{"id":112422,"date":"2025-10-15T23:19:12","date_gmt":"2025-10-15T23:19:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/112422\/"},"modified":"2025-10-15T23:19:12","modified_gmt":"2025-10-15T23:19:12","slug":"cristovao-tezza-enfrenta-a-historia-do-proprio-pai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/112422\/","title":{"rendered":"Cristov\u00e3o Tezza enfrenta a hist\u00f3ria do pr\u00f3prio pai"},"content":{"rendered":"<p>Quando tinha 20 anos e estava no quartel, Jo\u00e3o Batista Tezza come\u00e7ou a transcrever em um caderno escolar as cartas que enviava e as que recebia. Ele n\u00e3o parecia ter nenhuma ambi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, o impulso era mais de um arquivista que de um escritor. Um impulso que durou quase tr\u00eas d\u00e9cadas e 26 cadernos, at\u00e9 Jo\u00e3o Batista morrer em um acidente de lambreta em 1959.\u00a0<\/p>\n<p>Esses cadernos est\u00e3o na origem de \u201cVisita ao pai\u201d, livro que <a href=\"https:\/\/cristovaotezza.com.br\/?ref=plural.jor.br\" rel=\"noreferrer nofollow noopener\" target=\"_blank\">Cristov\u00e3o Tezza<\/a> lan\u00e7a na ter\u00e7a-feira (21), \u00e0s 19 horas, na Livraria da Vila, dentro do Shopping P\u00e1tio Batel.\u00a0<\/p>\n<p>No livro, Cristov\u00e3o, o filho de Jo\u00e3o Batista, encara os cadernos do pai como uma esp\u00e9cie de detetive do pr\u00f3prio passado. A partir das anota\u00e7\u00f5es, ele entra em contato com esse homem que se tornou adulto no Brasil de Get\u00falio Vargas e vai criando a figura do pai de que se lembra pouco, quase nada. Ele tinha 6 anos quando perdeu o pai.\u00a0<\/p>\n<p>Em \u201cO filho eterno\u201d (2007), Tezza se apropriou da autobiografia e do romance, criando um \u201ch\u00edbrido liter\u00e1rio\u201d para contar a hist\u00f3ria de um homem pai de um menino com S\u00edndrome de Down. \u201cA pr\u00f3pria escrita foi me levando nessa dire\u00e7\u00e3o\u201d, explica.<\/p>\n<p>Agora, com \u201cVisita ao pai\u201d, definir o g\u00eanero do livro ficou um pouco mais complicado. Em entrevista ao <strong>Plural<\/strong>, Tezza prefere eliminar hip\u00f3teses: o livro n\u00e3o \u00e9 uma biografia do pai, n\u00e3o \u00e9 um estudo sobre uma fase da hist\u00f3ria do Brasil e n\u00e3o \u00e9 um romance tradicional..\u00a0<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, o escritor fala sobre como foi lidar com hist\u00f3rias de fam\u00edlia que s\u00e3o herdadas, mas raramente investigadas; analisa os caminhos contempor\u00e2neos da literatura e da fic\u00e7\u00e3o; e define o livro novo como \u201cuma viagem liter\u00e1ria\u201d.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Os 26 cadernos do seu pai estavam na fam\u00edlia desde sempre. Ao longo dos anos, quatro se perderam. E voc\u00ea come\u00e7ou a ler os 22 que restaram durante a pandemia, quando voc\u00ea j\u00e1 tinha mais de 60 anos. Por que voc\u00ea demorou tanto para ler esses cadernos? E qual foi o impulso que te levou a fazer isso depois de todo esse tempo?<\/strong><\/p>\n<p>Os cadernos do meu pai eram uma esp\u00e9cie de ba\u00fa fechado no s\u00f3t\u00e3o da fam\u00edlia: estavam l\u00e1, desde sempre, como parte de uma certa mitologia familiar, uma rel\u00edquia afetiva. Nas poucas vezes em que eu os folheava, aqui e ali, n\u00e3o encontrava nada de fato especialmente interessante \u2013 eram pura transcri\u00e7\u00e3o de cartas e documentos, e n\u00e3o um di\u00e1rio, um espa\u00e7o de reflex\u00e3o ou mesmo algum voo liter\u00e1rio. Durante d\u00e9cadas, n\u00e3o me detive neles mais do que alguns minutos, ao acaso, garimpando curiosidades, para fech\u00e1-los em seguida e cuidar da minha vida.