{"id":115152,"date":"2025-10-17T20:57:32","date_gmt":"2025-10-17T20:57:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/115152\/"},"modified":"2025-10-17T20:57:32","modified_gmt":"2025-10-17T20:57:32","slug":"se-tivesse-escolhido-o-nome-da-minha-mae-se-fosse-marie-rousseau-a-historia-teria-sido-diferente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/115152\/","title":{"rendered":"\u201cSe tivesse escolhido o nome da minha m\u00e3e, se fosse Marie Rousseau, a hist\u00f3ria teria sido diferente\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Veio a Portugal para apresentar o seu livro Ladivine, que foi editado originalmente em 2013, mas s\u00f3 agora foi traduzido para portugu\u00eas. \u00c9 a hist\u00f3ria de tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es de mulheres, de Malinka, da m\u00e3e Ladivine e da filha, tamb\u00e9m chamada Ladivine. Tr\u00eas mulheres afastadas do mundo e, por vezes, de si mesmas tamb\u00e9m. \u00c9 um tema recorrente na sua obra?<\/p>\n<p>Sim. Mesmo que n\u00e3o seja consciente naquilo que escrevo, mas, em retrospetiva, noto que as minhas personagens est\u00e3o sempre um pouco desajustadas do mundo real, est\u00e3o quase sempre um bocadinho fora dele, sem que isso seja t\u00e3o \u00f3bvio. N\u00e3o s\u00e3o loucos, n\u00e3o s\u00e3o exc\u00eantricos, mas est\u00e3o acima da realidade pragm\u00e1tica.<\/p>\n<p>Em Ladivine vemos a rela\u00e7\u00e3o dif\u00edcil entre Malinka e a sua m\u00e3e, Ladivine. Inspira-se na sua experi\u00eancia, em pessoas que conhece, para criar estas personagens ou \u00e9 tudo imaginado?<\/p>\n<p>Em pessoas que conhe\u00e7o, nunca. Teria muita vergonha de o fazer, que pessoas que me s\u00e3o pr\u00f3ximas se pudessem reconhecer no meu livro. Eu nunca faria isso, considero isso uma grande viol\u00eancia. Escrever a partir da nossa vida, portanto, dos entes queridos que fazem parte dessa vida, \u00e9 um g\u00e9nero liter\u00e1rio em si, e isso d\u00e1 origem a obras t\u00e3o importantes como a de Annie Ernaux [Nobel da Literatura 2022]. Tenho o maior respeito por isso, compreendo a abordagem, mas essa abordagem n\u00e3o poderia ser a minha, n\u00e3o me atreveria. Eu nunca teria coragem de impor isso a pessoas que conhe\u00e7o.<\/p>\n<p>No seu caso, o livro come\u00e7a a preparar-se dentro de si, e s\u00f3 depois come\u00e7a a escrever. Esse \u00e9 o seu processo criativo?<\/p>\n<p>Sim, o livro ganha forma na minha cabe\u00e7a durante meses e meses, \u00e0s vezes at\u00e9 um pouco mais de um ano. E durante esses meses n\u00e3o escrevo, reflito, penso, organizo as coisas na minha cabe\u00e7a, at\u00e9 que chega o momento certo em que ponho em palavras o que me vai na cabe\u00e7a. \u00c9 uma esp\u00e9cie de per\u00edodo de gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em Ladivine encontramos uma dimens\u00e3o de fantasia, do maravilhoso, que est\u00e1 presente em muitos dos seus livros. Os c\u00e3es s\u00e3o impressionantes. \u00c9 um mundo que a influenciou desde a inf\u00e2ncia?