{"id":104136,"date":"2025-10-09T21:32:11","date_gmt":"2025-10-09T21:32:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/104136\/"},"modified":"2025-10-09T21:32:11","modified_gmt":"2025-10-09T21:32:11","slug":"dizem-que-hungaro-e-a-lingua-do-demonio-brinca-tradutor-09-10-2025-ilustrada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/104136\/","title":{"rendered":"Dizem que h\u00fangaro \u00e9 a l\u00edngua do dem\u00f4nio, brinca tradutor &#8211; 09\/10\/2025 &#8211; Ilustrada"},"content":{"rendered":"<p>O paulista Paulo Schiller faz suas tradu\u00e7\u00f5es em meio a uma rotina atribulada de m\u00e9dico. Era pediatra, hoje atende em cl\u00ednica como psicanalista. Usa as noites e os finais de semana para verter livros do h\u00fangaro ao portugu\u00eas, l\u00ednguas muito distantes. Nessas brechas, traduziu o mais novo <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/nobel\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Nobel<\/a> de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/literatura\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Literatura<\/a>.<\/p>\n<p>A <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2022\/09\/satantango-narra-uma-hungria-comunista-com-trama-densa-e-distopica.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">vers\u00e3o brasileira de &#8220;Sat\u00e1nt\u00e1ng\u00f3&#8221;<\/a>, \u00fanico livro de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2025\/10\/nobel-de-literatura-premia-laszlo-krasznahorkai-autor-do-diabolico-satantango.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">L\u00e1szl\u00f3 <\/a><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2025\/10\/nobel-de-literatura-premia-laszlo-krasznahorkai-autor-do-diabolico-satantango.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Krasznahorkai<\/a> editado por aqui, tem a assinatura dele. Schiller levou o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2023\/11\/biblioteca-nacional-premia-livros-de-joao-moreira-salles-e-micheliny-verunschk.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">pr\u00eamio de melhor tradu\u00e7\u00e3o da Biblioteca Nacional<\/a> pelo trabalho para a Companhia das Letras em 2022.<\/p>\n<p>E nem foi o primeiro Nobel com o qual trabalhou. Do outro escritor premiado da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/hungria\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Hungria<\/a>, Imre Kert\u00e9sz, traduziu &#8220;Aus\u00eancia de Destino&#8221; para a Carambaia e &#8220;Liquida\u00e7\u00e3o&#8221; e &#8220;A L\u00edngua Exilada&#8221; para a Companhia.<\/p>\n<p>Em conversa com o rep\u00f3rter, lembra que foi o fundador da editora, seu amigo Luiz Schwarcz, que o incentivou a come\u00e7ar a traduzir, h\u00e1 25 anos.<\/p>\n<p>&#8220;Ele tamb\u00e9m \u00e9 filho de pai h\u00fangaro, sabia que eu falava h\u00fangaro. E me prop\u00f4s traduzir &#8216;O Legado de Eszter&#8217;, segundo livro do Sandor M\u00e1rai para o portugu\u00eas. E eu respondi que de jeito nenhum faria, porque eu n\u00e3o sabia ler bem em h\u00fangaro. E \u00e9 verdade. \u00c9 minha l\u00edngua nativa, mas as letras e as pron\u00fancias s\u00e3o muito diferentes.&#8221;<\/p>\n<p>De todo jeito, ficou de pensar no caso. O <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2025\/10\/conheca-os-principais-autores-da-hungria-terra-do-nobel-de-literatura-de-2025.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">primeiro livro de <\/a><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2025\/10\/conheca-os-principais-autores-da-hungria-terra-do-nobel-de-literatura-de-2025.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">M\u00e1rai<\/a> no Brasil, &#8220;As Brasas&#8221;, teve enorme sucesso, mas foi traduzido indiretamente \u2014do italiano, n\u00e3o do h\u00fangaro. Schwarcz deu a Schiller as vers\u00f5es de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/mais\/fs2309200114.