<\/p>\n<p>Mas por alguma raz\u00e3o que desconhe\u00e7o, talvez uma certa maturidade contemplativa que o tempo nos d\u00e1, de repente comecei a me interessar pelas cartas. Terminando meu \u00faltimo romance, \u201cBeatriz e o poeta\u201d, em plena pandemia, senti desejo de enfrentar a hist\u00f3ria do meu pai, com quem de fato convivi muito pouco: ele morreu quando eu tinha seis anos.<\/p>\n<p><strong>Em que momento voc\u00ea teve certeza de que poderia escrever um livro a partir desses cadernos?<\/strong><\/p>\n<p>Bem, o impulso de mergulhar nos cadernos j\u00e1 era em si um projeto liter\u00e1rio, ainda que difuso. Eu n\u00e3o sabia bem o que queria \u2014 teria de descobrir lendo a correspond\u00eancia; ela me daria alguma chave. H\u00e1 uma fam\u00edlia grande de escritores que nunca sabem previamente por que fazem o que fazem; o ato de escrever \u00e9 que vai dar a resposta. Eu sou deste ramo. De certa forma, igual a meu pai: por que algu\u00e9m resolve aos 20 anos transcrever em cadernos todas \u2014 e s\u00e3o rigorosamente todas \u2014 as cartas que escreve ao longo da vida inteira?<\/p>\n<p><strong>Nas primeiras p\u00e1ginas do livro, voc\u00ea define os cadernos como sendo \u201canota\u00e7\u00f5es de um tabeli\u00e3o de si mesmo mantendo uma compuls\u00e3o infantil de arquivista\u201d. Voc\u00ea acha que seu pai, de alguma forma, estava pensando na posteridade desses cadernos? Voc\u00ea tem alguma teoria sobre os motivos que levaram seu pai a transcrever em cadernos todas as cartas que ele escreveu ao longo da vida inteira?<\/strong><\/p>\n<p>O que come\u00e7ou como um caderno escolar (no primeiro volume, as cartas se misturam com exerc\u00edcios e c\u00f3pias das aulas do quartel) certamente se transformou num projeto: ele &#8220;descobriu&#8221; a escrita.<\/p>\n<p>Em dois ou tr\u00eas momentos, anos depois, h\u00e1 refer\u00eancias ao &#8220;romance da minha vida&#8221;, mas sempre (defensivamente) como uma brincadeira. Eu acho que essa ideia nunca o abandonou completamente.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m penso que a transcri\u00e7\u00e3o obsessiva era um modo de ele &#8220;controlar a vida&#8221;.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o sei exatamente. O impressionante \u00e9 que ele jamais deixou de anotar, em nenhum per\u00edodo. No m\u00e1ximo duas ou tr\u00eas semanas sem correspond\u00eancia anotada, quase sempre porque os amigos (ou a minha m\u00e3e) estavam na mesma cidade.<\/p>\n<p>E o interessante \u00e9 que ele s\u00f3 transcreve \u201cdocumentos\u201d \u2013 n\u00e3o\u00a0 h\u00e1 reflex\u00f5es soltas ou avulsas em nenhum momento.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o \u00e9 isso, Irin\u00eao. N\u00e3o sei a resposta!<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea descreve \u201cVisita ao pai\u201d como um livro de n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o, mas com uma \u201cpercep\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria do mundo\u201d. Voc\u00ea tamb\u00e9m se referiu ao livro como um \u201cromance da mem\u00f3ria\u201d e uma autobiografia do seu pai. Para complicar um pouco mais, nos dados de cataloga\u00e7\u00e3o, o livro \u00e9 definido como \u201cfic\u00e7\u00e3o brasileira\u201d. Sei que falar de r\u00f3tulos \u00e0s vezes pode ser chato, mas essa quest\u00e3o do que \u00e9 o livro \u2013 ou do que o livro se tornou \u2013 me parece fascinante. Voc\u00ea pensou nessa quest\u00e3o enquanto escrevia ou essas defini\u00e7\u00f5es s\u00e3o tamb\u00e9m um modo de entender a obra agora que ela est\u00e1 pronta?