{"id":107359,"date":"2025-10-12T08:04:12","date_gmt":"2025-10-12T08:04:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/107359\/"},"modified":"2025-10-12T08:04:12","modified_gmt":"2025-10-12T08:04:12","slug":"dori-caymmi-musica-brasileira-esta-doente-de-mau-gosto-11-10-2025-ilustrissima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/107359\/","title":{"rendered":"Dori Caymmi: M\u00fasica brasileira est\u00e1 doente de mau gosto &#8211; 11\/10\/2025 &#8211; Ilustr\u00edssima"},"content":{"rendered":"<p><strong>[RESUMO]<\/strong> Dori Caymmi, um dos mestres do viol\u00e3o brasileiro, lan\u00e7a o disco &#8220;Utopia&#8221;, nome que, a seu ver, reflete hoje a posi\u00e7\u00e3o da m\u00fasica popular de qualidade em um cen\u00e1rio em que a \u00fanica ambi\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer sucesso comercial com can\u00e7\u00f5es simpl\u00f3rias. Na entrevista, com humor sempre ferino, ele fala de seu ber\u00e7o musical ilustre, do aprendizado com Jo\u00e3o Gilberto, das discord\u00e2ncias com o tropicalismo de Caetano e Gil, da repulsa ao rock brasileiro, da morte da irm\u00e3 Nana e de como se v\u00ea como resist\u00eancia musical em meio a tanta vulgaridade. &#8220;N\u00e3o quero que ningu\u00e9m me siga. S\u00f3 aqueles que gostam de minha m\u00fasica.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Toda a m\u00fasica que eu fa\u00e7o, ultimamente, \u00e9 ut\u00f3pica. Num momento t\u00e3o antimusical, meu disco n\u00e3o tem a menor possibilidade de uma divulga\u00e7\u00e3o decente. \u00c9 uma coisa do passado mesmo. N\u00f3s estamos vivendo um outro tipo de postura no s\u00e9culo 21. E eu n\u00e3o posso botar uma roupa brilhante, chamar 12 bailarinos e fazer um show no palco, dan\u00e7\u00e1vel, para todo mundo gostar.&#8221;<\/p>\n<p>Com essa declara\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios, aos 82 anos, <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/intl-pt\/album\/7tcJe517snm4gut0jFAzwi\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Dori Caymmi define o \u00e1lbum &#8220;Utopia&#8221;, rec\u00e9m-lan\u00e7ado pela gravadora Biscoito Fino<\/a>, com produ\u00e7\u00e3o de Jorge Helder. Filho de Stella Maris e Dorival Caymmi, irm\u00e3o dos cantores Nana e Danilo, ele surge de cara enfezada no retrato pintado pelo pai, estampado na capa do disco. &#8220;Nele, sou o \u2018t\u00f4 de mal\u2019 da can\u00e7\u00e3o \u2018Marina\u2019. Pode ter existido uma Marina na vida do meu pai, n\u00e3o duvido nada. Mas o \u2018t\u00f4 de mal\u2019 sou eu.&#8221;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/ilustrad\/fq1708200822.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Depois da morte dos pais, em 2008<\/a>, Dori parou de criar melodias isoladas e se limitou a musicar os versos de parceiros. &#8220;Apagou a vontade em mim. A m\u00fasica de mau gosto do entorno contribuiu para minha decis\u00e3o&#8221;, ele conta.<\/p>\n<p>No come\u00e7o da carreira, teve letras de Nelson Motta (&#8220;Saveiros&#8221;, &#8220;O Cantador&#8221;) e, num universo restrito de parceiros, orgulha-se em dividir &#8220;Alegre Menina&#8221; com Jorge Amado e &#8220;Fora de Hora&#8221;, obra-prima quase desconhecida, com Chico Buarque.<\/p>\n<p>H\u00e1 cinco d\u00e9cadas, o poeta <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/monicabergamo\/2019\/06\/vi-meus-versos-tatuados-nos-bracos-das-pessoas-diz-o-compositor-paulo-cesar-pinheiro.