{"id":106024,"date":"2025-10-11T07:46:07","date_gmt":"2025-10-11T07:46:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/106024\/"},"modified":"2025-10-11T07:46:07","modified_gmt":"2025-10-11T07:46:07","slug":"itamar-vieira-jr-lanca-coracao-sem-medo-conclusao-da-trilogia-da-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/106024\/","title":{"rendered":"Itamar Vieira Jr lan\u00e7a \u2018Cora\u00e7\u00e3o sem medo\u2019, conclus\u00e3o da \u2018trilogia da terra\u2019"},"content":{"rendered":"<p class=\"texto\">\u00a0<br \/>Depois de retratar a luta de uma comunidade rural por terra em \u201cTorto arado\u201d e a persegui\u00e7\u00e3o religiosa contra afro-ind\u00edgenas em \u201cSalvar o fogo\u201d, <strong><a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/cultura\/2024\/04\/6834040-itamar-vieira-junior-de-torto-arado-revela-seu-processo-criativo.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Itamar Vieira Junior<\/a><\/strong> conclui sua \u201ctrilogia da terra\u201d com \u201cCora\u00e7\u00e3o sem medo\u201d (Todavia).<\/p>\n<p class=\"texto\">O romance, que chega \u00e0s livrarias na pr\u00f3xima segunda-feira (13\/10), j\u00e1 tem contrato assinado para sair em oito pa\u00edses \u2013 Portugal, Austr\u00e1lia, \u00cdndia, Reino Unido, EUA, \u00c1frica do Sul, Qu\u00eania e Canad\u00e1.<br \/>Neste terceiro volume, o escritor baiano avan\u00e7a algumas gera\u00e7\u00f5es na linhagem de Donana \u2013 av\u00f3 das irm\u00e3s Bibiana e Belonisia, protagonistas de \u201cTorto arado\u201d. Acompanhamos a odisseia da bisneta dela, Rita Preta, que vive sozinha na periferia de Salvador, cuidando dos tr\u00eas filhos: Cid, Cainho e Juca.<\/p>\n<p class=\"texto\">A vida dela \u00e9 marcada por trag\u00e9dias passadas, que remontam \u00e0 inf\u00e2ncia na fazenda Outeiro Velho, quando quase se afogou no rio e ainda levou a culpa pela morte dos irm\u00e3os, carregados pela correnteza. Mas o maior golpe \u00e9 o desaparecimento do filho Cid, ap\u00f3s uma discuss\u00e3o violenta em casa.<\/p>\n<p class=\"texto\">Rita procura o rapaz, desesperando-se \u00e0 medida que os dias passam sem not\u00edcias. Inicia, ent\u00e3o, uma peregrina\u00e7\u00e3o por delegacias, hospitais e at\u00e9 o Instituto M\u00e9dico Legal (IML). S\u00f3 avan\u00e7a na investiga\u00e7\u00e3o quando recebe informa\u00e7\u00f5es de um preso conhecido como Brinquedo.<\/p>\n<p class=\"texto\">Ele revela que Cid foi levado por policiais que o teriam confundido com um traficante. As pistas de Brinquedo levam Rita a um local conhecido como \u201cterra de desova\u201d. L\u00e1 encontra a sand\u00e1lia de Cid com um casal de lavradores que faz uma revela\u00e7\u00e3o terr\u00edvel: viram fogo e sentiram cheiro de carne queimada no local h\u00e1 pouco tempo.<\/p>\n<p class=\"texto\">Assim como nos outros dois romances da trilogia, Itamar muda o foco narrativo ao longo da hist\u00f3ria. Se a maior parte da trama \u00e9 narrada em terceira pessoa, o desfecho de Cid \u2013 com todos os detalhes do desaparecimento \u2013 \u00e9 revelado pelos \u201cCadernos de Cainho\u201d, escritos em primeira pessoa pelo segundo filho de Rita.<\/p>\n<p class=\"texto\">\u201cA sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que passei os \u00faltimos oito anos escrevendo essa hist\u00f3ria, que se desdobrou nesse tr\u00edptico\u201d, diz Itamar, em entrevista ao Estado de Minas. \u201cO que fica, agora, \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o de dever cumprido. S\u00e3o tr\u00eas livros com hist\u00f3rias atravessadas por personagens que d\u00e3o conta de um tempo e de uma quest\u00e3o que s\u00e3o muito nossas: a luta pela terra e pelo territ\u00f3rio\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p class=\"texto\">Em \u201cCora\u00e7\u00e3o sem medo\u201d, essa luta \u00e9 retratada de duas formas. Primeiro, por meio da mem\u00f3ria que Rita tem da fazenda Outeiro Velho, onde a terra aparece como centro da vida e da opress\u00e3o dos antepassados. J\u00e1 no n\u00facleo urbano o tema se manifesta na busca de Rita por um lugar digno para morar \u2013 uma constante em sua vida.