{"id":109065,"date":"2025-10-13T13:48:07","date_gmt":"2025-10-13T13:48:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/109065\/"},"modified":"2025-10-13T13:48:07","modified_gmt":"2025-10-13T13:48:07","slug":"habitantes-da-cidade-de-gaza-nao-acreditam-no-cessar-fogo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/109065\/","title":{"rendered":"habitantes da Cidade de Gaza n\u00e3o acreditam no cessar-fogo"},"content":{"rendered":"<p>Enquanto Israel celebra a chegada dos ref\u00e9ns a Telavive, milhares de pessoas t\u00eam regressado \u00e0 Cidade de Gaza para se depararem com a devasta\u00e7\u00e3o absoluta: a invas\u00e3o israelita deixou bairros inteiros reduzidos a um mar de escombros, sobre os quais agora emergem tendas, indicou o jornal espanhol \u2018ABC\u2019. No entanto, tamb\u00e9m os militantes do Hamas e a pol\u00edcia emergiram mais uma vez dos t\u00faneis para se posicionarem em toda a Faixa, que continua sem a presen\u00e7a israelita.<\/p>\n<p>Akram Mahmoud, residente de 55 anos do bairro de Sheikh Radwan, uma zona comercial outrora movimentada da Cidade de Gaza, onde a fam\u00edlia possu\u00eda um edif\u00edcio de seis andares, regressou a p\u00e9 assim que as bombas se calaram ao longo da estrada costeira. Mais de 60 pessoas viviam no pr\u00e9dio, e Akram era respons\u00e1vel pela viagem da fam\u00edlia do sul para ver como estavam.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o sobrou nada, o edif\u00edcio j\u00e1 n\u00e3o existe. Vou tentar limpar alguns dos escombros e montar uma tenda no terreno que ele ocupava\u201d, salientou. Na sua opini\u00e3o, \u201ceste cessar-fogo n\u00e3o vai durar muito tempo. Assim que tiverem os ref\u00e9ns, eles v\u00e3o atacar novamente, n\u00e3o tenho d\u00favidas disso\u201d.<\/p>\n<p>Esta primeira fase do acordo abre tamb\u00e9m caminho \u00e0 chegada de 600 cami\u00f5es de ajuda com alimentos, medicamentos, combust\u00edvel e mantimentos de abrigo atrav\u00e9s de canais privados e da ONU.<\/p>\n<p>Ibrahim Salama, de 36 anos, tamb\u00e9m estava no sul, a trabalhar numa loja, e o que fez foi arrumar a sua tenda e regressar ao bairro de Al Nasser, outra art\u00e9ria comercial da Cidade de Gaza. \u201cA minha casa e a minha rua j\u00e1 n\u00e3o existem, mas vamos ficar aqui porque os vizinhos far\u00e3o o mesmo, e pelo menos todos nos conhecemos. N\u00e3o h\u00e1 vida no sul\u201d, explicou, salientando que n\u00e3o tem \u201cnenhuma confian\u00e7a na tr\u00e9gua. Os israelitas nunca respeitaram um acordo\u201d.  <\/p>\n<p>Muitas destas pessoas est\u00e3o a vasculhar os escombros do que costumavam ser os seus edif\u00edcios \u00e0 procura de corpos de familiares e vizinhos de quem n\u00e3o t\u00eam not\u00edcias h\u00e1 semanas.<\/p>\n<p>Sami al-Haj, de 43 anos, teve um pouco mais de sorte por causa da sua casa no campo de refugiados de Jabalia: \u201cS\u00f3 restam algumas paredes de p\u00e9 no primeiro andar, e vamos come\u00e7ar de novo; n\u00e3o h\u00e1 outra maneira. N\u00e3o creio que fiquemos no norte durante muito tempo, porque Donald Trump, tendo falhado a conquista do Pr\u00e9mio Nobel da Paz, certamente esquecer\u00e1 isso em breve e n\u00e3o se importar\u00e1 se Israel nos esmagar completamente depois da troca de farpas.\u201d<\/p>\n<p>A ajuda humanit\u00e1ria come\u00e7ou a chegar e, de acordo com o acordo assinado para a primeira fase, entrar\u00e3o diariamente 600 cami\u00f5es de ajuda humanit\u00e1ria e 50 cami\u00f5es de combust\u00edvel e g\u00e1s. A passagem de Rafah com o Egito ser\u00e1 aberta, a constru\u00e7\u00e3o do acampamento ser\u00e1 ampliada e \u201ca repara\u00e7\u00e3o das condutas de \u00e1gua e esgotos, bem como a renova\u00e7\u00e3o de hospitais, padarias e estradas, come\u00e7ar\u00e1 imediatamente\u201d. Esta miss\u00e3o s\u00f3 poder\u00e1 ser realizada se o cessar-fogo se mantiver.