{"id":107383,"date":"2025-10-12T08:33:10","date_gmt":"2025-10-12T08:33:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/107383\/"},"modified":"2025-10-12T08:33:10","modified_gmt":"2025-10-12T08:33:10","slug":"a-biodiversidade-nao-fala-apenas-ingles-frances-ou-espanhol-fala-tambem-portugues-e-malaio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/107383\/","title":{"rendered":"\u201cA biodiversidade n\u00e3o fala apenas ingl\u00eas, franc\u00eas ou espanhol. Fala tamb\u00e9m portugu\u00eas e malaio\u201d"},"content":{"rendered":"<p>        Estudo alerta para o facto das barreiras lingu\u00edsticas poderem estar a comprometer metas globais de conserva\u00e7\u00e3o da natureza em regi\u00f5es com elevada biodiversidade e aponta o portugu\u00eas como l\u00edngua priorit\u00e1ria para a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade \u00e0 escala global.    <\/p>\n<p>Um estudo assinado por tr\u00eas cientistas cientistas portugueses \u2013 Diogo Ver\u00edssimo e Ricardo Rocha da Universidade de Oxford, e Maria Dias, do Centro de Ecologia, Evolu\u00e7\u00e3o e Altera\u00e7\u00f5es Ambientais (CE3C) da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa \u2013 publicado, recentemente, na revista cient\u00edfica \u201cConservation Letters\u201d alerta para a urg\u00eancia de se inclu\u00edrem e utilizarem novos idiomas nos tratados internacionais que visam a prote\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies amea\u00e7adas no mundo.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia mais not\u00f3ria \u00e9 a l\u00edngua portuguesa, a par da malaia, por serem ambas faladas em regi\u00f5es do mundo com elevada biodiversidade das quais dependem muitos dos objetivos estabelecidos para travar a extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o analisou a distribui\u00e7\u00e3o de milhares de esp\u00e9cies inclu\u00eddas na lista Vermelha da Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (IUCN) e cruzou estes dados com as l\u00ednguas oficiais e mais faladas nos diferentes pa\u00edses onde ocorrem.<\/p>\n<p>\u201cOs resultados revelam que, muito embora o espanhol e o ingl\u00eas continuem a ser l\u00ednguas centrais para a conserva\u00e7\u00e3o \u00e0 escala global, cobrindo \u00e1reas onde ocorre cerca de 25% da biodiversidade do planeta, o franc\u00eas, o portugu\u00eas e o malaio surgem logo a seguir com cerca de 10%\u201d.<\/p>\n<p>Enquanto os tr\u00eas primeiros idiomas gozam j\u00e1 de estatuto oficial nos tratados internacionais, o portugu\u00eas e o malaio n\u00e3o s\u00e3o contemplados, apesar de superarem a import\u00e2ncia de outras l\u00ednguas oficiais, como o russo, o \u00e1rabe ou o chin\u00eas nesta mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>Para Maria Dias, \u201ca l\u00edngua portuguesa sobressai no panorama da biodiversidade internacional, n\u00e3o s\u00f3 por se falar em pa\u00edses muito ricos do ponto de vista natural, mas tamb\u00e9m porque engloba regi\u00f5es geogr\u00e1ficas muito distintas \u2013 do Brasil a Timor-Leste, de Portugal a Mo\u00e7ambique\u201d.\u00a0 \u201cO leque de esp\u00e9cies que vivem por isso em regi\u00f5es onde se fala portugu\u00eas \u00e9 enorme\u201d, conclui a investigadora do CE3C.<\/p>\n<p>Para ultrapassar este desafio, os autores defendem um sistema de quatro n\u00edveis de prioridade lingu\u00edstica, que integre: (1) l\u00ednguas francas globais (como ingl\u00eas e franc\u00eas), (2) as l\u00ednguas oficiais da ONU, (3) l\u00ednguas priorit\u00e1rias para a biodiversidade (como portugu\u00eas e malaio) e (4) l\u00ednguas locais e ind\u00edgenas, vitais para a a\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Atentos ao advento da intelig\u00eancia artificial, os autores sublinham ainda que pode ser arriscado confiar apenas em tradu\u00e7\u00f5es autom\u00e1ticas, sobretudo em documentos t\u00e9cnicos e legais povoados por termos e conceitos muito pr\u00f3prios que podem dar azo a interpreta\u00e7\u00f5es erradas. O estudo recomenda que sejam aplicadas solu\u00e7\u00f5es h\u00edbridas, que combinem ferramentas digitais com revis\u00e3o especializada, e tamb\u00e9m iniciativas colaborativas de tradu\u00e7\u00e3o realizadas localmente capazes de facilitar a compreens\u00e3o e apropria\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados.<\/p>\n<p>\u201cA biodiversidade n\u00e3o fala apenas ingl\u00eas, franc\u00eas ou espanhol. Fala tamb\u00e9m, por exemplo, portugu\u00eas e malaio\u201d, destaca Diogo Ver\u00edssimo. Para o investigador da Universidade de Oxford, \u201cDar espa\u00e7o a esses \u201cidiomas da vida\u201d nos f\u00f3runs internacionais onde s\u00e3o desenhadas as pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade \u00e9 mais do que uma quest\u00e3o de equidade \u2013 \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o essencial para mobilizar comunidades e pa\u00edses que est\u00e3o na linha da frente da conserva\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Estudo alerta para o facto das barreiras lingu\u00edsticas poderem estar a comprometer metas globais de conserva\u00e7\u00e3o da natureza&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":107384,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[2780,27,28,25716,25717,15,16,14,14932,25,26,21,22,25718,62,12,13,19,20,13138,23,24,25719,17,18,29,30,31,25720,63,64,65],"class_list":{"0":"post-107383","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-biodiversidade","9":"tag-breaking-news","10":"tag-breakingnews","11":"tag-conservation-letters","12":"tag-diogo-verissimo","13":"tag-featured-news","14":"tag-featurednews","15":"tag-headlines","16":"tag-idiomas","17":"tag-latest-news","18":"tag-latestnews","19":"tag-main-news","20":"tag-mainnews","21":"tag-maria-dias","22":"tag-mundo","23":"tag-news","24":"tag-noticias","25":"tag-noticias-principais","26":"tag-noticiasprincipais","27":"tag-portugues","28":"tag-principais-noticias","29":"tag-principaisnoticias","30":"tag-ricardo-rocha","31":"tag-top-stories","32":"tag-topstories","33":"tag-ultimas","34":"tag-ultimas-noticias","35":"tag-ultimasnoticias","36":"tag-universidade-de-oxford","37":"tag-world","38":"tag-world-news","39":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/107383","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=107383"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/107383\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/107384"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=107383"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=107383"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=107383"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}