{"id":105195,"date":"2025-10-10T16:26:14","date_gmt":"2025-10-10T16:26:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/105195\/"},"modified":"2025-10-10T16:26:14","modified_gmt":"2025-10-10T16:26:14","slug":"sinto-muita-falta-do-rap-que-foi-engolido-pelo-sistema-e-virou-outra-coisa-diz-marcelo-d2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/105195\/","title":{"rendered":"\u2018Sinto muita falta do rap, que foi engolido pelo sistema e virou outra coisa\u2019, diz Marcelo D2"},"content":{"rendered":"\n<p class=\" content-text__container theme-color-primary-first-letter\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Na primeira faixa de \u201cA procura da batida perfeita\u201d (2003), de <strong>Marcelo D2<\/strong>, o t\u00edtulo avisa: \u201cPra posteridade\u201d. Em cinco segundos, a voz do que parece ser um locutor de r\u00e1dio precede a de <a class=\"\" href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/tudo-sobre\/personalidade\/elis-regina\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Elis Regina<\/a> (1945-1982), em \u00e1udio retirado dos bastidores da grava\u00e7\u00e3o da cl\u00e1ssica \u201c\u00c1guas de mar\u00e7o\u201d, de <a class=\"\" href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/tudo-sobre\/personalidade\/tom-jobim\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Tom Jobim<\/a> (1927-1994): \u201cEnt\u00e3o vamos prestar aten\u00e7\u00e3o nessa bosta aqui\u201d. <\/p>\n<ul class=\"content-unordered-list\">\n<li><strong>Chit\u00e3ozinho e Xoror\u00f3:<\/strong> <a class=\"\" href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/rioshow\/shows-e-concertos\/guia\/chitaozinho-e-xororo-evidencias-nunca-cansou-a-gente-e-sempre-como-se-fosse-a-primeira-vez.ghtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">\u2018Evid\u00eancias nunca cansou a gente. \u00c9 sempre como se fosse a primeira vez\u2019<\/a><\/li>\n<li><strong>Partimpim est\u00e1 de volta:<\/strong> <a class=\"\" href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/rioshow\/shows-e-concertos\/guia\/partimpim-esta-de-volta-quando-penso-nas-criancas-me-sinto-esperancosa-diz-adriana-calcanhotto.ghtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">\u2018Quando penso nas crian\u00e7as, me sinto esperan\u00e7osa\u2019, diz Adriana Calcanhotto<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> \u2014 Era (para ser) o Tom e a Elis abrindo o disco, mas n\u00e3o consegui a libera\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia dele (risos). Eles acharam um absurdo o Tom Jobim falando uma grosseria. Mas meus amigos s\u00e3o filhos da Elis e acharam superengra\u00e7ado. Me perguntaram: \u201cVoc\u00ea vai come\u00e7ar o disco com algu\u00e9m falando que \u00e9 uma bosta?\u201d. Falei: \u201cVou\u201d (risos). \u00c9 a Elis Regina, porra \u2014 conta o rapper de 57 anos em entrevista ao GLOBO concedida na sala do seu apartamento, na Praia do Flamengo, na Zona Sul do Rio, na tarde da \u00faltima segunda-feira (6). <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> \u2014 Ela est\u00e1 gravando um cl\u00e1ssico, \u201c\u00c1guas de mar\u00e7o\u201d, e chamando a m\u00fasica de \u201cbosta\u201d. \u00c9 sobre n\u00e3o se levar t\u00e3o a s\u00e9rio. Minha m\u00e3e odiava esse meu olhar, quando eu falava \u201cAh, essa merda desse show\u201d. Ela dizia para eu n\u00e3o falar assim do meu show \u2014 completa. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Neste s\u00e1bado (11), D2 se apresenta no festival Cl\u00e1ssicos do Brasil, na Marina da Gl\u00f3ria, com uma celebra\u00e7\u00e3o a esse disco que misturou \u201cpop rock, rap, samba, raiz e inova\u00e7\u00e3o\u201d: <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> \u2014 A m\u00fasica brasileira \u00e9 feita de mistura porque o povo brasileiro tamb\u00e9m \u00e9. A nossa base \u00e9 isso. Tirando os povos origin\u00e1rios que estavam aqui, de l\u00e1 para c\u00e1 a gente \u00e9 uma pitada de tudo. Ent\u00e3o, na nossa cultura, vale tudo. Cabe tudo, para o bem e para o mal. <\/p>\n<p>      <img decoding=\"async\" class=\"content-media__image\"  src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/bc04ooq.jpg\" alt=\"Capa da edi\u00e7\u00e3o desta