{"id":103379,"date":"2025-10-09T11:47:06","date_gmt":"2025-10-09T11:47:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/103379\/"},"modified":"2025-10-09T11:47:06","modified_gmt":"2025-10-09T11:47:06","slug":"dilexi-te-leao-xiv-nao-se-pode-separar-a-fe-do-amor-pelos-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/103379\/","title":{"rendered":"\u201cDilexi te\u201d, Le\u00e3o XIV: n\u00e3o se pode separar a f\u00e9 do amor pelos pobres"},"content":{"rendered":"<p>Publicada a primeira exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica de Robert Prevost, um trabalho iniciado por Francisco sobre o tema do servi\u00e7o aos pobres, em cujo rosto encontramos \u201co sofrimento dos inocentes\u201d. O Papa denuncia a economia que mata, a falta de equidade, a viol\u00eancia contra as mulheres, a desnutri\u00e7\u00e3o, a emerg\u00eancia educacional. Ele faz seu o apelo de Bergoglio pelos migrantes e pede aos fi\u00e9is que fa\u00e7am ouvir \u201cuma voz que denuncie\u201d, porque \u201cas estruturas da injusti\u00e7a devem ser destru\u00eddas com a for\u00e7a do bem&#8221;<\/p>\n<p><b>Salvatore Cernuzio \u2013 Vatican News<\/b><\/p>\n<p>Dilexi te, \u201cEu te amei\u201d. O amor de Cristo que se encarna no amor aos pobres, entendido como cuidado dos doentes; luta contra a escravid\u00e3o; defesa das mulheres que sofrem exclus\u00e3o e viol\u00eancia; direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o; acompanhamento aos migrantes; esmola que \u201c\u00e9 justi\u00e7a restabelecida, n\u00e3o um gesto de paternalismo\u201d; equidade, cuja falta \u00e9 \u201ca raiz de todos os males sociais\u201d. Le\u00e3o XIV assina sua primeira exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica, Dilexi te, texto em 121 pontos que brota do Evangelho do Filho de Deus que se tornou pobre desde sua entrada no mundo e que relan\u00e7a o Magist\u00e9rio da Igreja sobre os pobres nos \u00faltimos cento e cinquenta anos. \u201cUma verdadeira mina de ensinamentos\u201d.<\/p>\n<p><b><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\">LEIA AQUI O TEXTO INTEGRAL DA EXORTA\u00c7\u00c3O APOST\u00d3LICA DO PAPA LE\u00c3O XIV<\/a><\/b><\/p>\n<p>Seguindo os passos dos seus antecessores <\/p>\n<p>Com este documento assinado a 4 de outubro, festa de S\u00e3o Francisco de Assis, o Pont\u00edfice agostiniano segue assim os passos dos seus antecessores: Jo\u00e3o XXIII com o apelo aos pa\u00edses ricos na Mater et Magistra para que n\u00e3o permane\u00e7am indiferentes perante os pa\u00edses oprimidos pela fome e pela mis\u00e9ria (83); Paulo VI, com a Populorum progressio e o discurso na ONU \u201ccomo advogado dos povos pobres\u201d; Jo\u00e3o Paulo II, que consolidou doutrinariamente \u201ca rela\u00e7\u00e3o preferencial da Igreja com os pobres\u201d; Bento XIV e a Caritas in Veritate, com sua leitura \u201cmais marcadamente pol\u00edtica\u201d das crises do terceiro mil\u00eanio. Por fim, Francisco, que fez do cuidado \u201cpelos pobres\u201d e \u201ccom os pobres\u201d um dos pilares do seu pontificado.