{"id":11113,"date":"2025-08-01T03:37:13","date_gmt":"2025-08-01T03:37:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/11113\/"},"modified":"2025-08-01T03:37:13","modified_gmt":"2025-08-01T03:37:13","slug":"um-eletricista-contra-a-corrente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/11113\/","title":{"rendered":"Um eletricista contra a corrente"},"content":{"rendered":"<p>Foi ao imergir na rotina de sua casa em obras que Augusto Massi pensou em escrever Eletricista. E, em uma nova parceria com Daniel Kondo, escritor e ilustrador criaram um livro po\u00e9tico e altamente expressivo sobre o afeto e sobre um pai provedor.<\/p>\n<p>Massi inicia a primeira camada dessa narrativa com a rela\u00e7\u00e3o entre la\u00e7os familiares e a rede el\u00e9trica de um universo t\u00e3o particular quanto a nossa casa. Kondo, que tem a materialidade como um elemento forte e presente em seu trabalho, amalgamou suas imagens ao texto em um processo<br \/>de cria\u00e7\u00e3o que durou dez anos e algumas vers\u00f5es jogadas no lixo.<\/p>\n<p>Em alguns momentos, nesse ritual entre o \u201ctempo-massi\u201d e o \u201ctempo-kondo\u201d, eles cortavam ora o texto, ora a imagem e, assim, Eletricista foi amadurecendo e deixando de ser apenas sobre os dois. O eletricista pode ser branco, nip\u00f4nico, negro ou pardo. Mas sabemos que \u00e9 um homem, um pai, e, atrav\u00e9s dele, percebemos a invisibilidade de uma profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>A primeira esfera do livro \u00e9 sobre a rela\u00e7\u00e3o familiar e suas met\u00e1foras entre o afeto e a energia el\u00e9trica; a segunda \u00e9 sobre a import\u00e2ncia dessa profiss\u00e3o, que ganha mais nitidez a partir da progress\u00e3o de se ter luz dentro da casa, depois no quarteir\u00e3o, nos fios de alta tens\u00e3o, na hidrel\u00e9trica, na escola, nos hospitais, no campo de futebol, at\u00e9 chegarmos \u00e0 Lua. \u201cSe os astronautas pisaram na Lua, \u00e9 porque eletricistas do mundo inteiro contribu\u00edram de alguma forma.\u201d<\/p>\n<p>\t\t\t<a data-no-instant=\"1\" href=\"https:\/\/quatrocincoum.com.br\/assine\" rel=\"noopener nofollow sponsored\" class=\"adv-link\" target=\"_blank\" aria-label=\"Group 3008\"><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns='http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg'%20viewBox='0%200%201056%20270'%3E%3C\/svg%3E\" alt=\"\" width=\"1056\" height=\"270\" data-lazy-src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Group-3008-1.png\"\/><\/p>\n<p><\/a><\/p>\n<p>Nesse momento, o livro n\u00e3o \u00e9 mais sobre o pai, presente e delicado. \u00c9 sobre uma diferen\u00e7a social que s\u00f3 \u00e9 vis\u00edvel por um sobrevoo.<\/p>\n<p>A base de inspira\u00e7\u00e3o est\u00e9tica do livro foi o construtivismo russo, no qual os her\u00f3is da revolu\u00e7\u00e3o de 1917 eram t\u00e3o invis\u00edveis quanto os eletricistas, os carpinteiros e os artes\u00e3os.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"899\" height=\"676\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns='http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg'%20viewBox='0%200%20899%20676'%3E%3C\/svg%3E\" alt=\"\" data-lazy- data-lazy- data-lazy-src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Augusto-MassiPrancheta-5.png\"\/><\/p>\n<p>Os autores Augusto Massi e Daniel Kondo (Divulga\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>O mundo do eletricista \u00e9 um mundo muito material, assim como o dos her\u00f3is da Revolu\u00e7\u00e3o Russa. Estes usavam instrumentos met\u00e1licos (armas, p\u00e1s), a exemplo dos fios do eletricista. Por isso, Kondo fez o livro todo usando o sistema de cores pantone met\u00e1lico e ilustrou a luz\u00ad-energia em pantone neon. Cria-se, ent\u00e3o, um equil\u00edbrio entre tons frios como os metais das ferramentas e os tons brilhantes da energia el\u00e9trica.