{"id":108041,"date":"2025-10-12T19:27:12","date_gmt":"2025-10-12T19:27:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/108041\/"},"modified":"2025-10-12T19:27:12","modified_gmt":"2025-10-12T19:27:12","slug":"vivabem-vacina-contra-hiv-e-desafio-extraordinario-diz-pesquisador-da-unifesp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/108041\/","title":{"rendered":"VivaBem: &#8216;Vacina contra HIV \u00e9 desafio extraordin\u00e1rio&#8217;, diz pesquisador da Unifesp"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma pesquisa coordenada pelo infectologista Ricardo Sobhie Diaz, da Unifesp, se mostra promissora em uma poss\u00edvel cura do HIV. Um homem de S\u00e3o Paulo passou 78 semanas com carga viral indetect\u00e1vel, sendo a primeira pessoa a atingir esse resultado apenas com uso de medicamentos e terapia celular. Outros casos pelo mundo tiveram \u00eaxito ap\u00f3s transplante de medula \u00f3ssea, algo dif\u00edcil de replicar para todos que vivem com a infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De forma not\u00e1vel, o estudo mostrou o impacto de tratar o HIV: o participante teve sua idade epigen\u00e9tica reduzida em cerca de 15 anos (de 42,8 anos no in\u00edcio do estudo para 29,2 anos na semana 48) e diminuiu o risco de mortalidade.<\/p>\n<p>Mas ainda n\u00e3o se fala em cura, sendo necess\u00e1rio repetir estudos em mais pessoas. A pesquisa relata que esse paciente teve a primeira carga viral detect\u00e1vel de HIV na semana 84, ap\u00f3s interrup\u00e7\u00e3o do tratamento antirretroviral (necess\u00e1ria e feita com seguran\u00e7a para avaliar as interven\u00e7\u00f5es do estudo). Ele reiniciou a terapia antirretroviral na semana 88, seguindo os crit\u00e9rios de retomada.<\/p>\n<p>Em conversa com VivaBem no 24\u00ba Congresso Brasileiro de Infectologia, Diaz deu mais detalhes da pesquisa, falou sobre os desafios de encontrar uma cura e uma vacina preventiva para o HIV.<\/p>\n<p><strong>VivaBem: Temos ouvido falar em cura funcional do HIV. O que seria isso?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ricardo:<\/strong> A gente n\u00e3o usa mais o termo cura funcional. Antes, falava que tinha dois tipos de cura: uma que voc\u00ea se livra do v\u00edrus de forma completa e outra que voc\u00ea controla o v\u00edrus. A cura funcional era a que voc\u00ea controlava. Por alguma orienta\u00e7\u00e3o, isso se juntou e agora a gente chama de remiss\u00e3o sustentada sem antirretrovirais, significando que a pessoa pode ficar sem o tratamento convencional e n\u00e3o ter o v\u00edrus detectado no sangue dela.<\/p>\n<p>O paradigma da cura do HIV \u00e9 que voc\u00ea elimina a resposta do corpo ao v\u00edrus. Por exemplo, a gente cura hepatite C hoje em dia, mas sempre vai ter um sinal de que a pessoa teve hepatite C. A gente consegue curar o HIV com transplante de medula, mas os anticorpos somem.<\/p>\n<p>Tem pessoas que controlam o v\u00edrus naturalmente, chamadas de controladores de elite, \u00e9 1%. A carga viral \u00e9 indetect\u00e1vel, e elas podem at\u00e9 perder o controle ao longo do tempo, mas t\u00eam a resposta do corpo mostrando que o v\u00edrus est\u00e1 ali.<\/p>\n<p>Uma pessoa que se cura do HIV com transplante de medula, por exemplo, pode doar sangue, porque voc\u00ea n\u00e3o vai saber que ela teve, porque os testes s\u00e3o negativos. Foi o que aconteceu com o paciente de S\u00e3o Paulo. Ele funcionou n\u00e3o como um controlador de elite, mas exatamente como as pessoas que foram curadas com transplante de medula, porque os anticorpos dele foram diminuindo e acabaram, e a imunidade celular dele tamb\u00e9m acabou.