{"id":10290,"date":"2025-07-31T15:23:46","date_gmt":"2025-07-31T15:23:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/10290\/"},"modified":"2025-07-31T15:23:46","modified_gmt":"2025-07-31T15:23:46","slug":"o-medo-pertence-a-elas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/10290\/","title":{"rendered":"O medo pertence a elas"},"content":{"rendered":"<p>Todo exerc\u00edcio da palavra \u00e9 uma linguagem do medo.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong> Julia Kristeva<\/strong><\/p>\n<p>A ep\u00edgrafe de Mand\u00edbula, terceiro romance de M\u00f3nica Ojeda e traduzido no Brasil por Silvia Massimini Felix, est\u00e1 nas entrelinhas de toda a obra da escritora equatoriana, que chegou ao pa\u00eds pela Aut\u00eantica Contempor\u00e2nea em 2022 e acaba de lan\u00e7ar um novo t\u00edtulo, Xam\u00e3s el\u00e9tricos na festa do sol, tamb\u00e9m com tradu\u00e7\u00e3o de Felix. Uma das vozes mais expressivas do que vem sendo chamado de novo g\u00f3tico latino-americano, termo especialmente relacionado a escritoras da Am\u00e9rica do Sul, Ojeda mescla poesia, brutalidade, erotismo e misticismo andino em seu quarto romance, o segundo publicado por aqui.<\/p>\n<p>A linguagem do medo, especialmente a do novo g\u00f3tico latino-americano, passa por um boom editorial, comercial e acad\u00eamico. No Brasil, al\u00e9m de Xam\u00e3s el\u00e9tricos na festa do sol, pelo menos dois outros livros escritos por autoras latinas vinculadas ao ins\u00f3lito chegaram entre maio e julho \u00e0s prateleiras do pa\u00eds. Um deles \u00e9 Como nascem os fantasmas (Suma), romance da paulistana Verena Cavalcante; o outro \u00e9 O bom mal (F\u00f3sforo, trad. de Livia Deorsola), nova colet\u00e2nea de contos da argentina Samanta Schweblin. Mais do que coincid\u00eancia editorial, os lan\u00e7amentos refor\u00e7am um cen\u00e1rio que tem se afirmado nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, com vozes femininas a revisitar c\u00f3digos de assombro a partir de experi\u00eancias \u00edntimas, corporais, pol\u00edticas e sensoriais.<\/p>\n<p>Essa est\u00e9tica se manifesta tanto no conte\u00fado quanto na forma liter\u00e1ria. O ins\u00f3lito n\u00e3o \u00e9 apenas a introdu\u00e7\u00e3o do sobrenatural em ambientes realistas, mas uma perturba\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da ordem cotidiana. Nasce do estranhamento, da deforma\u00e7\u00e3o do conhecido, da invas\u00e3o do \u00edntimo por for\u00e7as sem explica\u00e7\u00e3o aparente.<\/p>\n<p>\t\t\t<a data-no-instant=\"1\" href=\"https:\/\/quatrocincoum.com.br\/assine\" rel=\"noopener nofollow sponsored\" class=\"adv-link\" target=\"_blank\" aria-label=\"Group 3008\"><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns='http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg'%20viewBox='0%200%201056%20270'%3E%3C\/svg%3E\" alt=\"\" width=\"1056\" height=\"270\" data-lazy-src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Group-3008-1.png\"\/><\/p>\n<p><\/a><\/p>\n<p>O estilo se aproxima do l\u00edrico, do tel\u00farico, do fragment\u00e1rio e do po\u00e9tico sem abrir m\u00e3o da brutalidade e do desconforto. S\u00e3o comuns hist\u00f3rias narradas em primeira pessoa, elipses, imagens de viola\u00e7\u00e3o ou transfigura\u00e7\u00e3o para algo bizarro, claustrofobia e cenas de del\u00edrio. Nos enredos, o terror poucas vezes vem do susto ou da catarse, e sim da tens\u00e3o acumulada e da deteriora\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es. Tudo isso, em maior ou menor medida, aparece nos tr\u00eas livros rec\u00e9m-lan\u00e7ados, mas tamb\u00e9m em obras j\u00e1 consideradas essenciais ao entendimento amplo desse cen\u00e1rio, como As coisas que perdemos no fogo, da argentina Mariana Enriquez, lan\u00e7ado na Argentina em 2016 e, por aqui, no ano seguinte pela Intr\u00ednseca com tradu\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Geraldo Couto.