{"id":110803,"date":"2025-10-14T18:03:25","date_gmt":"2025-10-14T18:03:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/110803\/"},"modified":"2025-10-14T18:03:25","modified_gmt":"2025-10-14T18:03:25","slug":"ocde-acesso-ao-ensino-superior-continua-a-ser-dificil-para-alunos-carenciados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/110803\/","title":{"rendered":"OCDE. Acesso ao ensino superior continua a ser dif\u00edcil para alunos carenciados"},"content":{"rendered":"<p>                    Este relat\u00f3rio foi realizado no \u00e2mbito do projeto \u201cTornar o Ensino Superior mais inclusivo em Portugal\u201d, financiado pela Uni\u00e3o Europeia e est\u00e1 a ser apresentado esta ter\u00e7a-feira num evento organizado pela Dire\u00e7\u00e3o-Geral do Ensino Superior (DGES), no Teatro Thalia, em Lisboa.<\/p>\n<p>O documento destaca que n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7as significativas entre estudantes mais carenciados e os restantes colegas. Por exemplo, olhando para as taxas de abandono escolar, conclui-se que <b>existe uma probabilidade maior de alunos provenientes de contextos socioecon\u00f3micos desfavorecidos completarem os estudos no tempo previsto.<\/b><\/p>\n<p>No entanto, <b>as principais desigualdades registam-se antes, durante o ensino secund\u00e1rio e, consequentemente, no acesso ao superior.<\/b><\/p>\n<p>Em 2024, menos de metade (48%) dos alunos benefici\u00e1rios de a\u00e7\u00e3o social escolar (ASE) seguiu para uma universidade ou polit\u00e9cnico depois de conclu\u00eddo o secund\u00e1rio. Entre os alunos com rendimentos mais elevados, 57% seguiram esse percurso.\u00a0<\/p>\n<p>Entre os alunos do escal\u00e3o A de apoio social escolar, cujas fam\u00edlias t\u00eam os rendimentos mais baixos, a diferen\u00e7a \u00e9 ainda maior e apenas 41% prosseguiram os estudos.<\/p>\n<p>A OCDE identifica um padr\u00e3o tamb\u00e9m nas escolhas dos alunos que seguem para o ensino superior: enquanto quatro em cada 10 estudantes carenciados escolhem um instituto polit\u00e9cnico, apenas 29% dos alunos n\u00e3o benefici\u00e1rios de ASE fazem a mesma op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por outro lado, ingressar em cursos de excel\u00eancia, cuja nota m\u00ednima de entrada \u00e9 de pelo menos 17 valores numa escala de zero a 20, \u00e9 mais dif\u00edcil para os alunos carenciados e apenas 6% dos candidatos com ASE conseguiram um lugar, em compara\u00e7\u00e3o com os 14% candidatos sem ASE durante o secund\u00e1rio.<\/p>\n<p>&#8220;Se indiv\u00edduos de baixos rendimentos e com potencial para aceder a estes programas n\u00e3o o fizerem, perder\u00e3o os benef\u00edcios educacionais e profissionais associados, e a capacidade do sistema educativo para impulsionar a mobilidade social e um acesso mais amplo \u00e0s oportunidades ser\u00e1 reduzida&#8221;, alerta o relat\u00f3rio.<br \/>&#13;<br \/>\nDificuldades ao longo do ensino secund\u00e1rio<br \/>&#13;<br \/>\n<b>As desigualdades no acesso ao ensino superior s\u00e3o justificadas, em grande medida, por dificuldades enfrentadas pelos alunos mais carenciados ao longo do ensino secund\u00e1rio<\/b>, uma vez que o concurso nacional &#8211; principal via de acesso ao ensino superior &#8211; gradua os estudantes com base na nota de candidatura, ou seja, os resultados ao longo dos tr\u00eas anos anteriores e nos exames nacionais.