<\/p>\n<p><strong>D\u00e1 para dizer que n\u00e3o existe mais o v\u00edrus no corpo dele?<\/strong><\/p>\n<p>A \u00fanica forma de saber se existe o v\u00edrus no corpo da pessoa ou n\u00e3o \u00e9, depois de um estudo de cura, interromper o tratamento. Mas a gente tem as melhores evid\u00eancias de que o v\u00edrus n\u00e3o existe na hora que dosa os anticorpos, porque isso a gente aprendeu quando curou o cara com transplante de medula. Esse \u00e9 o melhor que a gente pode fazer para falar que uma pessoa est\u00e1 sem o v\u00edrus completamente.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 o pr\u00f3ximo passo da pesquisa?<\/strong><\/p>\n<p>Primeiro, a gente vai ter que descobrir por que ele conseguiu isso e os outros n\u00e3o, para partir para a medicina de precis\u00e3o. Talvez tenha alguma coisa relacionada com ele mesmo. Segundo, a gente vai expandir o estudo para um n\u00famero maior de pessoas para poder confirmar que o que a gente achou \u00e9 algo v\u00e1lido e est\u00e1 no caminho certo.<\/p>\n<p>Nosso estudo explorat\u00f3rio tinha seis bra\u00e7os, cinco pessoas em cada. A gente viu mais do que seguran\u00e7a, tinha evid\u00eancia de que a coisa estava funcionando. Agora, a gente amplia um pouco mais, n\u00e3o muito, para mostrar que a gente pode reproduzir a seguran\u00e7a e a efic\u00e1cia.<\/p>\n<p>A evid\u00eancia \u00e9 que os melhores resultados foram no bra\u00e7o que teve todas as interven\u00e7\u00f5es. A gente tinha um grupo controle, que fez tratamento comum, e fomos testando outras interven\u00e7\u00f5es isoladamente e de forma associada, que eram quatro: intensifica\u00e7\u00e3o de tratamento, medicamento para acordar o v\u00edrus, medicamento para matar a c\u00e9lula que tem o v\u00edrus e uma vacina, a terapia celular. O pr\u00f3ximo estudo vai usar o que teve resultado melhor.<\/p>\n<p><strong>Quais eram as barreiras para eliminar o v\u00edrus quando voc\u00eas come\u00e7aram a pensar na pesquisa, em 2012?<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 naquela \u00e9poca, a gente percebia que voc\u00ea trata a pessoa, para o tratamento, e o v\u00edrus volta, porque o tratamento n\u00e3o \u00e9 forte o suficiente. Uma das barreiras \u00e9 que o v\u00edrus continua se multiplicando e, para isso, a gente intensificou o tratamento em um dos bra\u00e7os. Outra barreira \u00e9 que o tratamento s\u00f3 vai matar os v\u00edrus que est\u00e3o se multiplicando, n\u00e3o o que est\u00e1 quietinho em estado de lat\u00eancia.<\/p>\n<p>Mas esse v\u00edrus vai acordando de tempos em tempos, e isso \u00e9 uma coisa boa, porque o rem\u00e9dio mata ele. A gente j\u00e1 fez um modelo matem\u00e1tico mostrando que se tratar direitinho, a quantidade de v\u00edrus ia diminuir a ponto de zerar, ia curar a pessoa, mas ia demorar 80 anos. No nosso estudo, usamos o reversor de lat\u00eancia, com dois medicamentos para acordar o v\u00edrus.<\/p>\n<p>Outra coisa \u00e9 que o v\u00edrus fica escondido em um lugar que o rem\u00e9dio n\u00e3o chega, chamado de santu\u00e1rio. \u00c9 onde as c\u00e9lulas est\u00e3o t\u00e3o juntas que n\u00e3o passa \u00e1gua, mas passa a c\u00e9lula da pessoa. A gente fez uma terapia celular, que \u00e9 a estrat\u00e9gia de fazer com que a pr\u00f3pria c\u00e9lula da pessoa atravesse essa barreira t\u00e3o fechadinha.<\/p>\n<p><strong>E o que falta para falar em cura de fato?<\/strong><\/p>\n<p>A gente precisa fazer estudo para tentar curar as pessoas de uma forma reprodutiva e aumentar essa escala. A gente n\u00e3o vai conseguir nunca uma escala para curar a pessoa que vive com HIV fazendo transplante de medula.