quinta, 9 de outubro, do caderno Rio Show \u2014 Foto: Foto: Leo Martins\/Ag\u00eancia O Globo\" width=\"3087\" height=\"3586\" loading=\"lazy\"\/>  Capa da edi\u00e7\u00e3o desta quinta, 9 de outubro, do caderno Rio Show \u2014 Foto: Foto: Leo Martins\/Ag\u00eancia O Globo       <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Veja, abaixo, mais destaques da entrevista: <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> MARCELO D2 \u2014 Me arrependo, mas faria de novo: eu era muito briguento, briguei com todo mundo (na \u00e9poca do disco, no come\u00e7o dos anos 2000). Eu acho que podia ter feito a minha vida e a vida das pessoas mais f\u00e1cil se n\u00e3o tivesse brigado com tanta gente. Mas eu fui o que eu pude ser. Fiz o meu melhor. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> E pode parecer um saudosismo, mas eu sinto muita falta do rap. O rap se transformou em outra coisa. Assim como qualquer movimento revolucion\u00e1rio, o rap foi engolido pelo sistema e hoje em dia ele faz parte do sistema, n\u00e3o \u00e9 mais um \u201coutsider\u201d. Eu, enquanto um \u201coutsider\u201d, um cara que gosta de viver \u00e0 margem dessa sociedade, n\u00e3o me sinto mais t\u00e3o representado. Tem muita coisa boa, mas o rap de maneira geral j\u00e1 virou \u201cmainstream\u201d. Sinto muita falta do rap \u201cundergorund\u201d. Ele ainda existe, mas \u00e9 quase uma c\u00f3pia do que foi feito naquela \u00e9poca. Sinto falta desse \u201cmovimento rap\u201d, at\u00e9 porque eu vou ficando velho e n\u00e3o fa\u00e7o mais parte dessa parada, tamb\u00e9m, n\u00e9? Nem me interessa muito mais. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Quando ouvi \u201cA procura\u201d pela primeira vez, no avi\u00e3o, voltando de Los Angeles (onde ele foi gravado) pensei: \u201cFodeu, a gente n\u00e3o vai tocar em lugar nenhum\u201d (risos). Porque, na \u00e9poca, ou era pop rock ou pagode. Mas estava completamente errado. Ele estourou e acabou tocando em todas as r\u00e1dios porque, ao contr\u00e1rio de ser nichado, era aberto: tinha pop rock, rap, samba, raiz, inova\u00e7\u00e3o&#8230; <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> A m\u00fasica com o meu filho (\u201cLoadeando\u201d) foi uma outra mudada de rota na minha carreira. Eu era o \u201cmaconheiro rebelde\u201d, tinha acabado de sair da pris\u00e3o, estava cheio de estigmas. Apareci cantando uma m\u00fasica com meu filho, falando sobre evolu\u00e7\u00e3o e morte, que na verdade foi uma homenagem para o meu pai, que tinha acabado de morrer. Isso mudou muito o olhar que a galera mais velha e conservadora tinha de mim. Eles disseram: \u201cEsse maconheiro a\u00ed tamb\u00e9m \u00e9 pai de fam\u00edlia. O cara \u00e9 maneiro\u201d. Esse disco deu uma limpada na minha barra, literalmente. <\/p>\n<p>      <img decoding=\"async\" class=\"content-media__image\"  src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/112621975-rs-rio-de-janeiro-rj-06-10-2025-entrevista-com-o-musico-marcelo-d2.-foto-leo-martins-a.jpg\" alt=\"Marcelo D2 leva &quot;A procura da batida perfeita&quot; para o palco do festival Cl\u00e1ssicos do Brasil, no Rio \u2014 Foto: Leo Martins\/Ag\u00eancia O Globo\" width=\"5200\" height=\"3586\" loading=\"lazy\"\/>  Marcelo D2 leva &#8220;A procura da batida perfeita&#8221; para o palco do festival Cl\u00e1ssicos do Brasil, no Rio \u2014 Foto: Leo Martins\/Ag\u00eancia O Globo         <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Assim que achei o nome, antes de come\u00e7ar a fazer o disco (percebi que era um trabalho t\u00e3o importante). Demorei seis meses. Peguei todo o dinheiro da gravadora, que ficava perguntando: \u201cCad\u00ea o disco? Cad\u00ea o disco?\u201d. Eu dizia que estava quase pronto, mas n\u00e3o tinha escrito nenhuma frase, porque queria achar o nome. Eu sabia qual era o tema, essa coisa de ter um novo ritmo brasileiro, mas tinha na minha cabe\u00e7a que o nome ia me dar um norte. Mexendo nos meus vinis, encontrei o \u201cLooking for the perfect beat\u201d, do Afrika Bambaataa, e a tradu\u00e7\u00e3o veio instantaneamente: \u201cA procura da batida perfeita\u201d. Deu aquela luz. A partir desse momento eu sabia que ia ter um disco superespecial. