{"id":106211,"date":"2025-10-11T10:54:22","date_gmt":"2025-10-11T10:54:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/106211\/"},"modified":"2025-10-11T10:54:22","modified_gmt":"2025-10-11T10:54:22","slug":"reportagem-cultura-de-pistacios-cresce-no-nordeste-transmontano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/106211\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Cultura de pist\u00e1cios cresce no Nordeste Transmontano"},"content":{"rendered":"<p>A cultura de pist\u00e1cios na regi\u00e3o mais temperada do Nordeste Transmontano est\u00e1 a ser encarada como recurso com grande potencial produtivo, sendo um fruto seco com escoamento garantido, havendo j\u00e1 apostas consider\u00e1veis para o seu cultivo.<\/p>\n<p><strong>Por Francisco Pinto, da ag\u00eancia Lusa<\/strong><\/p>\n<p>Em concelhos do Douro Superior, Vale da Vilari\u00e7a e Douro Internacional, h\u00e1 produtores a apostar nesta cultura, que apesar de levar sete a oito anos a dar fruto n\u00e3o baixam os bra\u00e7os.<\/p>\n<p>A ag\u00eancia Lusa visitou duas das maiores produ\u00e7\u00f5es nestes territ\u00f3rios, onde os produtores esperam colher os dividendos das suas produ\u00e7\u00f5es, mas com o devido tempo de espera.<\/p>\n<p>C\u00e1tia Afonso, uma produtora de pist\u00e1cios com uma explora\u00e7\u00e3o de 28 hectares e 9.324 \u00e1rvores no Douro Superior, disse que o desafio come\u00e7ou em 2017, ap\u00f3s ter realizado um estudo para investir nesta \u00e1rea agr\u00edcola e fazer algo de diferente.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 t\u00ednhamos outra cultura, o olival. Mas como gostamos de sair fora da caixa e como temos um perfil para correr riscos, pesquis\u00e1mos e conclu\u00edmos que ir\u00edamos investir nos frutos secos, com incid\u00eancia nos pist\u00e1cios\u201d, disse \u00e0 Lusa a empres\u00e1ria agr\u00edcola.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"692\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/pistachios-with-green-leaves-2024-09-12-22-18-46-utc-1024x692.jpg.webp.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-24445\"  \/>Foto: Envato Elements<\/p>\n<p>C\u00e1tia Afonso tem a no\u00e7\u00e3o de que a cultura dos pist\u00e1cios demora algum tempo at\u00e9 se conseguir a primeira colheita e trata-se de \u201cuma cultura nova no territ\u00f3rio, onde ainda h\u00e1 pouco conhecimento\u201d das t\u00e9cnicas que a sua explora\u00e7\u00e3o envolve.<\/p>\n<p>\u201cNo que respeita ao maneio e mecaniza\u00e7\u00e3o dos terrenos, \u00e9 muito id\u00eantica a outras culturas, como o olival ou o amendoal\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A empres\u00e1ria, que j\u00e1 come\u00e7ou a colher os primeiros pist\u00e1cios da sua produ\u00e7\u00e3o, disse ainda que \u201cesta cultura \u00e9 uma nova tend\u00eancia, sendo que a procura no mercado deste fruto seco \u00e9 elevada\u201d.<\/p>\n<p>\u201cCome\u00e7\u00e1mos por apostar em 28 hectares, mas o objetivo \u00e9 continuar a produ\u00e7\u00e3o, caso haja bons resultados. Vamos continuar a investir e mostrar o nosso espa\u00e7o agr\u00edcola a jovens agricultores que pretendam investir nesta \u00e1rea, tentando ser influenciadores e trocar experi\u00eancias de cultivo \u201d, indicou.<\/p>\n<p>J\u00e1 Fernando Dias, produtor na regi\u00e3o do Douro Internacional, explicou que come\u00e7ou\u00a0por estudar a cultura, pensando numa alternativa \u00e0s tradicionais.<\/p>\n<p>Este agricultor do concelho raiano de Freixo de Espada \u00e0 Cinta j\u00e1 plantou 7.800 \u00e1rvores de pist\u00e1cios numa \u00e1rea de 32 hectares.<\/p>\n<p>\u00a0\u201cN\u00f3s temos potencial, mas para chegar ao n\u00edvel dos produtores espanh\u00f3is \u00e9 dif\u00edcil, pois t\u00eam 30 anos de investiga\u00e7\u00e3o aliados a sistemas de regadio e outro tipo de terrenos. N\u00f3s estamos em zonas de terrenos magros, pobres em mat\u00e9ria org\u00e2nica, \u00e1cidos e com pouca \u00e1gua. Para regar mesmo com baixas dota\u00e7\u00f5es temos custos muito elevados\u201d, frisou.