<\/p>\n<blockquote class=\"s-eye dashed-top\"><p>\n    O desenho desse mapa liter\u00e1rio se d\u00e1 em paralelo \u00e0 reavalia\u00e7\u00e3o do papel das mulheres no pr\u00f3prio horror\n<\/p><\/blockquote>\n<p>O fen\u00f4meno n\u00e3o \u00e9 restrito ao subcontinente. Embora na Am\u00e9rica do Sul as cria\u00e7\u00f5es contenham peculiaridades locais, como a heran\u00e7a colonial, a opress\u00e3o do Estado, o patriarcado e a repress\u00e3o crist\u00e3, a movimenta\u00e7\u00e3o de autoras do ins\u00f3lito aparece com singularidades pr\u00f3prias tamb\u00e9m na \u00c1sia, com a japonesa Sayaka Murata, de Querida konbini (Esta\u00e7\u00e3o Liberdade, trad. de Rita Kohl), e a sul-coreana Bora Chung, de Coelho maldito (Alfaguara, trad. de Hyo Jeong Sung); na \u00c1frica, com a nigeriana Nuzo Onoh, in\u00e9dita no Brasil; e na Europa, com a espanhola Layla Mart\u00ednez, de Cupim (Alfaguara, trad. de Joana Ang\u00e9lica d\u2019Avila Melo), para citar algumas.<\/p>\n<p>O desenho desse mapa liter\u00e1rio se d\u00e1 em paralelo a uma reavalia\u00e7\u00e3o do papel das mulheres na hist\u00f3ria do pr\u00f3prio horror. Se o c\u00e2none sempre reconheceu Ann Radcliffe, Mary Shelley e as irm\u00e3s Bront\u00eb como pioneiras do g\u00f3tico, nomes como Shirley Jackson, Silvina Ocampo e Maria Firmina dos Reis v\u00eam sendo, em momentos distintos, reavaliados dentro da historiografia do g\u00eanero, que por anos as deixou de fora.<\/p>\n<p>Eco retumbante<\/p>\n<p>Para Verena Cavalcante, que estreia no romance com Como nascem os fantasmas, esse apagamento sistem\u00e1tico tem sido enfim combatido no s\u00e9culo 21. \u201cAs mulheres sempre dominaram os g\u00eaneros. E ningu\u00e9m escreve horror como as mulheres\u201d, diz. \u201cN\u00f3s o experienciamos de maneira direta no nosso cotidiano, num corpo que verte sangue e \u00e9 objetificado na viol\u00eancia de g\u00eanero, nas armadilhas de existir num mundo que hostiliza tudo que \u00e9 feminino.\u201d<\/p>\n<p>No romance, Verena d\u00e1 voz a uma protagonista pr\u00e9-adolescente assombrada por aus\u00eancias familiares e traumas que ela nem imagina ter e que se manifestam por apari\u00e7\u00f5es horripilantes. \u201cO fantasma \u00e9 o s\u00edmbolo de algo invis\u00edvel que perdura: o peso da aus\u00eancia, da falta, um eco retumbante do passado, tanto dos temores quanto dos deslumbramentos\u201d, diz a autora. Na escrita, Verena se assume influenciada por obras de terror psicol\u00f3gico com ecos do realismo fant\u00e1stico e grotesco, citando Lygia Fagundes Telles, Hilda Hilst e Clarice Lispector, entre outras. A escritora diz ainda que o ins\u00f3lito opera como reflexo expressivo dos cen\u00e1rios sombrios que atravessam tanto o \u00edntimo quanto o social. \u201c\u00c9 um excelente espelho da realidade, ainda que subvertida e calcada no grotesco, fazendo-a mais f\u00e1cil de ser vista\u201d, explica. Ela acredita que uma sociedade mais engajada e atenta ao que as mulheres t\u00eam a dizer oferece portas abertas aos leitores e a autoras que veem na escrita liter\u00e1ria um espa\u00e7o de \u201cexterioriza\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias subjetividades e das hist\u00f3rias de viol\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Contra-ataque<\/p>\n<p>Ficcionista, pesquisador e tradutor, o paulistano Oscar Nestarez fez um p\u00f3s-doutorado na Espanha investigando a autoria de mulheres na literatura de horror. Ele identifica o momento atual como o de uma virada de percep\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e de mercado, em que uma nova sensibilidade est\u00e9tica tem se formado na produ\u00e7\u00e3o latino-americana, destacando o protagonismo feminino e \u201cuma abordagem do ins\u00f3lito que d\u00e1 centralidade ao corpo, \u00e0 ancestralidade, \u00e0s heran\u00e7as coloniais e \u00e0 viol\u00eancia estruturante das sociedades locais\u201d, escreve Nestarez num ensaio publicado na revista acad\u00eamica Opini\u00e3es, da USP.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o do pesquisador, obras de Mariana Enriquez, M\u00f3nica Ojeda e Samanta Schweblin conseguiram ocupar um lugar de relev\u00e2ncia internacional sem renunciar a territ\u00f3rios simb\u00f3licos e geogr\u00e1ficos e criaram uma est\u00e9tica pr\u00f3pria, muitas vezes suja, carnal e n\u00e3o domesticada. \u201cO choque visual expl\u00edcito, a vilania, as monstruosidades, os s\u00edmbolos, todo o imagin\u00e1rio pavoroso do g\u00eanero estava \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para que fosse apontado na dire\u00e7\u00e3o de quem sempre tratou as mulheres com hostilidade\u201d, me disse Nestarez durante uma conversa.