{"id":107204,"date":"2025-10-12T03:44:10","date_gmt":"2025-10-12T03:44:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/107204\/"},"modified":"2025-10-12T03:44:10","modified_gmt":"2025-10-12T03:44:10","slug":"cientistas-transformam-rim-tipo-a-em-orgao-universal-tipo-o-dol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/107204\/","title":{"rendered":"Cientistas transformam rim tipo A em \u00f3rg\u00e3o universal tipo O \u2022 DOL"},"content":{"rendered":"<p>Pesquisadores do Canad\u00e1 realizaram um feito inovador ao modificar um rim humano do tipo sangu\u00edneo A para o tipo O, considerado universal, e transplant\u00e1-lo em um paciente com morte cerebral. O procedimento, detalhado na revista Nature Biomedical Engineering em 3 de outubro, representa um avan\u00e7o significativo na medicina transplantacional, com o potencial de reduzir a longa fila de espera por transplantes e aumentar as chances de compatibilidade entre doadores e receptores.<\/p>\n<p>A pesquisa utilizou enzimas para remover mol\u00e9culas chamadas ant\u00edgenos da superf\u00edcie das c\u00e9lulas, que s\u00e3o respons\u00e1veis por desencadear a rejei\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o transplantado. Esse processo, conhecido como convers\u00e3o enzim\u00e1tica de \u00f3rg\u00e3os (ECO), transforma tecidos em potenciais doadores universais. Embora o \u00f3rg\u00e3o convertido tenha funcionado por apenas dois dias antes de sinais de rejei\u00e7\u00e3o aparecerem, os resultados foram considerados promissores, uma vez que rea\u00e7\u00f5es adversas costumam ocorrer imediatamente quando h\u00e1 incompatibilidade sangu\u00ednea.<\/p>\n<p>O que significa um \u00f3rg\u00e3o com tipo sangu\u00edneo universal?<\/p>\n<p>A m\u00e9dica nefrologista Fl\u00e1via Gon\u00e7alves, do Hospital S\u00edrio-Liban\u00eas em Bras\u00edlia, explica que um \u00f3rg\u00e3o com tipo sangu\u00edneo universal \u00e9 aquele que pode ser aceito por qualquer paciente. \u201cIsso acontece porque o tipo O n\u00e3o apresenta os ant\u00edgenos A ou B, que s\u00e3o as principais estruturas reconhecidas pelo sistema imunol\u00f3gico como estranhas\u201d, afirma. Essa caracter\u00edstica torna o tipo O altamente desej\u00e1vel para transplantes, pois amplia significativamente o n\u00famero de pacientes que podem receber esse \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>Veja tamb\u00e9m:Impacto na aloca\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os<\/p>\n<p>A possibilidade de transformar um rim do tipo A em O pode ter um efeito direto na efici\u00eancia dos sistemas de aloca\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os. Com mais compatibilidade entre doadores e receptores, h\u00e1 menos desperd\u00edcio de \u00f3rg\u00e3os e uma redu\u00e7\u00e3o no tempo de espera para os pacientes que necessitam urgentemente de transplantes. Isso n\u00e3o apenas melhora as taxas de sobreviv\u00eancia, mas tamb\u00e9m pode salvar muitas vidas ao permitir que mais pessoas recebam os \u00f3rg\u00e3os necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>Desafios al\u00e9m da incompatibilidade<\/p>\n<p>No entanto, a incompatibilidade sangu\u00ednea \u00e9 apenas uma das barreiras enfrentadas na realiza\u00e7\u00e3o de transplantes renais. Outros fatores tamb\u00e9m precisam ser considerados para garantir que o \u00f3rg\u00e3o seja aceito pelo corpo do paciente. Um desses fatores \u00e9 o sistema HLA (ant\u00edgeno leucocit\u00e1rio humano), um conjunto de prote\u00ednas que funciona como uma esp\u00e9cie de \u201cc\u00f3digo de identidade\u201d para o sistema imunol\u00f3gico. Quanto mais semelhante esse c\u00f3digo for entre o doador e o receptor, menores s\u00e3o as chances de rejei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O papel dos anticorpos e outras vari\u00e1veis<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o organismo do receptor pode desenvolver anticorpos ao longo da vida devido a transfus\u00f5es sangu\u00edneas, gravidez ou transplantes anteriores. Isso aumenta o risco da rejei\u00e7\u00e3o do novo \u00f3rg\u00e3o. Outros aspectos como o tempo de transporte do rim transplantado, os cuidados na preserva\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o e as condi\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas gerais do paciente tamb\u00e9m influenciam diretamente no sucesso do procedimento.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica eco: como funciona?<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica ECO utiliza enzimas espec\u00edficas para retirar os ant\u00edgenos do tipo A da superf\u00edcie das c\u00e9lulas renais. O processo \u00e9 realizado em m\u00e1quinas de perfus\u00e3o que mant\u00eam o \u00f3rg\u00e3o irrigado e preservado fora do corpo humano. Embora a t\u00e9cnica tenha mostrado resultados promissores no estudo canadense, ainda existem desafios significativos a serem superados. Por exemplo, a remo\u00e7\u00e3o completa e duradoura dos ant\u00edgenos \u00e9 crucial; no estudo mencionado, esses ant\u00edgenos voltaram a aparecer alguns dias ap\u00f3s a convers\u00e3o enzim\u00e1tica, levando \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o transplantado.<\/p>\n<p>Potencial cient\u00edfico no Brasil<\/p>\n<p>Fl\u00e1via Gon\u00e7alves acredita que o Brasil possui capacidade cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica para participar ativamente em pesquisas semelhantes \u00e0 realizada no Canad\u00e1. \u201cTemos centros de excel\u00eancia como USP, Unicamp, Fiocruz e Instituto do Cora\u00e7\u00e3o com hist\u00f3rico em transplantes e biotecnologia\u201d, afirma ela. No entanto, ressalta que o pa\u00eds precisa investir em infraestrutura adequada e financiamento necess\u00e1rio para aplicar essa t\u00e9cnica em larga escala.<\/p>\n<p>O nefrologista \u00c1lvaro Pacheco, da equipe de transplante renal do Hospital Israelita Albert Einstein e diretor cient\u00edfico da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), complementa dizendo que seu hospital j\u00e1 possui equipamentos utilizados no estudo canadense e poderia realizar testes semelhantes caso a enzima utilizada estivesse dispon\u00edvel no Brasil. \u201cIsso demonstra que estamos tecnicamente preparados; por\u00e9m ainda dependemos de acesso \u00e0 tecnologia avan\u00e7ada e aprova\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria\u201d, conclui Pacheco.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pesquisadores do Canad\u00e1 realizaram um feito inovador ao modificar um rim humano do tipo sangu\u00edneo A para o&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":107205,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[25654,116,25655,25656,32,33,25657,117,8191],"class_list":{"0":"post-107204","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-conversao-enzimatica-de-orgaos","9":"tag-health","10":"tag-medicina-moderna","11":"tag-orgao-universal-tipo-o","12":"tag-portugal","13":"tag-pt","14":"tag-rim-tipo-a","15":"tag-saude","16":"tag-transplante-de-rim"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/107204","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=107204"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/107204\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/107205"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=107204"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=107204"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=107204"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}