{"id":107538,"date":"2025-10-12T11:33:09","date_gmt":"2025-10-12T11:33:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/107538\/"},"modified":"2025-10-12T11:33:09","modified_gmt":"2025-10-12T11:33:09","slug":"veja-quando-ocorre-a-remissao-do-hiv-ela-e-considerada-uma-cura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/107538\/","title":{"rendered":"Veja: Quando ocorre a remiss\u00e3o do HIV? Ela \u00e9 considerada uma cura?"},"content":{"rendered":"\n<p>Os avan\u00e7os m\u00e9dicos das \u00faltimas d\u00e9cadas representaram uma revolu\u00e7\u00e3o para pessoas convivendo com o HIV, uma infec\u00e7\u00e3o que deixou de ser uma senten\u00e7a de morte ap\u00f3s o traum\u00e1tico in\u00edcio da epidemia nos anos 1980 e 1990.<\/p>\n<p>Mas, mesmo com a evolu\u00e7\u00e3o das terapias para garantir a qualidade de vida e a longevidade de pacientes soropositivos, ainda \u00e9 dif\u00edcil projetar uma cura definitiva para o v\u00edrus que, sem tratamento, \u00e9 capaz de levar \u00e0 aids. Nos \u00faltimos anos, not\u00edcias sobre a remiss\u00e3o do HIV devolveram as esperan\u00e7as de que essa nova realidade pode estar no nosso futuro pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>Entenda melhor o que esse termo significa e como a remiss\u00e3o tem sido atingida ao redor do mundo.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 a remiss\u00e3o do HIV? Ela representa uma cura?<\/strong><\/p>\n<p>Casos de remiss\u00e3o do HIV conhecidos atualmente se referem a pacientes que t\u00eam conseguido manter o v\u00edrus indetect\u00e1vel no organismo por v\u00e1rios anos, mesmo sem a administra\u00e7\u00e3o dos medicamentos antirretrovirais usados no controle da infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 muito rara: no ano passado, a 25\u00aa Confer\u00eancia Internacional sobre Aids, na Alemanha, reconheceu o que ent\u00e3o era apenas o s\u00e9timo caso confirmado no mundo que correspondia a essas caracter\u00edsticas, um homem alem\u00e3o de 60 anos que desde 2018 n\u00e3o tem o v\u00edrus detectado em nenhum exame, sejam testes de sangue, com t\u00e9cnica viral ultrassens\u00edvel ou bi\u00f3psia de tecidos intestinais.<\/p>\n<p>Casos de remiss\u00e3o do HIV t\u00eam sido tratados como equivalentes a uma \u201ccura\u201d, inclusive em publica\u00e7\u00f5es da \u00e1rea. Alguns especialistas questionam o uso do termo, que pode ser contraintuitivo e gerar confus\u00f5es: em contextos de c\u00e2ncer, por exemplo, a remiss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tratada como sin\u00f4nimo imediato de cura, e sim como um per\u00edodo em que o tumor permanece indetect\u00e1vel ou sem crescer ap\u00f3s o come\u00e7o dos tratamentos.<\/p>\n<p><strong>Como atingir a remiss\u00e3o do HIV?<\/strong><\/p>\n<p>Como visto acima, a remiss\u00e3o do HIV ainda \u00e9 uma realidade muito rara no mundo. Um dos desafios \u00e9 justamente o receio de suspender o tratamento com antirretrovirais, mesmo em pacientes que poderiam ser candidatos \u00e0 remiss\u00e3o: como esse processo ainda \u00e9 alvo de estudos iniciais, h\u00e1 um temor de que o risco de interromper a medica\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja compensado pelos eventuais benef\u00edcios.<\/p>\n<p>As situa\u00e7\u00f5es em que foi poss\u00edvel atingir a remiss\u00e3o do HIV envolveram pacientes que receberam transplantes de medula \u00f3ssea. At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, havia um limitador: a \u201ccura\u201d era poss\u00edvel quando as c\u00e9lulas-tronco vinham de doadores com uma muta\u00e7\u00e3o no gene CCR5 herdada dos dois progenitores, capaz de barrar o v\u00edrus em n\u00edvel celular e impedir a prolifera\u00e7\u00e3o do HIV no corpo.