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Paulo C\u00e9sar Pinheiro<\/a> virou seu principal parceiro em can\u00e7\u00f5es como &#8220;Desenredo&#8221;, &#8220;Estrela da Terra&#8221; e &#8220;Rio Amazonas&#8221;. Ou em &#8220;Viageiro&#8221; e &#8220;Navega\u00e7\u00e3o&#8221;, joias do novo disco. A dupla forma uma simbiose. &#8220;Sozinho sou de nascen\u00e7a,\/ De profiss\u00e3o: eremita,\/ Tanto n\u00e3o pe\u00e7o licen\u00e7a\/ Quanto n\u00e3o fa\u00e7o visita&#8221;, Dori canta pelos dois em &#8220;Sozinho de Nascen\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Como eu conhe\u00e7o a pessoa, o gosto e o pensamento dele, j\u00e1 envio a letra que acho que ele vai gostar&#8221;, conta Paulo C\u00e9sar. &#8220;Dizem as m\u00e1s l\u00ednguas que Dori n\u00e3o \u00e9 um compositor popular, \u00e9 muito rebuscado. E n\u00e3o \u00e9 verdade. Esse disco novo demonstra que muitas de suas m\u00fasicas s\u00e3o populares.&#8221;<\/p>\n<p>Os amigos partilham a admira\u00e7\u00e3o por<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/2025\/08\/cartas-entre-erico-verissimo-e-jorge-amado-escritores-mais-pop-do-pais-por-anos-sairao-em-livro.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> Jorge Amado<\/a> e<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/2013\/05\/1273106-memorias-do-diplomata-joao-guimaraes-rosa.shtml?mobile\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> Guimar\u00e3es Rosa<\/a>. E a ojeriza ao celular. Paulo C\u00e9sar confessa que n\u00e3o tem sequer cart\u00e3o de banco. Os comerciantes ainda aceitam seus cheques porque faz compras nos mesmos lugares. &#8220;Dori tinha um telefone fixo, que n\u00e3o existe mais. A gente \u00e9 anal\u00f3gico, n\u00e3o \u00e9 digital. Ent\u00e3o, ficamos meio sem comunica\u00e7\u00e3o. A gente se v\u00ea quando ele desce de Petr\u00f3polis para o Rio. Passamos juntos uma tarde, um fim de tarde ou um come\u00e7o de noite.&#8221;<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas conversas, eles lamentaram o &#8220;adoecimento&#8221; da m\u00fasica popular brasileira. &#8220;A gente ainda \u00e9 do tempo em que a m\u00fasica brasileira era sadia&#8221;, afirma Paulo C\u00e9sar.<\/p>\n<p>&#8220;A m\u00fasica brasileira est\u00e1 doente. Virou uma coisa de ser famoso, de fazer sucesso, e o sucesso normalmente vem com algo f\u00e1cil de entender e de cantar. E voc\u00ea nota na plateia uma ambi\u00e7\u00e3o muito grande de estar no palco. \u2018Eu quero ser Ivete!\u2019. Agora est\u00e1 pior&#8221;, diz Dori. &#8220;H\u00e1 jovens m\u00fasicos com admira\u00e7\u00e3o pelo meu trabalho. N\u00e3o estou falando de todos. Alguns deles. Os roqueiros n\u00e3o gostam muito de mim, n\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Ele reveste seus afetos com humor, faz gra\u00e7a com os artistas amados, mas sempre que promete pegar leve com o cen\u00e1rio musical, a realidade lhe exige mais rigor. &#8220;Toda vez que eu falo do meu amor pelo Brasil, vem algu\u00e9m me chamar de reacion\u00e1rio. Basta contrariar o mau gosto, basta dizer que o vibrato dos cantores sertanejos \u00e9 um pavor. N\u00e3o sei de onde vem esse vibrato, talvez do trio el\u00e9trico. O sertanejo n\u00e3o \u00e9 isso. O sertanejo \u00e9, antes de tudo, um forte.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Ser purista ou reacion\u00e1rio, ou qualquer leitura a respeito do meu trabalho, isso j\u00e1 n\u00e3o me importa muito, n\u00e3o&#8221;, ele avisa.<\/p>\n<p>O apetite de Dori por shows e discos sempre foi moderado. Enquanto os expoentes de sua gera\u00e7\u00e3o estrearam em disco no meio da d\u00e9cada de 1960, ele esperou at\u00e9 1972 para lan\u00e7ar seu primeiro \u00e1lbum, e mais oito anos para o segundo. Nem precisou gravar can\u00e7\u00f5es autorais para influenciar colegas como violonista e arranjador.