{"id":110589,"date":"2025-10-14T15:08:11","date_gmt":"2025-10-14T15:08:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/110589\/"},"modified":"2025-10-14T15:08:11","modified_gmt":"2025-10-14T15:08:11","slug":"conheca-os-mais-recentes-contributos-para-o-fim-da-diabetes-tipo-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/110589\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a os mais recentes contributos para o fim da diabetes tipo 2"},"content":{"rendered":"<p class=\"description\">Assine a revista National Geographic agora por apenas <b>1\u20ac por m\u00eas<\/b>.<\/p>\n<p>A diabetes tipo 2 representa quase 90 por cento dos aproximadamente\u00a0<strong>643 milh\u00f5es de casos de diabetes em todo o mundo<\/strong>.\u00a0Este n\u00famero, que triplicou nos \u00faltimos 25 anos, tem vindo a aumentar de forma particularmente preocupante em crian\u00e7as e jovens adultos. Al\u00e9m disso, as estimativas apontam para que\u00a0<strong>cerca de 250 milh\u00f5es de pessoas possam n\u00e3o saber que padecem da doen\u00e7a<\/strong>,\u00a0elevando a percentagem de pessoas com diabetes tipo 2 a quase uma em cada 10.<\/p>\n<p>Por conseguinte,\u00a0<strong>a diabetes \u00e9 uma das doen\u00e7as mais prevalecentes entre a popula\u00e7\u00e3o\u00a0<\/strong>e existe um conjunto de factores que pode desencade\u00e1-la. Alguns deles, como o envelhecimento, s\u00e3o inevit\u00e1veis, mas \u00e9 poss\u00edvel mitigar os riscos daqueles relacionados com o estilo de vida sedent\u00e1rio e a alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Contudo,<strong> h\u00e1 que ter em conta que mitigar os riscos n\u00e3o significa elimin\u00e1-los por completo<\/strong>. Esse \u00e9 um dos desafios de centenas de grupos de investiga\u00e7\u00e3o espalhados por todo o mundo que est\u00e3o a desbravar os meandros moleculares que levam \u00e0 falta de produ\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>insulina<\/strong>\u00a0no organismo. Na diabetes tipo 2, a diminui\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis de insulina est\u00e1 normalmente associada \u00e0\u00a0<strong>perda de um grupo de c\u00e9lulas que se encontram no p\u00e2ncreas,<\/strong>\u00a0<strong>denominadas c\u00e9lulas\u00a0<\/strong><strong>\u03b2<\/strong><strong>-pancre\u00e1ticas<\/strong>.\u00a0A falta de insulina da\u00ed resultante faz com que, ap\u00f3s as refei\u00e7\u00f5es, os n\u00edveis de a\u00e7\u00facar no sangue aumentem e com eles a viscosidade do sangue, dando lugar aos sintomas mais comuns.<\/p>\n<p><strong>Porque desaparecem estas c\u00e9lulas?<\/strong><\/p>\n<p>Na primeira fase da diabetes tipo 2,\u00a0<strong>o organismo torna-se resistente \u00e0 sua pr\u00f3pria insulina<\/strong>.<strong>\u00a0<\/strong>Devido a esta resist\u00eancia, as c\u00e9lulas musculares, as c\u00e9lulas gordas (adip\u00f3citos) e as c\u00e9lulas hep\u00e1ticas n\u00e3o retiram a glucose do sangue de forma eficiente, fazendo com que haja muito mais glucose no sangue que deveria.\u00a0<strong>As c\u00e9lulas\u00a0<\/strong><strong>\u03b2<\/strong><strong>-pancre\u00e1ticas tentam compensar produzindo cada vez mais insulina<\/strong>, para que continue a fazer efeito, e activam ao m\u00e1ximo o seu metabolismo. Ao tornarem-se cada vez mais activas, as\u00a0<strong>c\u00e9lulas \u201ccansam-se\u201d\u00a0<\/strong>(perdem a sua capacidade de produzir insulina) e o p\u00e2ncreas perde gradualmente esta fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesta fase tardia, quase se poderia dizer que as c\u00e9lulas\u00a0\u03b2-pancre\u00e1ticas se esquecem do trabalho que deveriam fazer e come\u00e7am a comportar-se como um outro tipo de c\u00e9lulas pancre\u00e1ticas, as c\u00e9lulas\u00a0\u03b1-pancre\u00e1ticas. Ao contr\u00e1rio das c\u00e9lulas beta, as c\u00e9lulas alfa produzem uma mol\u00e9cula antagonista da insulina chamada\u00a0<strong>glucagon, que se encarrega, precisamente, de mobilizar as gorduras a fim de aumentar ainda mais os n\u00edveis de a\u00e7\u00facar no sangue.<\/strong><\/p>\n<p>Tanto as c\u00e9lulas alfa como as c\u00e9lulas beta agrupam-se normalmente numas estruturas densas chamadas\u00a0<strong>ilhotas pancre\u00e1ticas<\/strong>\u00a0ou ilhotas de Langerhans. Al\u00e9m das c\u00e9lulas alfa e beta, estas ilhotas<strong>\u00a0<\/strong>pancre\u00e1ticas tamb\u00e9m podem conter c\u00e9lulas delta, gama, c\u00e9lulas g e c\u00e9lulas \u00e9psilon, que libertam outras hormonas importantes para a alimenta\u00e7\u00e3o como a grelina, que gera a sensa\u00e7\u00e3o de saciedade. Segundo <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-025-62670-5\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">um estudo recentemente realizado pelo centro de investiga\u00e7\u00e3o City of Hope<\/a>, em Los Angeles,\u00a0<strong>o destino destas ilhotas poderia ser controlado por um gene denominado SMOC1<\/strong>, embora ainda seja necess\u00e1rio realizar mais testes para comprovar exactamente como funciona.