<\/p>\n<p>Um trabalho iniciado por Francisco e relan\u00e7ado por Le\u00e3o <\/p>\n<p>Foi o pr\u00f3prio Francisco que, nos meses que antecederam sua morte, iniciou o trabalho sobre a exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica. Assim como aconteceu com a Lumen Fidei, de Bento XVI, recolhida em 2013 por Jorge Mario Bergoglio, tamb\u00e9m desta vez \u00e9 o sucessor que completa a obra, que representa uma continua\u00e7\u00e3o da Dilexit Nos, a \u00faltima enc\u00edclica do Papa argentino sobre o Cora\u00e7\u00e3o de Jesus. Porque \u00e9 forte a \u201cliga\u00e7\u00e3o\u201d entre o amor de Deus e o amor pelos pobres: atrav\u00e9s deles, Deus \u201cainda tem algo a nos dizer\u201d, afirma o Papa Le\u00e3o. E ele retoma o tema da \u201cop\u00e7\u00e3o preferencial\u201d pelos pobres, express\u00e3o nascida na Am\u00e9rica Latina (16) n\u00e3o para indicar \u201cum exclusivismo ou uma discrimina\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a outros grupos\u201d, mas \u201ca a\u00e7\u00e3o de Deus\u201d que se move por compaix\u00e3o pela fraqueza da humanidade.<\/p>\n<p>No rosto ferido dos pobres encontramos impresso o sofrimento dos inocentes e, portanto, o pr\u00f3prio sofrimento de Cristo (9)<\/p>\n<p>     <a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2025-10\/editorial-tornielli-dilexi-te-exortacao-apostolica-papa-leao-xiv.html\" title=\"Se Pedro nos lembra que os pobres s\u00e3o o cora\u00e7\u00e3o do Evangelho\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><\/p>\n<p>        <img decoding=\"async\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAAAAAP\/\/\/yH5BAEAAAAALAAAAAABAAEAAAIBRAA7\" data-original=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/content\/dam\/vaticannews\/agenzie\/images\/ansa\/2025\/08\/17\/14\/1755432097605.jpg\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.500.281.jpeg\" alt=\"Se Pedro nos lembra que os pobres s\u00e3o o cora\u00e7\u00e3o do Evangelho\"\/><\/p>\n<p>      <\/a><\/p>\n<p>\n      A exorta\u00e7\u00e3o de Le\u00e3o XIV: um texto que prop\u00f5e os fundamentos da Revela\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e da tradi\u00e7\u00e3o da Igreja\n     <\/p>\n<p>Os \u201crostos\u201d da pobreza <\/p>\n<p>S\u00e3o numerosos os pontos para reflex\u00e3o, numerosas as motiva\u00e7\u00f5es para a a\u00e7\u00e3o na exorta\u00e7\u00e3o de Robert Francis Prevost, na qual s\u00e3o analisados os \u201crostos\u201d da pobreza. A pobreza daqueles que \u201cn\u00e3o t\u00eam meios de subsist\u00eancia material\u201d, de \u201cquem \u00e9 marginalizado socialmente e n\u00e3o possui instrumentos para dar voz \u00e0 sua dignidade e suas capacidades\u201d; a pobreza \u201cmoral\u201d, \u201cespiritual\u201d, \u201ccultural\u201d; a pobreza \u201cde quem n\u00e3o tem direitos, nem lugar, nem liberdade\u201d (9).<\/p>\n<p>Novas formas de pobreza e falta de equidade <\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, o Papa considera \u201cinsuficiente\u201d o compromisso de eliminar as causas estruturais da pobreza em sociedades marcadas por \u201cnumerosas desigualdades\u201d, pelo surgimento de novas formas de pobreza \u201cmais sutis e perigosas\u201d (10) e por regras econ\u00f4micas que aumentaram a riqueza, \u201cmas sem equidade\u201d.<\/p>\n<p>A falta de equidade \u00e9 a raiz dos males sociais (94)<\/p>\n<p>A ditadura de uma economia que mata <\/p>\n<p>\u201cQuando dizem que o mundo moderno reduziu a pobreza, fazem-no medindo-a com crit\u00e9rios doutros tempos n\u00e3o compar\u00e1veis \u00e0 realidade atual\u201d, afirma Le\u00e3o XIV (13). Deste ponto de vista, ele sa\u00fada \u201ccom satisfa\u00e7\u00e3o\u201d o fato de que \u201cas Na\u00e7\u00f5es Unidas tenham colocado a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza como um dos objetivos do Mil\u00eanio\u201d. No entanto, o caminho \u00e9 longo, especialmente numa \u00e9poca em que continua a vigorar a \u201cditadura de uma economia que mata\u201d, em que os ganhos de poucos \u201ccrescem exponencialmente\u201d, enquanto os da maioria est\u00e3o \u201ccada vez mais longe do bem-estar daquela minoria feliz\u201d e em que se difundem \u201cideologias que defendem a autonomia absoluta dos mercados e a especula\u00e7\u00e3o financeira\u201d (92).