<\/p>\n<p>&#8220;Eu sou mais diminuto. Gosto de fazer o atr\u00e1s do palco&#8221;, explica, lembrando a dire\u00e7\u00e3o musical do espet\u00e1culo &#8220;Opini\u00e3o&#8221;, com Nara Le\u00e3o, Z\u00e9 Keti e Jo\u00e3o do Vale, a convite de Augusto Boal, em 1964. &#8220;N\u00f3s sofremos muito ass\u00e9dio, mas meio calado, porque em 1964 ainda n\u00e3o tinha aquela viol\u00eancia que veio com a ditadura de<a href=\"https:\/\/feeds.folha.uol.com.br\/fsp\/mais\/fs2204200105.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> Garrastazu M\u00e9dici<\/a>. Eu fiz uma m\u00fasica na \u00e9poca: \u2018Garrastazu-u-u, Garrastazu-u-u, filho do fogo, sobrinho do trov\u00e3o\u2019. Foi a minha \u00fanica parceria com <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/2025\/09\/leia-poema-de-vinicius-de-moraes-em-homenagem-a-tenorio-jr.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Vinicius de Moraes<\/a>.&#8221;<\/p>\n<p>No teatro, observou os mist\u00e9rios dos palcos, dos ensaios \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o, sem qualquer desejo de adotar performances corporais em seus shows. Concentra-se no viol\u00e3o, evita acenar para a plateia e abomina as orienta\u00e7\u00f5es coreogr\u00e1ficas do pop.<\/p>\n<p>&#8220;O trio el\u00e9trico popularizou muito essa coisa do Carnaval. Ele come\u00e7ou inocentemente com o Dod\u00f4 e meu pai na Bahia. Dod\u00f4 tocava com o papai e j\u00e1 tinha o trio el\u00e9trico na cabe\u00e7a. Osmar veio depois. E por falar em Osmar, o filho dele, o Armandinho, eu adoro esse cara. Ele \u00e9 um craque. Mas n\u00e3o gosto do trio el\u00e9trico. <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/2024\/09\/caetano-explica-a-evangelicos-por-que-se-reaproximou-da-religiao.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Caetano<\/a> cantou que \u2018atr\u00e1s do trio el\u00e9trico s\u00f3 n\u00e3o vai quem j\u00e1 morreu\u2019. Eu digo: \u2018Ih, morri!\u2019. Me enterra porque eu j\u00e1 fui.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o tenho nada a ver com essa m\u00fasica de \u2018poeira, levantou poeira\u2019 [refere-se a &#8220;Sorte Grande&#8221;, hit da ax\u00e9 music]. Eu sou al\u00e9rgico. Se levantar poeira, pra mim vai ser um horror.&#8221;<\/p>\n<p>O ambiente familiar definiu os tra\u00e7os essenciais de sua forma\u00e7\u00e3o. Em casa, o velho Caymmi ouvia discos de jazz e dos compositores cl\u00e1ssicos Bach, Wagner, Chopin, Ravel e Debussy. Os favoritos do filho s\u00e3o os dois \u00faltimos. Na sala de visita, a sensibilidade do garoto era exposta ao viol\u00e3o do pai e de seus amigos virtuoses.<\/p>\n<p>Acima de tudo, Dori se fascinou pelas can\u00e7\u00f5es praieiras do velho Dorival. &#8220;Meu deus do c\u00e9u, desde crian\u00e7a eu vi aquele viol\u00e3o e n\u00e3o tinha coragem de tocar. Louco de vontade de pegar um viol\u00e3o e ficar olhando para a m\u00e3o dele e fazer aqueles acordes, pegar aquela for\u00e7a do candombl\u00e9 que j\u00e1 tinha na m\u00fasica dele.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o posso definir qual foi o principal viol\u00e3o. Eu acho que <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/2018\/08\/como-um-cd-rejeitado-tirou-do-mercado-3-discos-classicos-de-joao-gilberto.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Jo\u00e3o Gilberto<\/a>. Porque perturbei muito. Eu tinha passaporte Dorival Caymmi. Papai lan\u00e7ou Jo\u00e3ozinho. E fui \u00e0 casa dele muitas vezes, no Leblon, ficar ali enchendo o saco, de frente para o viol\u00e3o dele, aquela coisa meticulosa de pegar uma can\u00e7\u00e3o e trabalhar durante meses para poder emitir do jeito certo. Jo\u00e3o tinha uma neurose fant\u00e1stica. Eu olhava Jo\u00e3o, Baden Powell e Luiz Bonf\u00e1. E tinha papai, o viol\u00e3o mais importante, do meu lado.