{"id":108404,"date":"2025-10-13T00:49:11","date_gmt":"2025-10-13T00:49:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/108404\/"},"modified":"2025-10-13T00:49:11","modified_gmt":"2025-10-13T00:49:11","slug":"faz-sentido-aliviar-os-portugueses-da-carga-fiscal-que-temos-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/108404\/","title":{"rendered":"&#8216;Faz sentido aliviar os portugueses da carga fiscal que temos em Portugal&#8217;"},"content":{"rendered":"<p><strong>Como v\u00ea a economia portuguesa? <\/strong><\/p>\n<p>Todos os indicadores de conjuntura s\u00e3o favor\u00e1veis, os lucros das empresas cresceram muito ao longo dos \u00faltimos anos e, hoje em dia, as empresas est\u00e3o muito mais capitalizadas, com maior capacidade de investimento e tamb\u00e9m s\u00e3o mais rent\u00e1veis. A concess\u00e3o de cr\u00e9dito banc\u00e1rio \u00e0 economia est\u00e1 a crescer em todos os segmentos que s\u00e3o relevantes. Os sinais s\u00e3o claros de crescimento econ\u00f3mico e que se v\u00e3o manter no futuro pr\u00f3ximo, acima da m\u00e9dia da zona euro, em redor de 2%. Quando a zona euro estiver um pouco mais forte podemos perfeitamente crescer \u00e0 volta dos 3%, o que, de alguma forma, contrasta com uma certa paralisia econ\u00f3mica que houve na primeira d\u00e9cada deste s\u00e9culo.<\/p>\n<p><strong>Um crescimento de 3% j\u00e1 \u00e9 um valor mais simp\u00e1tico\u2026<br \/><\/strong>\u00c9 um crescimento certamente mais forte do que foi at\u00e9 aqui a m\u00e9dia ao longo dos \u00faltimos anos. Evidentemente que face ao custo de vida, que aumentou muito nos \u00faltimos anos, e tamb\u00e9m \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso intensificar ainda mais esse crescimento para que ao crescimento macroecon\u00f3mico se junte a realidade de uma vida com mais qualidade para as pessoas.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a justifica\u00e7\u00e3o de estarmos a crescer mais do que as restantes economias da zona euro?<br \/><\/strong>Tivemos uma grande crise entre 2010 e 2013 e as crises s\u00e3o sempre momentos regenerativos. Na sequ\u00eancia dessa crise houve um conjunto de reformas institucionais que foram implementadas em Portugal. Houve tamb\u00e9m a necessidade da pr\u00f3pria economia se reorientar para atividades que pudessem ser transacionadas no mercado internacional, tendo havido uma grande internacionaliza\u00e7\u00e3o da economia portuguesa nesse per\u00edodo, n\u00e3o s\u00f3 no mercado de exporta\u00e7\u00e3o de bens, mas tamb\u00e9m na capta\u00e7\u00e3o de turismo que at\u00e9 a\u00ed n\u00e3o eram caracter\u00edsticas em Portugal. O pr\u00f3prio mundo acabou por descobrir muitas virtudes da economia portuguesa e do pa\u00eds Portugal, que nos tornaram um destino relativamente popular em termos europeus e isso obviamente fez com que depois surgissem novas oportunidades para o investimento. Penso que nessa crise de 2010-2013 est\u00e1 necessariamente a semente do crescimento que temos visto ao longo dos \u00faltimos 15 anos e que tem permitido a Portugal ter uma nova posi\u00e7\u00e3o no mundo, uma posi\u00e7\u00e3o mais central no plano europeu, no sentido de as empresas olharem para Portugal como uma base de expans\u00e3o para novos mercados, n\u00e3o s\u00f3 na Europa mas em outros continentes, com os quais Portugal sempre manteve boas rela\u00e7\u00f5es. Portugal tornou-se num pa\u00eds mais apelativo e isso traduziu-se em taxas de crescimento mais intensas.