{"id":112866,"date":"2025-10-16T08:37:10","date_gmt":"2025-10-16T08:37:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/112866\/"},"modified":"2025-10-16T08:37:10","modified_gmt":"2025-10-16T08:37:10","slug":"a-combinacao-explosiva-que-pode-empurrar-putin-para-uma-nova-mobilizacao-para-a-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/112866\/","title":{"rendered":"A combina\u00e7\u00e3o explosiva que pode empurrar Putin para uma nova mobiliza\u00e7\u00e3o para a guerra"},"content":{"rendered":"<p>\t                Vladimir Putin pode estar prestes a avan\u00e7ar com um movimento arriscado, mas isso pode custar-lhe a t\u00e3o desejada paz social que tem conseguido manter ao longo de mais quase quatro anos de guerra<\/p>\n<p>A R\u00fassia perdeu 281.550 soldados no campo de batalha na Ucr\u00e2nia, entre mortos, feridos e desaparecidos, apenas nos primeiros oito meses deste ano, de acordo com <a href=\"https:\/\/t.me\/hochu_zhyt\/4060\" rel=\"nofollow\">um documento<\/a> russo divulgado pelos servi\u00e7os secretos ucranianos. Estes dados fazem do ano de 2025 o mais mort\u00edfero para a m\u00e1quina de guerra de Vladimir Putin, mas um outro n\u00famero come\u00e7a a preocupar o Kremlin, que pode ver-se obrigado a tomar uma medida impopular que pode custar a paz social ao regime.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;A R\u00fassia ter\u00e1 aproximadamente 700 mil soldados na Ucr\u00e2nia e o n\u00famero de baixas ultrapassa um milh\u00e3o. Se continuar a haver este tipo de fatalidades, continuar\u00e1 a ter um peso enorme para a sociedade russa e trar\u00e1 uma grande eros\u00e3o para Vladimir Putin e para o seu aparelho pol\u00edtico&#8221;, diz \u00e0 CNN Portugal o tenente-general Rafael Martins.\u00a0<\/p>\n<p>De acordo com o relat\u00f3rio, em apenas 243 dias, 86.744 militares russos foram mortos, 33.966 est\u00e3o desaparecidos e 158.529 foram feridos em combate. Os dados apresentados contrariam o r\u00e1cio entre mortos e feridos, que geralmente aproxima-se de 1 morto para cada tr\u00eas feridos. O relat\u00f3rio afirma que, devido \u00e0 aus\u00eancia de um sistema de evacua\u00e7\u00e3o de feridos, o n\u00famero de mortos \u00e9 invulgarmente elevado.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Isto indica um baixo n\u00edvel de sobreviv\u00eancia dos feridos, que s\u00e3o mal treinados em medicina t\u00e1ctica e geralmente s\u00e3o abandonados sem ajuda ap\u00f3s les\u00e3o&#8221;, refere o documento.<\/p>\n<p>Estes dados apontam para uma m\u00e9dia de 35.193 baixas por m\u00eas para o lado russo, o que apresenta um dilema existencial para o esfor\u00e7o de guerra do Kremlin, numa altura em que o governo russo come\u00e7a a ter dificuldades em encontrar o n\u00famero necess\u00e1rio de militares para manter o ritmo das opera\u00e7\u00f5es na linha da frente. Segundo o think tank de defesa americano Institute for the Study of War (ISW), a R\u00fassia est\u00e1 a recrutar uma m\u00e9dia de 31.600 militares por m\u00eas para o seu esfor\u00e7o de guerra.\u00a0<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a entre o n\u00famero de novos soldados e as perdas no campo de batalha est\u00e1 a criar um saldo negativo de mais de 3.500 soldados por m\u00eas, que pode agravar-se com o tempo. Esta realidade est\u00e1 a obrigar a R\u00fassia a aumentar os pr\u00e9mios de assinatura de contrato para atrair novos recrutas, com os soldados a receber um pagamento que pode atingir 3,2 milh\u00f5es de rublos (aproximadamente 34.820 mil euros), um valor oito vezes superior ao sal\u00e1rio anual m\u00e9dio.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;[Putin] paga-lhes muit\u00edssimo bem. Um soldado russo na frente de batalha ganha dez vez mais do que na Sib\u00e9ria e recebe um b\u00f3nus de dezenas de milhares de euros. Isto, para a R\u00fassia, \u00e9 uma fortuna. Isto garantiu-lhe paz social completa. Estas pessoas s\u00e3o volunt\u00e1rias. Para o resto da popula\u00e7\u00e3o, elas est\u00e3o l\u00e1 porque querem&#8221;, explica \u00e0 CNN Portugal Francisco Pereira Coutinho, especialista em direito internacional.