{"id":112043,"date":"2025-10-15T17:47:07","date_gmt":"2025-10-15T17:47:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/112043\/"},"modified":"2025-10-15T17:47:07","modified_gmt":"2025-10-15T17:47:07","slug":"livro-brasil-1500-1549-faz-releitura-critica-de-primeiros-relatos-de-contatos-entre-europeus-e-indigenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/112043\/","title":{"rendered":"Livro \u2018Brasil 1500\u20131549\u2019 faz releitura cr\u00edtica de primeiros relatos de contatos entre europeus e ind\u00edgenas"},"content":{"rendered":"<p>\n                                                O livro Br\u00e9sil 1500-1549: Les premi\u00e8res cartes r\u00e9cits &amp; t\u00e9moignages (Brasil 1500-1549: primeiros mapas, relatos e testemunhos) \u00e9 uma colet\u00e2nea de 12 textos primordiais, ilustrados com imagens de \u00e9poca, que abordam a chegada dos europeus e os primeiros contatos com os povos origin\u00e1rios. A publica\u00e7\u00e3o prop\u00f5e uma releitura cr\u00edtica desses relatos e imagens, aprofundando o olhar para revelar estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia dos ind\u00edgenas.\u00a0                    <\/p>\n<p>Segundo a carta de Pero Vaz de Caminha, os portugueses chegaram ao Brasil em 22 de abril de 1500. Esse texto inaugural do &#8220;achamento&#8221; da nova terra pela armada de Pedro \u00c1lvares Cabral acaba de ser republicado na Fran\u00e7a pela editora Chandeigne. A carta, endere\u00e7ada ao rei Dom Manuel I de Portugal, abre a colet\u00e2nea.<\/p>\n<p>Brasil 1500-1549 \u00e9 uma reedi\u00e7\u00e3o ampliada e ilustrada do livro A Descoberta do Brasil, publicado em 2000 tamb\u00e9m pela Chandeigne. A nova edi\u00e7\u00e3o conta com um pref\u00e1cio in\u00e9dito de Ilda Mendes dos Santos, professora da Universidade Sorbonne Nouvelle \u2013 Paris 3. As ci\u00eancias sociais e hist\u00f3ricas evolu\u00edram nos \u00faltimos 25 anos, e a mudan\u00e7a do t\u00edtulo se mostrou necess\u00e1ria. A leitura contempor\u00e2nea identifica, nessas narrativas, estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia dos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>\u201cFalar em descoberta, ou mesmo usar a palavra encontro, suscita disson\u00e2ncias e pol\u00eamicas, pois desde 2000 houve um intenso trabalho nas ci\u00eancias sociais e hist\u00f3ricas para restituir o lugar daqueles que foram colonizados e escravizados. Por isso, pensamos a complexidade em constru\u00e7\u00e3o, para recuperar tamb\u00e9m parte da a\u00e7\u00e3o, da rea\u00e7\u00e3o e da pondera\u00e7\u00e3o dos povos contactados, que os textos tamb\u00e9m revelam\u201d, explica a organizadora Ilda Mendes dos Santos.<\/p>\n<p>\n                        {{ scope.counterText }}\n                    <\/p>\n<p>                    {{ scope.legend }}<\/p>\n<p>                        \u00a9 {{ scope.credits }}<\/p>\n<p>A colet\u00e2nea traz a tradu\u00e7\u00e3o para o franc\u00eas de 12 relatos, cartas e ilustra\u00e7\u00f5es. Os documentos expressam, al\u00e9m das imagens de uma terra paradis\u00edaca e de ind\u00edgenas d\u00f3ceis, ambival\u00eancias, perplexidades, fasc\u00ednio, medo, viol\u00eancia e ironias sobre as primeiras d\u00e9cadas da presen\u00e7a portuguesa e o contato fatal, mas irrevers\u00edvel, com os povos origin\u00e1rios. Tudo \u00e9 filtrado pelo olhar europeu.<\/p>\n<p>As ilustra\u00e7\u00f5es, gravuras de \u00e9poca e mapas, de impressionante precis\u00e3o, dialogam com os textos. As imagens trazem clich\u00eas e fabula\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m ind\u00edcios dos saberes ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 uma escola brasileira de cartografia que est\u00e1 revisitando o que esses mapas dizem. N\u00e3o devemos ver essas imagens apenas como ilustra\u00e7\u00f5es ou fabula\u00e7\u00f5es ocidentais. \u00c9 preciso analisar os corpos, as tatuagens, os gestos. Ver tamb\u00e9m a complexidade da nomea\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas, que podem estar representados por artefatos ou pinturas corporais. Essas representa\u00e7\u00f5es dizem algo que foi observado, e \u00e9 importante lembrar que nossos saberes est\u00e3o sempre em constru\u00e7\u00e3o e devem ser constantemente confrontados\u201d, salienta.<\/p>\n<p> O primeiro franc\u00eas a desembarcar no Brasil <\/p>\n<p>Entre os 12 textos, est\u00e1 o relato da viagem do franc\u00eas Gonneville a Santa Catarina, em 1503, que teria sido o primeiro franc\u00eas a desembarcar no Brasil. Como outras na\u00e7\u00f5es, a Fran\u00e7a contestou a divis\u00e3o do mundo entre portugueses e espanh\u00f3is estabelecida pelo Tratado de Tordesilhas e enviou, desde os primeiros anos do s\u00e9culo XVI, expedi\u00e7\u00f5es \u00e0 costa brasileira. No entanto, a historiografia atual questiona a veracidade da viagem de Gonneville.