<\/p>\n<p><strong>Como v\u00ea as vozes cr\u00edticas a apontarem para um excesso de depend\u00eancia da economia face ao turismo?<br \/><\/strong>O turismo tem sido uma grande alavanca de crescimento da economia portuguesa e associadas ao turismo surgem depois outras oportunidades. Hoje em dia vemos certamente muitos neg\u00f3cios que ter\u00e3o sido suscitados pela boa experi\u00eancia que algumas das pessoas respons\u00e1veis por neg\u00f3cios tiveram ao visitar Portugal na qualidade de turistas e que depois viram Portugal como uma boa base para fazer algo mais do que o turismo. N\u00e3o alinho nada nessa tese do turismo como um mal estrutural, claro que cria alguns desafios, cria a necessidade de diversificar o pr\u00f3prio turismo e cria naturalmente alguma press\u00e3o imobili\u00e1ria, no sentido de que muito do alojamento local veio substituir o tradicional, mas isso tamb\u00e9m permitiu regenerar algumas zonas das cidades, nomeadamente Porto e Lisboa, que estavam muito envelhecidas. No entanto, os pre\u00e7os da habita\u00e7\u00e3o que muitos associam ao impacto do turismo tem outras justifica\u00e7\u00f5es, nomeadamente a falta de investimento em constru\u00e7\u00e3o que tem existido em Portugal ao longo dos \u00faltimos 20 anos.<\/p>\n<p><strong>O PRR nessa mat\u00e9ria foi uma oportunidade perdida?<br \/><\/strong>V\u00e3o existir oportunidades no mercado da constru\u00e7\u00e3o durante muitos anos. Aquilo que os dados nos indicam \u00e9 que em termos de licen\u00e7as emitidas e em termos de fogos para habita\u00e7\u00e3o familiar constru\u00eddos temos estado muito abaixo nos \u00faltimos anos face ao que j\u00e1 fizemos em d\u00e9cadas passadas. \u00c9 necess\u00e1rio construir mais. Evidentemente que hoje em dia executar um projeto imobili\u00e1rio \u00e9 mais complexo porque h\u00e1 uma s\u00e9rie de regula\u00e7\u00f5es, uma s\u00e9rie de procedimentos que t\u00eam de ser cumpridos e a\u00ed o que Portugal tem de fazer \u00e9 descomplexificar todo o sistema de maneira a permitir construir mais. E refiro-me a construir em sentido lato, n\u00e3o apenas na constru\u00e7\u00e3o, mas construir novas oportunidades de desenvolvimento econ\u00f3mico para que a vida em sociedade seja feita com menos fric\u00e7\u00e3o e que todos possamos usufruir mais dos benef\u00edcios que o desenvolvimento econ\u00f3mico nos traz.<\/p>\n<p><strong>O Governo anunciou uma s\u00e9rie de medidas para o mercado da habita\u00e7\u00e3o, mas a mais pol\u00e9mica foi a \u2018renda moderada\u2019 de 2.300 euros\u2026<br \/><\/strong>A express\u00e3o \u2018renda moderada\u2019 \u00e9 infeliz porque, se olharmos para os sal\u00e1rios dos portugueses, uma renda de 2.300 euros n\u00e3o \u00e9 uma renda moderada, \u00e9 uma renda relativamente alta. Mas, independentemente da sem\u00e2ntica, o que \u00e9 efetivo \u00e9 que hoje em dia \u00e9 preciso estimular a constru\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m \u00e9 preciso estimular que os im\u00f3veis que hoje em dia est\u00e3o fora do mercado possam regressar ou possam entrar no mercado. Por isso, programas que procuram baixar a fiscalidade, reduzir entraves administrativos no sentido de que possa haver mais im\u00f3veis no mercado de habita\u00e7\u00e3o s\u00e3o todos bem-vindos. Evidentemente que depois no jogo pol\u00edtico pode-se argumentar que em vez de ser 2.300 poderia ser um valor mais baixo ou em vez de 2.300 n\u00e3o deveria haver limite algum.