<\/p>\n<p>Sim, acho que sim. Quando o meu irm\u00e3o e eu \u00e9ramos pequenos e ainda n\u00e3o sab\u00edamos ler, a minha m\u00e3e costumava ler-nos hist\u00f3rias \u00e0 noite. As que me lembro com mais clareza eram de um livro grande chamado Contos e Lendas da \u00c1frica Negra. Era a \u00fanica liga\u00e7\u00e3o que t\u00ednhamos com o pa\u00eds de origem do nosso pai. N\u00e3o viv\u00edamos com ele, nunca o t\u00ednhamos visto. Assim, t\u00ednhamos apenas o nosso nome, a cor da nossa pele, a nossa mesti\u00e7agem e, depois, estes Contos e Lendas da \u00c1frica Negra. E eram contos maravilhosos. Apresentavam animais que viviam como humanos. Tinham casas, mesas, cadeiras, etc. Tinham roupa, ainda consigo ver os desenhos, roupa ocidental, vestidos, camisas, etc. S\u00f3 que tinham cabe\u00e7as de animais. Havia a lebre, a hiena que era meio tola, o le\u00e3o. Eram hist\u00f3rias fant\u00e1sticas onde, na verdade, tudo tinha mente e voz pr\u00f3prias. As \u00e1rvores davam conselhos, as plantas falavam. Tudo tinha alma. A \u00e1gua, o rio, as pedras. E acho que isso deixou uma marca profunda em mim. Talvez seja o que chamamos de animismo. Eu n\u00e3o sabia disso, claro. \u00c9 a ideia de que os humanos n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos com vida pr\u00f3pria, mas que tamb\u00e9m podemos dar vida a entidades que n\u00e3o s\u00e3o como n\u00f3s. Isso \u00e9 maravilhoso para mim.<\/p>\n<p>Falou da sua m\u00e3e e do interesse que ela lhe incutiu pela literatura. Publicou o seu primeiro romance com apenas 17 anos. Sempre soube que ser escritora era a sua voca\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Sim, o meu primeiro livro saiu quando eu tinha 17 anos, mas j\u00e1 tinha escrito muitos outros antes, desde a inf\u00e2ncia. Foi natural. Nem imaginava que queria ser escritora. N\u00e3o era a minha inten\u00e7\u00e3o. Eu estava a praticar. Escrevia como me chamo Marie, como respirava, como ia \u00e0 escola. Fazia parte das atividades que para mim eram \u00f3bvias, como comer ou dormir.<\/p>\n<p>A sua m\u00e3e lia-lhe contos africanos. Era a forma dela de manter uma liga\u00e7\u00e3o com as suas ra\u00edzes africanas, uma vez que o seu pai era senegal\u00eas?<\/p>\n<p>Sim, foi a maneira que ela encontrou. N\u00e3o havia outra. Isso foi muito antes da internet. N\u00e3o havia sequer imagens de filme. Era a sua forma de nos fazer sentir ligados a uma origem que, de outra forma, n\u00e3o existiria na nossa vida.<\/p>\n<p>O seu pai regressou a \u00c1frica quando a Marie tinha um ano e s\u00f3 o voltou a ver aos 22 anos. Foi a Marie que o procurou? <\/p>\n<p>Sim, queria ver a cara dele. A minha m\u00e3e tinha uma pequena fotografia de quando ele tinha 20 anos. N\u00e3o fazia ideia de como seria o rosto dele 30 anos depois. Queria ver o lugar, a casa onde ele vivia. Eu s\u00f3 queria ver. Sem fazer alarido. Foi uma coisa bastante fria. A minha abordagem foi bastante pragm\u00e1tica. N\u00e3o tinha a ideia de conhecer um pai. Era s\u00f3 ter imagens para associar a um nome.<\/p>\n<p>Um nome &#8211; NDiaye &#8211; que \u00e9 o seu. Foi criada pela sua m\u00e3e francesa, em Fran\u00e7a, nos sub\u00farbios de Paris. Como reage quando \u00e9 apresentado como uma escritora africana?<\/p>\n<p>Agora j\u00e1 n\u00e3o acontece tanto. Mas no in\u00edcio\u2026 compreendi a import\u00e2ncia do meu nome. Se tivesse escolhido o nome da minha m\u00e3e, se fosse Marie Rousseau, a hist\u00f3ria teria sido diferente na imprensa. Aceitei a escolha de manter o meu nome, mesmo que n\u00e3o tenha qualquer significado na minha vida. Eu pr\u00f3pria compreendo que, se ouvir um nome que soe estrangeiro, remeto imediatamente a pessoa com esse nome para outro lugar. Tamb\u00e9m n\u00e3o me queria distanciar muito dessa liga\u00e7\u00e3o a \u00c1frica. Mesmo que fosse falsa, falhada, n\u00e3o queria parecer que n\u00e3o tinha nada a ver com \u00c1frica. Agora, menos, mas nessa altura ainda havia um certo complexo de inferioridade dos africanos em rela\u00e7\u00e3o a Fran\u00e7a, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Europa. N\u00e3o queria insinuar que n\u00e3o tinha nada a ver com a \u00c1frica negra.