<\/p>\n<p>A gente tem que ter outra alternativa que passe por estrat\u00e9gias mais inovadoras, que diminuam a quantidade do v\u00edrus no corpo. Se voc\u00ea diminuir muito, cura a pessoa. Se voc\u00ea diminuir muito, mas n\u00e3o conseguir curar, voc\u00ea j\u00e1 deu um benef\u00edcio para ela, que \u00e9 criar um ambiente mais saud\u00e1vel no corpo.<\/p>\n<p><strong>No estudo, os participantes ficaram um per\u00edodo sem qualquer tratamento para ver o resultado das interven\u00e7\u00f5es. Qual \u00e9 o risco disso?<\/strong><\/p>\n<p>A gente tenta fazer isso de forma muito segura. Tem um monte de estudo mostrando as formas seguras. Por exemplo, fazer exame de carga viral a cada tr\u00eas semanas. O risco \u00e9 a pessoa perder todo o benef\u00edcio do tratamento, transmitir o v\u00edrus e ter um processo inflamat\u00f3rio que possa causar preju\u00edzo n\u00e3o s\u00f3 para a imunidade, mas para o corpo como um todo. N\u00e3o \u00e9 uma coisa sem risco, mas ela parece muito segura se voc\u00ea tomar os devidos cuidados.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a possibilidade de uma vacina preventiva contra HIV?<\/strong><\/p>\n<p>Acho muito dif\u00edcil, \u00e9 um desafio extraordin\u00e1rio, nunca deu certo. Tudo que a gente aprendeu e toda a estrutura que montou para a vacina de HIV, conseguiu fazer vacina para covid, mas n\u00e3o do HIV.<\/p>\n<p>A vacina \u00e9 como a arte imitando a vida. A vida \u00e9: voc\u00ea tem catapora e fica imune. Se voc\u00ea entrar em contato com o v\u00edrus da catapora de novo, n\u00e3o vai ter. A arte \u00e9 a vacina: voc\u00ea d\u00e1 um pedacinho do v\u00edrus ou um v\u00edrus meio bobo, e o corpo monta uma resposta e te protege quando entrar em contato com o v\u00edrus.<\/p>\n<p>Mas nenhuma vacina protege 100%. Nunca teve ningu\u00e9m que pegou HIV e eliminou espontaneamente. O desafio \u00e9 fazer a arte ser melhor que a vida, porque a vida j\u00e1 n\u00e3o deu certo.<\/p>\n<p>Tem uma vacina nova, de RNA mensageiro, que parece ser diferente, mas tamb\u00e9m n\u00e3o acho que vai proteger todo mundo se funcionar. Pena que os estudos pararam, por enquanto, porque ela deu urtic\u00e1ria nas pessoas.<\/p>\n<p><strong>E por que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil?<\/strong><\/p>\n<p>O v\u00edrus consegue se evadir do sistema imune, mas n\u00e3o s\u00f3. O HIV, de certa forma, faz com que voc\u00ea tenha um mecanismo de toler\u00e2ncia. Mas o ponto \u00e9 que, al\u00e9m de n\u00e3o conseguir eliminar espontaneamente, voc\u00ea n\u00e3o consegue fazer uma defesa que elimine o v\u00edrus que entra em contato com voc\u00ea. Nunca conseguimos. \u00c0s vezes o placebo \u00e9 melhor do que a vacina.<\/p>\n<p><strong>O caminho, ent\u00e3o, \u00e9 reduzir a carga viral em vez de eliminar totalmente?<\/strong><\/p>\n<p>A gente nunca conseguiu fazer preven\u00e7\u00e3o do HIV mudando o comportamento das pessoas. Nem \u00e9 certo mudar o comportamento delas. A gente inventou a vacina, mas n\u00e3o temos. Inventamos a PrEP e a PEP, a gente faz circuncis\u00e3o, e essas estrat\u00e9gias funcionam muito bem, principalmente a PrEP.<\/p>\n<p>Um dos caminhos para viver num mundo sem HIV \u00e9 juntar todas essas estrat\u00e9gias, n\u00e3o deixar m\u00e3e transmitir para filho, tratar o maior n\u00famero de pessoas para n\u00e3o ficarem transmitindo o v\u00edrus. Al\u00e9m disso, tem que curar as pessoas. Onde a vacina entra nisso n\u00e3o sabemos ainda, a gente est\u00e1 pesquisando, mas em algum lugar ela pode entrar.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 o cen\u00e1rio hoje da aids avan\u00e7ada?