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Todo mundo foca na \u201cbatida perfeita\u201d, porque parece ser o tema principal da frase, mas para mim n\u00e3o. A procura \u00e9 o principal. Sou um cara superinquieto, todos os dias acordo e procuro uma coisa nova para fazer um prop\u00f3sito. Isso virou um mantra na minha vida. Qual \u00e9 o meu prop\u00f3sito aqui? N\u00e3o \u00e9 a batida perfeita. \u00c9 a procura. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Eu fa\u00e7o um tipo de m\u00fasica que serve para entretenimento, mas n\u00e3o \u00e9 feita para isso. O que eu fa\u00e7o \u00e9 m\u00fasica de combate, m\u00fasica para pensar. E, para isso, ela precisa de muito conte\u00fado. Eu venho de uma escola do rap e do punk rock que conte\u00fado vale mais que qualquer coisa. A gente precisa dele muito mais do que ter um belo refr\u00e3o e a m\u00fasica tocar para caramba. Minha meta sempre foi essa: fazer m\u00fasica com conte\u00fado. O rap americano tinha a cultura do sample e j\u00e1 buscava nos grandes como James Brown e Marvin Gaye. Isso abriu meus olhos para a m\u00fasica que vinha antes de mim. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Lembrando que o rap era uma m\u00fasica que n\u00e3o existia no Brasil. Cantar rap era \u201ccoisa de americano\u201d. O jeito de fazer rap brasileiro era samplear os mais velhos. N\u00e3o se escreve o futuro sem olhar para o passado, n\u00e3o existe. \u00c9 o trabalho que fa\u00e7o hoje com o \u201cNovo samba tradicional\u201d, a met\u00e1fora do arco e flecha: quanto mais a gente puxa para tr\u00e1s, mais l\u00e1 na frente vamos atingir. \u00c9 burrice achar que sabemos de tudo e que n\u00e3o precisamos olhar para tr\u00e1s e reverenciar os mais velhos e agradecer o caminho que foi aberto. A gente n\u00e3o vai reinventar a roda, ela j\u00e1 est\u00e1 a\u00ed, n\u00e3o d\u00e1 para ignorar. Ent\u00e3o, vamos ver como a gente consegue fazer ela rodar melhor. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> S\u00f3 o Peck (Mecenas, idealizador do \u201cCl\u00e1ssicos do Brasil\u201d) para me convencer a fazer esse show. Eu queria esperar o disco fazer 25 anos (em 2027), mas ele me convenceu falando da import\u00e2ncia da m\u00fasica enquanto hist\u00f3ria. Ela \u00e9 nossa parceira na vida em momentos alegres, dif\u00edceis, tristes&#8230; e esse disco foi especial para mim, assim como foi para muita gente tamb\u00e9m. A ideia \u00e9 contar a hist\u00f3ria de como cheguei at\u00e9 \u201cA procura\u201d, ent\u00e3o pode ter at\u00e9 Planet Hemp nessa caminhada. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Eu fiz um show de \u201cA procura\u201d em um festival (na 1\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Doce Maravilha, em 2023), s\u00f3 que no dia choveu para cara***. Eu falei que ia ser \u00e9pico, mas n\u00e3o esperava que fosse t\u00e3o \u00e9pico, porque foi b\u00edblico (risos). O mar se abriu, caiu um dil\u00favio. Foi inacredit\u00e1vel. Ent\u00e3o espero que esse show agora seja mais \u00e9pico, mas por outros motivos, n\u00e9? <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Na primeira faixa de \u201cA procura da batida perfeita\u201d (2003), de Marcelo D2, o t\u00edtulo avisa: \u201cPra posteridade\u201d.&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":105196,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[141],"tags":[5002,1640,25314,114,115,149,150,32,33,8998],"class_list":{"0":"post-105195","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-musica","8":"tag-cantor-e-compositor","9":"tag-cantora","10":"tag-elis-regina","11":"tag-entertainment","12":"tag-entretenimento","13":"tag-music","14":"tag-musica","15":"tag-portugal","16":"tag-pt","17":"tag-tom-jobim"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105195","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=105195"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105195\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/105196"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=105195"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=105195"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=105195"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}