{"id":104884,"date":"2025-10-10T11:55:11","date_gmt":"2025-10-10T11:55:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/104884\/"},"modified":"2025-10-10T11:55:11","modified_gmt":"2025-10-10T11:55:11","slug":"covid-19-acelera-envelhecimento-vascular-mesmo-em-casos-leves-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/104884\/","title":{"rendered":"Covid-19 acelera envelhecimento vascular, mesmo em casos leves"},"content":{"rendered":"<p class=\"texto\">Mesmo ap\u00f3s a recupera\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, a <a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/saude\/2025\/10\/7266404-vacina-brasileira-contra-covid-entra-na-fase-final-de-estudos.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>covid-19<\/strong> p<\/a>ode deixar marcas no sistema cardiovascular. Essa \u00e9 a conclus\u00e3o do maior estudo populacional com sobreviventes da doen\u00e7a, realizado com mais de 2 mil pessoas em 16 pa\u00edses, incluindo o Brasil. O trabalho mostrou que todos os participantes que foram infectados pelo v\u00edrus apresentaram maior rigidez nas grandes art\u00e9rias em compara\u00e7\u00e3o com aqueles que n\u00e3o foram infectados.<\/p>\n<p class=\"texto\">De acordo com o estudo, publicado no European Heart Journal, a infec\u00e7\u00e3o por\u00a0covid-19 pode acelerar o envelhecimento vascular, com efeitos mais pronunciados em mulheres, especialmente aquelas com sintomas persistentes, independente da gravidade da doen\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"texto\">Segundo a Secretaria de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade e Ambiente do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade foram notificados em 2025, at\u00e9 28 de setembro, 311.849 casos de covid-19 no Brasil.<\/p>\n<p class=\"texto\">A investiga\u00e7\u00e3o, realizada pelo cons\u00f3rcio Cartesian \u2013 que juntou esfor\u00e7os de integrantes de 34 centros de pesquisa em todo o mundo \u2013, \u00e9 a primeira a avaliar os efeitos de longo prazo da covid-19 na rigidez arterial, um indicador do envelhecimento vascular que pode aumentar o risco de desenvolver insufici\u00eancia card\u00edaca, infarto, acidente vascular cerebral e outras complica\u00e7\u00f5es cardiovasculares.<\/p>\n<p>\u201cO estudo mostrou que pessoas que tiveram covid-19 apresentam maior rigidez das grandes art\u00e9rias, o que pode indicar envelhecimento vascular e comprometer o fluxo de sangue para o c\u00e9rebro e outros \u00f3rg\u00e3os\u201d, diz Emmanuel Ciolac, professor da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Bauru \u2013 uma das institui\u00e7\u00f5es que participaram do cons\u00f3rcio. \u201cEsse efeito foi independente da gravidade da doen\u00e7a ou de fatores como hipertens\u00e3o, embora estudos com outras popula\u00e7\u00f5es demonstrem que a press\u00e3o alta contribua em parte para esse quadro.\u201d<\/p>\n<p class=\"texto\">A investiga\u00e7\u00e3o realizada foi apoiada pela FAPESP.<\/p>\n<p class=\"texto\">A boa not\u00edcia, destaca o pesquisador da Unesp, \u00e9 que a rigidez arterial tende a diminuir com o tempo, conforme observado entre os participantes do estudo ap\u00f3s um ano da infec\u00e7\u00e3o. \u201cIsso ressalta a import\u00e2ncia de programas de reabilita\u00e7\u00e3o envolvendo atividade f\u00edsica, por exemplo. S\u00e3o situa\u00e7\u00f5es, na maioria dos casos, que podem ser revers\u00edveis e, cada vez mais, vemos que \u00e9 preciso uma aten\u00e7\u00e3o de longo prazo nos infectados pela covid-19\u201d, diz o pesquisador que em uma outra investiga\u00e7\u00e3o, com um grupo pequeno de participantes e desvinculado do cons\u00f3rcio Cartesian, comprovou os efeitos da pr\u00e1tica de exerc\u00edcio f\u00edsico na revers\u00e3o da rigidez arterial (leia mais: agencia.fapesp.br\/37929).<\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>Trabalho em equipe<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\">No trabalho, os pesquisadores analisaram a sa\u00fade vascular de 2.390 pessoas por meio de um exame n\u00e3o invasivo (velocidade da onda de pulso car\u00f3tida-femoral), que avalia de forma eficiente a rigidez das grandes art\u00e9rias. Participaram do estudo pessoas infectadas pelo coronav\u00edrus entre 2020 e 2022, com diferentes n\u00edveis de gravidade: desde pessoas que n\u00e3o foram infectadas; casos leves, que n\u00e3o exigiram interna\u00e7\u00e3o; at\u00e9 pacientes hospitalizados e tratados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O grupo inclu\u00eda tanto vacinados quanto n\u00e3o vacinados.