<\/p>\n<p>A ansiedade dos residentes do norte de Gaza em regressar \u00e0quela parte da Faixa de Gaza j\u00e1 se dissipou h\u00e1 muito tempo entre os residentes do sul, pois Rafah deixou de existir como cidade h\u00e1 meses. Salem Hijazi n\u00e3o tem pressa em regressar a casa com o cessar-fogo porque, tal como a maioria dos residentes de Rafah, perdeu tudo em maio de 2024, data da opera\u00e7\u00e3o israelita.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, vive numa tenda perto da praia em Khan Yunis, e a partir da\u00ed recorda os dois anos em que \u201c85 membros da minha fam\u00edlia morreram. Sonho com uma vida sem bombardeamentos, com este cessar-fogo a durar o m\u00e1ximo de tempo poss\u00edvel, pelo menos 60 dias, mas receio que n\u00e3o. Nem o Hamas nem Israel querem um acordo; est\u00e3o preocupados com os civis; s\u00f3 querem mostrar que controlam a terra. A \u00fanica forma de isto durar \u00e9 atrav\u00e9s da press\u00e3o externa; essa \u00e9 a nossa \u00fanica esperan\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Salem, como todos os residentes de Gaza, viu como horas depois da retirada do ex\u00e9rcito para a linha amarela marcada pelos EUA, o Minist\u00e9rio do Interior da Faixa de Gaza anunciou o envio de agentes de seguran\u00e7a \u201cpara repor a ordem\u201d. Oficiais mascarados, sob ordens do Hamas, tomaram as ruas e as rotundas e come\u00e7aram a perseguir os que colaboravam com Israel.<\/p>\n<p>V\u00eddeos de execu\u00e7\u00f5es, espancamentos e tiros nos joelhos de pessoas acusadas de colaborar com o inimigo tornaram-se virais nas redes sociais. O Hamas prometeu perseguir e punir os grupos armados e fez o mesmo com as tribos que se tentaram rebelar. Os islamitas sabem que os israelitas n\u00e3o far\u00e3o nada contra eles pelo menos esta segunda-feira, data prevista para a liberta\u00e7\u00e3o dos ref\u00e9ns, e lan\u00e7aram a sua opera\u00e7\u00e3o punitiva. Os militantes emergem dos t\u00faneis para se espalharem por toda a Faixa de Gaza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Enquanto Israel celebra a chegada dos ref\u00e9ns a Telavive, milhares de pessoas t\u00eam regressado \u00e0 Cidade de Gaza&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":109066,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[27,28,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-109065","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-featured-news","11":"tag-featurednews","12":"tag-headlines","13":"tag-latest-news","14":"tag-latestnews","15":"tag-main-news","16":"tag-mainnews","17":"tag-mundo","18":"tag-news","19":"tag-noticias","20":"tag-noticias-principais","21":"tag-noticiasprincipais","22":"tag-principais-noticias","23":"tag-principaisnoticias","24":"tag-top-stories","25":"tag-topstories","26":"tag-ultimas","27":"tag-ultimas-noticias","28":"tag-ultimasnoticias","29":"tag-world","30":"tag-world-news","31":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/109065","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=109065"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/109065\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/109066"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=109065"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=109065"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=109065"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}