<\/p>\n<p>Cultura do descarte, liberdade de mercado, pastoral das elites <\/p>\n<p>Tudo isso \u00e9 sinal de que ainda persiste \u2013 \u201cpor vezes bem disfar\u00e7ada\u201d \u2013 uma cultura do descarte que \u201ctolera com indiferen\u00e7a que milh\u00f5es de pessoas morram de fome ou sobrevivam em condi\u00e7\u00f5es indignas do ser humano\u201d (11). O Papa condena ent\u00e3o os \u201ccrit\u00e9rios pseudocient\u00edficos\u201d segundo os quais ser\u00e1 \u201ca liberdade do mercado\u201d a levar \u00e0 \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d do problema da pobreza, bem como a \u201cpastoral das chamadas elites\u201d, segundo a qual \u201cem vez de perder tempo com os pobres, \u00e9 melhor cuidar dos ricos, dos poderosos e dos profissionais\u201d (114).<\/p>\n<p>Realmente, os direitos humanos n\u00e3o s\u00e3o iguais para todos (94)<\/p>\n<p>Mudar a mentalidade <\/p>\n<p>O que o Papa invoca \u00e9, portanto, uma \u201cmudan\u00e7a de mentalidade\u201d, libertando-se antes de tudo da \u201cilus\u00e3o de uma felicidade que deriva de uma vida confort\u00e1vel\u201d. Isso leva muitas pessoas a uma vis\u00e3o da exist\u00eancia centrada na riqueza e no sucesso \u201ca todo custo\u201d, mesmo em detrimento dos outros e por meio de \u201csistemas pol\u00edtico-econ\u00f4micos injustos\u201d (11).<\/p>\n<p>A dignidade de cada pessoa humana deve ser respeitada j\u00e1 agora, n\u00e3o s\u00f3 amanh\u00e3 (92)<\/p>\n<p>Em cada migrante rejeitado est\u00e1 Cristo batendo \u00e0 porta <\/p>\n<p>Le\u00e3o XIV dedica um amplo espa\u00e7o ao tema das migra\u00e7\u00f5es. Para ilustrar suas palavras, ele usa a imagem do pequeno Alan Kurdi, o menino s\u00edrio de 3 anos que se tornou, em 2015, s\u00edmbolo da crise europeia dos migrantes com a foto de seu corpinho sem vida em uma praia. \u201cInfelizmente, \u00e0 parte de alguma moment\u00e2nea como\u00e7\u00e3o, acontecimentos semelhantes est\u00e3o a tornar-se cada vez mais irrelevantes, como not\u00edcias secund\u00e1rias\u201d (11), constata o Pont\u00edfice.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, ele lembra a obra secular da Igreja em favor daqueles que s\u00e3o for\u00e7ados a abandonar suas terras, expressa em centros de acolhimento, miss\u00f5es de fronteira, esfor\u00e7os da Caritas Internacional e outras institui\u00e7\u00f5es (75).<\/p>\n<p>A Igreja, como m\u00e3e, caminha com os que caminham. Onde o mundo v\u00ea amea\u00e7a, ela v\u00ea filhos; onde se erguem muros, ela constr\u00f3i pontes. Pois sabe que o Evangelho s\u00f3 \u00e9 cr\u00edvel quando se traduz em gestos de proximidade e de acolhimento; e que em cada migrante rejeitado, \u00e9 o pr\u00f3prio Cristo que bate \u00e0s portas da comunidade (75)<\/p>\n<p>Ainda sobre o tema das migra\u00e7\u00f5es, Robert Prevost faz seus os famosos \u201cquatro verbos\u201d do Papa Francisco: \u201cAcolher, proteger, promover e integrar\u201d. E do Papa Francisco ele tamb\u00e9m toma emprestada a defini\u00e7\u00e3o dos pobres n\u00e3o apenas como objeto de nossa compaix\u00e3o, mas como \u201cmestres do Evangelho\u201d.