{"id":112480,"date":"2025-10-16T00:06:22","date_gmt":"2025-10-16T00:06:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/112480\/"},"modified":"2025-10-16T00:06:22","modified_gmt":"2025-10-16T00:06:22","slug":"escritora-mckenzie-wark-reflete-sobre-tempos-paralelos-no-livro-raving","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/112480\/","title":{"rendered":"Escritora McKenzie Wark reflete sobre tempos paralelos no livro &#8220;Raving&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>A escritora australiana McKenzie Wark exp\u00f5e no livro &#8220;Raving&#8221;, rec\u00e9m-editado em Portugal, um tipo de tempo paralelo, que acontece &#8220;numa boa &#8220;rave&#8221;&#8221;, uma &#8220;pr\u00e1tica colaborativa que torna esta vida suport\u00e1vel&#8221;, explicou em entrevista \u00e0 ag\u00eancia Lusa.\n<\/p>\n<p>&#8220;Acho que sabemos, queiramos ou n\u00e3o admitir, que h\u00e1 muitos bons futuros. A nossa tarefa \u00e9 evitar os piores. Mas isso \u00e9 dif\u00edcil, emocionalmente. Passamos muito tempo em nega\u00e7\u00e3o. \u00c9 adquirir, pelo menos, a for\u00e7a emocional para confrontar isso. Acho que uma boa &#8220;rave&#8221; produz uma experi\u00eancia do que eu chamo um tipo de tempo paralelo, onde h\u00e1 mais tempo. Puxa-nos para o lado&#8221;, notou.\n<\/p>\n<p>&#8220;Raving&#8221;, lan\u00e7ado este m\u00eas pela Orfeu Negro com tradu\u00e7\u00e3o de Nuno Quintas e um &#8220;desf\u00e1cio&#8221; da autoria de Odete, foi lan\u00e7ado originalmente em 2023 e \u00e9 o segundo livro da autora editado em Portugal, depois de &#8220;Manifesto Hacker&#8221;, pela DeStrauss.\n<\/p>\n<p>A mais recente obra foi apresentada em Lisboa, na Casa Capit\u00e3o, e no Porto, na Livraria aberta, e segue-se a &#8220;Reverse Cowgirl&#8221; e &#8220;Philosophy for Spiders&#8221;, livros que sucedem \u00e0 transi\u00e7\u00e3o de g\u00e9nero e a uma viragem para um registo autoficcional e na primeira pessoa na escrita.\n<\/p>\n<p>Foi depois da transi\u00e7\u00e3o que encontrou uma &#8220;nova comunidade&#8221; nas &#8220;raves&#8221; de Brooklyn, em Nova Iorque, ap\u00f3s ter perdido &#8220;muitos amigos&#8221;.\n<\/p>\n<p>&#8220;Ap\u00f3s a transi\u00e7\u00e3o, senti-me muito melhor sobre muitas coisas na vida, mas havia uma esp\u00e9cie de disforia de g\u00e9nero de baixo n\u00edvel que nada diminu\u00eda. Muita gente &#8220;cis&#8221; desapareceu da minha vida&#8221;, admitiu.\n<\/p>\n<p>Encontrar as &#8220;raves&#8221; foi &#8220;um momento de descoberta&#8221;.\n<\/p>\n<p>&#8220;Sempre gostei de dan\u00e7ar. Esta comunidade particular mudou a minha vida. Como escritores, somos um pouco paras\u00edticos quanto ao mundo, mas eu queria dar algo de volta. Por isso, o livro \u00e9 tamb\u00e9m uma carta de amor \u00e0 comunidade &#8220;raver&#8221; e &#8220;queer&#8221; de Brooklyn, e tamb\u00e9m \u00e9 para todo o mundo&#8221;, afirmou.\n<\/p>\n<p>A partir desta &#8220;inova\u00e7\u00e3o temporal&#8221;, o &#8220;tempo-k&#8221;, McKenzie Wark n\u00e3o pretende &#8220;ser aceleracionista&#8221;, mas atualizar termos em torno deste fen\u00f3meno cultural, olhando filosoficamente para o tempo de uma perspetiva diferente &#8220;da alavanca de Walter Benjamin&#8221; ou de te\u00f3ricos sobre tempo &#8220;queer&#8221;.\n<\/p>\n<p>&#8220;Um tempo trans, sem futuro, mas que faz do presente um presente. Os port\u00f5es do para\u00edso est\u00e3o trancados. Tornaram-se propriedade privada. Mas podemos dar a volta por tr\u00e1s e saltar por cima da cerca&#8221;, escreve a autora em &#8220;Raving&#8221;.\n<\/p>\n<p>No gloss\u00e1rio de conceitos do livro, pode ler-se que &#8220;tempo-k&#8221; \u00e9 &#8220;tempo dissociativo, tempo de ketamina&#8221;, associado ao &#8220;tempo de encadeamento lateral&#8221;, definido como &#8220;o tempo de dissocia\u00e7\u00e3o coletiva e hist\u00f3rico-mundial&#8221;.