{"id":10744,"date":"2025-07-31T21:16:16","date_gmt":"2025-07-31T21:16:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/10744\/"},"modified":"2025-07-31T21:16:16","modified_gmt":"2025-07-31T21:16:16","slug":"literatura-e-resistencia-poeta-tremembe-lanca-livro-em-raposa-com-apoio-da-editora-social-casa-darte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/10744\/","title":{"rendered":"Literatura \u00e9 resist\u00eancia: poeta Trememb\u00e9 lan\u00e7a livro em Raposa com apoio da Editora Social Casa d\u2019Arte"},"content":{"rendered":"<p>                <img width=\"593\" height=\"457\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/casa_darte_2.jpg\" class=\"attachment-large size-large wp-post-image\" alt=\"\" decoding=\"async\" fetchpriority=\"high\"  \/>                <\/p>\n<p>Uma obra que transforma em poesia viv\u00eancias e as lutas de uma cultura que resiste em meio \u00e0 invisibilidade dos territ\u00f3rios urbanos. No livro Na Lente do Viageiro, do poeta e cronista Francisco das Chagas Torres, ind\u00edgena do povo Trememb\u00e9, o autor d\u00e1 voz, em versos, \u00e0 mem\u00f3ria e \u00e0 resist\u00eancia de seu povo, que ainda luta pela retomada de seu espa\u00e7o em contexto urbano. <\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o \u00e9 o primeiro trabalho impresso da Editora Social Casa d\u2019Arte, criada em 2024 para apoiar autores e projetos editoriais com vi\u00e9s colaborativo. A obra foi lan\u00e7ada no m\u00eas de julho, no munic\u00edpio maranhense de Raposa. A obra marca estreia da nova editora e d\u00e1 voz \u00e0 luta do povo ind\u00edgena Trememb\u00e9 pela retomada do territ\u00f3rio em contexto urbano no Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cSe n\u00e3o fosse a Casa d\u2019Arte, eu n\u00e3o seria oficialmente escritor hoje\u201d, afirmou Francisco durante a entrevista ao programa Dedo de Prosa, da Ag\u00eancia Tambor, realizada na quarta-feira (30). O poeta relembrou que a vontade de escrever surgiu ainda na inf\u00e2ncia e que seus versos refletem o que viu e viveu: \u201ctudo que eu escrevi eu ouvi ou vi\u201d. A obra \u00e9 dividida em dois blocos: Ferr\u00f5es sem pontas, de teor mais cr\u00edtico e social, e outro voltado a sentimentos como saudade e amor.<\/p>\n<p>Segundo Luzenice Macedo, coordenadora da Casa d\u2019Arte, que tamb\u00e9m participou da entrevista, a Editora Social nasceu do desejo de criar uma cadeia solid\u00e1ria para viabilizar a publica\u00e7\u00e3o de livros impressos que n\u00e3o se alinham \u00e0 l\u00f3gica comercial. \u201cA gente entende que viabilizar livros \u00e9 protagonizar falas muitas vezes emudecidas. <\/p>\n<p>A escolha de abrir a editora com o livro do seu Torres \u00e9 um ato pol\u00edtico\u201d, explicou. Ela destacou ainda que a iniciativa conta com o apoio do Instituto Maranh\u00e3o Sustent\u00e1vel e da gr\u00e1fica Sete Cores, que oferece condi\u00e7\u00f5es especiais para viabilizar as publica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>[Assista a entrevista completa com Francisco das Chagas Torres e Luzenice Macedo ao final desta mat\u00e9ria.]<\/p>\n<p>Na Lente do Viageiro \u00e9 uma express\u00e3o po\u00e9tica de pertencimento e den\u00fancia. A luta do povo Trememb\u00e9 pela demarca\u00e7\u00e3o de suas terras aparece no poema \u201cSem Amarras\u201d, que abre o livro e afirma: \u201ca luta maior \u00e9 por repara\u00e7\u00e3o de itens que somos signat\u00e1rios, pois a hist\u00f3ria via contram\u00e3o esquece que somos origin\u00e1rios\u201d. Francisco relembra que os Trememb\u00e9 chegaram a Raposa em 1959, vindos a p\u00e9 do Cear\u00e1, e que ainda enfrentam discrimina\u00e7\u00e3o por n\u00e3o viverem em aldeias tradicionais.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"618\" height=\"637\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/casa_darte_3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14448\"  \/>Francisco das Chagas Torres, ind\u00edgena do povo Trememb\u00e9, autor do livro Na Lente do Viageiro<\/p>\n<p>A escolha pelo livro impresso, em tempos de dom\u00ednio do digital, tamb\u00e9m foi tema da conversa. \u201cO livro impresso tem mais encanto. Eu durmo com ele, levo para onde quiser. O virtual \u00e9 mais dif\u00edcil, ainda mais para a nossa gera\u00e7\u00e3o\u201d, comentou Francisco. Para Luzenice, o impresso possibilita uma experi\u00eancia sensorial que ainda \u00e9 fundamental, sobretudo para p\u00fablicos que n\u00e3o t\u00eam familiaridade com as tecnologias.<\/p>\n<p>O processo de produ\u00e7\u00e3o da obra foi constru\u00eddo coletivamente, com envolvimento de profissionais volunt\u00e1rios na edi\u00e7\u00e3o, revis\u00e3o, diagrama\u00e7\u00e3o, capa e comunica\u00e7\u00e3o. \u201cPublicar \u00e9 caro, complexo, mas quando a gente atua em rede, \u00e9 poss\u00edvel\u201d, ressaltou Luzenice. A editora tamb\u00e9m rompe com modelos tradicionais ao garantir que os direitos autorais permane\u00e7am com os escritores e que os projetos sejam geridos de forma justa e transparente.<\/p>\n<p>A repercuss\u00e3o do lan\u00e7amento extrapola os limites do munic\u00edpio de Raposa. \u201cAs pessoas n\u00e3o associam Raposa a territ\u00f3rio ind\u00edgena, muito menos a um territ\u00f3rio criativo. Mas aqui h\u00e1 ind\u00edgenas, h\u00e1 poesia e h\u00e1 luta\u201d, afirmou Luzenice. Para o professor Ed Wilson, que participou da entrevista, a iniciativa ajuda a desconstruir o senso comum que marginaliza ind\u00edgenas urbanos: \u201cA mem\u00f3ria \u00e9 um espa\u00e7o de disputa, e o livro \u00e9 uma ferramenta para confrontar a hist\u00f3ria editada\u201d.<\/p>\n<p>O livro est\u00e1 \u00e0 venda por R$ 50. Os exemplares podem ser adquiridos diretamente com o autor ou pelas redes sociais da Casa d\u2019Arte. O pr\u00f3ximo lan\u00e7amento est\u00e1 marcado para o dia 9 de agosto, na casa de Francisco, em Raposa, e outros eventos est\u00e3o previstos em S\u00e3o Lu\u00eds e cidades vizinhas.<\/p>\n<p>[Assista a entrevista completa com Francisco das Chagas Torres e Luzenice Macedo no canal da Ag\u00eancia Tambor.]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Uma obra que transforma em poesia viv\u00eancias e as lutas de uma cultura que resiste em meio \u00e0&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":10745,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,114,115,170,32,33],"class_list":{"0":"post-10744","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-entertainment","10":"tag-entretenimento","11":"tag-livros","12":"tag-portugal","13":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10744","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10744"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10744\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10745"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10744"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10744"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10744"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}