<\/p>\n<p>&#8220;Do ponto de vista da equidade, \u00e9 positivo que o Concurso Nacional de Acesso se baseie num algoritmo que classifica e coloca automaticamente os alunos em programas&#8221;, come\u00e7a por referir a OCDE, para ressalvar que as classifica\u00e7\u00f5es dos alunos s\u00e3o influenciadas por diversos fatores, incluindo o acesso a explica\u00e7\u00f5es pagas e o pr\u00f3prio sistema de classifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quanto ao primeiro, o relat\u00f3rio sublinha que muitos alunos de contextos mais favorecidos recorrem a explica\u00e7\u00f5es particulares, seja para melhorar o desempenho acad\u00e9mico ou para preparem-se para os exames nacionais, um recurso que os alunos carenciados n\u00e3o conseguem pagar.<br \/>&#13;<br \/>\nVantagem para fam\u00edlias com rendimentos mais elevados<br \/>&#13;<br \/>\nPor outro lado, no que diz respeito ao sistema de classifica\u00e7\u00e3o, a OCDE refere uma diverg\u00eancia entre as classifica\u00e7\u00f5es internas atribu\u00eddas pelos professores e os resultados nos exames nacionais, que tende a beneficiar os alunos provenientes de fam\u00edlias com rendimentos mais elevados e coloca em desvantagem os alunos carenciados, mesmo que tenham obtido o mesmo resultado na avalia\u00e7\u00e3o externa, no concurso nacional de acesso.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a escolha que os alunos fazem quando chegam ao 10.\u00ba ano tem impacto no seu futuro, uma vez que os n\u00edveis de transi\u00e7\u00e3o s\u00e3o, de acordo com o relat\u00f3rio, significativamente mais baixos entre os estudantes de cursos vocacionais.<\/p>\n<p>O concurso nacional de acesso n\u00e3o est\u00e1 bem desenhado para esses alunos e mesmo quando chegam ao ensino superior, muitos fazem-no por via de cursos t\u00e9cnicos superiores profissionais, sendo que alguns ingressam depois em licenciaturas.<\/p>\n<p>&#8220;Contudo, este caminho consome mais tempo e recursos em compara\u00e7\u00e3o com uma licenciatura de tr\u00eas anos&#8221;, escreve a OCDE, que recomenda uma via alternativa direta para os alunos do ensino profissional.<\/p>\n<p>O alargamento das vias de acesso \u00e9 tamb\u00e9m uma das recomenda\u00e7\u00f5es feitas a Portugal para os alunos carenciados, atrav\u00e9s de contingentes que &#8220;reconhe\u00e7am as diferen\u00e7as sist\u00e9micas nas oportunidades e nos resultados acad\u00e9micos anteriores&#8221;.<br \/>&#13;<br \/>\n\u201cSubs\u00eddio de custo de vida\u201d<br \/>&#13;<br \/>\nJ\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o ao acesso ao ensino superior, a OCDE recomenda a cria\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie de \u201csubs\u00eddio de custo de vida\u201d. <b>O relat\u00f3rio mencionado salienta que o valor das bolsas atribu\u00eddas aos estudantes carenciados \u00e9 insuficiente face \u00e0s despesas associadas \u00e0 frequ\u00eancia do ensino superior.\u00a0<\/b><\/p>\n<p>A OCDE refere que<b> o sistema de apoio financeiro &#8220;est\u00e1 bem integrado no sistema e fornece uma boa base para os estudantes&#8221;, mas \u00e9 insuficiente, sobretudo para os estudantes deslocados.<\/b><\/p>\n<p>O valor da bolsa anual m\u00ednima corresponde a 125% do valor da propina e, por isso, essa n\u00e3o \u00e9 uma despesa com a qual os estudantes carenciados t\u00eam com que se preocupar, mas para muitos n\u00e3o representa sequer o custo mais significativo associado \u00e0 frequ\u00eancia do ensino superior.<\/p>\n<p><b>Para os estudantes deslocados, em particular, o alojamento representa a maior despesa e nem todos os bolseiros conseguem garantir um lugar numa resid\u00eancia p\u00fablica.<\/b> Nesses casos, o Governo atribui um complemento de alojamento, alargado igualmente aos estudantes que, n\u00e3o sendo bolseiros, tamb\u00e9m t\u00eam baixos rendimentos.