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">&#8220;O Legado de Eszter&#8221;<\/a> nas duas l\u00ednguas. O m\u00e9dico conta que leu a primeira frase nas duas e logo pensou: &#8220;O italiano est\u00e1 errado&#8221;. Ent\u00e3o come\u00e7ou a traduzir.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 um trabalho nada simples. &#8220;\u00c9 uma l\u00edngua que n\u00e3o tem parentesco com nenhuma outra, a n\u00e3o ser uma rela\u00e7\u00e3o distante com o finland\u00eas e o estoniano. Ela se origina do norte da Sib\u00e9ria. \u00c9 um mundo completamente \u00e0 parte.&#8221;<\/p>\n<p>O idioma, por exemplo, n\u00e3o tem preposi\u00e7\u00f5es nem tempo verbal para o futuro. E tem apenas um para se referir ao passado, que n\u00e3o se divide em pret\u00e9rito perfeito e imperfeito.<\/p>\n<p>&#8220;Al\u00e9m disso, \u00e9 uma l\u00edngua aglutinante&#8221;, explica o m\u00e9dico, que nasceu em S\u00e3o Paulo de pais h\u00fangaros que n\u00e3o falavam portugu\u00eas. A palavra &#8220;\u00fcld\u00f6g\u00e9lt&#8221;, por exemplo, significa &#8220;ficar sentado \u00e0 toa sem fazer nada&#8221;. &#8220;A precis\u00e3o ao descrever uma situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais rica do que em portugu\u00eas.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;A gente tem vermelho e vermelhid\u00e3o. Mas n\u00e3o temos, para o cinza, &#8216;cinzice&#8217;. No h\u00fangaro, tem. E qualquer substantivo vira verbo. A gente diz &#8216;tomar um sorvete&#8217;. Em h\u00fangaro, voc\u00ea diz &#8216;sorvetear&#8217;. Qualquer palavra pode ser flexionada num verbo.&#8221;<\/p>\n<p>    Tudo a Ler<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Receba no seu email uma sele\u00e7\u00e3o com lan\u00e7amentos, cl\u00e1ssicos e curiosidades liter\u00e1rias<\/p>\n<p>&#8220;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/guimaraes-rosa\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Guimar\u00e3es Rosa<\/a> aprendeu h\u00fangaro e dizia que era a l\u00edngua para falar com o dem\u00f4nio&#8221;, brinca o m\u00e9dico de 72 anos sobre a fama de dif\u00edcil que ficou colada na l\u00edngua. \u00c9 um homem que se porta com o mesmo rigor que parece admirar no seu idioma de especialidade \u2014e que acaba de lan\u00e7ar, ele mesmo, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2025\/08\/humilhacao-na-infancia-esta-na-origem-de-fascinio-por-autoritarismo-diz-psicanalista.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">um longo ensaio pela Todavia, &#8220;A Paix\u00e3o pela Mentira&#8221;<\/a>.<\/p>\n<p>Para falar a verdade, Schiller n\u00e3o v\u00ea tanta dist\u00e2ncia assim entre o escritor mineiro e o rec\u00e9m-eleito Nobel, j\u00e1 que chama &#8220;Sat\u00e1nt\u00e1ng\u00f3&#8221; de uma esp\u00e9cie de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/mais\/fs03019907.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">&#8220;Grande Sert\u00e3o: Veredas&#8221;<\/a> da Hungria.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 a narrativa de um vilarejo muito pobre, com pessoas do meio rural, o que restou de uma daquelas tentativas de coletiviza\u00e7\u00e3o do regime sovi\u00e9tico. Mas \u00e9 um lugar em que chove o tempo todo, ao contr\u00e1rio do sert\u00e3o. O que lembra Guimar\u00e3es Rosa n\u00e3o s\u00e3o neologismos, mas as frases muito, muito longas. E o autor diz que pensa a frase toda e s\u00f3 senta para escrever quando est\u00e1 pronta. \u00c9 impressionante.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O paulista Paulo Schiller faz suas tradu\u00e7\u00f5es em meio a uma rotina atribulada de m\u00e9dico. 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