<\/strong>\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 uma pergunta que eu mesmo me fa\u00e7o. E \u00e9 tamb\u00e9m uma quest\u00e3o dos caminhos contempor\u00e2neos da literatura e da fic\u00e7\u00e3o, quando o pr\u00f3prio conceito de realidade se esfarela na \u201cp\u00f3s-verdade\u201d. Eu j\u00e1 escrevi um pouco de tudo, da poesia de adolescente \u00e0 solidez do romance, passando por cr\u00f4nicas, ensaios, contos, resenhas e mem\u00f3rias. H\u00e1 um momento inicial em que todo escritor trabalha sobre g\u00eaneros perfeitamente estabelecidos, sob um impulso de imita\u00e7\u00e3o de formas, e esse \u00e9 um per\u00edodo tamb\u00e9m de dominar t\u00e9cnicas liter\u00e1rias e descobrir a pr\u00f3pria voz nessa selva sem fim. De um momento em diante, a quest\u00e3o deixa de ser relevante: a escrita liter\u00e1ria se sobrep\u00f5e como uma leitura aberta do mundo, uma leitura original, que usa todas as outras linguagens (filosofia, hist\u00f3ria, ci\u00eancia, sociologia, psicologia, religi\u00e3o, jornalismo\u2026) sem se identificar exatamente com nenhuma delas. Essa \u00e9 a alma original do romance, da sua linguagem, que sempre se recria atrav\u00e9s dos tempos. Ao contr\u00e1rio da Intelig\u00eancia Artificial, capaz de manobrar todos os dados do mundo e gerar em segundos uma forma neutra final, a escrita da literatura afirma o olhar intransfer\u00edvel do indiv\u00edduo e da condi\u00e7\u00e3o humana. \u00c9 exatamente, e s\u00f3 isso, que justifica a literatura: uma voz \u00fanica que se afirma. \u00c9 com ela que o leitor conversa.<\/p>\n<p>Eu chamo isso de percep\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria do mundo. Tenho pensado sobre isso e \u00e9 um tema que ainda quero desenvolver. Os temas que eu enfrento definem a sua linguagem e a sua forma. Quando escrevi \u201cO filho eterno\u201d, por exemplo, eu me apropriei da autobiografia e do romance, criando um h\u00edbrido liter\u00e1rio, porque eu senti que o tema pedia isso. A pr\u00f3pria escrita foi me levando nessa dire\u00e7\u00e3o. A forma fechada do romance, ou a forma fechada da autobiografia seriam insuficientes para dar conta do que eu tentava dizer.<\/p>\n<p>O caso de \u201cVisita ao pai\u201d \u00e9 mais complicado, porque havia muitas outras vari\u00e1veis poss\u00edveis. Eu posso definir o livro pelo que ele n\u00e3o \u00e9: n\u00e3o \u00e9 uma biografia, porque sua \u00fanica fonte s\u00e3o as cartas e a mem\u00f3ria familiar; n\u00e3o \u00e9 um estudo acad\u00eamico sociol\u00f3gico ou pol\u00edtico de uma fase da hist\u00f3ria do Brasil, recortada na microhist\u00f3ria do meu pai; n\u00e3o \u00e9 um romance tradicional, porque todas as figuras do livro s\u00e3o reais e t\u00eam certid\u00e3o de nascimento registrada em cart\u00f3rio. Tem um pouco de tudo isso, mas apenas como cen\u00e1rio. Sobre esse pano de fundo concreto da vida do meu pai eu fui contrapondo a minha pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o, como espelho e reflexo. \u00c9 a profunda subjetividade do livro, a constru\u00e7\u00e3o reflexiva de um pai desconhecido, que define \u201cVisita ao pai\u201d.<\/p>\n<p>Na verdade, a quest\u00e3o do \u201cg\u00eanero\u201d n\u00e3o me incomoda mais. Eu brinco dizendo que escrevi a \u201cAutobiografia do meu pai\u201d. \u201cVisita ao pai\u201d \u00e9 uma viagem liter\u00e1ria do come\u00e7o ao fim, e fico feliz quando o leitor sintoniza com esse esp\u00edrito.<\/p>\n<p><strong>No livro, voc\u00ea olha para o passado com olhos de s\u00e9culo 21, por assim dizer. O efeito disso \u00e9 que \u201cVisita ao pai\u201d fala de hist\u00f3rias ocorridas h\u00e1 mais de meio s\u00e9culo, mas revela coisas tamb\u00e9m sobre o presente, sobre o estado de coisas no pa\u00eds. Voc\u00ea acha que essa \u00e9 uma maneira v\u00e1lida de encarar o livro?