{"id":113000,"date":"2025-10-16T10:35:07","date_gmt":"2025-10-16T10:35:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/113000\/"},"modified":"2025-10-16T10:35:07","modified_gmt":"2025-10-16T10:35:07","slug":"neuroinflamacao-em-sindrome-de-down-explica-alta-prevalencia-de-alzheimer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/113000\/","title":{"rendered":"Neuroinflama\u00e7\u00e3o em s\u00edndrome de Down explica alta preval\u00eancia de Alzheimer"},"content":{"rendered":"<p class=\"texto\">A <a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/saude\/2025\/10\/7263537-como-a-inteligencia-artificial-e-usada-para-criar-deepfakes-com-sindrome-de-down-em-conteudo-sexual-lucrativo.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>s\u00edndrome de Down<\/strong><\/a> est\u00e1 associada a um envelhecimento acelerado, e estima-se que at\u00e9 90% dos indiv\u00edduos com a condi\u00e7\u00e3o desenvolvam a doen\u00e7a de Alzheimer antes dos 70 anos. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) identificou padr\u00f5es elevados de neuroinflama\u00e7\u00e3o, j\u00e1 na juventude, em indiv\u00edduos com a s\u00edndrome \u2013 um componente a mais para explicar a alta preval\u00eancia de doen\u00e7a de Alzheimer em pessoas idosas com s\u00edndrome de Down. A descoberta abre caminho para estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o e acompanhamento da doen\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"texto\">O trabalho, publicado na revista Alzheimer\u2019s &amp; Dementia\u00a0e apoiado pela FAPESP, \u00e9 o primeiro a mapear, por meio de t\u00e9cnicas de medicina nuclear, os padr\u00f5es de neuroinflama\u00e7\u00e3o em pessoas com a s\u00edndrome de Down.<\/p>\n<p class=\"texto\">Al\u00e9m da neuroinflama\u00e7\u00e3o, os pesquisadores tamb\u00e9m verificaram um marcador importante da <a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/saude\/2025\/09\/7248005-perda-de-olfato-pode-ajudar-a-identificar-casos-precoces-de-alzheimer-aponta-estudo.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>doen\u00e7a de Alzheimer<\/strong><\/a>: a placa beta-amiloide \u2013 formada por fragmentos de pept\u00eddeo amiloide que se depositam entre os neur\u00f4nios causando inflama\u00e7\u00e3o e interrompendo a comunica\u00e7\u00e3o neural.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 se sabia que o processo de envelhecimento nessa popula\u00e7\u00e3o ocorre de maneira mais acelerada, quando comparado com pessoas sem a s\u00edndrome, sendo que a doen\u00e7a de Alzheimer j\u00e1 se manifesta em pessoas na faixa dos 40 anos, por exemplo. Tamb\u00e9m j\u00e1 se sabia que o risco de doen\u00e7a de Alzheimer \u00e9 aumentado nas pessoas com s\u00edndrome de Down por uma quest\u00e3o gen\u00e9tica: o gene da prote\u00edna precursora amiloide [APP] est\u00e1 localizado no cromossomo 21, que \u00e9 triplicado na s\u00edndrome de Down, fazendo com que esses indiv\u00edduos produzam mais beta-amiloide \u2013 uma caracter\u00edstica da doen\u00e7a de Alzheimer\u201d, explica Daniele de Paula Faria, pesquisadora do Laborat\u00f3rio de Medicina Nuclear (LIM43) do Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FM-USP).<\/p>\n<p class=\"texto\">O que o estudo revela de forma in\u00e9dita \u00e9 que a neuroinflama\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se manifesta precocemente, j\u00e1 aos 20 anos, e pode contribuir diretamente para o desenvolvimento da doen\u00e7a de Alzheimer. \u201cNo estudo identificamos uma rela\u00e7\u00e3o muito clara: quanto mais neuroinflama\u00e7\u00e3o mais deposi\u00e7\u00e3o de placa beta amiloide. Isso nos permite pensar nesse processo como um poss\u00edvel alvo terap\u00eautico&#8221;, afirma Faria.<\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>Como foi feito o estudo<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\">A pesquisa comparou padr\u00f5es de neuroinflama\u00e7\u00e3o de 29 indiv\u00edduos com s\u00edndrome de Down com 35 sem a condi\u00e7\u00e3o \u2013 os participantes tinham entre 20 e 50 anos. A neuroinflama\u00e7\u00e3o foi monitorada por meio de tomografia por emiss\u00e3o de p\u00f3sitrons (PET), utilizando radiof\u00e1rmacos espec\u00edficos. A t\u00e9cnica permite visualizar em tempo real tanto a forma\u00e7\u00e3o das placas beta-amiloide quanto os processos inflamat\u00f3rios no c\u00e9rebro vivo.