&#8221;<\/p>\n<p>Ser filho de Dorival Caymmi lhe trouxe vantagens de forma\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o houve tanta facilidade assim, pois o talento musical dos filhos n\u00e3o era incentivado. Segundo Dori, os pais preferiam<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/blogs\/musica-em-letras\/2023\/08\/dorival-caymmi-e-homenageado-por-seu-filho-danilo-caymmi-em-viva-caymmi.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> o trabalho de Danilo<\/a>, seu irm\u00e3o. A m\u00e3e s\u00f3 se entusiasmou com &#8220;Rio Amazonas&#8221; e elogiava mais Francis Hime, amigo da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Em tempos recentes, Dori descobriu um recorte do jornal \u00daltima Hora, uma entrevista em que o patriarca fazia um retrato seu em 1954. &#8220;O menino tem um mundo interior que n\u00e3o acaba mais [\u2026] Vejo a minha inf\u00e2ncia se repetindo nele. Na inquieta\u00e7\u00e3o de pai, temo, \u00e0s vezes, pelo seu futuro, formando-se assim rom\u00e2ntico pra uma era de pragmatismo. Mas n\u00e3o desejo acord\u00e1-lo&#8221;, disse Caymmi.<\/p>\n<p>&#8220;Para mim, foi uma surpresa ler isso. Ele se espelhar em mim \u00e9 um neg\u00f3cio de louco&#8221;, reconhece Dori. A seu ver, Nana enfrentou mais barreiras no in\u00edcio da vida art\u00edstica. &#8220;Nana fazia mais palco. E, quando voltou da Venezuela, separada do marido, sofreu muita press\u00e3o familiar [em 1965]. Nessa \u00e9poca, dei \u2018Saveiros\u2019 para ela cantar. Ela recome\u00e7ou a carreira ali, porque tinha cantado com o papai antes e feito um disco.&#8221;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/2024\/12\/musica-de-tom-jobim-ainda-representa-o-melhor-do-brasil.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Tom Jobim <\/a>influenciou a estreia de Dori em est\u00fadio. Primeiro, encarregou-o de gravar a vers\u00e3o instrumental de &#8220;S\u00f3 Tinha de Ser com Voc\u00ea&#8221; para um document\u00e1rio americano. Depois, recebeu o jovem violonista e a fam\u00edlia inteira no \u00e1lbum &#8220;Caymmi visita Tom&#8221;, de 1964. Dori voltaria a colaborar com Jobim na trilha do filme &#8220;A Casa Assassinada&#8221; (1971), de Paulo C\u00e9sar Saraceni, e em &#8220;Matita Per\u00ea&#8221; (1973).<\/p>\n<p>Nas entrevistas, ao exaltar as sonoridades brasileiras, Dori pode passar a impress\u00e3o de um purismo nacionalista que n\u00e3o define a sua cabe\u00e7a informada pelo jazz. Ele ouve essa pondera\u00e7\u00e3o e lembra o impacto dos arranjos de Barney Kessel para Julie London e de Nelson Riddle e Axel Stordahl para Frank Sinatra, al\u00e9m de Wes Montgomery, Billy May, Gil Evans e John Coltrane.<\/p>\n<p>&#8220;Sempre estive de olho nesses caras, mas aprendi a orquestrar aqui no Brasil, como copista do Luizinho E\u00e7a. Luizinho foi o cara na minha vida&#8221;, recorda. Radam\u00e9s Gnattali, outro guia, o puxava de lado e repetia a cada encontro: &#8220;Harmonia, meu filho. O neg\u00f3cio \u00e9 a harmonia&#8221;. Atender a esse conselho virou o h\u00e1bito de Dori, reconhecido como um mestre do viol\u00e3o brasileiro.<\/p>\n<p>Produtor musical do disco &#8220;Nana, Tom, Vin\u00edcius&#8221; (2020), com arranjos de Dori, M\u00e1rio Gil observa que, no Brasil, o viol\u00e3o virou o principal acompanhamento da m\u00fasica popular. Por isso, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil criar uma linguagem pr\u00f3pria no instrumento.<\/p>\n<p>&#8220;Inspirado pela afina\u00e7\u00e3o de<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/ilustrad\/fq13079906.