<\/p>\n<p><strong>Na \u00faltima entrevista que nos deu disse que se reduzissemos a taxa de IRS haveria no imediato um aumento dos sal\u00e1rios. Continua a haver resist\u00eancia em levar a cabo essa redu\u00e7\u00e3o?<br \/><\/strong>Portugal teve durante muito tempo uma situa\u00e7\u00e3o or\u00e7amental muito complexa, marcada por grandes d\u00e9fices e, como tal, redu\u00e7\u00f5es s\u00fabitas de receita fiscal eram arriscadas. Neste momento, a situa\u00e7\u00e3o or\u00e7amental portuguesa est\u00e1 estabilizada, Portugal tem tido saldos or\u00e7amentais positivos, tem tido saldos prim\u00e1rios, ou seja, antes do pagamento de juros, bastante significativos, na casa dos 3% do PIB, o que \u00e9, de facto, um valor muito relevante. Neste momento, fruto dessa otimiza\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas j\u00e1 h\u00e1 a possibilidade de operar uma redu\u00e7\u00e3o da carga fiscal. Apesar de ainda ser t\u00e9nue, h\u00e1 uma tend\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o da carga fiscal que j\u00e1 vem de 2023 e que \u00e9 importante manter para, precisamente, reduzir a desvantagem que Portugal tem, nomeadamente em sede de IRS e tamb\u00e9m em sede de IRC, face a outros pa\u00edses, onde as taxas de imposto sobre as pessoas s\u00e3o mais baixas, s\u00e3o menos progressivas e onde as taxas de imposto sobre as empresas tamb\u00e9m s\u00e3o mais baixas, n\u00e3o penalizando empresas de maior dimens\u00e3o e com maiores lucros. Em Portugal, o IRC penaliza e desincentiva a dimens\u00e3o empresarial e a dimens\u00e3o dos lucros, porque, a partir de certo montante de lucros, temos taxas de IRC progressivas, s\u00e3o as chamadas derramas estaduais. Um n\u00edvel de fiscalidade excessivo face aos concorrentes com quem nos comparamos. Em suma, mantenho a mesma posi\u00e7\u00e3o que tinha h\u00e1 dois anos. Acho que faz sentido aliviar os portugueses da carga fiscal que temos em Portugal.<\/p>\n<p><strong>O Governo tem optado por avan\u00e7ar com as tais borlas fiscais.<br \/><\/strong>J\u00e1 sabemos que no c\u00e1lculo pol\u00edtico h\u00e1 sempre outras vari\u00e1veis que acabam por moldar as medidas, mas o que \u00e9 importante \u00e9 haver uma redu\u00e7\u00e3o da carga fiscal. O Governo implementou uma medida que me parece muito relevante, que foi permitir uma atualiza\u00e7\u00e3o dos escal\u00f5es de IRS, porque aquilo que acontecia \u00e9 que pelo simples aumento de sal\u00e1rios, associado ao efeito de infla\u00e7\u00e3o, frequentemente a taxa de IRS ficava agravada. Hoje em dia, h\u00e1 um aumento dos escal\u00f5es de IRS para garantir que, por fatores que n\u00e3o exclusivamente de infla\u00e7\u00e3o, as pessoas possam entrar num n\u00edvel de fiscalidade mais elevado.<\/p>\n<p><strong>Os \u00faltimos dados da DGO apontam para uma subida da carga fiscal na ordem dos 8%.<br \/><\/strong>Depende de que tipo de carga fiscal estamos a falar. Se estamos a falar nos impostos sobre rendimento, apesar de tudo, tem havido alguma modera\u00e7\u00e3o na carga fiscal. Se estamos a falar nos impostos sobre consumo, a\u00ed temos, de facto, uma grande elasticidade fiscal, na medida em que, desde h\u00e1 muito tempo para c\u00e1, as receitas tendem a crescer mais do que o PIB nominal. E isso deve-se, certamente, \u00e0 efici\u00eancia da m\u00e1quina administrativa que gera a cobran\u00e7a fiscal.