{"id":110576,"date":"2025-10-14T14:58:13","date_gmt":"2025-10-14T14:58:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/110576\/"},"modified":"2025-10-14T14:58:13","modified_gmt":"2025-10-14T14:58:13","slug":"tubaroes-com-300-anos-tartarugas-com-200-como-se-explica-esta-longevidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/110576\/","title":{"rendered":"Tubar\u00f5es com 300 anos, tartarugas com 200. Como se explica esta longevidade?"},"content":{"rendered":"<p>\u201cNo in\u00edcio do s\u00e9culo XX, alguns cientistas acreditavam que substancias extra\u00eddas de gl\u00e2ndulas animais seriam usadas no rejuvenescimento dos humanos. Um destes investigadores, o cirurgi\u00e3o Serge Voronoff, estava convicto de que n\u00e3o bastaria consumir essas subst\u00e2ncias ou fazer infus\u00f5es com elas; n\u00e3o, seria necess\u00e1rio transplantar tecido diretamente para as pessoas de modo a obter o efeito desejado. Depois de estudar homens castrados no Egipto, Voronoff concluiu que os test\u00edculos eram a principal fonte de rejuvenescimento\u201d. Nicklas Brendborg, bi\u00f3logo molecular, povoa o seu livro de hist\u00f3rias com esta. Em As Medusas Envelhecem ao Contr\u00e1rio (edi\u00e7\u00e3o Contraponto), o investigador det\u00e9m-se na quest\u00e3o do envelhecimento ou, preferindo-se, do rejuvenescimento. A procura de vida eterna foi durante muito tempo terreno f\u00e9rtil para aventureiros e charlat\u00e3es. \u201cHoje em dia, por\u00e9m, a Ci\u00eancia tomou o lugar da magia e da religi\u00e3o, e a humanidade est\u00e1 mais perto do que nunca de desvendar o segredo para uma vida prolongada e, sobretudo, saud\u00e1vel\u201d, lemos na apresenta\u00e7\u00e3o ao livro em jeito de resumo da tese que o autor desenvolve ao longo de 270 p\u00e1ginas.<\/p>\n<p>No seu livro, Nicklas Brendborg revela ao leitor como a Ci\u00eancia tem travado uma longa batalha para resolver um dos maiores enigmas da vida humana e o porqu\u00ea de o envelhecimento continuar a ser um desafio complexo. O autor detalha o funcionamento do nosso corpo, como se processa o envelhecimento e o que podemos, de facto, fazer para o atrasar.<\/p>\n<p><strong>De As Medusas Envelhecem ao Contr\u00e1rio publicamos o excerto abaixo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O livro de recordes da longevidade<\/strong><\/p>\n<p>Sob a superf\u00edcie azul-gelo do mar da Gronel\u00e2ndia, desliza uma sombra imensa. O colosso de seis metros n\u00e3o tem pressa; a sua velocidade m\u00e1xima \u00e9 inferior a tr\u00eas quil\u00f3metros por hora.<\/p>\n<p>Em latim, chama-se Somniosus microcephalus \u2013 \u00abo son\u00e2mbulo com o c\u00e9rebro min\u00fasculo\u00bb. Na nossa l\u00edngua, tem um nome um tudo-nada mais lisonjeiro: tubar\u00e3o-da-gronel\u00e2ndia. Como sugere o seu nome latino, este tubar\u00e3o n\u00e3o \u00e9 r\u00e1pido nem particularmente perspicaz ainda assim, por\u00e9m, podemos encontrar no seu est\u00f4mago vest\u00edgios de focas, renas e at\u00e9 mesmo ursos-polares.<\/p>\n<p>O nosso misterioso companheiro faz as coisas ao seu ritmo, pois tempo \u00e9 algo que tem de sobra. Quando os Estados Unidos foram fundados, j\u00e1 era mais velho do que algum ser humano alguma vez foi. Quando o Titanic naufragou, tinha 281 anos. E agora acabou de fazer 390. Ainda assim, os investigadores calculam que poder\u00e1 ter muitos mais anos de vida.<\/p>\n<p>Isto n\u00e3o significa que o tubar\u00e3o-da-gronel\u00e2ndia n\u00e3o tenha problemas. Os seus olhos est\u00e3o infetados por parasitas bioluminescentes que est\u00e3o lentamente a ceg\u00e1-lo. E, apesar do tamanho impressionante, o tubar\u00e3o-da-gronel\u00e2ndia tem um inimigo comum a todos os outros peixes n\u00e3o comest\u00edveis \u2013 os Islandeses.