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> Baden Powell<\/a> para \u2018O Cego Aderaldo\u2019, Dori comp\u00f4s dezenas de m\u00fasicas e descobriu acordes e sonoridades que imprimem uma brasilidade encantadora ao seu viol\u00e3o. Isso somado a um profundo conhecimento de harmonia aplicado a acordes nas mais belas invers\u00f5es harm\u00f4nicas, sempre privilegiando a linha mel\u00f3dica dos baixos&#8221;, analisa o violonista, estudioso de sua obra.<\/p>\n<p>Apesar do des\u00e2nimo com a m\u00fasica atual, Dori aponta seus cantores favoritos, com os quais j\u00e1 dividiu discos e palcos. &#8220;Admiro M\u00f4nica Salmaso, Renato Braz e Sergio Santos. Esses s\u00e3o tr\u00eas artistas por quem eu realmente tenho admira\u00e7\u00e3o muito grande, adequados ao meu estilo.&#8221;<\/p>\n<p>O trabalho em est\u00fadios ocupou boa parte da vida de Dori, produtor de \u00e1lbuns de Nara Le\u00e3o, Gal Costa, Caetano Veloso e Gilberto Gil, nos anos 1960. &#8220;Ningu\u00e9m gosta de arranjador, s\u00f3 quem gosta de arranjador \u00e9 o arranjador&#8221;, ele brinca. Com humildade, lembra-se de uma revis\u00e3o proposta por Dominguinhos. &#8220;Esse acorde aqui vai tirar o leite das crian\u00e7as&#8221;, alertou o instrumentista.<\/p>\n<p>A gravadora Philips acolheu, por sua sugest\u00e3o, o disco de estreia de Gal e Caetano, &#8220;Domingo&#8221; (1967). No cl\u00e1ssico arranjo de &#8220;Cora\u00e7\u00e3o Vagabundo&#8221;, ele adaptou uma forma\u00e7\u00e3o usada por Eumir Deodato, com duas flautas e dois saxofones. Em poucos meses, os disc\u00edpulos de Jo\u00e3o Gilberto estariam em campos est\u00e9ticos diferentes.<\/p>\n<p>Dori n\u00e3o participou das reuni\u00f5es convocadas por Gil para discutir a renova\u00e7\u00e3o da m\u00fasica popular, dentro de inquieta\u00e7\u00f5es pr\u00e9-tropicalistas. &#8220;Eu n\u00e3o gosto de reuni\u00e3o e nem gosto de renova\u00e7\u00e3o. A renova\u00e7\u00e3o vem de cada um, n\u00e3o dessa coisa de sentar na mesa para discutir possibilidades ou \u2018vamos criar uma tropic\u00e1lia\u2019&#8221;, justifica.<\/p>\n<p>&#8220;Cada um tem o seu rumo. N\u00e3o h\u00e1 o que discutir. Voc\u00ea v\u00ea que tem Chico e Tom fazendo \u2018Sabi\u00e1\u2019 e do outro lado Geraldo Vandr\u00e9. E a m\u00fasica do Vandr\u00e9 foi muito mais importante na \u00e9poca, politicamente [\u2018Pra N\u00e3o Dizer que N\u00e3o Falei das Flores\u2019]. N\u00e3o tenho essa mania de discutir rumo. O rumo pol\u00edtico, acho legal discutir. Rumo da m\u00fasica, da arte, n\u00e3o. Eu acho uma besteira.&#8221;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/ilustrad\/fq0311199916.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Ele se op\u00f5e ao tropicalismo &#8220;desde que nasceu&#8221;<\/a>. &#8220;Sabe por qu\u00ea? Caetano sabe. Porque tenho admira\u00e7\u00e3o por ele, um cara que faz coisas lindas e, de repente, assume uma posi\u00e7\u00e3o, uma coisa agressiva [na tropic\u00e1lia]. Por outro lado, houve passeata contra guitarra. Quer dizer, que culpa tem a guitarra de ser mal tocada?.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;\u2018Domingo no Parque\u2019 \u00e9 uma das coisas mais bonitas de Gil. Adorei a grava\u00e7\u00e3o. Adorei at\u00e9 o arranjo do Rog\u00e9rio Duprat, muito bonito e muito bem feito para a \u00e9poca. Na hora da apresenta\u00e7\u00e3o, no festival, Os Mutantes desafinaram para cacete. A gente v\u00ea que era muita informa\u00e7\u00e3o pra cantar no meio daquela zorra. O festival veio para o bem e para o mal. \u00c9 que nem celular.