{"id":110854,"date":"2025-10-14T18:43:16","date_gmt":"2025-10-14T18:43:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/110854\/"},"modified":"2025-10-14T18:43:16","modified_gmt":"2025-10-14T18:43:16","slug":"em-busca-do-equilibrio-entre-conservacao-ambiental-e-crescimento-turistico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/110854\/","title":{"rendered":"em busca do equil\u00edbrio entre conserva\u00e7\u00e3o ambiental e crescimento tur\u00edstico"},"content":{"rendered":"<p>S\u00e3o 16h30 de uma tarde quente de setembro numa praia da ilha do Sal e um grupo de turistas aglomera-se ao redor do viveiro de tartarugas marinhas do Projeto Biodiversidade, localizado no areal em frente ao resort RIU Funana. O objetivo \u00e9 conseguir ver de perto o momento em que estes animais eclodem dos ovos, mas a sess\u00e3o come\u00e7a com uma pequena explica\u00e7\u00e3o sobre a presen\u00e7a das tartarugas marinhas nesta ilha do arquip\u00e9lago de Cabo Verde.<\/p>\n<p>De uma forma descontra\u00edda, um dos volunt\u00e1rios da associa\u00e7\u00e3o conta aos turistas que <strong>Cabo Verde \u00e9 o principal local de nidifica\u00e7\u00e3o de tartarugas-cabe\u00e7udas no Atl\u00e2ntico Leste e um dos mais relevantes do mundo<\/strong>. Habitantes do nosso planeta h\u00e1 150 milh\u00f5es de anos, as tartarugas marinhas s\u00e3o ex\u00edmias navegadoras dos oceanos que sempre encontram o caminho de regresso a casa: a praia onde nasceram \u00e9 a mesma que escolhem para colocarem os ovos \u2013 cerca de 20 a 25 anos depois.<\/p>\n<p>Contudo, o que acontece quando a \u201cnossa casa\u201d foi ocupada por outra esp\u00e9cie, neste caso, aquela que mais problemas tem causado \u00e0 vida selvagem? De facto,\u00a0<strong>\u00e9 o impacto provocado pelos seres humanos que mais tem amea\u00e7ado as tartarugas marinhas<\/strong>, entre elas, a cabe\u00e7uda, mas n\u00e3o s\u00f3.<\/p>\n<p>Por conta da polui\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica, das redes de pesca, da ca\u00e7a furtiva, da polui\u00e7\u00e3o luminosa, da degrada\u00e7\u00e3o do habitat e das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, seis das sete esp\u00e9cies de tartarugas marinhas est\u00e3o na lista vermelha da Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza. Entre as classifica\u00e7\u00f5es \u201cmuito amea\u00e7ado\u201d e \u201cvulner\u00e1vel\u201d, estes animais enfrentam grandes desafios \u00e0 sua sobreviv\u00eancia, sendo, por isso, imprescind\u00edvel o trabalho de conserva\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1760467394_635_thumbs.web.sapo.io\"  alt=\"Uma r\u00e9plica de tartaruga-cabe\u00e7uda \" loading=\"true\"\/><\/p>\n<p>A seguir a esta explica\u00e7\u00e3o, outros volunt\u00e1rios da associa\u00e7\u00e3o come\u00e7am a escavar alguns ninhos e os turistas curiosos n\u00e3o conseguem conter a emo\u00e7\u00e3o quando veem as tartarugas rec\u00e9m-nascidas a eclodirem os ovos. \u00c9, com certeza, uma recorda\u00e7\u00e3o que v\u00e3o levar das f\u00e9rias, al\u00e9m dos momentos nas praias de areia dourada e \u00e1guas amenas do Sal \u2013 a ilha do \u201cno stress\u201d que tem 350 dias de sol por ano (<a href=\"https:\/\/sapo.pt\/artigo\/roteiro-pela-ilha-do-sal-praias-paradisiacas-lagos-de-sal-e-miragens-no-deserto-6bfb-689cb13c4e03edf364071fa3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">veja aqui o nosso roteiro<\/a>).<\/p>\n<p>S\u00e3o estas mesmas praias que sempre atra\u00edram as tartarugas-cabe\u00e7udas para depositarem os seus ovos, por\u00e9m, a crescente presen\u00e7a humana torna a tarefa ancestral cada vez mais dif\u00edcil. \u201cTentamos tirar todos os ninhos das praias urbanas e tur\u00edsticas\u201d, levando-os para os viveiros da associa\u00e7\u00e3o, explica ao SAPO Albert Taxonera, diretor do Projeto Biodiversidade. O bi\u00f3logo trocou Espanha por Cabo Verde, h\u00e1 14 anos, para trabalhar no estudo e na conserva\u00e7\u00e3o das tartarugas marinhas. Chegou como volunt\u00e1rio \u00e0 ilha para atuar numa ONG e, em 2015, fundou a associa\u00e7\u00e3o Projeto Biodiversidade.