<\/p>\n<p class=\"texto\">A protagonista foi for\u00e7ada a deixar a Comunidade das Malvinas porque a prefeitura queria desocupar a \u00e1rea em favor da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria. Aceitou um lote em Fazenda Coutos, mas desejava mesmo uma comunidade com campo ou uma casa com laje coberta. A rotina errante faz dela uma pessoa \u201cdistante da terra, um p\u00e1ssaro sem local para pousar\u201d.<\/p>\n<p class=\"texto\">\u201cAcho que a observa\u00e7\u00e3o continua sendo uma grande fonte de experi\u00eancia para escrever hist\u00f3rias. N\u00e3o vivi exatamente o contexto do livro, mas habitei a periferia da cidade por muito tempo. Pegava \u00f4nibus com homens e mulheres que iam trabalhar e ficava atento \u00e0 vida deles. Ent\u00e3o, Rita Preta n\u00e3o \u00e9 diferente dessas mulheres que pegavam o \u00f4nibus comigo\u201d, afirma o escritor.<\/p>\n<p class=\"texto\">\u201cInclusive, h\u00e1 uma passagem que \u00e9 real. \u00c9 a de uma m\u00e3e que conta a perda de quatro de seus cinco filhos. Essa mulher \u00e9 a m\u00e3e do meu melhor amigo. Ou seja, \u00e9 uma experi\u00eancia do meu mundo que levo para a literatura\u201d, revela.<\/p>\n<p>O baiano conclui a trilogia avan\u00e7ando n\u00e3o s\u00f3 na linhagem de suas personagens, mas tamb\u00e9m no deslocamento geogr\u00e1fico. \u201cTorto arado\u201d se passa em uma fazenda fict\u00edcia na Chapada Diamantina, cercada pelos rios Santo Ant\u00f4nio e Tinga, afluentes do Paragua\u00e7u, onde \u201cSalvar o fogo\u201d \u00e9 ambientado. Por fim, a hist\u00f3ria des\u00e1gua no litoral de Salvador, em \u201cCora\u00e7\u00e3o sem medo\u201d.<\/p>\n<p class=\"texto\">Nada disso \u00e9 por acaso, garante Itamar. \u201cNa Chapada Diamantina, ali no interior da Bahia, existe express\u00e3o muito forte do jar\u00ea, do legado da di\u00e1spora e da escravid\u00e3o. A hist\u00f3ria foi seguindo um curso natural at\u00e9 chegar ao Paragua\u00e7u, que \u00e9 fundamental para o desfecho de &#8216;Salvar o fogo&#8217;\u201d, comenta.<br \/>\u201cDepois ela continua seguindo at\u00e9 a Ba\u00eda de Todos os Santos, que foi onde tudo come\u00e7ou. Afinal, n\u00e3o d\u00e1 para pensar na hist\u00f3ria brasileira sem considerar aqueles que j\u00e1 estavam aqui, os povos origin\u00e1rios\u201d, conclui.<\/p>\n<p><strong>Lan\u00e7amento em BH<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\">Itamar Vieira Junior vai desembarcar na capital mineira no pr\u00f3ximo dia 28 para participar do Sempre um Papo. A conversa ser\u00e1 \u00e0s 19h, no audit\u00f3rio do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (Av. Raja Gabaglia, 1.315, Luxemburgo). Entrada gratuita, sujeita \u00e0 lota\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u00a0Depois de retratar a luta de uma comunidade rural por terra em \u201cTorto arado\u201d e a persegui\u00e7\u00e3o religiosa&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":106025,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,315,114,115,271,864,237,170,1499,32,33],"class_list":{"0":"post-106024","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-cultura","10":"tag-entertainment","11":"tag-entretenimento","12":"tag-lancamento","13":"tag-literatura","14":"tag-livro","15":"tag-livros","16":"tag-minas-gerais","17":"tag-portugal","18":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/106024","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=106024"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/106024\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/106025"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=106024"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=106024"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=106024"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}