{"id":108749,"date":"2025-10-13T09:04:08","date_gmt":"2025-10-13T09:04:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/108749\/"},"modified":"2025-10-13T09:04:08","modified_gmt":"2025-10-13T09:04:08","slug":"resistencia-a-antibioticos-cresce-40-e-ameaca-saude-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/108749\/","title":{"rendered":"Resist\u00eancia a Antibi\u00f3ticos Cresce 40% e Amea\u00e7a Sa\u00fade Global"},"content":{"rendered":"<p>A resist\u00eancia aos antibi\u00f3ticos aumentou em mais de 40% entre 2018 e 2023, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), que avisa que este crescimento representa uma amea\u00e7a crescente para a sa\u00fade global.<\/p>\n<p><strong>Uma em cada seis infe\u00e7\u00f5es bacterianas confirmadas em laborat\u00f3rio e que causaram em 2023 doen\u00e7as comuns em pessoas de todo o mundo eram resistentes aos tratamentos com antibi\u00f3ticos<\/strong>, segundo um novo relat\u00f3rio OMS.<\/p>\n<p>Segundo a organiza\u00e7\u00e3o, entre 2018 e 2023, a resist\u00eancia aos antibi\u00f3ticos aumentou em mais de 40% dos antibi\u00f3ticos monitorizados, com um aumento m\u00e9dio anual de 5 a 15%.<\/p>\n<p>Os dados reportados ao Sistema Global de Vigil\u00e2ncia da Resist\u00eancia e Uso de Antimicrobianos (GLASS, sigla em ingl\u00eas) da OMS por mais de 100 pa\u00edses alertam para a amea\u00e7a crescente deste aumento, sendo que <strong>a organiza\u00e7\u00e3o estima que a resist\u00eancia aos antibi\u00f3ticos seja maior nas regi\u00f5es do Sudeste Asi\u00e1tico e do Mediterr\u00e2neo Oriental, onde uma em cada tr\u00eas infe\u00e7\u00f5es notificadas eram resistentes.<\/strong> Na Regi\u00e3o Africana a resist\u00eancia surge em uma em cada cinco infe\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>A resist\u00eancia \u00e9 tamb\u00e9m mais comum e est\u00e1 a agravar-se em locais onde os sistemas de sa\u00fade n\u00e3o t\u00eam capacidade para diagnosticar ou tratar agentes patog\u00e9nicos bacterianos<\/strong>, avisa a OMS.<\/p>\n<p>O Relat\u00f3rio Global de Vigil\u00e2ncia da Resist\u00eancia aos Antibi\u00f3ticos de 2025 apresenta, pela primeira vez, estimativas de preval\u00eancia de resist\u00eancia a 22 antibi\u00f3ticos utilizados para tratar infe\u00e7\u00f5es do trato urin\u00e1rio e gastrointestinal, da corrente sangu\u00ednea e os utilizados para tratar a gonorreia.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio abrange oito agentes patog\u00e9nicos bacterianos comuns \u2013 Acinetobacter spp., Escherichia coli (E.coli), Klebsiella pneumoniae, Neisseria gonorrhoeae, Salmonella spp. n\u00e3o tif\u00f3ide, Shigella spp., Staphylococcus aureus e Streptococcus pneumoniae \u2013 cada um deles associado a uma ou mais destas infe\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>\u201cA resist\u00eancia antimicrobiana est\u00e1 a ultrapassar os avan\u00e7os da medicina moderna<\/strong>, amea\u00e7ando a sa\u00fade das fam\u00edlias em todo o mundo\u201d, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, citado na nota hoje divulgada.<\/p>\n<p>O respons\u00e1vel considera ainda que, \u00e0 medida que os pa\u00edses refor\u00e7am os seus sistemas de vigil\u00e2ncia da resist\u00eancia antimicrobiana, <strong>\u00e9 preciso \u201cutilizar os antibi\u00f3ticos de forma respons\u00e1vel e garantir que todos t\u00eam acesso aos medicamentos certos<\/strong>, aos diagn\u00f3sticos com garantia de qualidade e \u00e0s vacinas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO nosso futuro depende tamb\u00e9m do refor\u00e7o dos sistemas de preven\u00e7\u00e3o, diagn\u00f3stico e tratamento de infe\u00e7\u00f5es e da inova\u00e7\u00e3o com antibi\u00f3ticos de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o e testes moleculares r\u00e1pidos no local de presta\u00e7\u00e3o de cuidados\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p><strong>O novo relat\u00f3rio observa que as bact\u00e9rias Gram-negativas resistentes aos medicamentos est\u00e3o a tornar-se mais perigosas em todo o mundo<\/strong>, sendo que a maior carga recai sobre os pa\u00edses menos equipados para responder.