<\/p>\n<p>O trabalho de conserva\u00e7\u00e3o est\u00e1 a dar frutos. Albert exemplifica a temporada de 2021, um ano \u201cexcecional\u201d, em que foram recolhidos 50 mil ninhos, o que equivale a cerca de \u201c880 mil tartarugas soltas\u201d. Os n\u00fameros at\u00e9 podem impressionar, mas <strong>as estat\u00edsticas dizem que apenas uma em mil tartarugas filhotes chegam \u00e0 idade adulta<\/strong>.<\/p>\n<p>\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1760467395_440_thumbs.web.sapo.io\"  alt=\"As crias s\u00e3o, depois, libertadas em praias protegidas. Imagem: Alice Barcellos\" loading=\"true\"\/><\/p>\n<p>A envolv\u00eancia da comunidade \u00e9 uma das prioridades do Projeto Biodiversidade e, numa ilha que assiste a um exponencial crescimento tur\u00edstico, \u00e9 essencial envolver tamb\u00e9m aqueles que v\u00eam de fora. \u00c9 a\u00ed que entra em a\u00e7\u00e3o o programa TUI Turtle Aid, desenvolvido pela TUI Care Foundation em parceria com o Projeto Biodiversidade. Com uma dura\u00e7\u00e3o de tr\u00eas anos, o projeto que vai na segunda edi\u00e7\u00e3o tem como objetivo proteger as tartarugas marinhas vulner\u00e1veis e amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, especialmente nas praias de nidifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sendo um dos s\u00edmbolos do Sal, \u00e9 f\u00e1cil criar esta identifica\u00e7\u00e3o com as tartarugas marinhas para os turistas de forma que fiquem a saber o que podem fazer se, por exemplo, encontrarem uma tartaruga ou um ninho numa das praias da ilha. <strong>Os turistas tamb\u00e9m conseguem contribuir atrav\u00e9s da ado\u00e7\u00e3o de uma tartaruga que pode ser feita pelo <a href=\"https:\/\/www.projectbiodiversity.org\/pt\/cabo-verde-turtles\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">site da associa\u00e7\u00e3o<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p>O trabalho com a comunidade tamb\u00e9m est\u00e1 na agenda. Na edi\u00e7\u00e3o atual do programa, mais de sete mil crian\u00e7as j\u00e1 participaram em apresenta\u00e7\u00f5es escolares e visitas de estudo aos viveiros do Projeto Biodiversidade. Al\u00e9m disso, o TUI Turtle Aid trabalha com hot\u00e9is para que estes sejam tamb\u00e9m turtle friendly, atrav\u00e9s de v\u00e1rios comportamentos: da forma\u00e7\u00e3o do staff \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o luminosa que pode desorientar as tartarugas rec\u00e9m-nascidas.<\/p>\n<p>Noite adentro, numa patrulha noturna<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de luzes artificiais \u00e9 uma grande aliada desta esp\u00e9cie. Quando saem dos ovos, as tartarugas t\u00eam um destino: o mar. Por\u00e9m, a polui\u00e7\u00e3o luminosa de resorts e empreendimentos \u00e9 a principal causa de morte de milhares de filhotes de tartarugas a cada temporada na ilha do Sal. \u00c0 noite, os filhotes ficam desorientados com as luzes artificiais e rastejam incansavelmente em sua dire\u00e7\u00e3o. A maioria morre devorada por c\u00e3es, caranguejos ou corvos, ou desidrata, durante o dia.<\/p>\n<p>Por outro lado, quando as tartarugas adultas regressam \u00e0 costa para desovar, a polui\u00e7\u00e3o luminosa pode atrapalhar o processo, fazendo com que regressem ao mar e procurem praias que ainda conservem um ambiente mais selvagem. \u00c9 o caso da Reserva Natural da Costa da Fragata. No sul da ilha, a praia e a \u00e1rea dunar protegidas ainda guardam um reflexo do que seria o aspeto original de algumas das praias do Sal sem a presen\u00e7a humana: longos areais, envolvidos por dunas com vegeta\u00e7\u00e3o rasteira.