<\/p>\n<p>Os representantes dos estudantes t\u00eam denunciado, no entanto, que muitos n\u00e3o t\u00eam acesso a este apoio, uma vez que \u00e9 exigida a apresenta\u00e7\u00e3o de recibos de renda e o custo da habita\u00e7\u00e3o, sobretudo nas grandes cidades, empurra uma grande parte para o mercado paralelo, sem contrato de arrendamento.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 importante desencorajar o mercado imobili\u00e1rio irregular, \u00e9 excessivo atribuir aos estudantes com baixos rendimentos a responsabilidade de regularizar os contratos de arrendamento&#8221;, sublinha a OCDE, explicando que perante a incerteza de receber o complemento de alojamento, muitos estudantes carenciados preferem a &#8220;seguran\u00e7a&#8221; de uma renda baixa, mesmo que n\u00e3o declarada.<\/p>\n<p>Por isso, e recordando o impacto positivo da atribui\u00e7\u00e3o de bolsa no desempenho acad\u00e9mico dos alunos carenciados e taxas de abandono, o relat\u00f3rio sugere que o Governo pondere a revis\u00e3o dos crit\u00e9rios de elegibilidade para o complemento de alojamento, podendo at\u00e9 flexibilizar as regras.<br \/>&#13;<br \/>\nGarantia p\u00fablica de cr\u00e9dito<br \/>&#13;<br \/>\nPor outro lado, recomenda a revis\u00e3o da f\u00f3rmula de c\u00e1lculo da bolsa, criando uma contribui\u00e7\u00e3o expl\u00edcita para as propinas, por um lado, e para o custo de vida, por outro lado, numa esp\u00e9cie de &#8220;subs\u00eddio de custo de vida&#8221;.<\/p>\n<p>Outra via proposta \u00e9 a possibilidade de criar uma garantia p\u00fablica de cr\u00e9dito, em que &#8220;o Estado e os estudantes contribuem conjuntamente para a parcela dos custos de vida necess\u00e1rios durante os estudos que n\u00e3o s\u00e3o cobertos pela bolsa&#8221;.<\/p>\n<p>Perante o aumento do n\u00famero de alunos deslocados e a insufici\u00eancia de camas em resid\u00eancias p\u00fablicas no \u00e2mbito do Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior (PNAES), a OCDE recomenda ainda o refor\u00e7o de op\u00e7\u00f5es de alojamento a pre\u00e7os acess\u00edveis atrav\u00e9s de parecerias com o setor privado.&#13;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Este relat\u00f3rio foi realizado no \u00e2mbito do projeto \u201cTornar o Ensino Superior mais inclusivo em Portugal\u201d, financiado pela&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":110804,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[27,28,26259,4224,3665,15,16,14,25,26,21,22,12,13,19,20,16214,13000,32,23,24,33,17,18,29,30,31,3062],"class_list":{"0":"post-110803","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-principais-noticias","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-ensino-secundario","11":"tag-ensino-superior","12":"tag-estudantes","13":"tag-featured-news","14":"tag-featurednews","15":"tag-headlines","16":"tag-latest-news","17":"tag-latestnews","18":"tag-main-news","19":"tag-mainnews","20":"tag-news","21":"tag-noticias","22":"tag-noticias-principais","23":"tag-noticiasprincipais","24":"tag-ocde","25":"tag-politecnicos","26":"tag-portugal","27":"tag-principais-noticias","28":"tag-principaisnoticias","29":"tag-pt","30":"tag-top-stories","31":"tag-topstories","32":"tag-ultimas","33":"tag-ultimas-noticias","34":"tag-ultimasnoticias","35":"tag-universidade"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110803","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=110803"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110803\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/110804"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=110803"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=110803"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=110803"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}