<\/p>\n<p>Servir aos pobres n\u00e3o \u00e9 um gesto a ser feito \u201cde cima para baixo\u201d, mas um encontro entre iguais&#8230; A Igreja, portanto, quando se curva para cuidar dos pobres, assume sua postura mais elevada (79)<\/p>\n<p>Mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia e exclus\u00e3o <\/p>\n<p>O Sucessor de Pedro olha ent\u00e3o para a atualidade marcada por milhares de pessoas que morrem todos os dias \u201cpor causas relacionadas com a desnutri\u00e7\u00e3o\u201d (12). \u201cDuplamente pobres\u201d, acrescenta, s\u00e3o \u201cas mulheres que padecem situa\u00e7\u00f5es de exclus\u00e3o, maus-tratos e viol\u00eancia, porque frequentemente t\u00eam menos possibilidades de defender os seus direitos\u201d (12).<\/p>\n<p>\u201cOs pobres n\u00e3o existem por acaso&#8230;\u201d <\/p>\n<p>O Papa Le\u00e3o XIV tra\u00e7a uma reflex\u00e3o profunda sobre as causas da pobreza: \u201cOs pobres n\u00e3o existem por acaso ou por um cego e amargo destino. Muito menos a pobreza \u00e9 uma escolha, para a maioria deles. No entanto, ainda h\u00e1 quem ouse afirm\u00e1-lo, demonstrando cegueira e crueldade\u201d, sublinha (14). \u201cObviamente, entre os pobres h\u00e1 tamb\u00e9m aqueles que n\u00e3o querem trabalhar\u201d, mas h\u00e1 tamb\u00e9m muitos homens e mulheres que, por exemplo, recolhem papel\u00e3o de manh\u00e3 \u00e0 noite apenas para \u201csobreviver\u201d e nunca para \u201cmelhorar\u201d a vida. Em suma, l\u00ea-se em um dos pontos centrais da Dilexi te, n\u00e3o se pode dizer \u201cque a maioria dos pobres est\u00e3o nessa situa\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o obtiveram m\u00e9ritos, de acordo com a falsa vis\u00e3o da meritocracia, segundo a qual parece que s\u00f3 t\u00eam m\u00e9ritos aqueles que tiveram sucesso na vida\u201d (14).<\/p>\n<p>Ideologias e orienta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas <\/p>\n<p>Em muitas ocasi\u00f5es, observa o Papa Le\u00e3o, s\u00e3o os pr\u00f3prios crist\u00e3os que se deixam \u201ccontagiar por atitudes marcadas por ideologias mundanas ou por orienta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas que levam a injustas generaliza\u00e7\u00f5es e conclus\u00f5es enganosas\u201d (15).<\/p>\n<p>H\u00e1 quem continue a dizer: \u201cO nosso dever \u00e9 rezar e ensinar a verdadeira doutrina\u201d. Mas, desvinculando este aspecto religioso da promo\u00e7\u00e3o integral, acrescentam que s\u00f3 o Governo deveria cuidar deles, ou que seria melhor deix\u00e1-los na mis\u00e9ria, ensinando-lhes antes a trabalhar (114)<\/p>\n<p>A esmola frequentemente desprezada <\/p>\n<p>Sintoma dessa mentalidade \u00e9 o fato de que o exerc\u00edcio da caridade \u00e0s vezes \u00e9 \u201cdesprezado ou ridicularizado, como se fosse uma fixa\u00e7\u00e3o somente de alguns e n\u00e3o o n\u00facleo incandescente da miss\u00e3o eclesial\u201d (15). O Papa det\u00e9m-se longamente na esmola, raramente praticada e frequentemente desprezada (115).