<\/p>\n<p>Para ele, o ins\u00f3lito escrito por mulheres representa um campo de contra-ataque simb\u00f3lico. \u201cAlguns livros s\u00e3o gestos de retomada do imagin\u00e1rio\u201d, afirma. \u201cAs autoras n\u00e3o apenas reconstroem imagens, mas reelaboram c\u00f3digos, expandem simbologias, criam linguagens e tensionam os modos de organiza\u00e7\u00e3o e recep\u00e7\u00e3o da literatura para responder \u00e0 precariedade das estruturas por meio do excesso, do ru\u00eddo e da contamina\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Perturba\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Especialista em construir cotidianos ins\u00f3litos, Samanta Schweblin narra em O bom mal seis hist\u00f3rias marcadas por situa\u00e7\u00f5es inesperadas que reconfiguram o caminho dos personagens. Os contos retratam pessoas comuns que, de repente, devem lidar com rupturas na percep\u00e7\u00e3o de seus mundos quase sempre sufocantes. O estilo evocativo e lentamente revelador da argentina remete ao da canadense Alice Munro, Nobel de Literatura em 2013, com o acr\u00e9scimo da perturba\u00e7\u00e3o e de certo surrealismo j\u00e1 visto antes em outras colet\u00e2neas de Schweblin, especialmente P\u00e1ssaros na boca, reeditada pela F\u00f3sforo em 2022 com tradu\u00e7\u00e3o de Joca Reiners Terron. \u201cO estranho \u00e9 sempre mais verdadeiro\u201d, diz a ep\u00edgrafe de O bom mal, numa cita\u00e7\u00e3o de Silvina Ocampo.<\/p>\n<blockquote class=\"s-eye dashed-top\"><p>\n    Para M\u00f3nica Ojeda, escrever \u00e9 perturbar os sentidos e o medo \u00e9 uma \u2018emo\u00e7\u00e3o interessante\u2019\n<\/p><\/blockquote>\n<p>J\u00e1 em Xam\u00e3s el\u00e9tricos na festa do sol, M\u00f3nica Ojeda radicaliza o estilo multivocal de Mand\u00edbula. Na nova hist\u00f3ria, Noa e a amiga Nicole fogem da viol\u00eancia urbana de Guaiaquil rumo ao Ru\u00eddo Solar, festival que atrai milhares de jovens com m\u00fasica, poesia, dan\u00e7a e espiritualidade. L\u00e1, elas se deparam com uma paisagem lis\u00e9rgica de vulc\u00f5es em erup\u00e7\u00e3o e c\u00e9us cortados por meteoritos.<\/p>\n<p>Ao escrever, a autora equatoriana diz sentir que a perturba\u00e7\u00e3o \u00e9 insepar\u00e1vel das transforma\u00e7\u00f5es sensoriais que acompanham o processo de cria\u00e7\u00e3o textual. \u201cA escrita \u00e9 um estado alterado de percep\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma paix\u00e3o que vem de experi\u00eancias no limiar do corpo e das linguagens. Para mim, o medo \u00e9 uma emo\u00e7\u00e3o interessante, que nasce da ruptura com a realidade conhecida, e ent\u00e3o o desconhecido d\u00e1 lugar a uma nova linguagem, que \u00e9 onde nasce a literatura\u201d, disse \u00e0 <strong>Quatro Cinco Um<\/strong>.<\/p>\n<p>Ojeda aponta que o horror latino-americano n\u00e3o \u00e9 exatamente novidade, mas a recep\u00e7\u00e3o talvez seja. \u201cSempre existiram escritoras do ins\u00f3lito aqui, que trabalharam com a imag\u00e9tica do horror. Penso em Armon\u00eda Somers, Mar\u00eda Luisa Bombal, Elena Garro, Alejandra Pizarnik. A diferen\u00e7a \u00e9 que j\u00e1 n\u00e3o se consideram esses livros \u2018baixa literatura\u2019 ou \u2018menores\u2019.\u201d<\/p>\n<p>A equatoriana cita ainda a boliviana Giovana Rivero, a mexicana Fernanda Melchor e sua compatriota Mar\u00eda Fernanda Ampuero entre leituras constantes e observa que, embora compartilhem muita coisa, o estilo dessas escritoras apresenta grandes varia\u00e7\u00f5es. \u201cS\u00e3o propostas liter\u00e1rias muito diferentes entre si. Elas t\u00eam em comum um olhar agudo e cr\u00edtico sobre a Am\u00e9rica Latina, sobre o corpo das mulheres, rela\u00e7\u00f5es familiares e feridas hist\u00f3ricas, mas suas escritas possuem camadas de sentido, estilos e olhares diversos.