<\/strong><\/p>\n<p>Certamente. Ningu\u00e9m escapa do pr\u00f3prio tempo. A leitura das cartas do meu pai, de 1931 a 1959, acabou por criar uma imagem redundante do Brasil, de uma esp\u00e9cie de eterno retorno. Ele se criou sob a ditadura Vargas; eu sob a ditadura militar. A grande transforma\u00e7\u00e3o do per\u00edodo, o que por tabela as cartas v\u00e3o deixando claro, \u00e9 a passagem turbulenta, frequentemente brutal, de um pa\u00eds rural para um pa\u00eds urbano, levando consigo a mesma cabe\u00e7a e a mesma cultura de origem. \u00c9 um pa\u00eds bic\u00e9falo: exportamos soja produzida com a mais sofisticada tecnologia do mundo, e importamos iPhones, que usamos como tacapes pr\u00e9-hist\u00f3ricos.\u2028<\/p>\n<p><strong>De certa forma, \u201cVisita ao pai\u201d \u00e9 tamb\u00e9m sobre o que fazer com hist\u00f3rias de fam\u00edlia que s\u00e3o herdadas e raramente investigadas. Qual foi o impacto que essa investiga\u00e7\u00e3o teve sobre voc\u00ea? E sobre a sua fam\u00edlia? <\/strong>\u00a0<\/p>\n<p>Meu livro foi avan\u00e7ando por instinto, enquanto eu lia as cartas \u2014 n\u00e3o fugi de fato de nenhum dos temas que transparecem na correspond\u00eancia, das intrigas de fam\u00edlia \u00e0 imagem do pa\u00eds. Quest\u00f5es raciais, econ\u00f4micas, morais, cada fio que emergia das cartas eu ia puxando para fora e mergulhando neles. Um dos impactos que senti foi a dist\u00e2ncia entre uma certa mitologia familiar \u2014 toda fam\u00edlia cria seu imagin\u00e1rio \u2014 e o que de fato se revelava nas cartas, a \u201cfam\u00edlia profunda\u201d, por assim dizer. O pr\u00f3prio livro avan\u00e7a refletindo com o leitor sobre seus dilemas. Em v\u00e1rios momentos senti que estava mexendo com vespeiros. Mas fui favorecido por dois fatores: o primeiro \u00e9 o pr\u00f3prio tempo. Tudo aconteceu h\u00e1 praticamente um s\u00e9culo; \u00e9 um livro que s\u00f3 poderia ser escrito a frio, com a defesa da dist\u00e2ncia. O segundo \u00e9 o fato de que n\u00e3o tive conviv\u00eancia afetiva com o meu pai que me deixasse alguma importante mem\u00f3ria emocional, o que me deu liberdade. Eu me vi diante de um personagem, n\u00e3o do meu pai. Isso \u00e9 tudo que um escritor precisa.<\/p>\n<p>Livro<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/livro\/9788535942064\/visita-ao-pai?ref=plural.jor.br\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">\u201cVisita ao pai\u201d<\/a>, de Cristov\u00e3o Tezza. Companhia das Letras, 448 p\u00e1ginas, R$ 89,90.<\/p>\n<p>O lan\u00e7amento do livro ser\u00e1 na Livraria da Vila, dentro do Shopping P\u00e1tio Batel (Avenida do Batel, 1.868), na ter\u00e7a-feira (21), \u00e0s 19h. O bate-papo com o autor ser\u00e1 mediado pelo jornalista Christian Schwartz, seguido de sess\u00e3o de aut\u00f3grafos. A entrada \u00e9 gratuita.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quando tinha 20 anos e estava no quartel, Jo\u00e3o Batista Tezza come\u00e7ou a transcrever em um caderno escolar&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":112423,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,114,115,170,32,33],"class_list":{"0":"post-112422","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-entertainment","10":"tag-entretenimento","11":"tag-livros","12":"tag-portugal","13":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/112422","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=112422"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/112422\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/112423"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=112422"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=112422"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=112422"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}