{"id":108026,"date":"2025-10-12T19:13:13","date_gmt":"2025-10-12T19:13:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/108026\/"},"modified":"2025-10-12T19:13:13","modified_gmt":"2025-10-12T19:13:13","slug":"mulheres-tem-maior-predisposicao-genetica-a-depressao-indica-pesquisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/108026\/","title":{"rendered":"Mulheres t\u00eam maior predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica \u00e0 depress\u00e3o, indica pesquisa"},"content":{"rendered":"\n<p>Um dos maiores estudos gen\u00e9ticos sobre depress\u00e3o j\u00e1 realizados encontrou evid\u00eancias de que as mulheres t\u00eam uma carga gen\u00e9tica significativamente maior para o transtorno do que os homens.\u00a0<\/p>\n<p>A pesquisa, publicada na revista <a rel=\"sponsored nofollow noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-025-63236-1\" target=\"_blank\">Nature Communications<\/a>, foi conduzida por cientistas do Instituto de Pesquisa M\u00e9dica QIMR Berghofer, na Austr\u00e1lia, e analisou o DNA de quase 200 mil pessoas com diagn\u00f3stico cl\u00ednico de depress\u00e3o, dentro de uma amostra de mais de 480 mil participantes.<\/p>\n<p>Segundo os resultados, a influ\u00eancia heredit\u00e1ria contribui mais fortemente para o risco de depress\u00e3o em mulheres, que apresentaram quase o dobro de variantes gen\u00e9ticas associadas \u00e0 doen\u00e7a em compara\u00e7\u00e3o aos homens. No total, os pesquisadores identificaram cerca de 13 mil variantes gen\u00e9ticas ligadas \u00e0 depress\u00e3o feminina, contra aproximadamente 7 mil em homens.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 sabemos que as mulheres t\u00eam duas vezes mais probabilidade de sofrer de depress\u00e3o ao longo da vida do que os homens\u201d, afirmou a pesquisadora Brittany Mitchell, do Laborat\u00f3rio de Epidemiologia Gen\u00e9tica do QIMR Berghofer, em <a href=\"https:\/\/www.qimrb.edu.au\/whats-on\/news\/qimr-berghofer-team-discovers-females-carry-a-higher-genetic-risk-of-depression\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">comunicado<\/a>. \u201cAt\u00e9 agora, por\u00e9m, n\u00e3o houve muita pesquisa consistente para explicar por que a depress\u00e3o afeta homens e mulheres de forma diferente, incluindo o poss\u00edvel papel da gen\u00e9tica.\u201d<\/p>\n<p>Compartilhe essa mat\u00e9ria via:<\/p>\n<p>A depress\u00e3o \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o multifatorial, influenciada por aspectos biol\u00f3gicos, psicol\u00f3gicos e sociais. Explica\u00e7\u00f5es anteriores destacavam fatores comportamentais e ambientais \u2013 como a menor tend\u00eancia dos homens a procurar ajuda m\u00e9dica ou a maior exposi\u00e7\u00e3o das mulheres \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica e sexual. O novo estudo n\u00e3o descarta essas causas, mas indica que parte dessa diferen\u00e7a tem base gen\u00e9tica.<\/p>\n<p>    Continua ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>\u201cO componente gen\u00e9tico da depress\u00e3o \u00e9 maior em mulheres em compara\u00e7\u00e3o aos homens\u201d, disse a pesquisadora Jodi Thomas, autora principal do trabalho, em nota. \u201cDesvendar os fatores gen\u00e9ticos compartilhados e \u00fanicos em homens e mulheres nos d\u00e1 uma imagem mais clara do que causa a depress\u00e3o e abre as portas para tratamentos mais personalizados.\u201d<\/p>\n<p>A equipe descobriu ainda que, nas mulheres, os genes associados \u00e0 depress\u00e3o se sobrep\u00f5em mais frequentemente aos ligados a caracter\u00edsticas metab\u00f3licas \u2013 como \u00edndice de massa corporal, altera\u00e7\u00f5es de peso e n\u00edveis de energia.\u00a0<\/p>\n<p>Os pesquisadores analisaram dados gen\u00e9ticos de cinco grandes coortes internacionais \u2013 da Austr\u00e1lia, Holanda, Estados Unidos e Reino Unido \u2013 totalizando mais de 480 mil participantes. Desses, 130.471 mulheres e 64.805 homens tinham diagn\u00f3stico de depress\u00e3o grave, e cerca de 290 mil participantes (entre homens e mulheres) n\u00e3o apresentavam o transtorno, servindo como grupo de controle.<\/p>\n<p>O estudo encontrou 16 variantes gen\u00e9ticas associadas \u00e0 depress\u00e3o em mulheres e oito em homens. Em uma an\u00e1lise mais refinada, parte dessas variantes se sobrep\u00f5e \u00e0s 13 mil identificadas inicialmente, mostrando que as mulheres apresentam uma \u201cmaior carga de risco gen\u00e9tico\u201d, segundo os autores.