<\/p>\n<p>\u00c1frica aparece nos seus livros. Essa foi tamb\u00e9m uma forma de manter essa liga\u00e7\u00e3o? <\/p>\n<p>Acho que \u00e9 uma forma de dar uma esp\u00e9cie de \u00e2ncora ao maravilhoso, ao fant\u00e1stico. Podia t\u00ea-lo ancorado na \u00c1sia, mas foi em \u00c1frica, por causa das hist\u00f3rias, das pessoas, etc. Mas \u00e9 uma \u00c1frica de sonho, uma \u00c1frica que n\u00e3o \u00e9 real. E n\u00e3o pode ser uma \u00c1frica a s\u00e9rio, porque eu n\u00e3o conhe\u00e7o \u00c1frica.<\/p>\n<p>Vamos falar de Fran\u00e7a. Em 2009, declarou a Fran\u00e7a do presidente Nicolas Sarkozy \u201cmonstruosa\u201d. Isso causou alguma controv\u00e9rsia. Quase 20 anos depois, mant\u00e9m a sua escolha de palavras para descrever o que estava a acontecer em Fran\u00e7a naquela \u00e9poca?<\/p>\n<p>N\u00e3o, porque a palavra era demasiado forte para descrever o que estava a acontecer. Foi h\u00e1 muito tempo, j\u00e1 vimos coisas piores desde ent\u00e3o. <\/p>\n<p>Na altura estava a falar da viol\u00eancia nos sub\u00farbios de Paris e dos confrontos entre jovens e a pol\u00edcia\u2026 <\/p>\n<p>Sim, e depois houve a cria\u00e7\u00e3o de um Minist\u00e9rio da Imigra\u00e7\u00e3o, Integra\u00e7\u00e3o e Identidade Nacional, que j\u00e1 n\u00e3o existe. E isso ia contra o esp\u00edrito universalista da Fran\u00e7a iluminista. Foi realmente perturbador, na \u00e9poca, esta refer\u00eancia \u00e0 identidade francesa.<\/p>\n<p>E como v\u00ea a Fran\u00e7a hoje, com toda esta crise pol\u00edtica?<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas semanas, temos vivido coisas incompreens\u00edveis. Mas tenho sempre a impress\u00e3o de que nos estamos a reerguer, de que estamos a recuperar, que permanece alguma dist\u00e2ncia, um pouco de humor tamb\u00e9m. Digo isto, mas o Reagrupamento Nacional [ex-Frente Nacional, de extrema-direita] pode ser o grande vencedor em 2027! Mas se tivermos de passar por isso, veremos. E a\u00ed j\u00e1 n\u00e3o teremos de ouvir aquela frase que muitos eleitores do RN repetem de que \u00e9 algo que nunca experiment\u00e1mos. Se [a extrema-direita] chegar ao poder, n\u00e3o haver\u00e1 mais essa fantasia, a ideia de que eles s\u00e3o os \u00fanicos que nunca vimos em a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A imigra\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m um tema que aborda nos seus romances. Como v\u00ea as pol\u00edticas de integra\u00e7\u00e3o em Fran\u00e7a, ligadas aos valores republicanos?<\/p>\n<p>N\u00e3o correu mal. Na minha inf\u00e2ncia, isso n\u00e3o existia, mas agora vemos apresentadores importantes na TV com nomes estrangeiros, mesti\u00e7os. Acho que n\u00e3o foi assim t\u00e3o mau.<\/p>\n<p>A Marie j\u00e1 disse em v\u00e1rias entrevistas que quando era crian\u00e7a e adolescente, nos anos 70, n\u00e3o era f\u00e1cil ser diferente em Fran\u00e7a\u2026<\/p>\n<p>Na escola que eu e o meu irm\u00e3o frequent\u00e1vamos, na escola prim\u00e1ria, \u00e9ramos os \u00fanicos n\u00e3o brancos. N\u00e3o havia sequer crian\u00e7as com pais divorciados. Mesmo isso era raro. Ter pais divorciados \u00e9 motivo de vergonha. Os pais dos nossos amigos eram todos casados. Casados mesmo, n\u00e3o apenas em uni\u00f5es de facto. Era ainda uma Fran\u00e7a muito tradicional. E o esp\u00edrito do Maio de 68 ainda n\u00e3o tinha chegado a este segmento da popula\u00e7\u00e3o, a classe m\u00e9dia, que era ainda muito tradicional na sua moral e nas suas vidas. Era at\u00e9 inimagin\u00e1vel ter um amigo gay ou uma pessoa gay entre os seus familiares. Ainda era a Fran\u00e7a na d\u00e9cada de 1950. Mesmo que j\u00e1 estiv\u00e9ssemos nos anos 1970, ent\u00e3o havia um desfasamento.