<\/strong><\/p>\n<p>Quando tem Aids avan\u00e7ada, \u00e9 um preju\u00edzo, porque a pessoa j\u00e1 envelheceu muito mais r\u00e1pido do que os outros. \u00c9 esse processo que a gente tenta reverter. No contexto ideal, voc\u00ea tem que tratar o mais cedo poss\u00edvel, porque o preju\u00edzo \u00e9 cumulativo e uma das coisas que podem acontecer \u00e9 reduzir a expectativa de vida.<\/p>\n<p>A pessoa com Aids avan\u00e7ada mostra que a gente falhou na estrat\u00e9gia primordial, que \u00e9 testar e fazer o tratamento. Tem que tomar cuidado com esse risco porque, mesmo com o tratamento, ela pode morrer. Ela pode estar com o v\u00edrus h\u00e1 tanto tempo que nunca vai recuperar completamente a imunidade.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 novas estrat\u00e9gias para isso?<\/strong><\/p>\n<p>A gente pensa em como mitigar esse dano com medicamentos para reduzir a inflama\u00e7\u00e3o, estimular o sistema imune, mas a pessoa j\u00e1 envelheceu.<\/p>\n<p>Na hora que voc\u00ea pega pessoas da mesma idade com e sem HIV, percebe que as com HIV t\u00eam menos c\u00e1lcio no osso, mais c\u00e1lcio nas art\u00e9rias, mais disfun\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, mais atrofia cerebral, mais perda de mem\u00f3ria, mais depress\u00e3o, mais insufici\u00eancia renal, mais insufici\u00eancia hep\u00e1tica, mais fragilidade, mais c\u00e2ncer. Isso \u00e9 coisa de velho.<\/p>\n<p><strong>Como evitar essa progress\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Trabalhar o estigma, preconceito e discrimina\u00e7\u00e3o. Todo mundo tem, a pessoa que vive com HIV tem. A melhor coisa seria a gente trabalhar com isso, porque \u00e0s vezes o que impede a pessoa de se testar, al\u00e9m do medo, \u00e9 o preconceito.<\/p>\n<p>Tomar rem\u00e9dio n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para algumas pessoas, a gente entende, e a PrEP \u00e9 sensacional, mas s\u00f3 funciona se a pessoa tomar. A gente fica inventando estrat\u00e9gias: dar inje\u00e7\u00e3o, criar um comprimido para tomar uma vez a cada duas semanas, ou a cada semana, a cada m\u00eas. Mas como ela vai se lembrar de tomar um comprimido a cada m\u00eas e n\u00e3o se colocar em risco?<\/p>\n<p>A\u00ed tem a PEP, que \u00e9 a p\u00edlula do dia seguinte, que \u00e9 uma estrat\u00e9gia boa porque voc\u00ea nunca sabe exatamente quando vai estar exposto, mas sempre sabe quando foi exposto.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 algo para se tomar com frequ\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p>O quanto precisar. O marcador \u00e9 que, se voc\u00ea est\u00e1 tomando muita profilaxia p\u00f3s-exposi\u00e7\u00e3o, provavelmente \u00e9 um candidato para PrEP. Mas tem que tomar o quanto precisar, porque a alternativa \u00e9 muito ruim, \u00e9 ter HIV.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Uma pesquisa coordenada pelo infectologista Ricardo Sobhie Diaz, da Unifesp, se mostra promissora em uma poss\u00edvel cura do&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":108042,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[116,32,33,117],"class_list":{"0":"post-108041","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-health","9":"tag-portugal","10":"tag-pt","11":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/108041","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=108041"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/108041\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/108042"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=108041"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=108041"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=108041"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}