{"id":10461,"date":"2025-07-31T17:23:08","date_gmt":"2025-07-31T17:23:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/10461\/"},"modified":"2025-07-31T17:23:08","modified_gmt":"2025-07-31T17:23:08","slug":"paraense-mistura-violencia-poesia-e-politica-em-romance-em-manaus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/10461\/","title":{"rendered":"Paraense mistura viol\u00eancia, poesia e pol\u00edtica em romance em Manaus"},"content":{"rendered":"<p>MANAUS (AM) \u2013 Na semana em que entregou ao editor a \u00faltima vers\u00e3o de seu primeiro romance, <strong>\u201cDegola\u201d,<\/strong> pela Companhia das Letras, a escritora, artista pl\u00e1stica e jornalista paraense Monique Malcher ficou com medo de morrer.<\/p>\n<p>\u201cEu n\u00e3o tinha nada, mas fiquei com muito medo de morrer porque a escrita sempre foi um lugar proibido, que n\u00e3o era para mim, e hoje tenho medo de morrer antes de conseguir contar as hist\u00f3rias dos lugares de onde eu vim\u201d, explica ela, que participa de uma mesa nesta quinta (31), \u00e0s 17h, na Festa Liter\u00e1ria Internacional de\u00a0Paraty, a\u00a0Flip.<\/p>\n<p>Malcher foi premiada em 2021 com o\u00a0trof\u00e9u Jabuti\u00a0de melhor livro de contos por seu primeiro trabalho liter\u00e1rio, \u201cFlor de Gume\u201d, tornando-se a segunda escritora da regi\u00e3o Norte do Brasil a receber o pr\u00eamio em uma categoria de fic\u00e7\u00e3o. \u201cFico incomodada de ser a segunda no Jabuti e uma das poucas nos espa\u00e7os que ocupo hoje\u201d, diz.<\/p>\n<p>Seu motor foi o inc\u00f4modo com o que identifica como uma ideia cristalizada do que \u00e9 a exist\u00eancia de uma mulher da\u00a0Amaz\u00f4nia\u00a0paraense. <strong>\u201cQueria escrever um livro que fosse um espelho no qual eu pudesse me enxergar e enxergar as minhas ancestrais.\u201d<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 <strong>\u201cDegola\u201d<\/strong>, o romance que chega agora \u00e0s livrarias, dialoga tanto com a morte que volta e meia assombra Monique quanto com os territ\u00f3rios que ela quer apresentar tamb\u00e9m de maneira menos estereotipada.<\/p>\n<p>\u201c\u2018Degola\u2019 veio de uma vontade muito grande de contar uma hist\u00f3ria que se passasse numa ocupa\u00e7\u00e3o porque, quando eu era crian\u00e7a, morei com a minha m\u00e3e numa<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2023\/08\/manaus-e-a-cidade-com-maior-populacao-de-indigenas-do-brasil.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">\u00a0ocupa\u00e7\u00e3o em Manaus,<\/a>\u00a0mas eu n\u00e3o tenho lembran\u00e7as deste momento da minha vida, e minha m\u00e3e n\u00e3o gosta de falar sobre o assunto\u201d, conta ela.<br \/>Para recriar este universo, Monique se valeu de t\u00e9cnicas do jornalismo e da antropologia, que marcaram sua trajet\u00f3ria profissional e acad\u00eamica.<\/p>\n<p>Seus tempos de rep\u00f3rter de jornal em Bel\u00e9m foram marcados pela cobertura do notici\u00e1rio policial, brutal por natureza. Quando entendeu que seu interesse pelos personagens que encontrava extrapolaram a ligeireza do jornalismo di\u00e1rio, foi para o mestrado em antropologia e descobriu que o que gostava mesmo de fazer era etnografia.<\/p>\n<p>Monique ent\u00e3o foi a campo, fez entrevistas, pesquisou imagens, recolheu not\u00edcias sobre lideran\u00e7as de movimentos de moradia na capital do Amazonas dos anos 1990, quando as promessas da Zona Franca de Manaus geraram um grande fluxo de migrantes em busca de teto.<\/p>\n<p>\u201cToda vez que tenho a ideia de uma hist\u00f3ria de fic\u00e7\u00e3o, eu j\u00e1 sei que \u00e9 no campo que eu vou encontr\u00e1-la de verdade\u201d, diz. \u201cO jornalismo e a etnografia est\u00e3o comigo neste processo em que a fic\u00e7\u00e3o sai do lugar sagrado do escritor diante de sua mesa. Fa\u00e7o fic\u00e7\u00e3o no encontro com o outro. \u00c9 ouvindo as pessoas que encontro a fic\u00e7\u00e3o que eu preciso escrever.\u201d<\/p>\n<p>Cada imagem, recorte de jornal, conversa ou impress\u00e3o ganharam espa\u00e7o num caderno que Monique preencheu tamb\u00e9m com ilustra\u00e7\u00f5es suas relacionadas aos temas do livro: a terra, a morte, os conflitos entre grileiros e lideran\u00e7as comunit\u00e1rias, a precariedade das vida nas ocupa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Um de seus desenhos deste caderno ilustra a capa do livro.<\/p>\n<p>\u201cEscrever sobre uma fam\u00edlia numa ocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 como rememorar esse universo atrav\u00e9s de outras hist\u00f3rias\u201c, afirma a escritora, que lan\u00e7a m\u00e3o de uma prosa po\u00e9tica para costurar passado e presente, mem\u00f3ria e sonho, raiva e resigna\u00e7\u00e3o, pol\u00edtica e ativismo social. \u201cPoesia \u00e9 n\u00e3o pagar aluguel no Brasil\u201d, escreve ela no livro.<\/p>\n<p>\u201c<strong>Degola\u201d <\/strong>conta a hist\u00f3ria de Sol, protagonista e narradora da hist\u00f3ria que ora \u00e9 a crian\u00e7a cuja fam\u00edlia muda de Santar\u00e9m, no Par\u00e1, para a ocupa\u00e7\u00e3o Mundo Novo em Manaus, ora \u00e9 a mulher que rememorar aqueles dias, seus traumas e respectivas repercuss\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cA escrita se tornou para mim um projeto pol\u00edtico, uma forma de alcan\u00e7ar o mundo e de poder falar das coisas que ningu\u00e9m fala: os lugares que eu vi, que eu senti, o meu territ\u00f3rio. E, neste sentido, a escrita \u00e9 a minha maneira de burlar a morte.\u201d<\/p>\n<p>(*) Com informa\u00e7\u00f5es da Folhapress  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"MANAUS (AM) \u2013 Na semana em que entregou ao editor a \u00faltima vers\u00e3o de seu primeiro romance, \u201cDegola\u201d,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":10462,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,114,115,170,4554,4555,32,33],"class_list":{"0":"post-10461","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-entertainment","10":"tag-entretenimento","11":"tag-livros","12":"tag-manaus","13":"tag-paraense","14":"tag-portugal","15":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10461","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10461"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10461\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10462"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10461"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10461"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10461"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}