\u00a0<\/p>\n<p>Mas nem mesmo o aumento significativo dos pagamentos parece estar a produzir o efeito desejado. Empregados dos servi\u00e7os de recrutamento russos que pagam os melhores benef\u00edcios relataram \u00e0 imprensa local que n\u00e3o est\u00e3o a conseguir aumentar o n\u00famero de recrutas, nem mesmo com sucessivos aumentos de incentivos financeiros. Segundo eles, esta dificuldade surge porque quase todos aqueles que queriam &#8220;fazer dinheiro com a guerra&#8221; j\u00e1 se voluntariaram. Al\u00e9m disso, o n\u00famero de volunt\u00e1rios com &#8220;idade avan\u00e7ada&#8221; e problemas cr\u00f3nicos de sa\u00fade est\u00e1 tamb\u00e9m a crescer.\u00a0<\/p>\n<p>Com o modelo financeiro a demonstrar ser insuficiente, o Kremlin virou-se para a sua m\u00e1quina de comunica\u00e7\u00e3o. Segundo o ISW, o Minist\u00e9rio da Defesa russo est\u00e1 a recorrer a an\u00fancios enganosos para atrair recrutas. Um exemplo disso aconteceu durante as v\u00e9speras da cimeira do Alasca, que reuniu Donald Trump e Vladimir Putin. As autoridades come\u00e7aram a dizer \u00e0 popula\u00e7\u00e3o que a guerra estava prestes a acabar e para aproveitarem para &#8220;receber milh\u00f5es antes da paz chegar&#8221;.\u00a0<\/p>\n<p>Outras campanhas parecem focar-se em recrutar para posi\u00e7\u00f5es de retaguarda, como motoristas ou t\u00e9cnicos. Al\u00e9m disso, h\u00e1 um aumento elevado da utiliza\u00e7\u00e3o de termos como &#8220;servi\u00e7o seguro&#8221;, &#8220;unidades de retaguarda&#8221; ou &#8220;servi\u00e7o f\u00e1cil&#8221; ou longe da &#8220;linha da frente&#8221;. Mas nem isso parece ter sido suficiente para frente \u00e0s enormes necessidades que surgem no campo de batalha, na Ucr\u00e2nia. Al\u00e9m de contar com o apoio da Coreia do Norte e de Cuba, Moscovo tem recorrido ao recrutamento de cidad\u00e3os africanos e do M\u00e9dio Oriente para fazer frente a esta escassez.<\/p>\n<p>&#8220;Quedas no recrutamento, de tal forma que a R\u00fassia n\u00e3o consegue substituir as perdas, podem for\u00e7ar em parte o presidente russo, Vladimir Putin, a escolher entre conduzir uma mobiliza\u00e7\u00e3o da reserva involunt\u00e1ria, que Putin mostrou grande relut\u00e2ncia em ordenar, ou ir para a mesa de negocia\u00e7\u00f5es&#8221;, escrevem os analistas do ISW.<\/p>\n<p>E o Kremlin parece estar a inclinar-se para a primeira op\u00e7\u00e3o. Na ter\u00e7a-feira, o parlamento russo aprovou um projeto de lei que permite ao presidente mobilizar reservistas em tempo de paz. Esta medida permite a Putin contornar o entrave legal de a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia n\u00e3o ser formalmente considerada na R\u00fassia uma guerra, mas sim uma &#8220;opera\u00e7\u00e3o militar especial&#8221;.\u00a0<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 poder ativar a enorme capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o russa, que conta com mais de dois milh\u00f5es de reservistas, depois de Putin ter assinado um decreto para esse efeito em 2015. Segundo o presidente da comiss\u00e3o de defesa do parlamento russo, Andrei Kartapolov, a legisla\u00e7\u00e3o vai permitir o envio de reservistas para o estrangeiro, &#8220;incluindo para as regi\u00f5es ucranianas de Sumy e Kharkiv&#8221;.<\/p>\n<p>De acordo com a nova legisla\u00e7\u00e3o, os cidad\u00e3os inscritos na reserva de mobiliza\u00e7\u00e3o podem ser chamados para cumprir tarefas relacionadas com a defesa durante conflitos armados, opera\u00e7\u00f5es antiterroristas ou quando as for\u00e7as russas est\u00e3o destacadas no estrangeiro. A chamada destes homens ficaria dependente de uma autoriza\u00e7\u00e3o direta do presidente Vladimir Putin.