{"id":106813,"date":"2025-10-11T20:55:09","date_gmt":"2025-10-11T20:55:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/106813\/"},"modified":"2025-10-11T20:55:09","modified_gmt":"2025-10-11T20:55:09","slug":"implante-cerebral-promete-reduzir-crises-de-epilepsia-em-50","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/106813\/","title":{"rendered":"Implante cerebral promete reduzir crises de epilepsia em 50%"},"content":{"rendered":"<p>Convivendo com uma s\u00edndrome rara chamada esclerose tuberosa, que provoca m\u00faltiplas les\u00f5es no c\u00e9rebro e desencadeia diferentes tipos de crises, Rayanne Juliete, de 35 anos, tem agora a esperan\u00e7a de uma vida com mais autonomia ap\u00f3s ser submetida a uma cirurgia inovadora de estimula\u00e7\u00e3o cerebral profunda (DBS), que j\u00e1 \u00e9 realizada no Rio Grande do Norte. O procedimento, conduzido pelo neurocirurgi\u00e3o Thiago Rocha, marca um avan\u00e7o na medicina local e reacende expectativas para milhares de pacientes com epilepsia refrat\u00e1ria, aquela cujas crises persistem, apesar da administra\u00e7\u00e3o adequada de dois ou mais medicamentos.<\/p>\n<p>A condi\u00e7\u00e3o de Rayanne foi identificada ainda na inf\u00e2ncia. \u201cEu comecei a perceber aos seis meses de idade, eu j\u00e1 percebia que ela tinha crise\u201d, lembra a m\u00e3e, Eliauda Guedes. Ao longo dos anos, a jovem foi acompanhada por neuropediatras e submetida a diferentes tratamentos medicamentosos, mas as convuls\u00f5es n\u00e3o cederam. \u201cMesmo quando ela estava na escola, ela ca\u00eda, desmaiava, e j\u00e1 existia bullying dos colegas que at\u00e9 evitavam ficar perto por causa das quedas repentinas\u201d, conta a m\u00e3e.<\/p>\n<p>As quedas s\u00fabitas, que obrigam vigil\u00e2ncia constante, s\u00e3o as que mais limitam a vida da paciente. \u201cSe eu estiver desapercebida, corro o risco de cair junto em qualquer lugar\u201d, desabafa.<\/p>\n<p>Segundo o Dr. Thiago Rocha, a epilepsia refrat\u00e1ria \u00e9 uma das formas mais desafiadoras da doen\u00e7a. \u201cS\u00e3o cerca de um milh\u00e3o de pacientes no Brasil, mas apenas 300 mil podem fazer cirurgia de remo\u00e7\u00e3o do foco epil\u00e9tico\u201d, explica. Para os demais, cujas crises se originam em v\u00e1rias \u00e1reas do c\u00e9rebro, a sa\u00edda \u00e9 a neuromodula\u00e7\u00e3o. \u201cNo caso da Rayanne, escolhemos a t\u00e9cnica DBS, um implante de chip cerebral acoplado a um gerador\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>O dispositivo foi colocado abaixo da clav\u00edcula da paciente, conectado por eletrodos at\u00e9 o c\u00e9rebro. \u201cEsse marcapasso vai lan\u00e7ar est\u00edmulos que chegam a uma \u00e1rea chamada n\u00facleo anterior do t\u00e1lamo\u201d, detalha o neurocirurgi\u00e3o. Trabalhos internacionais, como o Estudo Sant\u00e9, apontam redu\u00e7\u00e3o de at\u00e9 60% na frequ\u00eancia das crises ap\u00f3s o procedimento.<\/p>\n<p>A cirurgia foi realizada em Rayanne h\u00e1 pouco mais de 20 dias e o gerador foi ativado em consult\u00f3rio, na \u00faltima quarta-feira (1\u00ba), dando in\u00edcio aos est\u00edmulos el\u00e9tricos cont\u00ednuos. Antes, a prepara\u00e7\u00e3o incluiu exames de tomografia, resson\u00e2ncia e avalia\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica. Os efeitos come\u00e7am a surgir a partir do terceiro m\u00eas e evoluem gradualmente. \u201cCada m\u00eas, a terapia vai evoluindo, a expectativa \u00e9 muito boa no m\u00e9dio e longo prazo\u201d, afirma Dr. Thiago.<\/p>\n<p>A tecnologia \u00e9 semelhante \u00e0 usada no tratamento do Parkinson, mas aplicada em outra regi\u00e3o do c\u00e9rebro. \u201cNo caso de Rayanne, implantamos no n\u00facleo anterior do t\u00e1lamo, que \u00e9 a \u00e1rea estudada para epilepsia. Os resultados s\u00e3o duradouros e cont\u00ednuos\u201d, esclarece o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Ainda pouco difundido no pa\u00eds, o DBS \u00e9 realizado em poucos centros especializados. \u201cGeralmente, os outros fazem VNS, mas aqui em Natal j\u00e1 realizamos todas as cirurgias de epilepsia\u201d, ressalta o neurocirurgi\u00e3o. Para ele, o feito consolida o estado como refer\u00eancia nacional. \u201c\u00c9 um tratamento que poucos centros no pa\u00eds fazem, e n\u00f3s conseguimos oferecer aqui\u201d, destaca.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" alt=\"\" class=\"wp-image-866738 lazyload\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/20251012_18NT2-1024x682.jpg\"  data- data-eio-rwidth=\"1024\" data-eio-rheight=\"682\" data-mwl-img-id=\"866738\"\/>Rayanne Juliete (direita) realizou a cirurgia h\u00e1 pouco mais de 20 dias. Esperan\u00e7a \u00e9 obter resultados ap\u00f3s o terceiro m\u00eas | Foto: Adriano Abreu<\/p>\n<p>Para a fam\u00edlia, a proposta foi recebida como uma chance de recome\u00e7o. \u201cEu fiquei feliz, fiquei maravilhada porque at\u00e9 para o banheiro eu tenho que acompanhar ela\u201d, diz a m\u00e3e. A esperan\u00e7a est\u00e1 em dias com menos crises e mais independ\u00eancia. \u201c\u00c9 uma perspectiva grande, uma esperan\u00e7a que surgiu atrav\u00e9s da tecnologia\u201d, resume Eliauda.<\/p>\n<p>O tratamento de Rayanne foi autorizado na rede privada por meio do plano de sa\u00fade dez meses ap\u00f3s a solicita\u00e7\u00e3o. No Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), o DBS \u00e9 oferecido em centros de refer\u00eancia com neurocirurgia funcional para pacientes com Parkinson ou distonia. Mas nem todos os estados possuem estrutura na rede p\u00fablica e profissionais capacitados.<\/p>\n<p>Para Eliauda, que passou d\u00e9cadas acompanhando a filha em cada passo, a cirurgia representa mais do que um procedimento m\u00e9dico. \u201cTodos diziam que eu precisava conviver porque n\u00e3o teria solu\u00e7\u00e3o. Agora temos essa chance de reduzir as crises em 50%\u201d, afirma, confiante.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Convivendo com uma s\u00edndrome rara chamada esclerose tuberosa, que provoca m\u00faltiplas les\u00f5es no c\u00e9rebro e desencadeia diferentes tipos&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":106814,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[116,32,33,117],"class_list":{"0":"post-106813","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-health","9":"tag-portugal","10":"tag-pt","11":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/106813","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=106813"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/106813\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/106814"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=106813"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=106813"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=106813"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}