<\/p>\n<p>Quando a\u00ed chegamos, o sol punha-se escondido entre as nuvens, enquanto a equipa do Projeto Biodiversidade libertava aquelas tartarugas que t\u00ednhamos observado \u00e0 tarde. Mas, para este momento, a presen\u00e7a de turistas n\u00e3o \u00e9 permitida. <strong>Observar o percurso das pequenas tartarugas obstinadas em dire\u00e7\u00e3o ao mar \u00e9 uma experi\u00eancia que fica na mem\u00f3ria<\/strong>.<\/p>\n<p>A escurid\u00e3o toma conta do local, no regresso ao acampamento do Projeto Biodiversidade. A partir dali, coordenam-se com os volunt\u00e1rios as patrulhas noturnas que acontecem todos os dias durante a temporada de nidifica\u00e7\u00e3o e desova (de junho a outubro). Atrav\u00e9s de um drone, a equipa percorre aquela parte da costa em busca de tartarugas que possam estar a sair do mar ou de amea\u00e7as que v\u00e3o desde c\u00e3es at\u00e9 ca\u00e7adores furtivos.<\/p>\n<p>Albert refere que, apesar de ter diminu\u00eddo e desde 2018 ser crime ca\u00e7ar tartarugas em Cabo Verde, este comportamento ainda continua a existir. O consumo de carne de tartaruga marinha \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o de longa data no arquip\u00e9lago, assim como o consumo de ovos, em algumas ilhas, e a ca\u00e7a de machos.<\/p>\n<p>De forma a habituar a vis\u00e3o \u00e0 aus\u00eancia de luz, guardamos os telem\u00f3veis e outros ecr\u00e3s na mochila, atentando \u00e0s explica\u00e7\u00f5es de Albert, enquanto nos preparamos para partir numa das patrulhas noturnas. <strong>Camuflados pela escurid\u00e3o<\/strong> \u2013 uma das indica\u00e7\u00f5es \u00e9 usar roupa escura \u2013 caminhamos em sil\u00eancio de volta \u00e0 praia. Ao sinal de uma tartaruga, todo o grupo tem de abaixar-se e manter-se im\u00f3vel.<\/p>\n<p>N\u00e3o demora muito at\u00e9 que Albert veja o rasto de uma tartaruga na areia, o qual, com algum esfor\u00e7o, tamb\u00e9m conseguimos ver. O bi\u00f3logo segue sozinho para verificar a situa\u00e7\u00e3o, chamando, depois, o resto do grupo para observar o processo de nidifica\u00e7\u00e3o e desova. Enquanto este acontece, os volunt\u00e1rios medem a tartaruga e, ap\u00f3s verificar a sua aus\u00eancia, instalam um chip numa das barbatanas de forma a acompanh\u00e1-la. A \u00fanica fonte de luz \u00e9 de cor vermelha por n\u00e3o afetar o animal. Quando, finalmente, a tartaruga come\u00e7a a tapar o ninho com areia, recebemos indica\u00e7\u00f5es para deixar o local.<\/p>\n<p><strong>No caminho de regresso, vemos um grupo de turistas que acompanha outra tartaruga<\/strong>. Existem operadores certificados pelo governo que fazem excurs\u00f5es de observa\u00e7\u00e3o de tartarugas marinhas, de forma a garantir uma explora\u00e7\u00e3o tur\u00edstica sustent\u00e1vel na \u00e9poca da nidifica\u00e7\u00e3o. H\u00e1, inclusive, muitos turistas que v\u00eam de prop\u00f3sito ao Sal para acompanhar este momento.<\/p>\n<p>O dif\u00edcil equil\u00edbrio entre o crescimento do turismo e a conserva\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 um dos desafios enfrentados pelo Projeto Biodiversidade que, al\u00e9m das tartarugas marinhas, atua na preserva\u00e7\u00e3o de outras esp\u00e9cies, como as aves, e, mais recentemente, os tubar\u00f5es-lim\u00e3o que se transformaram noutra atra\u00e7\u00e3o da ilha. \u201cTrabalhamos em todo o ecossistema e apostamos no trabalho com a comunidade para que a comunidade tamb\u00e9m possa ajudar na conserva\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Albert.