\u201d<\/p>\n<p>Reverbera\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Refer\u00eancia da Am\u00e9rica Latina, j\u00e1 traduzida em v\u00e1rios continentes, Mariana Enriquez mistura terror social e pavor absoluto para transformar a mis\u00e9ria urbana, os traumas da ditadura e a marginaliza\u00e7\u00e3o excludente em sua mat\u00e9ria-prima. \u201cNo s\u00e9culo 19, a explos\u00e3o do g\u00eanero e do espectral na vida cotidiana tamb\u00e9m se relacionou com a pol\u00edtica: o terror \u00e9 um g\u00eanero popular que responde ao presente\u201d, ela observa.<br \/>Enriquez reconhece a influ\u00eancia do cinema de horror dos anos 80, desde adapata\u00e7\u00f5es de Stephen King a filmes de matan\u00e7a como Sexta-feira 13, mas junta a essas refer\u00eancias o que detecta em seu entorno. \u201cQuando escrevo e penso no cotidiano, simplesmente surgem os temas que me parecem adequados, literariamente falando\u201d, explica a ficcionista e jornalista de 51 anos. \u201cN\u00e3o encontro o motivo liter\u00e1rio para escrever horror, que \u00e9 o meu g\u00eanero escolhido, com tropos cl\u00e1ssicos relacionados ao g\u00f3tico tradicional. Eu os amo, mas como escritora preciso atualiz\u00e1-los, e isso me parece acontecer de forma natural.\u201d<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"879\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns='http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg'%20viewBox='0%200%201024%20879'%3E%3C\/svg%3E\" alt=\"\" data-lazy- data-lazy- data-lazy-src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Mariana-Enriquez-\u00a9-Nora-Lezano-1024x879.jpg\"\/><\/p>\n<p>A escritora argentina Mariana Enriquez (Nora Lezano\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>Com essa abordagem, seu romance Nossa parte de noite (Intr\u00ednseca, trad. de Elisa Menezes) foi uma das inspira\u00e7\u00f5es de Pecadores (2025), blockbuster de Ryan Coogler, e em junho a Netflix anunciou uma s\u00e9rie adaptando contos da argentina. O momento parece, de fato, cada vez mais favor\u00e1vel \u00e0 visibilidade do horror ins\u00f3lito pelo mundo, inclusive no Brasil. Verena Cavalcante aponta, entre suas conterr\u00e2neas brasileiras, Ana Paula Maia, Irka Barrios, Juliana Cunha, Isabor Quintiere, Larissa Prado, Paula Febbe e Cec\u00edlia Garcia como exemplos da efervesc\u00eancia do g\u00eanero em portugu\u00eas. \u201cPartilhamos de um mesmo territ\u00f3rio devastado, das mesmas feridas abertas, de heran\u00e7as autorit\u00e1rias que at\u00e9 hoje perduram apegadas aos pr\u00f3prios fantasmas\u201d, diz.<\/p>\n<p>A frase da fil\u00f3sofa francesa Julia Kristeva que abre o romance Mand\u00edbula, de Ojeda, poderia servir aqui tamb\u00e9m: Todo exerc\u00edcio da palavra \u00e9 uma linguagem do medo. No Brasil, n\u00e3o nos falta medo \u2014 e uma literatura f\u00e9rtil produzida por mulheres vem dando algum sentido a ele.<\/p>\n<p><a data-no-instant=\"1\" href=\"https:\/\/quatrocincoum.com.br\/assine\" rel=\"noopener nofollow sponsored\" class=\"adv-link\" target=\"_blank\" aria-label=\"Group 3010\"><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns='http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg'%20viewBox='0%200%201056%20270'%3E%3C\/svg%3E\" alt=\"\" width=\"1056\" height=\"270\" data-lazy-src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Group-3010-1.png\"\/><\/p>\n<p><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Todo exerc\u00edcio da palavra \u00e9 uma linguagem do medo. Julia Kristeva A ep\u00edgrafe de Mand\u00edbula, terceiro romance de&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":10291,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,114,115,170,32,33],"class_list":{"0":"post-10290","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-entertainment","10":"tag-entretenimento","11":"tag-livros","12":"tag-portugal","13":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10290","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10290"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10290\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10291"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10290"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10290"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10290"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}