<\/p>\n<p class=\"texto\">Os resultados mostraram maior neuroinflama\u00e7\u00e3o nas regi\u00f5es frontal, temporal, occipital e l\u00edmbica do c\u00e9rebro de pessoas com s\u00edndrome de Down, inclusive entre jovens de 20 a 34 anos. Isso sugere que o processo de neuroinflama\u00e7\u00e3o possa come\u00e7ar antes da forma\u00e7\u00e3o das placas beta-amiloide. A correla\u00e7\u00e3o entre carga inflamat\u00f3ria e ac\u00famulo de beta-amiloide foi especialmente evidente em adultos acima dos 50 anos.<\/p>\n<p class=\"texto\">Al\u00e9m das an\u00e1lises em humanos, os pesquisadores tamb\u00e9m acompanharam, ao longo de dois anos, a progress\u00e3o da neuroinflama\u00e7\u00e3o em camundongos modificados geneticamente para desenvolver uma condi\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 s\u00edndrome de Down. \u201cCom equipamentos espec\u00edficos para pequenos animais, conseguimos acompanhar toda a evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. Os dados dos camundongos, somados aos dos humanos, oferecem respostas valiosas sobre o envelhecimento de pessoas com s\u00edndrome de Down\u201d, destaca Faria.<\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>Processo bif\u00e1sico<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\">O processo de neuroinflama\u00e7\u00e3o observado nas pessoas com s\u00edndrome de Down parece seguir um padr\u00e3o bif\u00e1sico. A micr\u00f3glia \u2013 c\u00e9lula de defesa do c\u00e9rebro \u2013 atua de forma protetora, combatendo altera\u00e7\u00f5es causadas pela s\u00edndrome, mas, com o tempo, essa resposta se torna pr\u00f3-inflamat\u00f3ria, podendo agravar os danos neuronais. \u201c\u00c9 como se o c\u00e9rebro tentasse se proteger, mas acabasse contribuindo para o problema\u201d, explica a pesquisadora.<\/p>\n<p class=\"texto\">Embora a doen\u00e7a de Alzheimer ainda n\u00e3o tenha cura nem uma causa \u00fanica definida, muito menos se saiba se a neuroinflama\u00e7\u00e3o vem antes ou depois da deposi\u00e7\u00e3o de placas, o estudo traz avan\u00e7os importantes sobre a doen\u00e7a nas pessoas com s\u00edndrome de Down.<\/p>\n<p class=\"texto\">\u201cO nosso estudo refor\u00e7a a hip\u00f3tese de que a neuroinflama\u00e7\u00e3o precede as placas beta-amiloide para a popula\u00e7\u00e3o com s\u00edndrome de Down. Isso abre caminho para o desenvolvimento de terapias que possam retardar ou bloquear esse processo inflamat\u00f3rio e, com isso, postergar o in\u00edcio da doen\u00e7a de Alzheimer&#8221;, diz a cientista.<\/p>\n<p class=\"texto\">Al\u00e9m de revelar um novo marcador precoce da doen\u00e7a, o estudo apresenta uma ferramenta de imagem capaz de monitorar a neuroinflama\u00e7\u00e3o em tempo real. \u201cMostramos que \u00e9 poss\u00edvel detectar a inflama\u00e7\u00e3o em pacientes vivos, o que permite acompanhar a efic\u00e1cia dos tratamentos. Essa tecnologia tamb\u00e9m abre portas para incluir pessoas com s\u00edndrome de Down em estudos cl\u00ednicos sobre doen\u00e7a de Alzheimer. Trata-se de uma popula\u00e7\u00e3o muito importante por ter padr\u00f5es de desenvolvimento da doen\u00e7a diferentes da popula\u00e7\u00e3o em geral. S\u00f3 assim poderemos oferecer tratamentos eficazes e personalizados\u201d, conclui Faria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A s\u00edndrome de Down est\u00e1 associada a um envelhecimento acelerado, e estima-se que at\u00e9 90% dos indiv\u00edduos com&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":113001,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[314,4288,2217,116,32,33,117,2392],"class_list":{"0":"post-113000","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-alzheimer","9":"tag-cerebro","10":"tag-genetica","11":"tag-health","12":"tag-portugal","13":"tag-pt","14":"tag-saude","15":"tag-sindrome-de-down"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/113000","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=113000"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/113000\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/113001"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=113000"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=113000"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=113000"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}