{"id":102837,"date":"2025-10-08T23:43:23","date_gmt":"2025-10-08T23:43:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/102837\/"},"modified":"2025-10-08T23:43:23","modified_gmt":"2025-10-08T23:43:23","slug":"religious-political-essays-on-judaism","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/102837\/","title":{"rendered":"Religious-political essays on judaism &#8211;"},"content":{"rendered":"<p>\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/aterraeredonda.com.br\/religious-political-essays-on-judaism\/?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/pdf.png\" alt=\"image_pdf\" title=\"Ver PDF\"\/><\/a><a href=\"https:\/\/aterraeredonda.com.br\/religious-political-essays-on-judaism\/?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\"\/><\/a><\/p>\n<p>Por <strong>ARI MARCELO SOLON*<\/strong><\/p>\n<p>Coment\u00e1rio sobre o livro de Margaret Susman, organizado por Elisa Klapheck<\/p>\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>1.<\/strong><\/p>\n<p>Elisa Klapheck reuniu seis ensaios de Margaret Susman, significativos sobre o juda\u00edsmo. \u00c9 digno de nota o esfor\u00e7o da organizadora em compilar e apresentar elementos da obra de Margaret Susman \u2013 considerada uma das mais importantes fil\u00f3sofas do S\u00e9culo XX \u2013 traduzidos, no caso, do alem\u00e3o \u00e0 l\u00edngua inglesa, motivo pelo qual procedemos a uma breve apresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A editora, Elisa Klapheck, nascida em Dusseldorf, em meados de 1962, tornou-se rabina da Comunidade Judaica de Frankfurt e professora respons\u00e1vel pela cadeira de estudos judaicos na Universidade de Paderborn. Com enfoques variados, vale mencionar seu t\u00f3pico central: a rela\u00e7\u00e3o entre ideias pol\u00edticas e juda\u00edsmo. Passemos agora a um tratamento especificamente voltado ao livro.<\/p>\n<p>Sem abordar os t\u00edtulos espec\u00edficos dos artigos, destacam-se os temas centrais: di\u00e1logo judeu-crist\u00e3o, emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres, revolu\u00e7\u00e3o, socialismo religioso, anarquismo, renascimento judaico, messianismo secular, di\u00e1spora, ex\u00edlio, expia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, teshuv\u00e1 e lei divina.<\/p>\n<p>Agora, especificamente a respeito dos t\u00edtulos dos escritos de Margaret Susman presentes no compilado proposto por Elisa Klapheck, temos: (i) The Revolution and the Jews (1919); (ii) The Question of Job in Franz Kafka (1929); (iii) Judaism: A World Religion (1932); (iv) The Problem of Emancipation (1934); (v) Ezekiel: The Prophet of Return (1942); (vi) Israel\u2019s Path (1948).<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1920, Basileia e Zurique abrigavam numerosos intelectuais judeus ligados ao c\u00edrculo do poeta Stefan George. Entre eles estava Margaret Susman (1872\u20131965), inicialmente poetisa e membro do grupo em torno de George. Margaret Susman se uniu \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Sovi\u00e9tica na Baviera, liderada por Gustav Landauer, e, posteriormente, no ex\u00edlio su\u00ed\u00e7o, engajou-se pelo socialismo religioso de Leonhard Ragaz.<\/p>\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>2.