<\/p>\n<p>Sucede que a carne de um tubar\u00e3o-da-gronel\u00e2ndia cont\u00e9m uma tal quantidade de uma subst\u00e2ncia t\u00f3xica chamada N-\u00f3xido de trimetilamina que nos deixa tontos \u2013 com uma \u00abbebedeira de tubar\u00e3o\u00bb \u2013 quando a ingerimos. Todavia, como \u00e9 \u00f3bvio, a corajosa popula\u00e7\u00e3o da Isl\u00e2ndia descobriu uma forma de o fazer ainda assim.<\/p>\n<p>O tubar\u00e3o-da-gronel\u00e2ndia \u00e9 precisamente o tipo de animal que ocupa o topo de algum tipo de lista. E \u00e9 a\u00ed que o encontramos. Com a sua impressionante esperan\u00e7a de vida, o tubar\u00e3o-da-gronel\u00e2ndia \u00e9 o vertebrado com a vida mais longa alguma vez registada. Por ser um vertebrado \u2013 um animal com uma espinha dorsal \u2013, trata -se na verdade de um nosso parente afastado. Podemos n\u00e3o ter muitas semelhan\u00e7as, mas a anatomia b\u00e1sica \u00e9 reconhec\u00edvel: um cora\u00e7\u00e3o, um f\u00edgado, um sistema intestinal, dois rins e um c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que continua a haver muita dist\u00e2ncia na \u00e1rvore da evolu\u00e7\u00e3o entre n\u00f3s e um peixe gigante. Os humanos s\u00e3o mam\u00edferos, o que significa que temos algumas caracter\u00edsticas fundamentais que n\u00e3o partilhamos com o tubar\u00e3o-da-gronel\u00e2ndia. A regra pr\u00e1tica da Biologia consiste em: qu\u00e3o mais perto de n\u00f3s estiver um animal em termos evolucion\u00e1rios, mais poderemos aprender sobre n\u00f3s ao estud\u00e1-lo. Significa isto que podemos aprender mais a partir dos peixes do que dos insetos, mas tamb\u00e9m que podemos aprender menos a partir dos peixes do que, por exemplo, a partir das aves e dos r\u00e9pteis. Para n\u00e3o falar dos nossos parentes mais pr\u00f3ximos \u2013 os restantes mam\u00edferos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" title=\"Pando\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/511e694946a3d72d8f3267b0cf90949a34658423.jpg\" alt=\"Pando\" width=\"549\" height=\"364\" data-mediabank-id=\"4497911\" data-post-id=\"2091625\"\/><\/p>\n<p>Pando cr\u00e9ditos: Wikimedia Commons<\/p>\n<p>Muito curiosamente, o tubar\u00e3o-da-gronel\u00e2ndia partilha a sua casa com outro recordista da esperan\u00e7a de vida que \u00e9 um parente nosso muito mais pr\u00f3ximo. Nos mares em torno da Gronel\u00e2ndia, se tivermos sorte, podemos encontrar a baleia-da-gronel\u00e2ndia, com dezoito metros de comprimento. Embora as caracter\u00edsticas exteriores de uma baleia-da-gronel\u00e2ndia tamb\u00e9m n\u00e3o se assemelhem \u00e0s nossas, o seu interior est\u00e1 muito mais pr\u00f3ximo do dos humanos do que o do tubar\u00e3o-da-gronel\u00e2ndia. As baleias t\u00eam c\u00e9rebros grandes, mesmo proporcionalmente ao seu tamanho, cora\u00e7\u00f5es com quatro cavidades como n\u00f3s, pulm\u00f5es e muitas outras caracter\u00edsticas comuns.<\/p>\n<p>Costum\u00e1vamos ca\u00e7ar estes animais magnificentes para usar a sua gordura em candeeiros a \u00f3leo, mas felizmente s\u00e3o agora uma esp\u00e9cie protegida. Apenas os povos nativos, como os Inupiates do Alasca, t\u00eam permiss\u00e3o para continuar a ca\u00e7\u00e1-las \u2013 em n\u00edveis de subsist\u00eancia, como sempre fizeram. Ocasionalmente, na sequ\u00eancia de uma ca\u00e7a bem-sucedida, os Inupiaques visitam as autoridades locais para entregarem antigas pontas de arp\u00f5es recuperadas da gordura da baleia. Estas pontas t\u00eam origem em ca\u00e7as fracassadas de in\u00edcios do s\u00e9culo XIX. Combinadas com m\u00e9todos moleculares, foram usadas para determinar que as baleias-da-gronel\u00e2ndia podem viver mais de 200 anos. \u00c9 a esperan\u00e7a de vida mais longa registada num mam\u00edfero.<\/p>\n<p>Afastarmo-nos dos humanos na \u00e1rvore da evolu\u00e7\u00e3o pode revelar esperan\u00e7as de vida ainda mais impressionantes. Os melhores exemplos v\u00eam mesmo das \u00e1rvores, para as quais o envelhecimento n\u00e3o existe propriamente \u2013 pelo menos, n\u00e3o na forma como tipicamente o concebemos. Enquanto o nosso risco de morte aumenta conforme envelhecemos, as \u00e1rvores apenas ficam maiores, mais fortes e mais duras. Isto significa que t\u00eam um risco de morte menor a cada ano que vivem. Pelo menos at\u00e9 ao ponto em que se tornam t\u00e3o altas que uma tempestade as derruba. E morrer num acidente n\u00e3o tem qualquer rela\u00e7\u00e3o com o envelhecimento.