<\/p>\n<p>O texto pode ter sido uma fic\u00e7\u00e3o criada no s\u00e9culo XVII, mas Ilda Mendes dos Santos optou por mant\u00ea-lo na colet\u00e2nea por ter alimentado o imagin\u00e1rio hist\u00f3rico e cultural da rela\u00e7\u00e3o Fran\u00e7a-Brasil. O relato da viagem de Paulmier de Gonneville, que teria trazido para a Fran\u00e7a o primeiro ind\u00edgena brasileiro, virou livro de sucesso, inspirou filmes, como o curta Uns e Outros, de Tunico Am\u00e2ncio, e \u00e9 celebrado em Santa Catarina.<\/p>\n<p>\u201cOs registros cartogr\u00e1ficos e os testemunhos dos primeiros contatos franceses com o Brasil datam apenas de 1520, e n\u00e3o de 1505, como dizia Gonneville. Apesar disso, o que o relato diz sobre esses primeiros contatos \u00e9 plaus\u00edvel. E mais: esse texto abriu um imagin\u00e1rio, uma hist\u00f3ria em Santa Catarina. N\u00e3o \u00e9 apenas uma filia\u00e7\u00e3o folcl\u00f3rica. Temos comemora\u00e7\u00f5es desde o s\u00e9culo XIX, mas sobretudo nos \u00faltimos 21 anos. Isso tamb\u00e9m precisa ser levado em conta\u201d, defende.<\/p>\n<p> Nomes m\u00faltiplos <\/p>\n<p>Novo Mundo, Ilha de Vera Cruz, Terra de Santa Cruz, Terra dos Papagaios, Canibais, Terra do Brasil. No in\u00edcio, o territ\u00f3rio recebeu muitos nomes. A impress\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o desses primeiros relatos e ilustra\u00e7\u00f5es desde o s\u00e9culo XVI foram fundamentais para consolidar o nome \u201cBrasil\u201d, oriundo da principal riqueza local, e para construir um imagin\u00e1rio coletivo sobre a terra conquistada pelos portugueses. A colet\u00e2nea termina com a carta do primeiro governador-geral do Brasil, Tom\u00e9 de Sousa, ao rei Dom Jo\u00e3o III, que marca o in\u00edcio de uma verdadeira pol\u00edtica de coloniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\n                        {{ scope.counterText }}\n                    <\/p>\n<p>                    {{ scope.legend }}<\/p>\n<p>                        \u00a9 {{ scope.credits }}<\/p>\n<p>     E hoje? <\/p>\n<p>Citando o fil\u00f3sofo e ambientalista ind\u00edgena <a href=\"https:\/\/www.google.com\/url?sa=t&amp;source=web&amp;rct=j&amp;opi=89978449&amp;url=https:\/\/www.rfi.fr\/br\/podcasts\/planeta-verde\/20250501-em-confer\u00eancia-em-paris-imortal-ailton-krenak-critica-cop30-e-planos-de-petr\u00f3leo-na-amaz\u00f4nia&amp;ved=2ahUKEwjJ8r_WkKSQAxXWT6QEHSGbBiMQFnoECCAQAQ&amp;usg=AOvVaw2oUPkOaQ2VcOm008fkDIPk\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Ailton Krenak<\/a>, Ilda Mendes dos Santos desenvolve a tese do &#8220;eterno retorno do encontro&#8221;.<\/p>\n<p>\u201cQuando Ailton Krenak fala do \u2018eterno retorno do encontro\u2019, ele aponta que o texto de Caminha, o texto de Vesp\u00facio, revelam essa ambival\u00eancia do contato, que pode ser mortal, mas que tamb\u00e9m continua at\u00e9 os dias de hoje. O Brasil \u00e9 muita terra (&#8230;) ainda muito injusti\u00e7ada, muito desigual, muito violenta, e \u00e9 o que dizem esses processos descont\u00ednuos\u201d, conclui Ilda Mendes dos Santos.<\/p>\n<p>Brasil 1500-1549 foi publicado em franc\u00eas pela editora Chandeigne, em formato de livro de bolso, com o objetivo de facilitar a circula\u00e7\u00e3o dos textos essenciais sobre o in\u00edcio do contato entre europeus e povos origin\u00e1rios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O livro Br\u00e9sil 1500-1549: Les premi\u00e8res cartes r\u00e9cits &amp; t\u00e9moignages (Brasil 1500-1549: primeiros mapas, relatos e testemunhos) \u00e9&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":112044,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,726,315,114,115,736,13639,237,170,32,26477,33,679],"class_list":{"0":"post-112043","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-brasil","10":"tag-cultura","11":"tag-entertainment","12":"tag-entretenimento","13":"tag-historia","14":"tag-indigenas","15":"tag-livro","16":"tag-livros","17":"tag-portugal","18":"tag-povos-originarios","19":"tag-pt","20":"tag-reportagem"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/112043","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=112043"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/112043\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/112044"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=112043"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=112043"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=112043"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}