<\/p>\n<p class=\"texto\">Para explicar o impacto da rigidez arterial na circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea e nos demais \u00f3rg\u00e3os, Ciolac usa a analogia de uma bexiga nova. \u201cEla se expande facilmente ao ser inflada e, quando esvaziada, volta rapidamente ao seu formato original, empurrando o ar para longe. O mesmo acontece com as art\u00e9rias. Durante a s\u00edstole [fase de contra\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o], elas se expandem, atenuando a press\u00e3o do sangue nas art\u00e9rias. Depois, na di\u00e1stole [relaxamento], elas voltam ao tamanho original e ajudam a empurrar o sangue adiante para os \u00f3rg\u00e3os e tecidos\u201d, diz o pesquisador \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p class=\"texto\">O exame realizado pelos pesquisadores do cons\u00f3rcio Cartesian mede a velocidade com que a onda de pulso (s\u00edstole) percorre o trajeto entre a art\u00e9ria car\u00f3tida e a femoral. \u201cQuanto mais lento, mais el\u00e1stica e saud\u00e1vel a art\u00e9ria est\u00e1. Quanto mais r\u00e1pida a velocidade, mais enrijecida e, por consequ\u00eancia, menos eficiente \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o do sangue para os \u00f3rg\u00e3os e tecidos\u201d, explica Bianca Fernandes, bolsista da FAPESP que realizou as an\u00e1lises com a equipe de Ciolac na Unesp.<\/p>\n<p class=\"texto\">Com o envelhecimento, \u00e9 comum que o tecido el\u00e1stico das art\u00e9rias seja substitu\u00eddo por um mais fibroso, tornando-as mais r\u00edgidas e dificultando a irriga\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os vitais como o c\u00e9rebro, cora\u00e7\u00e3o e f\u00edgado. \u201cNo entanto, identificamos no estudo que, ap\u00f3s seis meses de infec\u00e7\u00e3o, os participantes apresentavam uma maior rigidez das art\u00e9rias em compara\u00e7\u00e3o com aqueles que n\u00e3o tiveram covid-19. Houve um envelhecimento acelerado das art\u00e9rias entre todos os participantes infectados\u201d, afirma.<\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>Homens e mulheres<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\">O estudo tamb\u00e9m indicou uma diferen\u00e7a nas consequ\u00eancias da infec\u00e7\u00e3o de covid-19 nas art\u00e9rias a depender do sexo biol\u00f3gico dos infectados. \u201cO impacto foi mais acentuado em mulheres, principalmente entre aquelas que tiveram sintomas persistentes. O grau de rigidez das art\u00e9rias acompanhou o grau de gravidade da\u00a0covid-19, sendo que as que passaram pela UTI tiveram um envelhecimento arterial ainda maior. J\u00e1 entre os homens, n\u00e3o houve diferen\u00e7a significativa entre quem teve ou n\u00e3o covid-19. Isso pode estar ligado ao fato de que os homens tiveram maior mortalidade, o que pode ter influenciado os resultados\u201d, afirma.<\/p>\n<p class=\"texto\">Outro achado importante foi que os participantes que tinham sido vacinados apresentaram uma menor rigidez em compara\u00e7\u00e3o com os n\u00e3o vacinados.<\/p>\n<p class=\"texto\">\u201cO estudo refor\u00e7a a import\u00e2ncia de acompanhar a sa\u00fade cardiovascular de quem teve covid-19, mesmo ap\u00f3s a recupera\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. \u00c9 preciso tamb\u00e9m investigar estrat\u00e9gias espec\u00edficas para reduzir esse envelhecimento vascular precoce. Porque, embora j\u00e1 se saiba que h\u00e1bitos saud\u00e1veis ajudam a preservar a elasticidade das art\u00e9rias, ainda \u00e9 necess\u00e1rio investigar protocolos direcionados para os efeitos da covid-19 sobre o sistema vascular\u201d, afirma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Mesmo ap\u00f3s a recupera\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, a covid-19 pode deixar marcas no sistema cardiovascular. 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