{"id":109480,"date":"2025-10-13T19:38:08","date_gmt":"2025-10-13T19:38:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/109480\/"},"modified":"2025-10-13T19:38:08","modified_gmt":"2025-10-13T19:38:08","slug":"explicador-como-o-lado-oculto-do-crescimento-europeu-alimenta-o-voto-na-extrema-direita-na-ue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/109480\/","title":{"rendered":"Explicador. Como o lado oculto do crescimento europeu alimenta o voto na extrema-direita na UE"},"content":{"rendered":"<p>A Uni\u00e3o Europeia conseguiu reduzir as desigualdades entre Estados-membros gra\u00e7as \u00e0s pol\u00edticas de coes\u00e3o. Pa\u00edses como a Pol\u00f3nia aproximaram-se significativamente da m\u00e9dia europeia em apenas duas d\u00e9cadas. No entanto, segundo o \u2018El Confidencial\u2019, \u00e0 medida que estas diferen\u00e7as entre pa\u00edses diminuem, crescem os desequil\u00edbrios internos: o crescimento econ\u00f3mico concentra-se nas grandes cidades, enquanto regi\u00f5es rurais e cidades de m\u00e9dio porte ficam estagnadas.<\/p>\n<p><strong>Armadilhas do desenvolvimento<\/strong><\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Europeia definiu uma \u201carmadilha de desenvolvimento\u201d como uma regi\u00e3o que deixa de progredir em rela\u00e7\u00e3o ao seu passado, ao pa\u00eds e \u00e0 Europa. Isto gera sentimento de abandono entre os habitantes, que se sentem ignorados pelas pol\u00edticas p\u00fablicas. Andr\u00e9s Rodr\u00edguez-Pos\u00e9, professor de Geografia Econ\u00f3mica na London School of Economics, alerta que focar apenas nas grandes cidades \u00e9 \u201ccomo pilotar um avi\u00e3o com apenas um motor\u201d: o potencial total do territ\u00f3rio n\u00e3o \u00e9 aproveitado e muitas regi\u00f5es com capacidade de crescimento ficam esquecidas.<\/p>\n<p>As armadilhas do desenvolvimento criam um c\u00edrculo vicioso: quanto mais tempo uma regi\u00e3o permanece estagnada, mais profunda se torna a deteriora\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os b\u00e1sicos como educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e transporte, refor\u00e7ando o descontentamento social e o apoio a partidos populistas de direita. L\u00e1szl\u00f3 Andor, ex-comiss\u00e1rio europeu para o Emprego, destaca que em vastos territ\u00f3rios rurais a expectativa de vida pode ser at\u00e9 10 anos inferior \u00e0 das regi\u00f5es mais pr\u00f3speras.<\/p>\n<p><strong>O peso do euroceticismo<\/strong><\/p>\n<p>A estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica aumenta o apoio a partidos euroc\u00e9ticos e populistas, que canalizam o descontentamento econ\u00f3mico para a xenofobia e oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 UE. Desde a crise financeira, estes partidos viram o seu apoio disparar, atingindo 27% dos votos em 2022 e governando ou influenciando decisivamente em pa\u00edses como It\u00e1lia, Hungria, Pa\u00edses Baixos, Finl\u00e2ndia, Fran\u00e7a, \u00c1ustria, Alemanha e Portugal, segundo a publica\u00e7\u00e3o espanhola.<\/p>\n<p>Mesmo sem chegar ao Governo, estes partidos promovem forte polariza\u00e7\u00e3o, nomeadamente no debate sobre imigra\u00e7\u00e3o. O apoio \u00e9 mais elevado nas regi\u00f5es menos desenvolvidas e em transi\u00e7\u00e3o (34%) do que nas regi\u00f5es mais desenvolvidas (22%), embora estas \u00faltimas apresentem maior percentagem de euroceticismo extremo (15% vs. 9%).<\/p>\n<p><strong>Pol\u00edtica de coes\u00e3o em transforma\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A pol\u00edtica de coes\u00e3o e os fundos regionais continuam a ser instrumentos-chave para combater estes desequil\u00edbrios. A UE prepara uma mudan\u00e7a profunda para o per\u00edodo 2028-2034, fundindo a Pol\u00edtica Agr\u00edcola Comum e os fundos de coes\u00e3o num bloco financeiro nacionalizado. Seraf\u00edn Pazos-Vidal, especialista em Desenvolvimento Rural e Territorial, alertou que isto poder\u00e1 reduzir a influ\u00eancia das regi\u00f5es e criar competi\u00e7\u00e3o por recursos, desviando investimentos de longo prazo para objetivos imediatos ou politicamente rent\u00e1veis.<\/p>\n<p>Sem refor\u00e7o dos investimentos em regi\u00f5es menos desenvolvidas, a UE corre o risco de fragmentar-se numa Europa de tr\u00eas velocidades: norte competitivo, sul dependente e leste em reconstru\u00e7\u00e3o. A coes\u00e3o econ\u00f3mica ficaria comprometida, refor\u00e7ando o euroceticismo. Ainda assim, 67% dos espanh\u00f3is apoiam o alargamento da Uni\u00e3o Europeia, acima da m\u00e9dia comunit\u00e1ria de 56%.<\/p>\n<p><strong>O direito de permanecer<\/strong><\/p>\n<p>Ursula von der Leyen, presidente da Comiss\u00e3o Europeia, defende o \u201cdireito de permanecer\u201d nas regi\u00f5es de origem, afirmando que a livre circula\u00e7\u00e3o deve ser uma escolha, n\u00e3o uma necessidade. Pazos-Vidal sublinha que transformar este princ\u00edpio em realidade exige pol\u00edticas activas que garantam bem-estar e oportunidades reais: reduzir o despovoamento rural no sul da Europa, conter a fuga de c\u00e9rebros no Leste e implementar estrat\u00e9gias de contra\u00e7\u00e3o inteligente nos pa\u00edses n\u00f3rdicos.<\/p>\n<p>De acordo com o \u2018El Confidencial\u2019, o desafio agora \u00e9 assegurar que o investimento e as pol\u00edticas p\u00fablicas cheguem \u00e0s regi\u00f5es esquecidas, evitando que desigualdades internas se perpetuem e alimentem a polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na Europa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A Uni\u00e3o Europeia conseguiu reduzir as desigualdades entre Estados-membros gra\u00e7as \u00e0s pol\u00edticas de coes\u00e3o. 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