<\/p>\n<p><strong>O que espera do pr\u00f3ximo Or\u00e7amento do Estado?<br \/><\/strong>Penso que n\u00e3o haver\u00e1 grandes surpresas. H\u00e1, neste momento, como j\u00e1 disse, uma situa\u00e7\u00e3o estabilizada em termos de contas p\u00fablicas. H\u00e1 tamb\u00e9m, do ponto de vista societal, uma grande unanimidade, no sentido de que ter contas p\u00fablicas equilibradas \u00e9 um ativo do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 a tal moda das contas certas?<br \/><\/strong>Exatamente, e basta ver o que se est\u00e1 a passar neste momento em Fran\u00e7a, em que h\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o de grande descontrolo or\u00e7amental e que ir\u00e1 penalizar nos pr\u00f3ximos anos. Portugal, nesse aspeto, acho que aprendeu a sua li\u00e7\u00e3o. Tem hoje um quadro institucional onde se incluem organiza\u00e7\u00f5es como o Conselho de Finan\u00e7as P\u00fablicas que se dedicam a manter o zelo nessa mat\u00e9ria. E face a essa mesma estabilidade h\u00e1 a possibilidade de haver algum desagravamento fiscal. No entanto, n\u00e3o pode haver muito e tamb\u00e9m \u00e9 preciso conter alguma tenta\u00e7\u00e3o do crescimento da despesa p\u00fablica. Em 2024 j\u00e1 se sentiu algum crescimento da despesa p\u00fablica e \u00e9 importante moderar para n\u00e3o entrarmos em desvios.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o haver\u00e1 esta tend\u00eancia de entrar em desvios, nem que seja por motivos eleitoralistas?<br \/><\/strong>Sim, infelizmente a pol\u00edtica \u00e9 muito sens\u00edvel aos grupos de interesses e aos l\u00f3bis institucionais, e todos sabemos que em Portugal, a exemplo de outros pa\u00edses, existem esses l\u00f3bis institucionais. O desafio est\u00e1, mais uma vez, em resguardar o Estado de um papel de grande interven\u00e7\u00e3o na escolha de setores econ\u00f3micos a promover ou a promover mais proporcionalmente do que outros, sem ter uma base material para o fazer. O que quero dizer com isto? Olhando para as estat\u00edsticas do com\u00e9rcio internacional ou para as estat\u00edsticas do investimento sabemos perfeitamente que h\u00e1 um conjunto de setores que levam o vento pelas costas. E que setores s\u00e3o esses? O setor farmac\u00eautico tem sido um setor fant\u00e1stico em Portugal nos \u00faltimos 10 anos, o setor alimentar, o setor da constru\u00e7\u00e3o que, precisando de ser mais dinamizado, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o patinho feio que foi at\u00e9 certa altura, e tudo o que diz respeito a telecomunica\u00e7\u00f5es e a TIC em geral. S\u00e3o setores que t\u00eam crescido, onde as margens de lucro t\u00eam aumentado, onde a capacidade de penetrar mercados internacionais \u00e9 cada vez maior. Depois, h\u00e1 outros setores, alguns daqueles ditos tradicionais, onde os dificuldades s\u00e3o maiores e onde h\u00e1 necessidade de reajustamento das pr\u00f3prias empresas, com novos modelos de neg\u00f3cios para fazer face \u00e0 concorr\u00eancia internacional. Se em termos de orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica formos capazes de evitar que l\u00f3bis de setores que est\u00e3o com dificuldades dominem a agenda de pol\u00edtica econ\u00f3mica e ao inv\u00e9s soubermos reconhecer que h\u00e1 um conjunto de setores que est\u00e3o muito bem e que podem ser alavancados ainda mais, ent\u00e3o a\u00ed acredito que teremos uma pol\u00edtica econ\u00f3mica razoavelmente equilibrada, para que alguns dos apoios que podem ser operacionaliz\u00e1veis tenham um efeito pr\u00e1tico e efetivo de alavancar a economia portuguesa e n\u00e3o simplesmente de amortecer eventuais choques.