{"id":103817,"date":"2025-10-09T17:32:13","date_gmt":"2025-10-09T17:32:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/103817\/"},"modified":"2025-10-09T17:32:13","modified_gmt":"2025-10-09T17:32:13","slug":"as-sugestoes-do-clube-de-leitura-sapo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/103817\/","title":{"rendered":"as sugest\u00f5es do clube de leitura SAPO"},"content":{"rendered":"<p dir=\"ltr\">Entre lan\u00e7amentos recentes e edi\u00e7\u00f5es antigas, apresentamos um card\u00e1pio de obras, dos mais diversos g\u00e9neros liter\u00e1rios.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">As nossas sugest\u00f5es permitem-lhe explorar diferentes narrativas, que prometem faz\u00ea-lo viajar nas p\u00e1ginas de um livro. Veja o que reservamos para si e conhe\u00e7a os cinco livros da semana. N\u00e3o se esque\u00e7a de dar-nos a sua opini\u00e3o sobre as nossas propostas e dizer-nos que t\u00edtulos gostaria de ver por aqui. Boas Leituras!<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u00a0<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>\u201cINVENT\u00c1RIO DA SOLID\u00c3O\u201d<\/strong>, de Jo\u00e3o Tordo, lan\u00e7ado em outubro de 2025, pela Companhia das Letras<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u00abAo fim de quase quarenta anos de sil\u00eancios e aus\u00eancias, um antigo grupo de colegas da faculdade re\u00fane-se na Irlanda para um \u00faltimo adeus a Rebecca Connelly, cuja morte, s\u00fabita e inesperada, traz ao de cima fantasmas h\u00e1 muito enterrados.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">De todos a mais intr\u00e9pida, mas tamb\u00e9m a mais inconstante, ningu\u00e9m poderia imaginar o rumo que a vida de Becca levaria, nem a devasta\u00e7\u00e3o que traria na sua esteira. Ningu\u00e9m, excepto o rapaz que a amou durante os tempos de faculdade &#8211; o narrador, agora sexagen\u00e1rio, que tenta ainda fazer sentido de todos os caminhos que trilharam o seu destino.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ser\u00e1 que na revisita\u00e7\u00e3o desse passado de segredos encontrar\u00e1 resposta para a solid\u00e3o que o consome? Conseguir\u00e1 ele, com a morte do seu primeiro amor, apaziguar-se com o rapaz que foi e o homem que se tornou?<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Mais do que um romance sobre o vazio que os grandes amores deixam em n\u00f3s quando terminam, Invent\u00e1rio da solid\u00e3o \u00e9 um livro poderoso sobre as doen\u00e7as invis\u00edveis que corroem o esp\u00edrito, as mat\u00e9rias perigosas de que todos somos feitos.\u00bb<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>\u201cO PREN\u00daNCIO DAS \u00c1GUAS\u201d<\/strong>, de Rosa Lobato de Faria, editado em abril de 2002, com chancela Edi\u00e7\u00f5es Asa<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u00abTendo como pano de fundo Rio dos Anjos, uma pequena aldeia condenada a ficar submersa pelas \u00e1guas de uma futura barragem, cinco narradores falam de si, do passado, do presente e do futuro, inundado de aus\u00eancia. Atrav\u00e9s dos seus testemunhos, vai-se construindo um panorama de amor, ci\u00fame, trai\u00e7\u00e3o e vingan\u00e7a, \u00e0 medida que a aldeia caminha para um fim inevit\u00e1vel.\u00bb<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Excerto:<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u00abA nossa vida em Lisboa n\u00e3o faz sentido nenhum. Nenhum.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Continuamos \u00e0 espera n\u00e3o sei de qu\u00ea, acho que nunca existiram tr\u00eas mulheres t\u00e3o in\u00fateis, t\u00e3o incertas, t\u00e3o infelizes. Sim, \u00e9 isso. Escolhemos a infelicidade como modo de vida, tecemos as malhas da nossa incerteza, tricotamos, em agulhas de raiva e l\u00e3s de medo, a nossa total inutilidade. Destestamo-nos mas n\u00e3o podemos separar-nos porque dependemos umas das outras para sermos desgra\u00e7adas.\u00bb<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>\u201cCANCIONEIRO &#8211; PARTITURAS, CIFRAS E LETRAS\u201d<\/strong>, de Pedro Abrunhosa, editado em outubro de 2025, com selo Contraponto Editores<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u00abO songbook que re\u00fane as mais emblem\u00e1ticas composi\u00e7\u00f5es de Pedro Abrunhosa.\u00bb<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Excerto:<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u00abComo ser\u00e1 escrever uma can\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O que sentir\u00e1 algu\u00e9m que escreve uma can\u00e7\u00e3o e depois percebe que ela ganha vida e corpo na sua voz e tamb\u00e9m naqueles que, mais tarde, a ir\u00e3o reproduzir e cantar tamb\u00e9m? Fico sempre a pensar nisto. Fico genuinamente a pensar nisto e no misto de entusiasmo das can\u00e7\u00f5es que se tornam bem-sucedidas e das outras, as can\u00e7\u00f5es que v\u00e3o diretamente para o balde do lixo. Ou talvez para um planeta onde vivem e s\u00e3o cantadas as can\u00e7\u00f5es que n\u00e3o tiveram sucesso algum.