&#8221;<\/p>\n<p>Caetano nunca se aborreceu com as cr\u00edticas do amigo. &#8220;Dori \u00e9 uma das pessoas que mais admiro e amo desde sempre. Ele era ainda um cara no fim da adolesc\u00eancia quando o conheci na Bahia, via Carlos Coqueijo. Depois, seu jeito de tocar viol\u00e3o! Ele foi sempre o que mais me encantou como seguidor da bossa nova. Quase toda a gera\u00e7\u00e3o que reafirmava a bossa reagiu mal \u00e0 <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/2017\/04\/1873526-ha-meio-seculo-tropicalia-chegava-para-arrombar-a-festa.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">nossa, de Gil e minha, virada tropicalista.<\/a> Dori nunca mudou quanto a isso. E eu gosto&#8221;, afirma Caetano.<\/p>\n<p>&#8220;Amo seu humor mal-humorado. E ele levou<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=_nj8GKlfXKo&amp;list=RD_nj8GKlfXKo&amp;start_radio=1\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> Chico a gravar \u2018Sampa\u2019!<\/a> Dori \u00e9 uma personalidade musical aut\u00eantica, profunda e dona da beleza. O disco que Gal e eu fizemos n\u00e3o seria o que \u00e9 se n\u00e3o fosse Dori.&#8221;<\/p>\n<p>Os festivais criaram &#8220;inimizades tempor\u00e1rias&#8221;, sublinha Dori. &#8220;Em todos os que eu participei, o \u00fanico abra\u00e7o que ganhei foi do Marcos Valle, no \u2018Saveiros\u2019, em 1966&#8221;<\/p>\n<p>Num flerte com a tropic\u00e1lia, Nana Caymmi gravou um compacto com Os Mutantes, em 1967, mas o irm\u00e3o se manteve distante dessa sonoridade. &#8220;N\u00e3o combina com o meu temperamento musical&#8221;, pondera Dori. &#8220;Depois que a Rita Lee saiu dos Mutantes, ela casou com Roberto de Carvalho<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2023\/05\/em-show-na-folha-rita-lee-se-disfarcou-de-jazzista-por-medo-de-veto-ao-seu-rock.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">, e eu adoro o trabalho dos dois<\/a>. N\u00e3o \u00e9 rock, \u00e9 pop, mas \u00e9 de bom gosto. Rita escrevia ir\u00f4nica. Eu sou uma pessoa muito ir\u00f4nica. Fiquei f\u00e3 dela. L\u00e1 nos Mutantes, eu n\u00e3o dava a menor import\u00e2ncia. N\u00e3o tenho essa cultura dos Beatles.&#8221;<\/p>\n<p>No festival de 1967, ele conheceu a cantora<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/blogs\/musica-em-letras\/2022\/09\/cantora-joyce-moreno-lanca-album-brasileiras-cancoes-em-show.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> Joyce Moreno<\/a>, uma de suas melhores amigas, que o indicou para os arranjos de seu primeiro disco, &#8220;Joyce&#8221; (1968). &#8220;A gravadora achou que talvez n\u00e3o fosse ainda o caso de entregar todos os arranjos pra ele, e chamou o Gaya para fazer metade. Mas assim fomos nos aproximando&#8221;, ela lembra. Os dois dividiriam o \u00e1lbum &#8220;Rio-Bahia&#8221;, em 2006. &#8220;At\u00e9 hoje Dori, pra mim, \u00e9 como se fosse totalmente fam\u00edlia, um irm\u00e3o que a m\u00fasica me deu. \u00c9, junto com Jo\u00e3o Gilberto, a minha maior influ\u00eancia como violonista.&#8221;<\/p>\n<p>Em 1989, Dori passou a morar em Los Angeles, onde trabalhou inicialmente com S\u00e9rgio Mendes. Mas n\u00e3o demorou a se afastar do esp\u00edrito ultracomercial do colega. &#8220;Eu n\u00e3o falo mais esse nome, que n\u00e3o me traz sorte&#8221;, ele diz. Uma amiga o apresentaria a Quincy Jones, o mais influente produtor da m\u00fasica americana. Um dia, Quincy lhe telefonou cantarolando &#8220;Amazon River&#8221;, gravada em &#8220;Brazilian Serenata&#8221;, ainda sem a letra de Paulo C\u00e9sar.<\/p>\n<p>&#8220;Era a oportunidade que n\u00e3o havia no Brasil. A coisa aqui come\u00e7ou a se comercializar com o rock brasileiro, que eu nunca chamei de roquinho, porque acho pejorativo. Eu preferi sair.