<\/p>\n<p>Pessoas com essa muta\u00e7\u00e3o, estimada em 1% da popula\u00e7\u00e3o mundial, s\u00e3o \u201cimunes\u201d ao HIV. Mas o transplante de medula \u00f3ssea nessas caracter\u00edsticas \u00e9 rar\u00edssimo: \u00e9 preciso encontrar algu\u00e9m que seja simultaneamente compat\u00edvel com o paciente com HIV e que apresente as altera\u00e7\u00f5es no CCR5, uma combina\u00e7\u00e3o pouco comum.<\/p>\n<p>A esperan\u00e7a aumentou nos \u00faltimos dois anos, quando pela primeira vez foram reportados epis\u00f3dios em que os doadores n\u00e3o correspondiam a essas caracter\u00edsticas. O paciente alem\u00e3o cujo caso foi publicado no ano passado recebeu o transplante de uma pessoa com apenas uma c\u00f3pia no gene; em 2023, outro caso de remiss\u00e3o, na Su\u00ed\u00e7a, ocorreu ap\u00f3s o paciente com HIV receber c\u00e9lulas-tronco sem qualquer muta\u00e7\u00e3o no CCR5.<\/p>\n<p>Mais estudos s\u00e3o necess\u00e1rios para entender por que algumas pessoas evoluem para a remiss\u00e3o mesmo sem a manifesta\u00e7\u00e3o da muta\u00e7\u00e3o no CCR5.<\/p>\n<p>Recentemente, em um estudo pioneiro brasileiro, um paciente ficou sem sinais do v\u00edrus em circula\u00e7\u00e3o por 17 meses.<\/p>\n<p><strong>Qual a diferen\u00e7a entre HIV e aids<\/strong><\/p>\n<p>O HIV \u00e9 o v\u00edrus da imunodefici\u00eancia humana, pat\u00f3geno sexualmente transmiss\u00edvel que pode infectar o organismo e atacar o sistema imunol\u00f3gico de uma pessoa. O HIV tamb\u00e9m pode passar de pessoa para pessoa por meio de flu\u00eddos e secre\u00e7\u00f5es infectados pelo v\u00edrus, como em transfus\u00f5es de sangue ou no contato com ferimentos abertos.<\/p>\n<p>A aids, por sua vez, \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o mais avan\u00e7ada de uma infec\u00e7\u00e3o por HIV. O nome se refere \u00e0 sigla em ingl\u00eas para s\u00edndrome da imunodefici\u00eancia adquirida, motivo que faz a doen\u00e7a tamb\u00e9m ser conhecida, por vezes, como SIDA.<\/p>\n<p>HIV e aids foram tratados praticamente como sin\u00f4nimos nos primeiros anos da epidemia, mas, com a evolu\u00e7\u00e3o dos tratamentos, a distin\u00e7\u00e3o se tornou fundamental, j\u00e1 que uma infec\u00e7\u00e3o controlada por HIV n\u00e3o evolui para a aids. Para frear essa progress\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio alcan\u00e7ar a remiss\u00e3o: deve-se aderir ao uso dos medicamentos indicados para o seu caso.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Os avan\u00e7os m\u00e9dicos das \u00faltimas d\u00e9cadas representaram uma revolu\u00e7\u00e3o para pessoas convivendo com o HIV, uma infec\u00e7\u00e3o que&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":107539,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[116,32,33,117],"class_list":{"0":"post-107538","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-health","9":"tag-portugal","10":"tag-pt","11":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/107538","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=107538"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/107538\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/107539"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=107538"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=107538"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=107538"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}