<\/p>\n<p><strong>Mas corremos o risco de em 2026 vivermos em duod\u00e9cimos?<br \/><\/strong>N\u00e3o creio que esse risco esteja em cima da mesa. Acho que haver\u00e1 um acordo. Agora, ser\u00e1 um acordo com graus de liberdade relativamente diminutos face \u00e0 tend\u00eancia que tem existido nos \u00faltimos anos e que se vai manter, ou seja, com uma certa conten\u00e7\u00e3o da despesa p\u00fablica e tamb\u00e9m com uma certa conten\u00e7\u00e3o da carga fiscal, podendo haver no imediato um desagravamento de alguma carga fiscal.<\/p>\n<p><strong>E em rela\u00e7\u00e3o ao IRC, n\u00e3o se prev\u00ea uma descida al\u00e9m do previsto.<br \/><\/strong>A medida mais relevante no caso do IRC seria acabar com as derramas estaduais, precisamente para eliminar a tal progressividade fiscal que existe hoje e que penaliza as empresas que t\u00eam maiores lucros, que, por sua vez, s\u00e3o tamb\u00e9m aquelas que t\u00eam maior capacidade de reinvestir, que contribuem para um emprego mais qualificado e que praticam sal\u00e1rios mais elevados, ou seja, aspetos positivos que a fiscalidade presente desincentiva. Ao inv\u00e9s, a redu\u00e7\u00e3o de 1 ou 2 pontos percentuais na taxa geral do IRC s\u00e3o medidas mais incrementais e de menor impacto.<\/p>\n<p><strong>Quanto \u00e0 TAP, concorda com a venda de 49,9% ou acha que devia ter ido mais al\u00e9m?<br \/><\/strong>O modelo que est\u00e1 em cima da mesa vai determinar uma grande presen\u00e7a do Estado na defini\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia e que depois, obviamente, vai ter impacto na opera\u00e7\u00e3o que a TAP tem ou pode vir a ter. Agora, tamb\u00e9m \u00e9 verdade que neste momento tudo se encaminha para que, face ao caderno de encargos que o Governo publicou, a TAP seja adquirida em parte por um grupo de avia\u00e7\u00e3o com outro historial e com outra envergadura. N\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o a que se chegou h\u00e1 uns anos e, desse ponto de vista, quando nos juntamos com os melhores da ind\u00fastria h\u00e1 sempre vantagens a colher. No limite, admito que seja um passo transit\u00f3rio para que um dia se possa discutir uma privatiza\u00e7\u00e3o maior.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o partilha a ideia daqueles que defendem que a TAP seja uma empresa de bandeira?<br \/><\/strong>N\u00e3o, penso que \u00e9 um modelo caduco e que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 praticado no resto do mundo. Mesmo na pandemia, quando os Estados entraram para auxiliar financeiramente as companhias, na maior parte dos casos rapidamente sa\u00edram. \u00c9 um paradigma que n\u00e3o tem qualquer vantagem face a uma TAP que deve ser avaliada pelas suas proezas operacionais e pela sua capacidade de gerar rentabilidade financeira, em vez de ser (n\u00e3o gosto da express\u00e3o) sorvedouro, exigindo a interven\u00e7\u00e3o dos contribuintes.<\/p>\n<p><strong>E como v\u00ea que potenciais candidatos, como a Lufthansa, anunciarem despedimento de quatro mil pessoas at\u00e9 2030?