{"id":103608,"date":"2025-10-09T15:01:20","date_gmt":"2025-10-09T15:01:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/103608\/"},"modified":"2025-10-09T15:01:20","modified_gmt":"2025-10-09T15:01:20","slug":"microbios-presos-no-permafrost-ha-40-mil-anos-acordaram-estao-vivos-e-cheiram-muito-mal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/103608\/","title":{"rendered":"Micr\u00f3bios presos no permafrost h\u00e1 40 mil anos acordaram. Est\u00e3o vivos (e cheiram muito mal)"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\">Brandt Meixell \/ USGS<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-704641\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/e5117ccb845e1ef39d6c69a0366a5fe3-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">Permafrost a descongelar no Alasca<\/p>\n<p><strong>Uma equipa de cientistas \u201cacordou\u201d formas de vida que estiveram congeladas no permafrost do Alasca durante 40 mil anos. Cheiram a cave h\u00famida e abafada que ficou fechada demasiado tempo, dizem os investigadores. N\u00e3o representam perigo para os humanos, mas foram sempre mantidos em c\u00e2maras seladas\u2026<br \/><\/strong><\/p>\n<p>Num novo estudo, uma equipa de ge\u00f3logos e bi\u00f3logos liderada pela Universidade do Colorado em Boulder (CU Boulder) conseguiu \u201cressuscitar\u201d microrganismos antigos que estiveram presos no gelo, em alguns casos, durante cerca de 40 mil anos.<\/p>\n<p>O estudo focou-se em formas de vida encontradas no <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/tag\/permafrost\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">permafrost<\/a>, nome dado \u00e0 <strong>mistura gelada de solo, gelo e rocha<\/strong> que cobre quase 1\/4 das terras do hemisf\u00e9rio norte. \u00c9 uma esp\u00e9cie de cemit\u00e9rio gelado, onde restos de animais e plantas, juntamente com numerosas bact\u00e9rias e outros microrganismos, ficaram preservados no tempo.<\/p>\n<p>A equipa de investigadores descobriu que, ao descongelar o permafrost, os micr\u00f3bios no seu interior<strong> demoram algum tempo a tornar-se ativos<\/strong>. Mas, ap\u00f3s alguns meses, como quem desperta de um longo sono, come\u00e7am a formar <strong>col\u00f3nias pr\u00f3speras<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cEstas amostras est\u00e3o longe de estar mortas\u201d, explicou <strong>Tristan Caro<\/strong>, investigador em Ci\u00eancias Geol\u00f3gicas na CU Boulder e primeiro autor do estudo, em <a href=\"https:\/\/www.colorado.edu\/today\/2025\/10\/02\/researchers-wake-microbes-trapped-permafrost-thousands-years\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">comunicado<\/a> da universidade. \u201cContinuam <strong>perfeitamente capazes de sustentar vida<\/strong> robusta, decompondo mat\u00e9ria org\u00e2nica e libertando-a sob a forma de di\u00f3xido de carbono.\u201d<\/p>\n<p>Segundo <strong>Sebastian Kopf<\/strong>, autor principal do <a href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1029\/2025JG008759\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">estudo<\/a>, que foi apresentado num artigo publicado em setembro na revista JGR Biogeosciences, esta investiga\u00e7\u00e3o tem implica\u00e7\u00f5es profundas para a sa\u00fade do \u00c1rtico \u2014 e de todo o planeta.<\/p>\n<p>Atualmente, <strong>o permafrost est\u00e1 a derreter a um ritmo alarmante<\/strong> devido \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas causadas pela a\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Os cientistas temem que esta tend\u00eancia possa desencadear um <strong>ciclo vicioso<\/strong>: \u00e0 medida que o permafrost descongela, os micr\u00f3bios no solo come\u00e7am a decompor a <strong>mat\u00e9ria org\u00e2nica, libertando-a para a atmosfera<\/strong> sob a forma de di\u00f3xido de carbono e metano \u2014 ambos <strong>gases com forte efeito de estufa<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201c<strong>\u00c9 uma das maiores inc\u00f3gnitas na resposta do clima<\/strong>\u201d, diz Kopf, professor de Ci\u00eancias Geol\u00f3gicas na CU Boulder. \u201cComo \u00e9 que o descongelamento de todo este solo gelado, onde sabemos que h\u00e1 enormes reservas de carbono, vai afetar a ecologia destas regi\u00f5es e a velocidade das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas?\u201d<\/p>\n<p>Um longo sono<\/p>\n<p>Para explorar essas inc\u00f3gnitas, os investigadores viajaram at\u00e9 um local \u00fanico: o <a href=\"https:\/\/www.erdc.usace.army.mil\/CRREL\/Permafrost-Tunnel-Research-Facility\/\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">Permafrost Tunnel<\/a> do Corpo de Engenheiros do Ex\u00e9rcito dos Estados Unidos. Esta <strong>instala\u00e7\u00e3o de investiga\u00e7\u00e3o invulgar<\/strong> estende-se por mais de 100 metros sob o solo gelado do centro do Alasca.<\/p>\n<p>Quando Caro entrou no t\u00fanel, com a largura da galeria de uma mina, p\u00f4de ver <strong>ossos de antigos bisontes e mamutes<\/strong> a sobressair das paredes.