<\/p>\n<p>Fernando Dias \u00e9 da opini\u00e3o de que a planta\u00e7\u00e3o de pist\u00e1cios tem pernas para andar, e pode ser uma boa alternativa \u00e0 trilogia mediterr\u00e2nica: amendoal, vinha e olival: \u201cH\u00e1 porta-enxertos r\u00fasticos aut\u00f3ctones como a cornalheira (Pistacia Terebinthus), que cresce nas encostas mais \u00e1ridas da regi\u00e3o, o que demonstra que \u00e9 uma cultura resiliente e adaptada \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cPara al\u00e9m de plantas enxertadas em cornalheiras, temos o porta-enxertos UCB1, que foi desenvolvido na Calif\u00f3rnia, nos Estados Unidos, e que se trata de uma planta com maior vigor e resistente a determinados fungos do solo\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Para Fernando Dias, h\u00e1 a necessidade de haver centros de investiga\u00e7\u00e3o nesta e noutras culturas que possam permitir criar informa\u00e7\u00e3o para novas alternativas, adaptadas \u00e0 regi\u00e3o, que permitam a dinamiza\u00e7\u00e3o de zonas de montanha, permitindo fixar e atrair investidores nacionais e estrangeiros, combater a desertifica\u00e7\u00e3o, diversificar o ecossistema, promover o sequestro de carbono, valoriza\u00e7\u00e3o paisag\u00edstica e em simult\u00e2neo combater os inc\u00eandios.<\/p>\n<p>Para o especialista do Centro Nacional de Compet\u00eancia dos Frutos Secos (CNCFS) Albino Bento, a cultura dos pist\u00e1cios \u00e9 muito exigente em condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, motivo pelo qual o risco de insucesso \u00e9 grande se instalada em locais com clima pouco adequado ou com o material vegetal inadequado.<\/p>\n<p>\u00c9 uma esp\u00e9cie muito sens\u00edvel \u00e0 geada na primavera, motivo pelo qual em locais com risco de geada n\u00e3o deve plantada.<\/p>\n<p>Trata-se de uma esp\u00e9cie com elevada necessidade de horas de frio no inverno, motivo pelo qual o conhecimento do material vegetal e a sua escolha em fun\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es locais \u00e9 importante.<\/p>\n<p>\u201cEm regi\u00f5es com reduzido risco de geada, normalmente em regi\u00f5es mais quentes,\u00a0deve-se optar por variedades com menores necessidades de horas de frio no inverno\u201d, explicou o tamb\u00e9m docente no Instituto Polit\u00e9cnico de Bragan\u00e7a (IPB).<\/p>\n<p>Em contrapartida, \u201cem regi\u00f5es com algum risco de geadas, deve-se optar por variedades exigentes em horas de frio, com flora\u00e7\u00e3o e abrolhamento mais tardios e como tal com menos riscos\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cApesar disso, e como o pre\u00e7o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o \u00e9 elevado e existe mercado, os agricultores da regi\u00e3o est\u00e3o a investir e claramente \u00e9 uma cultura que est\u00e1 na moda e em crescimento\u201d, disse, justificando esta op\u00e7\u00e3o com \u201ca perce\u00e7\u00e3o de que o mercado tem falta de pist\u00e1cio e que se trata de um fruto com estabilidade de pre\u00e7o, um fruto seco da moda e que aparece com alguma frequ\u00eancia na not\u00edcias\u201d.<\/p>\n<p>O investigador do CNCFS aconselha a instalar a cultura em locais adequados, escolher o material vegetal adequado para esse local, efetuar uma boa prepara\u00e7\u00e3o do solo, corre\u00e7\u00f5es e fertiliza\u00e7\u00e3o de fundo e proporcionar cuidados de rega, poda e tratamento fitossanit\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u201cSe garantidos estes requisitos, o sucesso e a rentabilidade estar\u00e3o assegurados\u201d, concretizou.<\/p>\n<p>LUSA<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A cultura de pist\u00e1cios na regi\u00e3o mais temperada do Nordeste Transmontano est\u00e1 a ser encarada como recurso 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