<\/p>\n<p>De modo que algumas \u00e1rvores s\u00e3o muito velhas. Uma das \u00e1rvores mais velhas, Matusal\u00e9m, \u00e9 uma esp\u00e9cie de pinheiro com 5000 anos, situada numa localiza\u00e7\u00e3o secreta nas Montanhas Brancas da Calif\u00f3rnia. Quando Matusal\u00e9m brotou do solo, as pir\u00e2mides estavam ainda a ser constru\u00eddas no Egipto e os \u00faltimos mamutes deambulavam pela ilha de Wrangel, na Sib\u00e9ria.<\/p>\n<p>No entanto, at\u00e9 Matusal\u00e9m \u00e9 um beb\u00e9 quando comparada com o recordista florestal. Na Floresta Nacional de Fishlake, no Utah, cerca de 560 quil\u00f3metros a nordeste de Matusal\u00e9m, existe um \u00e1lamo chamado Pando. Pando (termo latino para \u00abpropago-me\u00bb) n\u00e3o \u00e9 uma \u00e1rvore \u00fanica, mas uma esp\u00e9cie de superorganismo \u2013 uma rede gigante de ra\u00edzes que ocupa uma \u00e1rea de aproximadamente um oitavo do tamanho do Central Park de Nova Iorque.<\/p>\n<p>Pando \u00e9 o organismo mais pesado do planeta e \u00e9 dele que germinam mais de 40 mil \u00e1rvores individuais. A maioria destas \u00e1rvores vive entre 100 e 130 anos, morrendo em tempestades, inc\u00eandios e circunst\u00e2ncias do g\u00e9nero. Por\u00e9m, Pando d\u00e1 continuamente origem a novas \u00e1rvores, e o pr\u00f3prio superorganismo de ra\u00edzes tem mais de 14 mil anos.<\/p>\n<p><strong>A Rainha de Tonga<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o posso, evidentemente, escrever um cap\u00edtulo sobre organismos com vidas excecionalmente longas sem mencionar as tartarugas. Uma das tartarugas mais longevas de sempre foi a tartaruga-estrelada Tu\u2019i Malila, que vivia com a fam\u00edlia real da ilha tropical de Tonga. Tu\u2019i Malila foi oferecida como presente ao rei de Tonga pelo explorador brit\u00e2nico James Cook em 1777. Quando morreu, em 1965, como uma senhora muito idosa, vivera cerca de 188 anos.<\/p>\n<p>Trata -se do recorde de idade entre todas as tartarugas cuja idade conseguimos verificar com certeza. Todavia, Tu\u2019i Malila est\u00e1 em vias de ser ultrapassada pela tartaruga-gigante-das-seicheles, Jonathan, que vive na min\u00fascula ilha atl\u00e2ntica de Santa Helena. Jonathan eclodiu do ovo por volta de 1832 \u2013 antes da inven\u00e7\u00e3o do selo postal \u2013 e viveu durante os reinados de sete monarcas brit\u00e2nicos e dos mandatos de trinta e nove presidentes dos Estados Unidos. Quando o leitor ler isto, \u00e9 poss\u00edvel que Jonathan seja o novo recordista.<\/p>\n<p>Se alguns organismos podem ter uma vida significativamente mais longa do que a nossa, h\u00e1 outros que t\u00eam trajet\u00f3rias de envelhecimento absolutamente diferentes. Ou seja, nalguns organismos, o envelhecimento d\u00e1-se de forma totalmente diversa do que sucede connosco.<\/p>\n<p>Como humanos, envelhecemos exponencialmente; a partir da puberdade, o nosso risco de morte duplica aproximadamente a cada oito anos. Isto deve -se ao facto de a nossa fisiologia declinar gradualmente, debilitando-nos cada vez mais.<\/p>\n<p>O nosso modo de envelhecimento \u00e9 o mais comum e partilhamo-lo com a maioria dos animais com que temos contacto di\u00e1rio. No entanto, este n\u00e3o \u00e9 de todo o \u00fanico padr\u00e3o de envelhecimento na Natureza.<\/p>\n<p>H\u00e1 um grupo de animais particularmente estranhos, que se reproduzem apenas uma vez, seguindo -se um envelhecimento imediato e r\u00e1pido. Chama -se a isto semelparidade, e, se gostarmos de assistir a document\u00e1rios da vida natural, podemos identific\u00e1-lo no ciclo de vida do salm\u00e3o-do-pac\u00edfico.