<\/p>\n<p>Como crist\u00e3os, n\u00e3o renunciemos \u00e0 esmola. Um gesto que pode ser feito de v\u00e1rias maneiras, e podemos tentar fazer da forma mais eficaz, mas que deve ser feito. E ser\u00e1 sempre melhor fazer alguma coisa do que n\u00e3o fazer nada. Em todo o caso, tocar-nos-\u00e1 o cora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o ser\u00e1 a solu\u00e7\u00e3o para a pobreza no mundo, que deve ser procurada com intelig\u00eancia, tenacidade e compromisso social. Mas precisamos praticar a esmola para tocar a carne sofredora dos pobres (119)<\/p>\n<p>Indiferen\u00e7a por parte dos crist\u00e3os <\/p>\n<p>Na mesma linha, o Papa destaca \u201ca falta ou mesmo a aus\u00eancia de compromisso\u201d com a defesa e a promo\u00e7\u00e3o dos mais desfavorecidos em alguns grupos crist\u00e3os (112). Se uma comunidade da Igreja n\u00e3o coopera para a inclus\u00e3o de todos, adverte ele, \u201ccorrer\u00e1 tamb\u00e9m o risco da sua dissolu\u00e7\u00e3o, mesmo que fale de temas sociais ou critique os Governos. Facilmente acabar\u00e1 submersa pelo mundanismo espiritual, dissimulado em pr\u00e1ticas religiosas, reuni\u00f5es infecundas ou discursos vazios\u201d (113).<\/p>\n<p>H\u00e1 que afirmar sem rodeios que existe um v\u00ednculo indissol\u00favel entre a nossa f\u00e9 e os pobres (36)<\/p>\n<p>O testemunho dos santos, beatos e ordens religiosas <\/p>\n<p>Para contrabalan\u00e7ar essa atitude de indiferen\u00e7a, h\u00e1 um mundo de santos, beatos e mission\u00e1rios que, ao longo dos s\u00e9culos, encarnaram a imagem de \u201cuma Igreja pobre e para os pobres\u201d (35). De Francisco de Assis e seu gesto de abra\u00e7ar um leproso (7) a Madre Teresa, \u00edcone universal da caridade dedicada aos moribundos da \u00cdndia \u201ccom uma ternura que era ora\u00e7\u00e3o\u201d (77). E ainda S\u00e3o Louren\u00e7o, S\u00e3o Justino, Santo Ambr\u00f3sio, S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo, seu Santo Agostinho, que afirmava:<\/p>\n<p>\u201cAquele que diz amar a Deus e n\u00e3o se compadece dos necessitados, mente\u201d (45).<\/p>\n<p>Le\u00e3o ainda lembra o trabalho dos Camilianos pelos doentes (49), das congrega\u00e7\u00f5es femininas em hospitais e casas de repouso (51). Ele lembra o acolhimento nos mosteiros beneditinos a vi\u00favas, crian\u00e7as abandonadas, peregrinos e mendigos (55). E lembra tamb\u00e9m os franciscanos, dominicanos, carmelitas e agostinianos que iniciaram \u201cuma revolu\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica\u201d atrav\u00e9s de um \u201cestilo de vida simples e pobre\u201d (63), juntamente com os trinit\u00e1rios e merced\u00e1rios que, lutando pela liberta\u00e7\u00e3o dos prisioneiros, expressaram o amor de \u201cum Deus que liberta n\u00e3o s\u00f3 da escravid\u00e3o espiritual, mas tamb\u00e9m da opress\u00e3o concreta\u201d (60).<\/p>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o destas Ordens n\u00e3o cessou. Pelo contr\u00e1rio, inspirou novas formas de a\u00e7\u00e3o diante das escravid\u00f5es modernas: o tr\u00e1fico de pessoas, o trabalho for\u00e7ado, a explora\u00e7\u00e3o sexual, as diversas formas de depend\u00eancia. A caridade crist\u00e3, quando encarnada, torna-se libertadora (61)<\/p>\n<p>O direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>O Pont\u00edfice recorda tamb\u00e9m o exemplo de S\u00e3o Jos\u00e9 de Calasanz, que fundou a primeira escola popular gratuita da Europa (69), para salientar a import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o dos pobres: \u201cN\u00e3o \u00e9 um favor, mas um dever\u201d.