&#8221; Ele satiriza as modas do mercado fonogr\u00e1fico. &#8220;Houve um per\u00edodo em que todo roqueiro tinha um disco ac\u00fastico. Voc\u00ea sabe que eu quase fiz um \u00e1lbum meu assim? Dori Caymmi, ac\u00fastico.&#8221;<\/p>\n<p>Em uma palestra, ao ouvir cr\u00edticas de Dori ao rock, um homem apontou a sua contradi\u00e7\u00e3o em fazer arranjo para um disco do <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2025\/06\/raul-seixas-revive-em-serie-biografica-mostra-e-shows-em-seus-80-anos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">roqueiro Raul Seixas.<\/a> &#8220;Ele tinha raz\u00e3o&#8221;, sorri Dori. No disco &#8220;Por Quem os Sinos Dobram&#8221; (1979), arranjou e acompanhou Raul em &#8220;R\u00e9quiem Para Uma Flor&#8221;. N\u00e3o ser\u00e1 estranho, portanto, se algu\u00e9m gritar &#8220;toca Raul!&#8221; em algum show seu.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, casado com Helena Leal, Dori participou das trilhas de filmes de Spike Lee (<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/1996\/11\/22\/ilustrada\/34.html\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">&#8220;Irm\u00e3os de Sangue&#8221;, de 1995<\/a>) e Sydney Pollack (&#8220;Havana&#8221;, de 1990). Quase foi tragado pelo blockbuster &#8220;Anaconda&#8221; (1997), de Luis Llosa. &#8220;Fui rejeitado, gra\u00e7as a Deus. N\u00e3o sei fazer m\u00fasica para cobra.&#8221;<\/p>\n<p>Em 2017, ele decidiu morar outra vez no Brasil e comprou uma casa em Petr\u00f3polis, no Rio. J\u00e1 n\u00e3o lhe agradava nada o predom\u00ednio de uma bossa nova dilu\u00edda no mercado externo. &#8220;O americano se torna dono das coisas. Quando a bossa nova chegou, eles se apossaram. Depois se apossaram do choro. A\u00ed se apossaram da capoeira.&#8221;<\/p>\n<p>Em entrevista a uma r\u00e1dio americana de jazz, Dori se irritou com os elogios excessivos do apresentador ao desempenho de Stan Getz no \u00e1lbum <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/1248867-gravacao-de-disco-classico-de-joao-gilberto-com-stan-getz-faz-50-anos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">&#8220;Getz\/Gilberto&#8221; <\/a>(1964). &#8220;Eu falei: olha, a pior coisa nesse disco \u00e9 o Stan Getz e a Astrud. Tem Tom Jobim. Tem Jo\u00e3o Gilberto no viol\u00e3o. E voc\u00ea fala de Stan Getz? O cara fez um solo de \u2018Garota de Ipanema\u2019, que, por mim, diziam assim: \u2018A porta da rua \u00e9 ali\u2019. O apresentador ficou doido da vida. Falei mais: \u2018Jo\u00e3o Gilberto \u00e9 infinitamente superior ao Stan Getz. Tom, infinitamente superior\u2019. O cara ficou ainda mais bravo.&#8221;<\/p>\n<p>Pouco depois do sucesso mundial do<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/ruycastro\/2023\/04\/getzgilberto-sessentinha.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> &#8220;Getz\/Gilberto&#8221;<\/a>, Dori reencontrou Jo\u00e3o em Nova York, onde tocaram viol\u00e3o 12 horas por dia, ao longo de uma semana. Na noite de um concerto de Thelonious Monk, ao ser informado por Sivuca de que Dori era \u00edntimo de Jo\u00e3o, o trompetista Miles Davis pediu que transmitisse seu desejo de dividir um disco. &#8220;Essa ideia \u00e9 uma porcaria. <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/2022\/09\/amigo-de-miles-davis-cineasta-vendeu-po-nos-eua-para-bancar-filmes-experimentais.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Miles \u00e9 um chato&#8221;, descartou Jo\u00e3o, e mudou de assunto.