<\/p>\n<p>O salm\u00e3o-do-pac\u00edfico eclode em pequenos cursos de \u00e1gua, onde os min\u00fasculos salm\u00f5es se desenvolvem em relativa seguran\u00e7a. Mais tarde, dirigem -se para o mar, onde permanecem at\u00e9 adquirirem maturidade sexual. A dada altura, chegar\u00e1 o momento de originar a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o de salm\u00f5es-do-pac\u00edfico, mas, infelizmente, o salm\u00e3o reproduz -se apenas no mesmo curso de \u00e1gua onde ele pr\u00f3prio nasceu. Isto significa que o pobre peixe tem de voltar a nadar para o interior \u2013 por vezes, a uma dist\u00e2ncia de centenas de quil\u00f3metros \u2013, contra a corrente e para cima. Continuo perplexo por um peixe ser realmente capaz de abrir caminho subindo uma queda d\u2019\u00e1gua. \u00c9 uma aventura temer\u00e1ria.<\/p>\n<p>Mais desafortunadamente ainda para o salm\u00e3o d\u00e1-se o facto de n\u00f3s n\u00e3o sermos os \u00fanicos animais que sabem o qu\u00e3o saborosos eles s\u00e3o. Quando o salm\u00e3o inicia a sua migra\u00e7\u00e3o, todos os predadores locais \u2013 ursos, lobos, \u00e1guias, gar\u00e7as-reais e outros \u2013 aguardam pacientemente, prontos a banquetearem-se. Para se proteger, o salm\u00e3o-do-pac\u00edfico enche completamente o seu corpo de hormonas do stresse e deixa absolutamente de comer. Os dias e as noites tornam -se uma batalha incans\u00e1vel contra a pr\u00f3pria M\u00e3e Natureza.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" title=\"tartaruga-gigante-das-seicheles\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/c6e163caf3a5a2363723dfb122fa10253032e7e5.jpg\" alt=\"tartaruga-gigante-das-seicheles\" width=\"699\" height=\"454\" data-mediabank-id=\"4497912\" data-post-id=\"2091626\"\/><\/p>\n<p>Tartaruga-gigante-das-seicheles cr\u00e9ditos: Wilimedia Commons<\/p>\n<p>A maioria dos salm\u00f5es n\u00e3o ser\u00e1 bem-sucedida, mas os poucos que o conseguirem desovar\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o seguinte nos mesmos cursos de \u00e1gua onde as suas pr\u00f3prias vidas come\u00e7aram. Uma vez alcan\u00e7ado este feito, seria de pensar que o resistente salm\u00e3o n\u00e3o teria dificuldades em regressar ao mar. Afinal, esta viagem seria a descer e ajudada pela corrente. Contudo, o salm\u00e3o n\u00e3o mostra o m\u00ednimo interesse nem sequer em tentar. Depois de desovar, entra em decl\u00ednio terminal, como plantas a definharem rapidamente. Poucos dias depois de ocultar os seus ovos fecundados no leito arenoso, toda a gera\u00e7\u00e3o anterior est\u00e1 morta.<\/p>\n<p>Na verdade, este tipo de hist\u00f3ria de vida bizarra e muito tr\u00e1gica est\u00e1 mais disseminada na Natureza do que se poderia pensar. Eis alguns dos meus outros exemplos preferidos:<\/p>\n<ul>\n<li>Depois de as f\u00eameas de polvo terem posto os ovos, as suas bocas selam-se, elas param de comer, e dedicam todo o seu ser \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dos ovos. Alguns dias depois de os ovos eclodirem, as m\u00e3es morrem;<\/li>\n<li>Os machos do pequeno marsupial semelhante a um rato Antechinus stuartii ficam t\u00e3o stressados, t\u00e3o agressivos e t\u00e3o sexualmente exaustos durante a \u00e9poca de acasalamento que morrem pouco depois;<\/li>\n<li>As cigarras passam a maior parte das suas vidas (at\u00e9 dezassete anos) no subsolo, vindo \u00e0 superf\u00edcie apenas para p\u00f4r ovos. Morrem pouco depois;<\/li>\n<li>Os efemer\u00f3pteros (insetos aqu\u00e1ticos) n\u00e3o vivem mais do que um dia ou dois depois de terem eclodido. Na verdade, alguns n\u00e3o t\u00eam boca e vivem apenas aproximadamente cinco minutos. A sua \u00fanica miss\u00e3o \u00e9 reproduzir -se uma vez;<\/li>\n<li>H\u00e1 mesmo algumas plantas que exibem este padr\u00e3o de envelhecimento. A piteira-brava pode viver durante d\u00e9cadas, mas definha e morre pouco depois de desabrochar pela primeira e \u00fanica vez.