<br \/><\/strong>Com a incerteza que recai sobre a economia internacional admito que h\u00e1 neg\u00f3cios que s\u00e3o mais suscet\u00edveis a essa mesma incerteza, e a avia\u00e7\u00e3o pode ser um deles. \u00c9 natural que as empresas possam perspetivar uma redu\u00e7\u00e3o da sua atividade e que tenham de fazer os ajustamentos necess\u00e1rios. Al\u00e9m disso, h\u00e1 outros setores, como o da energia e dos petr\u00f3leos, que t\u00eam vindo a anunciar planos de redu\u00e7\u00e3o de estrutura, precisamente porque os pre\u00e7os est\u00e3o mais baixos e isso, no imediato, desfavorece grandes planos. Ora, o importante \u00e9 que essas empresas estejam c\u00e1 hoje, amanh\u00e3 e depois e, se esses ajustes de curto e m\u00e9dio prazo servirem para sustentar uma situa\u00e7\u00e3o financeira mais equilibrada a m\u00e9dio e longo prazo e beneficiem n\u00e3o s\u00f3 a sobreviv\u00eancia, mas tamb\u00e9m a sua capacidade de gerar valor, ent\u00e3o n\u00e3o vejo com maus olhos. Pelo contr\u00e1rio, vejo com muitos bons olhos, porque \u00e9 assim que a economia funciona.<\/p>\n<p><strong>Por falar em incertezas, Lagarde j\u00e1 veio admitir que afinal o impacto das tarifas norte-americanas ficaram aqu\u00e9m do que estava previsto.<br \/><\/strong>Penso que, em primeiro lugar, est\u00e1 a defender o acordo comercial que procurou gizar com os Estados Unidos. Em segundo lugar, est\u00e1, de alguma forma, a apelar \u00e0 tal resili\u00eancia econ\u00f3mica da Europa que vai ocorrer. Porqu\u00ea? Porque a grande consequ\u00eancia que a nova forma da Organiza\u00e7\u00e3o de Com\u00e9rcio Internacional est\u00e1 a produzir \u00e9 que a Europa vai depender mais de si pr\u00f3pria. O com\u00e9rcio externo dos Estados-membros da Uni\u00e3o Europeia com os outros Estados-membros vai intensificar-se. Isso j\u00e1 se est\u00e1 a ver no caso de Portugal. Entre janeiro e julho deste ano, vemos que houve um intensificar das rela\u00e7\u00f5es comerciais com a Uni\u00e3o Europeia. Ao inv\u00e9s, houve uma redu\u00e7\u00e3o da nossa rela\u00e7\u00e3o comercial com os Estados Unidos, com as Am\u00e9ricas em geral e tamb\u00e9m com \u00c1frica.<\/p>\n<p><strong>Podia ter sido feito outro acordo?<br \/><\/strong>A pol\u00edtica norte-americana, nomeadamente a sua pol\u00edtica externa, est\u00e1 num momento de afastamento de todo o mundo. Infelizmente, todos os exemplos que vamos vendo no dia-a-dia, do ponto de vista da lideran\u00e7a pol\u00edtica na Am\u00e9rica, mostram que h\u00e1 um profundo desrespeito pela ordem internacional que vigorou nas \u00faltimas d\u00e9cadas. H\u00e1 um profundo desrespeito pelas institui\u00e7\u00f5es, pelas regras do jogo. Esta \u00e9 uma nova Am\u00e9rica, na qual n\u00e3o me revejo, e que pelo impulso pol\u00edtico desta Administra\u00e7\u00e3o vai fazer com que os Estados Unidos se desliguem de v\u00e1rias partes do mundo e passem a olhar para a evolu\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica de uma forma muito mais ego\u00edsta.<\/p>\n<p><strong>Perante uma Europa adormecida, como diz Mario Draghi.<br \/><\/strong>A Europa tem de tornar a atividade econ\u00f3mica mais din\u00e2mica. Obviamente que isto \u00e9 mais f\u00e1cil dito do que feito. A verdade \u00e9 que a Europa, ao longo dos \u00faltimos anos, tem sido campe\u00e3 na introdu\u00e7\u00e3o de muitas regula\u00e7\u00f5es que, depois, por uma raz\u00e3o ou por outra, ou se tornam demasiado onerosas ou tornam-se impratic\u00e1veis. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Como v\u00ea a economia portuguesa? 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