<\/p>\n<p>Experimenta\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Eletricista \u00e9 dedicado a Angela Lago (1945-2017). Escritora e ilustradora, ela foi uma importante autora de livros para a inf\u00e2ncia com um trabalho voltado \u00e0 experimenta\u00e7\u00e3o e \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica do livro como suporte.<\/p>\n<p>A partir da d\u00e9cada de 1990, no Brasil, houve fatores pol\u00edticos e econ\u00f4micos que impactaram o mercado editorial e influenciaram a elabora\u00e7\u00e3o do livro como objeto. O primeiro deles foi em 1992, quando chegou ao fim a Pol\u00edtica Nacional de Inform\u00e1tica (PNI), que proibia a importa\u00e7\u00e3o de computadores at\u00e9 aquele ano.<\/p>\n<blockquote class=\"s-eye dashed-top\"><p>\n    O mundo do eletricista \u00e9 um mundo muito material, assim como o dos her\u00f3is da Revolu\u00e7\u00e3o Russa\n<\/p><\/blockquote>\n<p>Foi essa abertura de mercado que possibilitou a chegada dos computadores nas reda\u00e7\u00f5es, gr\u00e1ficas e editoras. Dois anos depois, a estabilidade econ\u00f4mica trazida pelo Plano Real, em 1994, a baixa do d\u00f3lar no ano seguinte, a evolu\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria gr\u00e1fica e o advento da internet provocaram mudan\u00e7as marcantes na forma de trabalhar.<\/p>\n<p>O novo contexto trouxe um olhar renovado para o modo de produzir esses livros e, consequentemente, para a rela\u00e7\u00e3o entre o texto, a imagem e o suporte do livro. Al\u00e9m das gr\u00e1ficas, os profissionais liberais (freelancers) tamb\u00e9m se apropriaram dos computadores, scanners, m\u00e1quinas fotogr\u00e1ficas digitais e outras tecnologias como instrumentos de trabalho.<\/p>\n<p>Todas essas inova\u00e7\u00f5es favoreceram um alto \u00edndice de experimenta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e gr\u00e1fica, elementos essenciais para a constru\u00e7\u00e3o do livro\u00ad-\u00e1lbum, uma obra em que o suporte, a narrativa textual e a narrativa visual se misturam. O design interage com o texto e com a imagem em um di\u00e1logo cont\u00ednuo de tr\u00eas vozes. A narrativa vai surgir, assim, de infinitas possibilidades e articula\u00e7\u00f5es, de acordo com o que se quer expressar.<\/p>\n<p>Massi e Kondo vivenciaram essa transi\u00e7\u00e3o j\u00e1 inseridos no mercado de trabalho. Isso de alguma forma explica por que Eletricista \u00e9 t\u00e3o bem elaborado, com uma rela\u00e7\u00e3o precisa entre texto e imagem, e dedicado a Angela Lago. O texto de quarta capa n\u00e3o deixa por menos: \u00e9 de Chico Homem de Melo \u2014 designer, professor e grande pesquisador do design gr\u00e1fico brasileiro.<\/p>\n<p>Se a d\u00e9cada de 1990 foi um per\u00edodo que proporcionou ao mercado editorial toda essa elabora\u00e7\u00e3o e experimenta\u00e7\u00e3o, o ano de 2025 n\u00e3o segue na mesma toada. S\u00e3o poucas as editoras que hoje em dia \u2014 por uma quest\u00e3o de custo \u2014 podem bancar a publica\u00e7\u00e3o de um livro tecnicamente t\u00e3o sofisticado quanto o Eletricista. O que o torna, como Homem de Melo escreveu, um livro contracorrente.<\/p>\n<p>\t<a data-no-instant=\"1\" href=\"https:\/\/quatrocincoum.com.br\/assine\" rel=\"noopener nofollow sponsored\" class=\"adv-link\" target=\"_blank\" aria-label=\"Group 3010\"><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns='http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg'%20viewBox='0%200%201056%20270'%3E%3C\/svg%3E\" alt=\"\" width=\"1056\" height=\"270\" data-lazy-src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Group-3010-1.png\"\/><\/p>\n<p><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Foi ao imergir na rotina de sua casa em obras que Augusto Massi pensou em escrever Eletricista. 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