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Inversamente a isto, h\u00e1 tamb\u00e9m alguns animais que n\u00e3o envelhecem de todo \u2013 pelo menos, n\u00e3o da forma como tradicionalmente entendemos o envelhecimento. Um exemplo \u00e9 a lagosta. Tal como as \u00e1rvores, o rei dos crust\u00e1ceos n\u00e3o enfraquece nem se torna menos f\u00e9rtil com a passagem do tempo. Na verdade, d\u00e1 -se precisamente o contr\u00e1rio \u2013 as lagostas crescem continuamente ao longo da sua vida e tornam-se cada vez mais fortes com o avan\u00e7ar do tempo. Isto n\u00e3o significa, por\u00e9m, que vivam para sempre. A Natureza \u00e9 cruel, e os predadores, os competidores, as doen\u00e7as ou os acidentes acabam por tratar do assunto. Se assim n\u00e3o fosse, as grandes lagostas acabariam por morrer de problemas f\u00edsicos causados pelo seu tamanho. No entanto, para uma lagosta, a velhice n\u00e3o tem nada que ver com o decl\u00ednio gradual que conhecemos.<\/p>\n<p>A natureza alberga ainda organismos que desenvolveram alguns truques verdadeiramente peculiares para prolongarem a vida. Algumas bact\u00e9rias, por exemplo, podem entrar num estado de dorm\u00eancia. Em situa\u00e7\u00e3o de stresse, a bact\u00e9ria transforma -se numa estrutura compacta semelhante a uma semente. Esta estrutura, designada por end\u00f3sporo, \u00e9 resiliente a tudo aquilo a que a Natureza a possa expor \u2013 at\u00e9 a calor extremo e radia\u00e7\u00e3o ultravioleta.<\/p>\n<p>No interior do end\u00f3sporo, todos os processos normalmente requeridos \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da bact\u00e9ria s\u00e3o interrompidos. \u00c9 como se a bact\u00e9ria j\u00e1 nem estivesse viva. No entanto, o end\u00f3sporo continua a conseguir percecionar o seu meio envolvente. Quando as circunst\u00e2ncias melhoram, ela revela-se e volta a tornar -se uma bact\u00e9ria completamente ativa, como se nada tivesse acontecido.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil dizer quando tempo podem as bact\u00e9rias passar neste estado de dorm\u00eancia. Talvez nem exista um limite. \u00c9 pr\u00e1tica habitual entre os cientistas reanimarem end\u00f3sporos que encontraram e que t\u00eam mais de dez mil anos. Na verdade, h\u00e1 relatos de end\u00f3sporos despertados depois de milh\u00f5es de anos de dorm\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Imagem de abertura:\u00a0Designed by Freepik \u2014 <a href=\"http:\/\/www.freepik.com\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">www.freepik.com<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cNo in\u00edcio do s\u00e9culo XX, alguns cientistas acreditavam que substancias extra\u00eddas de gl\u00e2ndulas animais seriam usadas no rejuvenescimento&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":110577,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[27,28,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-110576","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-featured-news","11":"tag-featurednews","12":"tag-headlines","13":"tag-latest-news","14":"tag-latestnews","15":"tag-main-news","16":"tag-mainnews","17":"tag-mundo","18":"tag-news","19":"tag-noticias","20":"tag-noticias-principais","21":"tag-noticiasprincipais","22":"tag-principais-noticias","23":"tag-principaisnoticias","24":"tag-top-stories","25":"tag-topstories","26":"tag-ultimas","27":"tag-ultimas-noticias","28":"tag-ultimasnoticias","29":"tag-world","30":"tag-world-news","31":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110576","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=110576"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110576\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/110577"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=110576"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=110576"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=110576"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}