<\/p>\n<p>\u201c<strong>A primeira coisa que se nota ao entrar ali \u00e9 o cheiro<\/strong> \u2014 \u00e9 muito intenso. Cheira a <strong>cave h\u00famida e abafada que ficou fechada demasiado tempo<\/strong>\u201d, contou Caro, atualmente investigador de p\u00f3s-doutoramento no California Institute of Technology. \u201cPara um microbiologista,<strong> isso \u00e9 muito entusiasmante<\/strong>, porque cheiros interessantes s\u00e3o muitas vezes sinais de atividade microbiana.\u201d<\/p>\n<p>No estudo, os investigadores recolheram amostras de permafrost com idades entre <strong>alguns milhares e dezenas de milhares de anos<\/strong>, retiradas das paredes do t\u00fanel.<\/p>\n<p>Em seguida, <strong>acrescentaram \u00e1gua \u00e0s amostras e incubaram-nas<\/strong> a temperaturas de 4 e 12 \u00b0C \u2014 frias para humanos, mas <strong>quase \u201ct\u00f3rridas\u201d para o \u00c1rtico<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cQuer\u00edamos <strong>simular o que acontece durante um ver\u00e3o no Alasca<\/strong>, sob condi\u00e7\u00f5es futuras de aquecimento em que estas temperaturas penetram em camadas mais profundas do permafrost\u201d, explicou Caro.<\/p>\n<p>Uma particularidade: <strong>a \u00e1gua usada tinha \u00e1tomos de hidrog\u00e9nio mais pesados<\/strong>, conhecidos como <strong>deut\u00e9rio<\/strong>. Assim, os cientistas puderam seguir como os micr\u00f3bios<strong> absorviam essa \u00e1gua e usavam o hidrog\u00e9nio<\/strong> para construir as membranas de gordura que envolvem todas as c\u00e9lulas vivas.<\/p>\n<p>Ver\u00f5es \u00e1rticos<\/p>\n<p>O que os cientistas observaram <strong>foi surpreendente<\/strong>. Nos primeiros meses, as col\u00f3nias <strong>cresceram muito lentamente<\/strong> \u2014 em alguns casos, substituindo apenas uma em cada 100 mil c\u00e9lulas por dia. Em condi\u00e7\u00f5es de laborat\u00f3rio normais, a maioria das col\u00f3nias bacterianas renova-se por completo em poucas horas.<\/p>\n<p>Mas,<strong> ao fim de seis meses, tudo mudou<\/strong>: algumas col\u00f3nias come\u00e7aram a produzir estruturas viscosas chamadas \u201c<strong>biofilmes<\/strong>\u201d, vis\u00edveis a olho nu.<\/p>\n<p>Caro explica que estes micr\u00f3bios provavelmente <strong>n\u00e3o representam perigo<\/strong> para os humanos, embora a equipa os tenha <strong>mantido sempre em c\u00e2maras seladas<\/strong>.<\/p>\n<p>As col\u00f3nias n\u00e3o despertaram muito mais depressa a temperaturas mais altas. Este resultado pode ajudar a compreender o que acontece no mundo real: ap\u00f3s um per\u00edodo de calor, <strong>pode levar v\u00e1rios meses<\/strong> at\u00e9 que os micr\u00f3bios se tornem <strong>suficientemente ativos para libertar grandes quantidades de gases<\/strong> com efeito de estufa na atmosfera.<\/p>\n<p>Em outras palavras, quanto mais longos se tornam os ver\u00f5es \u00e1rticos, maiores os <strong>riscos para o planeta<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201c<strong>Pode haver um \u00fanico dia quente no ver\u00e3o do Alasca<\/strong>, mas o que realmente <strong>importa \u00e9 o prolongamento da esta\u00e7\u00e3o<\/strong>, quando estas temperaturas mais elevadas se estendem pelo outono e pela primavera\u201d, conclui Caro.<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1759862234_971_2d51fe4a0ba54894421ead1809309ed9-1-450x140.jpg\" alt=\"Subscreva a Newsletter ZAP\" width=\"450\" height=\"140\"\/>&#13;<br \/>\n    <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaIC4EE2f3EJZPPSbR34\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1759862234_512_c68c559d956d4ca20f435ed74a6e71e6.png\" alt=\"Siga-nos no WhatsApp\" width=\"175\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAiEHRwZondIV71PDjWNoqMduEqFAgKIhB0cGaJ3SFe9Tw41jaKjHbh?hl=en-US&amp;gl=US&amp;ceid=US%3Aen\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1759862235_242_5123dd8b087b644fdb8f8603acd1bad4.png\" alt=\"Siga-nos no Google News\" width=\"176\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Brandt Meixell \/ USGS Permafrost a descongelar no Alasca Uma equipa de cientistas \u201cacordou\u201d formas de vida que&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":103609,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[964,27,28,15,16,14,25,26,21,22,9496,62,12,13,19,20,25069,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-103608","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-ambiente","9":"tag-breaking-news","10":"tag-breakingnews","11":"tag-featured-news","12":"tag-featurednews","13":"tag-headlines","14":"tag-latest-news","15":"tag-latestnews","16":"tag-main-news","17":"tag-mainnews","18":"tag-microbiologia","19":"tag-mundo","20":"tag-news","21":"tag-noticias","22":"tag-noticias-principais","23":"tag-noticiasprincipais","24":"tag-permafrost","25":"tag-principais-noticias","26":"tag-principaisnoticias","27":"tag-top-stories","28":"tag-topstories","29":"tag-ultimas","30":"tag-ultimas-noticias","31":"tag-ultimasnoticias","32":"tag-world","33":"tag-world-news","34":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/103608","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=103608"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/103608\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/103609"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=103608"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=103608"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=103608"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}