<\/p>\n<p>\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1760467395_394_thumbs.web.sapo.io\"  alt=\"Mapa da viagem pela ilha do Sal\" loading=\"true\"\/><\/p>\n<p>Empreendedorismo e forma\u00e7\u00e3o, aliados do turismo no Sal<\/p>\n<p>O dia nasce em Santa Maria, com a luz da manh\u00e3 a revelar o azul magn\u00e9tico do mar e as cores da cidade, dos muitos murais de arte urbana ao barcos junto ao pont\u00e3o. Apesar de ser uma ilha pequena, <strong>o Sal \u00e9 o destino mais tur\u00edstico de Cabo Verde<\/strong>. No ano passado, o pa\u00eds insular bateu um recorde e recebeu 1,2 milh\u00f5es de turistas \u2013 a maioria (cerca de 60%) escolheu ir para a ilha do Sal. De acordo com o Instituto Nacional de Estat\u00edstica de Cabo Verde, o principal mercado emissor de turistas foi o Reino Unido, seguindo-se Alemanha, Pa\u00edses Baixos, Portugal e Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1760467396_75_thumbs.web.sapo.io\"  alt=\"Pont\u00e3o de Santa Maria, Sal, Cabo Verde\" loading=\"true\"\/><\/p>\n<p>Na cidade mais tur\u00edstica da ilha, as constru\u00e7\u00f5es simples e inacabadas dos locais contrastam com os resorts luxuosos na primeira linha de praia, onde os jardins verdejantes e as grandes piscinas quase nos fazem esquecer da aridez caracter\u00edstica do territ\u00f3rio da ilha onde apenas uma pequena parte \u00e9 cultiv\u00e1vel.<\/p>\n<p>No Mercado Municipal de Santa Maria, um grupo de jovens est\u00e1 atarefado na cozinha a preparar o almo\u00e7o, enquanto nas bancas de frutas e vegetais \u2013 quase todos importados \u2013 os sorrisos das vendedoras recebem quem chega. Ali decorre um projeto que tenta responder a uma das demandas do crescimento do turismo: <strong>a procura por m\u00e3o de obra qualificada<\/strong>.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s da TUI Academy, <strong>jovens t\u00eam acesso a uma forma\u00e7\u00e3o num dos muitos setores do turismo<\/strong>, da hospitalidade \u00e0 gastronomia. Nesta \u00faltima edi\u00e7\u00e3o que terminou em setembro, 350 jovens de comunidades desfavorecidas tiveram forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para atuarem na \u00e1rea de Food and Beverage (F&amp;B). A pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o contar\u00e1 com oferta formacional em campos mais t\u00e9cnicos da hospitalidade.<\/p>\n<p>Eliano Monteiro foi um dos alunos do curso que j\u00e1 est\u00e1 a trabalhar \u201cgra\u00e7as a esta forma\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cEu estava perdido, se n\u00e3o fosse esse curso n\u00e3o saberia muito bem o que fazer, agora estou a trabalhar e quero estudar mais\u201d, conta ao SAPO o jovem de 22 anos, natural da ilha do Sal.<\/p>\n<p>\u201cTenho muito orgulho neste programa porque mudamos vidas\u201d, afirma H\u00e9lder Martins, chef da TUI Academy Cabo Verde, projeto que funciona em parceria com a Escola de Hotelaria e Turismo do pa\u00eds e que garante n\u00e3o s\u00f3 forma\u00e7\u00e3o especializada, como tamb\u00e9m uma rede de apoio para m\u00e3es solteiras que queiram investir na sua forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o muito longe dali, encontramos outro lugar que serve como polo para novas ideias na \u00e1rea do turismo e inova\u00e7\u00e3o social com o prop\u00f3sito de <strong>ajudar a popula\u00e7\u00e3o local a beneficiar das oportunidades geradas por este crescimento tur\u00edstico<\/strong>. \u00c9 a TUI Futureshaper House, um lugar para o empreendedorismo e as novas ideias, onde todos s\u00e3o bem-vindos. \u201cQueremos criar uma comunidade forte, ajudar os jovens e projetos locais\u201d, explica Ayla Delgado, respons\u00e1vel pela comunica\u00e7\u00e3o da Futureshaper House Cabo Verde.<\/p>\n<p>O ambiente \u00e9 leve e disruptivo entre as quatro salas do espa\u00e7o aberto desde 2023. H\u00e1, inclusive, uma sala de coworking que tem atra\u00eddo n\u00f3madas digitais. Dos \u201cEureka Moments\u201d ao \u201cCaf\u00e9 de Neg\u00f3cios\u201d, a agenda mensal da Futureshaper House \u00e9 recheada de eventos, encontros e workshops. O novo programa a decorrer at\u00e9 2027 pretende formar 200 estudantes e apoiar 80 neg\u00f3cios e 20 organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Os cabo-verdianos t\u00eam esp\u00edrito empreendedor e boas ideias, mas muitos precisam de ajuda para concretiz\u00e1-las<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u00c9 caso para dizer que est\u00e3o lan\u00e7adas as sementes para a cria\u00e7\u00e3o de uma comunidade empreendedora forte da ilha do Sal. At\u00e9 porque, segundo Ayla, \u201cos cabo-verdianos t\u00eam esp\u00edrito empreendedor e boas ideias, mas muitos precisam de ajuda para concretiz\u00e1-las\u201d.