu que decorreu em Copenhaga. Mas os especialistas garantem que esta guerra j\u00e1 est\u00e1 na Europa h\u00e1 muito tempo e veio para ficar.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 muito tempo que a Europa est\u00e1 a ser alvo de uma guerra h\u00edbrida. Ela vai aumentar, porque \u00e9 especialmente importante para a R\u00fassia, nesta altura. Pelo pre\u00e7o de um m\u00edssil, \u00e9 poss\u00edvel pagar 200 l\u00edderes de opini\u00e3o em Fran\u00e7a durante um ano. \u00c9 um gasto muito eficaz&#8221;, alerta o historiador Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Telo em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 CNN Portugal.<\/p>\n<p>A presidente da Comiss\u00e3o Europeia n\u00e3o poupou palavras na capital da Dinamarca, onde defendeu que os 27 devem proteger &#8220;cada cent\u00edmetro quadrado&#8221; contra esta amea\u00e7a multifacetada que Moscovo est\u00e1 a criar na Uni\u00e3o Europeia, referindo-se \u00e0s repetidas incurs\u00f5es de drones, sabotagens e ciberataques. A l\u00edder europeia alertou que esta \u00e9 &#8220;uma campanha coerente e crescente&#8221; com o objetivo de perturbar os cidad\u00e3os europeus e &#8220;testar a determina\u00e7\u00e3o&#8221; e dividir o Ocidente.<\/p>\n<p>Em causa est\u00e3o as dezenas de incidentes que atingiram v\u00e1rios pa\u00edses europeus nos \u00faltimos meses, com cabos submarinos cortados, centros log\u00edsticos paralisados com ciberataques, drones a obrigar o encerramento de aeroportos, bem como campanhas de influ\u00eancia de larga escala para tentar eleger partidos pol\u00edticos pr\u00f3ximos dos interesses do Kremlin. Apesar de serem mais discretas, estas opera\u00e7\u00f5es t\u00eam &#8220;um custo-benef\u00edcio enorme&#8221;, representando apenas uma fra\u00e7\u00e3o dos gastos militares russos.<\/p>\n<p>Mas para Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Telo, que tamb\u00e9m \u00e9 professor e investigador em estrat\u00e9gia militar, estas atividades n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o s\u00e3o novas, como t\u00eam ra\u00edzes que remontam aos tempos da Guerra Fria, quando os comunistas come\u00e7aram por criar &#8220;uma quinta coluna&#8221; que passava por infiltrar uma sociedade com pessoas e institui\u00e7\u00f5es que defendem os seus interesses. &#8220;Sempre existiram guerras h\u00edbridas, embora nem sempre se fale delas&#8221;, recorda.<\/p>\n<p>E a R\u00fassia nunca o escondeu. Em 2012, o Kremlin formalizou o papel da guerra h\u00edbrida na sua doutrina militar, integrando opera\u00e7\u00f5es de informa\u00e7\u00e3o, cibern\u00e9ticas, econ\u00f3micas e pol\u00edticas, como ferramentas para alcan\u00e7ar objetivos sem necessariamente escalar para um confronto aberto total. Os russos chamam-lhe &#8220;a guerra por outros meios&#8221; e esta mudan\u00e7a foi orquestrada em 2013 pelo homem respons\u00e1vel pelas opera\u00e7\u00f5es militares na guerra na Ucr\u00e2nia: Valery Gerasimov, chefe do Estado-Maior Geral das For\u00e7as Armadas russas.<\/p>\n<p>&#8220;Os russos utilizam m\u00e9todos diversos que n\u00e3o permitem detetar a origem dos ataques, como a guerra cibern\u00e9tica ou a manipula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o. O objetivo \u00e9 criar p\u00e2nico e alarme nos europeus, com o objetivo de inibir o processo de decis\u00e3o na Europa e provocar divis\u00f5es. N\u00e3o h\u00e1 avi\u00f5es e carros de combate, mas hoje, \u00e0 dist\u00e2ncia, \u00e9 poss\u00edvel provocar imensa destrui\u00e7\u00e3o num pa\u00eds&#8221;, explica o tenente-general Marco Serronha.<\/p>\n<p>Este tipo de a\u00e7\u00f5es \u00e9 extremamente eficaz em sociedades democr\u00e1ticas, onde a R\u00fassia foi capaz de criar redes de apoiantes pagos, com comentadores, l\u00edderes de opini\u00e3o, universidades, sindicatos e at\u00e9 institui\u00e7\u00f5es desportivas. Tudo isto \u00e9 feito atrav\u00e9s de uma rede de financiamentos opacos e difusos. Segundo o professor Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Telo, a defesa para estes ataques passa por duas coisas que a Europa, neste momento, n\u00e3o tem: coes\u00e3o e valores firmes.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 muito dif\u00edcil de combater esta guerra, porque a principal defesa est\u00e1 na coes\u00e3o pol\u00edtica e na exist\u00eancia de valores firmes na sociedade, duas coisas que n\u00e3o existem atualmente. A Europa est\u00e1 numa confus\u00e3o tremenda e \u00e9 f\u00e1cil inflamar as divis\u00f5es j\u00e1 existentes&#8221;, admite o historiador.<\/p>\n<p>Por esse motivo, a presidente da Comiss\u00e3o Europeia sugeriu criar medidas para travar as amea\u00e7as russas que v\u00e3o al\u00e9m &#8220;da defesa tradicional&#8221;. Assim, defende uma &#8220;nova mentalidade&#8221; com unidade, dissuas\u00e3o e determina\u00e7\u00e3o. Mas para o tenente-general Marco Serronha, a resposta passa pela cria\u00e7\u00e3o de mecanismos semelhantes que possam ser utilizados contra a R\u00fassia.<\/p>\n<p>&#8220;Os europeus n\u00e3o t\u00eam essa metodologia de a\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica nos seus advers\u00e1rios. \u00c9 preciso uma guerra cibern\u00e9tica ofensiva, \u00e9 preciso fazer guerra h\u00edbrida sob a R\u00fassia, tal como ela faz conosco. Vamos ter de fazer coisas semelhantes, embora os russos possam estar mais preparados para a resposta&#8221;, defende Marco Serronha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A Europa acorda para uma amea\u00e7a que j\u00e1 dura d\u00e9cadas, orquestrada por Moscovo nas sombras da &#8220;paz&#8221;. 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