<\/p>\n<p><strong>Entre estas, a E. coli e a K. pneumoniae s\u00e3o as principais bact\u00e9rias Gram-negativas resistentes encontradas nas infe\u00e7\u00f5es da corrente sangu\u00ednea, que est\u00e3o entre as infe\u00e7\u00f5es bacterianas mais graves e resultam frequentemente em s\u00e9psis, fal\u00eancia de \u00f3rg\u00e3os e morte.<\/strong><\/p>\n<p>No entanto, mais de 40% das E. coli e mais de 55% das K. pneumoniae em todo o mundo s\u00e3o agora resistentes \u00e0s cefalosporinas de terceira gera\u00e7\u00e3o, o tratamento de primeira escolha para estas infe\u00e7\u00f5es. Na Regi\u00e3o Africana a resist\u00eancia ultrapassa os 70%.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio avisa ainda que <strong>outros antibi\u00f3ticos essenciais para salvar vidas, incluindo os carbapenemos e as fluoroquinolonas, est\u00e3o a perder efic\u00e1cia contra E. coli, K. pneumoniae, Salmonella e Acinetobacter<\/strong> e sublinha que a resist\u00eancia aos carbapenemos, outrora rara, est\u00e1 a tornar-se mais frequente, restringindo as op\u00e7\u00f5es de tratamento e obrigando a depend\u00eancia de antibi\u00f3ticos de \u00faltimo recurso, que s\u00e3o caros, de dif\u00edcil acesso e frequentemente indispon\u00edveis em pa\u00edses de baixo e m\u00e9dio rendimento.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses no GLASS aumentou mais de quatro vezes (25 pa\u00edses em 2016 e 104 pa\u00edses em 2023), mas 48% n\u00e3o reportou dados em 2023 e cerca de metade dos pa\u00edses que o fizeram ainda n\u00e3o tinham os sistemas necess\u00e1rios para gerar dados fi\u00e1veis. De facto \u2013 assinala a OMS -, os pa\u00edses que enfrentavam os maiores desafios n\u00e3o tinham capacidade de vigil\u00e2ncia para avaliar a sua situa\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia antimicrobiana.<\/p>\n<p>Lembra que a declara\u00e7\u00e3o pol\u00edtica sobre a resist\u00eancia antimicrobiana adotada na Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas em 2024 estabeleceu metas para lidar com este problema atrav\u00e9s do refor\u00e7o dos sistemas de sa\u00fade e da colabora\u00e7\u00e3o com uma abordagem de &#8220;Uma \u00danica Sa\u00fade&#8221; (One Health), coordenando os setores da sa\u00fade humana, sa\u00fade animal e ambiente.<\/p>\n<p>A este n\u00edvel, a OMS refor\u00e7a que para combater o crescente desafio da resist\u00eancia antimicrobiana os pa\u00edses devem comprometer-se a <strong>refor\u00e7ar os sistemas laboratoriais e a gerar dados de vigil\u00e2ncia fi\u00e1veis<\/strong>.<\/p>\n<p>Apela ainda a todos os pa\u00edses para que reportem dados de elevada qualidade sobre esta mat\u00e9ria ao GLASS at\u00e9 2030, sublinhando que \u201calcan\u00e7ar esta meta exigir\u00e1 uma a\u00e7\u00e3o concertada para refor\u00e7ar a qualidade, a cobertura geogr\u00e1fica e a partilha de dados de vigil\u00e2ncia da resist\u00eancia antimicrobiana para acompanhar o progresso\u201d.<\/p>\n<p>Defende igualmente que os pa\u00edses devem ampliar as interven\u00e7\u00f5es coordenadas destinadas a combater a resist\u00eancia antimicrobiana a todos os n\u00edveis de assist\u00eancia m\u00e9dica e garantir que as orienta\u00e7\u00f5es de tratamento e as listas de medicamentos essenciais est\u00e3o alinhadas com os padr\u00f5es locais de resist\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A resist\u00eancia aos antibi\u00f3ticos aumentou em mais de 40% entre 2018 e 2023, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":108750,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[10045,116,25928,32,33,25929,117],"class_list":{"0":"post-108749","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-antibioticos","9":"tag-health","10":"tag-oms-organizacao-mundial-de-saude","11":"tag-portugal","12":"tag-pt","13":"tag-resistencia-aos-antibioticos","14":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/108749","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=108749"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/108749\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/108750"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=108749"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=108749"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=108749"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}