\n<\/p>\n<p>Toda esta reflex\u00e3o surge no contexto de uma &#8220;situa\u00e7\u00e3o constru\u00edda&#8221;, uma festa com m\u00fasica a elevado ritmo de batidas por minuto, numa pr\u00e1tica associada tamb\u00e9m a desejos e necessidades, e liga-se \u00e0 forma como mostramos empatia e solidariedade pelo outro ou \u00e0 &#8220;coloniza\u00e7\u00e3o&#8221; dos espa\u00e7os.\n<\/p>\n<p>&#8220;A gentrifica\u00e7\u00e3o \u00e9 um problema em Nova Iorque, todos estamos implicados nisso. A vida noturna \u00e9 uma das fases de desenvolvimento dos bairros. Somos todos internos \u00e0 fase de comodifica\u00e7\u00e3o em que estamos. Como se vira dessa exist\u00eancia comodificada para os nossos verdadeiros interesses e desejos? Isso \u00e9 o que nos interessa. Uma boa &#8220;rave&#8221; ilegal faz isso&#8221;, associa McKenzie Wark.\n<\/p>\n<p>Apesar de ajudar a &#8220;reorganizar os sentidos&#8221;, a usar o movimento para encontrar outras formas de intimidade e relacionar corpos entre si, a &#8220;rave&#8221; &#8220;n\u00e3o \u00e9 uma utopia&#8221;.\n<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o se ultrapassa magicamente a homofobia porque se est\u00e1 ali. Mas h\u00e1 coisas que se podem aprender. N\u00e3o se perdem fronteiras, muda-se o que s\u00e3o as nossas fronteiras em rela\u00e7\u00e3o ao Outro. S\u00e3o espa\u00e7os onde posso s\u00f3 ser uma pessoa. Enquanto mulher trans, o problema \u00e9 que ou sou lixo ou divina. \u00c0s vezes, \u00e9 bom ser divina, mas \u00e9 cansativo. Podemos ser s\u00f3 normais juntos?&#8221;, questionou.\n<\/p>\n<p>Neste &#8220;universo social alternativo&#8221;, &#8220;toda a gente traz a sua agress\u00e3o e o seu antagonismo consigo&#8221;, e quanto \u00e0s pessoas trans, disse, com uma &#8220;taxa fenomenalmente alta de suic\u00eddio&#8221;, pode criar-se um espa\u00e7o em que &#8220;tudo come\u00e7a com mantermo-nos vivos, uns aos outros&#8221;.\n<\/p>\n<p>&#8220;Muita gente est\u00e1 a lutar pela vida. Como se cria um espa\u00e7o onde podemos ser livres? Pessoas trans n\u00e3o esperam viver muito tempo, e n\u00e3o vivem como se pudessem. Mas a vida \u00e9 longa. Como \u00e9 que melhoramos isto? Para algumas pessoas, a noite \u00e9 um s\u00edtio para chegar a essa liberdade&#8221;, refletiu.\n<\/p>\n<p>Nascida em 1961, na Austr\u00e1lia, McKenzie Wark trabalha atualmente como professora universit\u00e1ria, na \u00e1rea de Estudos Culturais e Media, e \u00e9 autora de obras associadas \u00e0 Internacional Situacionista.\n<\/p>\n<p>&#8220;Manifesto Hacker&#8221;, &#8220;Gamer Theory&#8221; e &#8220;Capital is Dead&#8221; s\u00e3o livros relacionados com cultura digital e o peso das tecnologias de informa\u00e7\u00e3o na vida de todos, tendo publicado &#8220;Love and Money, Sex and Death&#8221; como sucessor de &#8220;Raving&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A escritora australiana McKenzie Wark exp\u00f5e no livro &#8220;Raving&#8221;, rec\u00e9m-editado em Portugal, um tipo de tempo paralelo, que&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":112481,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,114,115,170,32,33],"class_list":{"0":"post-112480","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-entertainment","10":"tag-entretenimento","11":"tag-livros","12":"tag-portugal","13":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/112480","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=112480"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/112480\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/112481"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=112480"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=112480"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=112480"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}