<\/p>\n<p>Os pequenos t\u00eam direito \u00e0 sabedoria, como exig\u00eancia b\u00e1sica do reconhecimento da dignidade humana (72)<\/p>\n<p>A luta dos movimentos populares <\/p>\n<p>Na exorta\u00e7\u00e3o, o Papa tamb\u00e9m menciona a luta contra os \u201cefeitos destrutivos do imp\u00e9rio do dinheiro\u201d por parte dos movimentos populares, conduzidos por l\u00edderes \u201ccolocados muitas vezes sob suspeita e at\u00e9 perseguidos\u201d (80). Eles, escreve, \u201cconvidam a superar aquela ideia das pol\u00edticas sociais concebidas como uma pol\u00edtica para os pobres, mas nunca com os pobres, nunca dos pobres\u201d (81).<\/p>\n<p>Uma voz que desperte e denuncie <\/p>\n<p>Nas \u00faltimas p\u00e1ginas do documento, Le\u00e3o XIV apela a todo o Povo de Deus para \u201cfazer ouvir, ainda que de maneiras diferentes, uma voz que desperte, denuncie e se exponha mesmo correndo o risco de parecer est\u00fapidos\u201d.<\/p>\n<p>As estruturas de injusti\u00e7a devem ser reconhecidas e destru\u00eddas com a for\u00e7a do bem, atrav\u00e9s da mudan\u00e7a de mentalidades e tamb\u00e9m, com a ajuda da ci\u00eancia e da t\u00e9cnica, atrav\u00e9s do desenvolvimento de pol\u00edticas eficazes na transforma\u00e7\u00e3o da sociedade (97)<\/p>\n<p>Os pobres, n\u00e3o um problema social, mas o centro da Igreja <\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio que \u201ctodos nos deixemos evangelizar pelos pobres\u201d, exorta o Papa (102). \u201cO crist\u00e3o n\u00e3o pode considerar os pobres apenas como um problema social: eles s\u00e3o uma quest\u00e3o familiar. Pertencem aos nossos\u201d. Portanto, \u201ca rela\u00e7\u00e3o com eles n\u00e3o pode ser reduzida a uma atividade ou departamento da Igreja\u201d (104).<\/p>\n<p>Os pobres ocupam um lugar central na Igreja (111)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Publicada a primeira exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica de Robert Prevost, um trabalho iniciado por Francisco sobre o tema do servi\u00e7o&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":103380,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[27,28,21907,17712,901,476,24060,15,16,14,25,26,13971,21,22,1331,2623,62,12,13,19,20,12634,811,25041,8337,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-103379","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-caridade","11":"tag-cristaos","12":"tag-cultura-e-sociedade","13":"tag-economia","14":"tag-exortacao-apostolica","15":"tag-featured-news","16":"tag-featurednews","17":"tag-headlines","18":"tag-latest-news","19":"tag-latestnews","20":"tag-magisterio-pontificio","21":"tag-main-news","22":"tag-mainnews","23":"tag-migrantes-e-refugiados","24":"tag-mulheres","25":"tag-mundo","26":"tag-news","27":"tag-noticias","28":"tag-noticias-principais","29":"tag-noticiasprincipais","30":"tag-papa-francisco","31":"tag-papa-leao-xiv","32":"tag-pastoral","33":"tag-pobreza","34":"tag-principais-noticias","35":"tag-principaisnoticias","36":"tag-top-stories","37":"tag-topstories","38":"tag-ultimas","39":"tag-ultimas-noticias","40":"tag-ultimasnoticias","41":"tag-world","42":"tag-world-news","43":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/103379","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=103379"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/103379\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/103380"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=103379"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=103379"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=103379"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}