<\/strong><\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o de 1918 na Baviera aconteceu no contexto do fim da Primeira Guerra Mundial e da queda da monarquia alem\u00e3. Inspirados pelos ideais socialistas da R\u00fassia, trabalhadores e soldados proclamaram a Rep\u00fablica Sovi\u00e9tica da Baviera, um governo radical que buscava reformas sociais profundas. Esse governo durou pouco, sendo esmagado por tropas conservadoras e mil\u00edcias. Entre os l\u00edderes estava o anarquista Gustav Landauer, que foi capturado e morto durante a repress\u00e3o, tornando-se um s\u00edmbolo da luta e do sofrimento dos revolucion\u00e1rios na Baviera.<\/p>\n<p>No ano de 1918, Margaret Susman apoiou a Revolu\u00e7\u00e3o de Novembro e a Rep\u00fablica Sovi\u00e9tica de Munique, fundada por Gustav Landauer e outros. Al\u00e9m de seu engajamento pol\u00edtico, caracter\u00edstico dela era a constru\u00e7\u00e3o de uma ponte entre o juda\u00edsmo e o cristianismo, enfatizando, na simbiose judaico-alem\u00e3 da \u00e9poca, a aproxima\u00e7\u00e3o das duas tradi\u00e7\u00f5es metaf\u00edsicas em vez da separa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na reflex\u00e3o de Margaret Susman sobre a teodiceia do livro de J\u00f3, a grande quest\u00e3o \u00e9: onde se encontra a justi\u00e7a da vida? Enquanto a feminista Bertha Pappenheim, curada por Breuer, concentrava-se no desenvolvimento da Halach\u00e1, a lei judaica, Margaret Susman propunha uma nova filosofia da lei divina (Klapheck; D\u00e4mmig, 2003).<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, Bertha Pappenheim era ningu\u00e9m menos do que a paciente Anna O., cujo caso paradigm\u00e1tico firmou os conceitos de cura pela fala e de transfer\u00eancia, conforme posteriormente desenvolvido por Freud (2016). A quest\u00e3o central do J\u00f3 de Margaret Susman \u00e9 enfrentar todas as cat\u00e1strofes do s\u00e9culo sem ceder \u00e0 perda da f\u00e9.<\/p>\n<p>A respeito da obra O livro de J\u00f3, trata-se de um dos livros da se\u00e7\u00e3o dos \u201cEscritos\u201d (Ketuvim) da B\u00edblia hebraica (Tanach) e o primeiro dos livros po\u00e9ticos do Antigo Testamento da B\u00edblia crist\u00e3. A narrativa aborda o problema da teodiceia \u2013 a justifica\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a de Deus \u00e0 luz do sofrimento da humanidade \u2013 e \u00e9 uma obra teol\u00f3gica que apresenta diversas perspectivas sobre a quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Resposta a J\u00f3 (em alem\u00e3o: Antwort auf Hiob) \u00e9 um livro de 1952 de Carl Jung que trata do significado do Livro de J\u00f3 no \u201cdrama divino\u201d do cristianismo. Argumenta que, embora tenha se submetido \u00e0 onipot\u00eancia de Jav\u00e9, J\u00f3 mostrou-se, ainda assim, mais moral e consciente do que Deus, que o atormentou sem justificativa, incitado por Satan\u00e1s. Esse esc\u00e2ndalo tornou necess\u00e1rio que Deus se unisse ao homem. Satan\u00e1s foi banido do c\u00e9u e Deus se encarnou como pura bondade, por meio de um nascimento virginal, no redentor sem pecado Jesus Cristo.<\/p>\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>3.<\/strong><\/p>\n<p>Para Margaret Susman (1932), a justi\u00e7a divina, \u00e0 luz do livro de J\u00f3, n\u00e3o se manifesta de forma imediata ou tang\u00edvel. Ela se revela na experi\u00eancia existencial do desabrigo humano, no sofrimento coletivo e hist\u00f3rico do povo judeu e na responsabilidade \u00e9tica do indiv\u00edduo. A proibi\u00e7\u00e3o de imagens divinas (Entbildlichung) indica que a justi\u00e7a de Deus n\u00e3o pode ser limitada ou totalmente concebida, sendo um processo \u00e9tico e espiritual cont\u00ednuo.