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Este livro que agora \u00e9 lan\u00e7ado n\u00e3o tem nenhuma desse planeta que muitos &#8211; pelas raz\u00f5es que facilmente adivinhar\u00e3o &#8211; querem que seja distante. Pelo contr\u00e1rio, todas elas t\u00eam uma vida. Sim, uma vida. Uma can\u00e7\u00e3o tem uma vida igual \u00e0 nossa, s\u00f3 que muitas delas, ao contr\u00e1rio de n\u00f3s, tornam-se imortais.\u00bb\u00a0Fernando Alvim, no pref\u00e1cio<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>\u201cDI\u00c1RIO DOS INFI\u00c9IS\u201d<\/strong>, de Jo\u00e3o Morgado, numa edi\u00e7\u00e3o da Casa das Letras, de fevereiro de 2017<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u00abQuatro casais, oito personagens e a pergunta que nos assalta quando percebemos o fim: ainda me amas?<\/p>\n<p dir=\"ltr\">N\u00e3o sabem o que os faria felizes, nem se lembram do dia em que sentiram o peso da solid\u00e3o, em que se amaram ou se desejaram. Hoje, n\u00e3o se reconhecem, n\u00e3o t\u00eam coragem para mudar de vida, para assumir o fim e procurar noutro amor o caminho de volta para o compromisso maior: ser feliz.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Num di\u00e1rio de emo\u00e7\u00f5es \u00edntimas, falam na primeira pessoa do que sentem em rela\u00e7\u00e3o a si e aos outros. Concluem que, cada um \u00e0 sua maneira, todos foram infi\u00e9is: por actos, pensamentos ou omiss\u00f5es.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Com vidas entrela\u00e7adas, cada um descreve no di\u00e1rio a sua viagem pelo mundo do sexo, do desejo, do pudor, do ego\u00edsmo, do amor-pr\u00f3prio, do envelhecimento, do sonho, da morte\u2026 Enfim, a mat\u00e9ria-prima da qual \u00e9 feita a exist\u00eancia de gente vulgar. Sobre n\u00f3s ningu\u00e9m escrever\u00e1 um romance, diz uma das personagens. Talvez desconhecendo que todos os dias a vida nos ensina o contr\u00e1rio.\u00bb<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Excerto:<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u00ab..Perdi as ilus\u00f5es quando aos meus sonhos os outros chamaram loucura&#8230;e eu, acreditando neles, enlouqueci.\u00bb<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u00abA paix\u00e3o n\u00e3o morre pelo que se diz, mas sempre pelas palavras nunca ditas. Nada \u00e9 mais deserto que o vazio da palavra que ficou por nascer.\u00bb<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>\u201cESTE LIVRO QUE VOS DEIXO\u201d<\/strong>, de Ant\u00f3nio Aleixo, editado em agosto de 2009, com chancela Casa das Letras.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u00abAnt\u00f3nio Aleixo comp\u00f5e e improvisa nas mais diversas situa\u00e7\u00f5es e oportunidades. Umas vezes cantando numa feira ou festa de aldeia, outras, a pedido de amigos que lhe beliscam a veia; ora aproveitando tra\u00e7os caricaturais de pessoas conhecidas, ora sugestionando por uma conversa de tom mais elevado e a cuja altura sobe facilmente.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O que caracteriza a poesia de Ant\u00f3nio Aleixo \u00e9 o tom dorido, ir\u00f3nico, um pouco puritano de moralista, com que aprecia os acontecimentos e as ac\u00e7\u00f5es dos homens.\u00bb<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Excerto:<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Sei que pare\u00e7o um ladr\u00e3o\u2026<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Mas h\u00e1 muitos que eu conhe\u00e7o<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Que, sem parecer o que s\u00e3o,<\/p>\n<p dir=\"ltr\">S\u00e3o aquilo que eu pare\u00e7o.<strong><br \/><\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u00a0<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Sou humilde, sou modesto;<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Mas, entre gente ilustrada,<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Talvez me digam que eu presto,<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Porque n\u00e3o presto nada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Entre lan\u00e7amentos recentes e edi\u00e7\u00f5es antigas, apresentamos um card\u00e1pio de obras, dos mais diversos g\u00e9neros liter\u00e1rios. As nossas&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":103818,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,114,115,170,32,33],"class_list":{"0":"post-103817","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-entertainment","10":"tag-entretenimento","11":"tag-livros","12":"tag-portugal","13":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/103817","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=103817"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/103817\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/103818"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=103817"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=103817"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=103817"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}