<\/p>\n<p>Foi esse esp\u00edrito empreendedor que levou a fam\u00edlia de Mirri Lobo a apostar no <strong>primeiro projeto de agricultura hidrop\u00f3nica no Sal<\/strong>. O caminho at\u00e9 a propriedade da Milot Hydroponics, na Palha Verde, releva a aridez da ilha: o terreno \u00e9 plano, a terra ocre assemelha-se a um deserto. \u201cNada cresce na ilha. Um dos nossos maiores problemas \u00e9 o acesso \u00e0 \u00e1gua\u201d, diz Mirri Lobo que, juntamente com a irm\u00e3, come\u00e7ou o neg\u00f3cio h\u00e1 quase 25 anos. No Sal, n\u00e3o existem fontes de \u00e1gua, esta \u00e9 obtida atrav\u00e9s dos processos de dessaliniza\u00e7\u00e3o e osmose.\u00a0<\/p>\n<p>O verde da quinta da Milot contrasta com a paisagem quase lunar \u00e0 volta e \u00e9 um verdadeiro o\u00e1sis de frescura naquela parte da ilha. \u201cCome\u00e7amos com o tomate, fomos afetados por uma praga e tivemos de diversificar\u201d, lembra Mirri, CEO da Milot Hydroponics. Depois da pandemia, decidiram apostar no cultivo de mais produtos e hoje t\u00eam mais de 20 variedades de verduras, ervas arom\u00e1ticas, frutas e legumes. A hidroponia \u00e9 uma t\u00e9cnica de cultivo em que as plantas crescem na \u00e1gua que \u00e9 enriquecida com nutrientes essenciais para o crescimento.\u00a0<\/p>\n<p>Em 2022, a Milot Hydroponics recebeu um novo impulso com a entrada para o\u00a0TUI Field to Fork. O programa visa ajudar agricultores na implementa\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis e regenerativas, al\u00e9m de fortalecer a carteira de clientes. Por exemplo, no caso da Milot, 50 por cento da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 escoada para hot\u00e9is da ilha, enquanto a outra metade \u00e9 para lojas locais. <strong>Atualmente, existem outros projetos de hidroponia no Sal<\/strong>, muitos deles impulsionados pelo exemplo da Milot que este ano termina a parceria com a TUI Field to Fork. Mas o programa continuar\u00e1, agora com outro participante tamb\u00e9m nesta \u00e1rea da agricultura hidrop\u00f3nica, uma vez que n\u00e3o faltam ideias de neg\u00f3cios a florescer na ilha do Sal.<\/p>\n<p>O SAPO visitou a ilha do Sal a convite da TUI Care Foundation<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"S\u00e3o 16h30 de uma tarde quente de setembro numa praia da ilha do Sal e um grupo de&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":110855,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[27,28,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-110854","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-featured-news","11":"tag-featurednews","12":"tag-headlines","13":"tag-latest-news","14":"tag-latestnews","15":"tag-main-news","16":"tag-mainnews","17":"tag-mundo","18":"tag-news","19":"tag-noticias","20":"tag-noticias-principais","21":"tag-noticiasprincipais","22":"tag-principais-noticias","23":"tag-principaisnoticias","24":"tag-top-stories","25":"tag-topstories","26":"tag-ultimas","27":"tag-ultimas-noticias","28":"tag-ultimasnoticias","29":"tag-world","30":"tag-world-news","31":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110854","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=110854"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110854\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/110855"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=110854"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=110854"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=110854"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}