<\/a><\/p>\n<p>Por limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas da idade, Dori n\u00e3o suporta aeroportos e pretende apresentar o show de &#8220;Utopia&#8221; em cidades ao alcance de uma viagem suave de carro: Rio, S\u00e3o Paulo, Bras\u00edlia e Belo Horizonte. <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/2025\/05\/ainda-estou-viva-celebrou-nana-caymmi-apos-gravar-ultima-musica.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Neste ano, perdeu a irm\u00e3 Nana, reconhecida como sua principal int\u00e9rprete.<\/a><\/p>\n<p>&#8220;Para te dizer de verdade, o que eu tenho saudade da Nana \u00e9 do trabalho com ela. O conv\u00edvio de irm\u00e3o com irm\u00e3 nunca foi uma coisa assim extraordin\u00e1ria. O pau sempre comeu. Porque ela tinha um g\u00eanio brabo, e eu n\u00e3o levo desaforo para casa. Nana era muito dif\u00edcil. A cantora \u00e9 uma amada. Essa \u00e9 a parte que eu sinto falta.&#8221;<\/p>\n<p>Em mais de uma ocasi\u00e3o, Dori e Danilo criticaram as declara\u00e7\u00f5es de Nana <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2019\/03\/nana-caymmi-ataca-chico-gil-e-caetano-e-nao-quer-netas-em-show-de-pagode.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">a favor de Jair Bolsonaro<\/a>, ressaltando que a irm\u00e3 n\u00e3o sa\u00eda mais de casa, era mal influenciada e tinha uma vis\u00e3o superficial do pa\u00eds. &#8220;A pol\u00edtica separa as fam\u00edlias&#8221;, reconhece Dori, que apoiou os atos em defesa da democracia e da puni\u00e7\u00e3o aos envolvidos na tentativa de golpe de estado. &#8220;A extrema direita \u00e9 um lixo.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Grande parte do Brasil \u00e9 vendida ao celular, a esse neg\u00f3cio de enriquecer e dar golpe nas pessoas. Est\u00e1 muito sujo tudo. \u00c9 por isso que o Trump est\u00e1 dando palpite para c\u00e1&#8221;, ele diz. &#8220;E tem muita tatuagem tamb\u00e9m&#8221;, provoca, sorrindo. &#8220;Outro dia, um menino chegou t\u00e3o tatuado no est\u00fadio que eu perguntei para ele: \u2018Seu pai sabe disso?\u2019. O apelido dele virou \u2018seu pai sabe disso\u2019.&#8221;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/dori_caymmi_oficial_\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">No Instagram, Dori mant\u00e9m a s\u00e9rie &#8220;Saudade e Mem\u00f3ria&#8221;<\/a>, com breves palavras sobre grandes artistas brasileiros. Mas n\u00e3o faz as postagens. &#8220;O celular trouxe o ego\u00edsmo de \u2018quero mais seguidores\u2019. N\u00e3o quero que ningu\u00e9m me siga. S\u00f3 aqueles que gostam de minha m\u00fasica.&#8221;<\/p>\n<p>                  <script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"[RESUMO] Dori Caymmi, um dos mestres do viol\u00e3o brasileiro, lan\u00e7a o disco &#8220;Utopia&#8221;, nome que, a seu ver,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":107360,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[145],"tags":[9000,2733,211,210,25707,14348,114,115,236,150,32,33],"class_list":{"0":"post-107359","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-celebridades","8":"tag-bossa-nova","9":"tag-carnaval","10":"tag-celebridades","11":"tag-celebrities","12":"tag-dori-caymmi","13":"tag-dorival-caymmi","14":"tag-entertainment","15":"tag-entretenimento","16":"tag-folha","17":"tag-musica","18":"tag-portugal","19":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/107359","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=107359"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/107359\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/107360"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=107359"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=107359"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=107359"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}