<\/p>\n<p>A Marie tamb\u00e9m \u00e9 dramaturga. Mas ao contr\u00e1rio dos seus romances, que escreve para si pr\u00f3pria, as suas pe\u00e7as de teatro s\u00e3o sempre encomendas de algu\u00e9m. Responder a uma encomenda \u00e9 um processo diferente do que \u00e9 decidir escrever um romance?<\/p>\n<p>Sim, \u00e9 diferente, e \u00e9 uma diferen\u00e7a que aprecio. A maior parte das encomendas v\u00eam com restri\u00e7\u00f5es &#8211; quanto ao n\u00famero de atores, mulheres, homens, idade, etc., que preciso de ter em conta. Adoro as restri\u00e7\u00f5es que canalizam a imagina\u00e7\u00e3o. Gosto disso. J\u00e1 o romance \u00e9 livre. N\u00e3o h\u00e1 restri\u00e7\u00f5es quanto \u00e0 dura\u00e7\u00e3o ou ao n\u00famero de personagens. Num romance, posso apresentar mil personagens se quiser, enquanto num palco com mil, ser\u00e1 dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Para terminar. Algum novo projeto de que nos possa falar?<\/p>\n<p>Estou a escrever uma pe\u00e7a para uma encenadora e core\u00f3grafa chamada Gis\u00e8le Vienne. \u00c9 uma mulher incr\u00edvel. Tem pouco menos de 50 anos e j\u00e1 tem muitas pe\u00e7as. Ela mistura todas as artes performativas &#8211; texto, v\u00eddeo, dan\u00e7a, m\u00fasica. Estou a escrever o texto para o pr\u00f3ximo espect\u00e1culo dela no pr\u00f3ximo ano. Adoro, porque descubro um mundo que n\u00e3o \u00e9 o meu. <\/p>\n<p>E est\u00e1 algum romance a ganhar forma na sua cabe\u00e7a neste momento?<\/p>\n<p>N\u00e3o, ainda n\u00e3o. Tenho dificuldade em ter v\u00e1rias coisas na cabe\u00e7a ao mesmo tempo. Neste momento, tenho a pe\u00e7a com a Gis\u00e8le. Essa \u00e9 a minha prioridade. N\u00e3o sou muito prol\u00edfica. \u00c9 uma coisa atr\u00e1s da outra. H\u00e1 coisas pr\u00e1ticas que podemos fazer ao mesmo tempo. Consigo cozinhar e escrever e-mails ao mesmo tempo, e pensar na caminhada que vou fazer no dia seguinte com um amigo. Isso posso. Mas quando se trata de cria\u00e7\u00e3o, \u00e9 mais dif\u00edcil. V\u00e1rios processos criativos, ao mesmo tempo, \u00e9 mais complexo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Veio a Portugal para apresentar o seu livro Ladivine, que foi editado originalmente em 2013, mas s\u00f3 agora&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":115153,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[2713,169,315,306,114,115,208,864,170,32,33],"class_list":{"0":"post-115152","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-africa","9":"tag-books","10":"tag-cultura","11":"tag-edicao-impressa","12":"tag-entertainment","13":"tag-entretenimento","14":"tag-franca","15":"tag-literatura","16":"tag-livros","17":"tag-portugal","18":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/115152","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=115152"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/115152\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/115153"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=115152"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=115152"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=115152"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}