<\/p>\n<p>O autor principal do estudo, <a href=\"https:\/\/www.cityofhope.org\/research\/find-a-scientist\/adolfo-garcia-ocana\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Adolfo Garc\u00eda-Oca\u00f1a<\/a> explica as suas descobertas da seguinte forma: \u201c<strong>Em pessoas saud\u00e1veis, as c\u00e9lulas das ilhotas podem amadurecer em diferentes direc\u00e7\u00f5es. Algumas tornam-se mais parecidas com as c\u00e9lulas alfa, outras com as c\u00e9lulas beta, outras seguem o seu pr\u00f3prio caminho, mas, na diabetes tipo 2, todas acabam por se tornar alfa\u201d.<\/strong>\u00a0Geming Lu, co-autor do estudo, acrescenta: \u201cNormalmente, o SMOC1 est\u00e1 activo nas c\u00e9lulas alfa das pessoas saud\u00e1veis, mas vimos que tamb\u00e9m come\u00e7ava a aparecer nas c\u00e9lulas beta das pessoas diab\u00e9ticas, onde n\u00e3o deveria\u201d.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\"   src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/adolfo-garcia-ocana-no-seu-laboratorio_6e5097c0_251014130635_800x517.webp.webp\" alt=\"Adolfo Garc\u00eda-Oca\u00f1a no seu laboratorio.\u00a0\" class=\"lazyload\" width=\"800\" height=\"517\" data-aspectratio=\"800\/517\"\/>&#13;CITY OF HOPE<\/p>\n<p>Adolfo Garc\u00eda-Oca\u00f1a no seu laboratorio.\u00a0<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a estas descobertas, os autores esperam elaborar\u00a0<strong>novas<\/strong>\u00a0<strong>terapias baseadas no bloqueio do SMOC1<\/strong>\u00a0que permitam atrasar ou bloquear o aparecimento da doen\u00e7a. Al\u00e9m disso, a an\u00e1lise deste e outros genes envolvidos na doen\u00e7a poder\u00e1 abrir a porta a terapias regenerativas e auto-transplantes que permitam libertar as pessoas diab\u00e9ticas da sua depend\u00eancia de insulina externa.<\/p>\n<p><strong>Atrasar ao m\u00e1ximo o aparecimento\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>De momento, atrasar o aparecimento da diabetes s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel atrav\u00e9s da mitiga\u00e7\u00e3o dos seus sintomas, como referimos no in\u00edcio deste artigo. Isso \u00e9 de facto essencial, mas <a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/journals\/landia\/article\/PIIS2213-8587(23)00223-1\/fulltext\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">outro estudo<\/a>, liderado pela Universidade de Cambridge, no Reino Unido, observou que\u00a0<strong>as pessoas diagnosticadas com diabetes antes dos 30 anos poderiam ter uma esperan\u00e7a de vida at\u00e9 13 anos inferior<\/strong>\u00a0\u00e0s pessoas saud\u00e1veis da popula\u00e7\u00e3o dos EUA, ou 13 anos no caso da Europa. Em contrapartida, se os sintomas aparecessem entre os 40 e os 50 anos a esperan\u00e7a de vida s\u00f3 diminu\u00eda 9 ou 5 anos em m\u00e9dia, respectivamente.<\/p>\n<p>Perante esta situa\u00e7\u00e3o alarmante, o professor <a href=\"https:\/\/scholar.google.com\/citations?user=zeK3OSYAAAAJ&amp;hl=en\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Emanuele Di Angelantonio<\/a>, do VPD-HLRI da Universidade de Cambridge, afirma: \u201cA diabetes tipo 2 costumava ser considerada uma doen\u00e7a que afectava os adultos mais velhos, mas estamos a assistir a um n\u00famero cada vez maior de diagn\u00f3sticos em pessoas mais novas. Como demonstr\u00e1mos, isto significa que correm o risco de ter uma esperan\u00e7a de vida muito mais curta do que teriam noutras circunst\u00e2ncias.\u201d<\/p>\n<p>Por isso, <a href=\"https:\/\/scholar.google.com\/citations?user=WrPCevMAAAAJ&amp;hl=en\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Stephen Kaptoge<\/a>, tamb\u00e9m do VPD-HLRI, disse que, \u201cdado o impacto da diabetes tipo 2 na vida das pessoas,\u00a0<strong>prevenir \u2013 ou pelo menos atrasar o aparecimento \u2013 da doen\u00e7a dever\u00e1 ser uma prioridade urgente\u201d<\/strong>. Por outras palavras, os especialistas est\u00e3o a focar-se na educa\u00e7\u00e3o e na preven\u00e7\u00e3o, sobretudo dos mais jovens.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, um diagn\u00f3stico precoce tamb\u00e9m pode estar associado a uma melhor gest\u00e3o da glucose, algo que acaba por reduzir os danos acumulados no organismo, permitindo consequentemente aumentar a esperan\u00e7a de vida. \u00c9, sem d\u00favida,\u00a0<strong>uma esperan\u00e7a para as quase uma em cada 10 pessoas que padecem desta doen\u00e7a em todo o mundo<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Assine a revista National Geographic agora por apenas 1\u20ac por m\u00eas. 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