<\/p>\n<p>    Continua ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>Os cientistas ressaltam que as diferen\u00e7as n\u00e3o se explicam apenas pelo n\u00famero maior de mulheres na amostra. Foram conduzidas an\u00e1lises adicionais para eliminar a possibilidade de que o desequil\u00edbrio de g\u00eanero no grupo distorcesse os resultados. Mesmo ap\u00f3s esse controle estat\u00edstico, as conclus\u00f5es se mantiveram: a influ\u00eancia gen\u00e9tica sobre a depress\u00e3o \u00e9 mais forte em mulheres.<\/p>\n<p>As descobertas refor\u00e7am a necessidade de incorporar as diferen\u00e7as biol\u00f3gicas entre os sexos nas pesquisas e no desenvolvimento de medicamentos psiqui\u00e1tricos. \u201cAt\u00e9 recentemente, a maior parte dos ensaios cl\u00ednicos era realizada apenas com participantes do sexo masculino\u201d, observou Brittany. \u201cIsso faz com que muitos tratamentos sejam baseados em dados que n\u00e3o necessariamente refletem as necessidades das mulheres.\u201d<\/p>\n<p>O professor Philip Mitchell, da Escola de Medicina Cl\u00ednica da Universidade de Nova Gales do Sul, que n\u00e3o participou do estudo, disse ao <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/science\/2025\/oct\/07\/women-carry-a-higher-genetic-risk-of-depression-new-study-says\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">The Guardian<\/a> que a pesquisa \u201cfornece fortes evid\u00eancias de que as diferen\u00e7as nas taxas de depress\u00e3o entre homens e mulheres podem, de fato, ser devidas a fatores gen\u00e9ticos\u201d.<\/p>\n<p>Segundo ele, os resultados \u201capontam para a possibilidade futura de tratamentos farmacol\u00f3gicos diferenciados para homens e mulheres, \u00e0 medida que compreendermos melhor os sistemas biol\u00f3gicos codificados por essas regi\u00f5es gen\u00e9ticas\u201d.<\/p>\n<p>    Continua ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>A equipe do QIMR Berghofer enfatiza que as informa\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas analisadas referem-se a indiv\u00edduos com cromossomos XX (feminino) e XY (masculino). O estudo n\u00e3o incluiu amostras intersexo nem considerou identidade de g\u00eanero, mas os autores reconhecem que essas an\u00e1lises s\u00e3o necess\u00e1rias em pesquisas futuras.<\/p>\n<p>Outro ponto de limita\u00e7\u00e3o \u00e9 o recorte \u00e9tnico: a amostra contemplou apenas participantes de ascend\u00eancia europeia, o que restringe a aplicabilidade dos resultados a outras popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mesmo assim, o estudo \u00e9 considerado um marco por seu tamanho e detalhamento. Os dados foram tornados p\u00fablicos para que outros grupos cient\u00edficos possam explor\u00e1-los e cruz\u00e1-los com novos dados.<\/p>\n<p>Com cerca de 460 milh\u00f5es de pessoas afetadas no mundo, segundo a <a href=\"https:\/\/www.who.int\/news-room\/fact-sheets\/detail\/depression\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade<\/a> (OMS), a depress\u00e3o \u00e9 uma das principais causas de incapacidade global. A nova pesquisa acrescenta uma pe\u00e7a importante ao quebra-cabe\u00e7a: os mecanismos biol\u00f3gicos que tornam as mulheres mais vulner\u00e1veis \u00e0 doen\u00e7a podem estar inscritos em seu DNA, e compreender essas diferen\u00e7as pode ser essencial para desenvolver tratamentos mais eficazes e equitativos.<\/p>\n<p>    Continua ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>AS MAIS LIDAS DA SEMANA<\/p>\n<p>\n                            Toda sexta, uma sele\u00e7\u00e3o das reportagens que mais bombaram no site da Super ao longo da semana.<br \/>\n                                <strong><br \/>\n                                    Inscreva-se aqui<br \/>\n                                <\/strong><\/p>\n<p>                            Cadastro efetuado com sucesso!<\/p>\n<p>Voc\u00ea receber\u00e1 nossas newsletters pela manh\u00e3 de segunda a sexta-feira.<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um dos maiores estudos gen\u00e9ticos sobre depress\u00e3o j\u00e1 realizados encontrou evid\u00eancias de que as mulheres t\u00eam uma carga&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":108027,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[116,32,33,117],"class_list":{"0":"post-108026","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-health","9":"tag-portugal","10":"tag-pt","11":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/108026","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=108026"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/108026\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/108027"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=108026"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=108026"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=108026"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}