<\/p>\n<p>A principal condi\u00e7\u00e3o humana \u00e9 o desabrigo existencial do indiv\u00edduo. O juda\u00edsmo acolhe essa condi\u00e7\u00e3o ao aceitar o ex\u00edlio como situa\u00e7\u00e3o coletiva fundamental e desenvolve ainda mais esse conceito. A partir dessa perspectiva, Margaret Susman (1932) interpreta historicamente a proibi\u00e7\u00e3o de imagens divinas, mostrando que o primeiro mandamento exige um poder primordial de n\u00e3o imaginar: Entbildlichung.<\/p>\n<p>No que concerne \u00e0 conclus\u00e3o, pudemos verificar que a colet\u00e2nea de ensaios de Margaret Susman revela-se uma contribui\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel aos estudos judaicos, em fun\u00e7\u00e3o de demonstrar como o pensamento da autora sintetiza, de forma singular, um valoroso engajamento pol\u00edtico-social com uma profunda reflex\u00e3o de car\u00e1ter teol\u00f3gico.<\/p>\n<p>O ponto fulcral da obra de Margaret Susman reside na interpreta\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o humana como um \u201cdesabrigo existencial\u201d, onde a justi\u00e7a divina, \u00e0 luz do livro de J\u00f3, n\u00e3o se manifesta de forma tang\u00edvel, mas no \u00e2mbito da responsabilidade \u00e9tica e do sofrimento hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Por fim, o ex\u00edlio n\u00e3o deve ser compreendido como mera conting\u00eancia, mas como o espa\u00e7o por excel\u00eancia para um cont\u00ednuo processo de busca por justi\u00e7a e teshuv\u00e1.<\/p>\n<p>*<strong>Ari Marcelo Solon<\/strong> \u00e9 professor na Faculdade de Direito da USP. Autor, entre outros, livros, de Caminhos da filosofia e da ci\u00eancia do direito: conex\u00e3o alem\u00e3 no devir da justi\u00e7a (Prisma). [<a href=\"https:\/\/amzn.to\/3Plq3jT\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">https:\/\/amzn.to\/3Plq3jT<\/a>]<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Margaret Susman. Religious-Political Essays on Judaism. Organizado por Elisa Klapheck. Tradu\u00e7\u00e3o: Laura Radosh. New York, Palgrave Macmillan, 2022, 142 p\u00e1gs. [<a href=\"https:\/\/amzn.to\/4nE6xil\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">https:\/\/amzn.to\/4nE6xil<\/a>]<\/p>\n<p><strong>Bibliografia<\/strong><\/p>\n<p>KLAPHECK, E.; D\u00c4MMIG, L. Bat Kol\u2014Die Stimme der Bertha<\/p>\n<p>Pappenheim. In: B. Pappenheim (Ed.), Gebete, mit einem Nachwort von<\/p>\n<p>Margarete Susman. Berlin: Hentrich &amp; Hentrich, 2003.<\/p>\n<p>FREUD, S. Obras completas, volume 2: estudos sobre a histeria (1893\u20131895) em coautoria com Josef Breuer. Tradu\u00e7\u00e3o: Laura Barreto. Revis\u00e3o da Tradu\u00e7\u00e3o: Paulo C\u00e9sar de Souza. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2016.<\/p>\n<p>SUSMAN, M. Das Judentum als Weltreligion. Mitteilungsblatt der j\u00fcdischen Reformgemeinde Berlin, 1 jul. 1932.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-center has-background\" style=\"background-color:#ea965a\"><strong>A Terra \u00e9 Redonda\u00a0existe gra\u00e7as<\/strong>\u00a0<strong>aos nossos leitores e apoiadores.<br \/>Ajude-nos a manter esta ideia.<br \/><a href=\"https:\/\/aterraeredonda.com.br\/CONTRIBUA\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\"><strong\/><\/a><a href=\"https:\/\/aterraeredonda.com.br\/CONTRIBUA\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">C O N T R I B U A<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por ARI MARCELO SOLON* Coment\u00e1rio sobre o livro de Margaret Susman, organizado por Elisa Klapheck 1. 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