<\/p>\n<p>&#8220;Esta lei pretende ser algo discreta, para n\u00e3o alarmar a sociedade russa. Por outro lado, pretende tamb\u00e9m reduzir aquilo que est\u00e1 a ser gasto com os atuais combatentes e tamb\u00e9m o reconhecimento de que este conflito est\u00e1 para durar ou at\u00e9 escalar&#8221;, considera o tenente-general Rafael Martins.<\/p>\n<p>Mas se os esfor\u00e7os do Kremlin para atrair mais recrutas falhar, Putin pode ver-se mesmo obrigado a fazer uma nova ronda de mobiliza\u00e7\u00e3o, algo a que o presidente russo tem resistido devido \u00e0 impopularidade da medida. Em setembro de 2022, quando um contra-ataque ucraniano na regi\u00e3o de Kharkiv fez o Kremlin temer um colapso da frente, Putin ordenou a mobiliza\u00e7\u00e3o de 300 mil reservistas. No entanto, essa decis\u00e3o levou quase 300 mil russos a fugir do pa\u00eds, temendo novas rondas de recrutamento.\u00a0<\/p>\n<p>Ainda assim, Kiev teme as repercuss\u00f5es dessa decis\u00e3o. Em setembro, o enigm\u00e1tico l\u00edder da espionagem ucraniana, Kyrylo Budanov, admitiu que essa decis\u00e3o poderia criar uma &#8220;s\u00e9ria amea\u00e7a&#8221; \u00e0 Ucr\u00e2nia e que, apesar de &#8220;dolorosa&#8221; para a R\u00fassia, a possibilidade era &#8220;realista&#8221;.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Putin teve uma jogada absolutamente genial ao recrutar volunt\u00e1rios. Mas h\u00e1 limites e o limite \u00e9 or\u00e7amental. A R\u00fassia esteve d\u00e9cadas a preparar-se para esta guerra e entrou para o conflito com os cofres cheios. Esses cofres j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o como estavam. Se a guerra continuar por muito tempo, ele poder\u00e1 ter de mudar de estrat\u00e9gia, mas isso poder\u00e1 trazer-lhe problemas internos&#8221;, antecipa Francisco Pereira Coutinho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Vladimir Putin pode estar prestes a avan\u00e7ar com um movimento arriscado, mas isso pode custar-lhe a t\u00e3o desejada&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":112867,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[609,836,611,20748,27,28,607,608,333,832,604,135,4782,610,476,15,16,301,830,14,603,25,26,570,21,22,831,833,22962,62,834,12,13,19,20,835,602,52,32,23,24,25009,839,17,18,840,29,30,31,2415,63,64,65],"class_list":{"0":"post-112866","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-alerta","9":"tag-analise","10":"tag-ao-minuto","11":"tag-baixas","12":"tag-breaking-news","13":"tag-breakingnews","14":"tag-cnn","15":"tag-cnn-portugal","16":"tag-comentadores","17":"tag-costa","18":"tag-crime","19":"tag-desporto","20":"tag-dilema","21":"tag-direto","22":"tag-economia","23":"tag-featured-news","24":"tag-featurednews","25":"tag-governo","26":"tag-guerra","27":"tag-headlines","28":"tag-justica","29":"tag-latest-news","30":"tag-latestnews","31":"tag-live","32":"tag-main-news","33":"tag-mainnews","34":"tag-mais-vistas","35":"tag-marcelo","36":"tag-mobilizacao","37":"tag-mundo","38":"tag-negocios","39":"tag-news","40":"tag-noticias","41":"tag-noticias-principais","42":"tag-noticiasprincipais","43":"tag-opiniao","44":"tag-pais","45":"tag-politica","46":"tag-portugal","47":"tag-principais-noticias","48":"tag-principaisnoticias","49":"tag-recrutas","50":"tag-russia","51":"tag-top-stories","52":"tag-topstories","53":"tag-ucrania","54":"tag-ultimas","55":"tag-ultimas-noticias","56":"tag-ultimasnoticias","57":"tag-vladimir-putin","58":"tag-world","59":"tag-world-news","60":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/112866","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=112866"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/112866\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/112867"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=112866"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=112866"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=112866"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}