{"id":117627,"date":"2025-10-19T17:39:11","date_gmt":"2025-10-19T17:39:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/117627\/"},"modified":"2025-10-19T17:39:11","modified_gmt":"2025-10-19T17:39:11","slug":"morador-do-bairro-mae-preta-ganha-visibilidade-com-a-arte-do-graffiti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/117627\/","title":{"rendered":"Morador do bairro M\u00e3e Preta ganha visibilidade com a arte do graffiti"},"content":{"rendered":"<p>\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"#\" data-featherlight=\"https:\/\/www.jornalcidade.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/grafittimateus-850x480.jpg\"><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" width=\"1080\" height=\"1080\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/grafittimateus.jpg\" alt=\"\" decoding=\"async\"   wpfc-lazyload-disable=\"true\"\/><\/p>\n<p><\/a><\/p>\n<p>Nascido em Jundia\u00ed, Mateus Alves Pereira veio morar em Rio Claro quando tinha quatro anos. Hoje, com 30, se considera um rio-clarense de cora\u00e7\u00e3o e foi na cidade que descobriu uma arte que transformou a vida. O morador do bairro M\u00e3e Preta \u00e9 um artista urbano e tem como tela os muros realizando o grafitti. Ao Jornal Cidade ele falou sobre o trabalho, luta, preconceitos, valores e ensinamentos; confira.<\/p>\n<p><strong>JC: Quando come\u00e7ou a sua paix\u00e3o pela arte?<\/strong><\/p>\n<p>Mateus: \u201cDesde crian\u00e7a o desenho j\u00e1 era uma liga\u00e7\u00e3o forte pra mim. Era o jeito que eu tinha de me expressar, de colocar pra fora o que eu sentia e o que eu via nas ruas. Mas o ponto de virada, o momento que deu um choque em tudo, foi em 2007. Estava rolando uma apresenta\u00e7\u00e3o de hip-hop na escola, e o graffiti, de repente, cruzou meu caminho. Naquele segundo, eu entendi que o muro podia ser muito mais que concreto, podia ser voz, podia ser mensagem, podia ser transforma\u00e7\u00e3o. O graffiti, de verdade, me salvou. Me ensinou o valor da disciplina, do respeito e da verdade. Foi ali que eu vi que a arte era, sim, caminho e prop\u00f3sito de vida\u201d.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" wpfc-lazyload-disable=\"true\" decoding=\"async\" width=\"823\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/84ef61c2-9426-4f83-bbd2-c73153339b53-823x1024.jpg\" alt=\"\"  \/><\/p>\n<p><strong>JC: Quando voc\u00ea decidiu realmente fazer da sua arte uma profiss\u00e3o? J\u00e1 chegou a ser criticado ou sentiu discrimina\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Mateus: \u201cSabe, o graffiti nunca foi visto como uma profiss\u00e3o. Ele foi a escola que me deu a base para viver da arte. A rua me deu vis\u00e3o, me deu coragem e me ensinou a transformar essa energia do graffiti em pintura art\u00edstica. L\u00f3gico que no come\u00e7o enfrentei olhares tortos e muito preconceito. Mas o tempo est\u00e1 a\u00ed para provar que a arte de rua tamb\u00e9m \u00e9 cultura, \u00e9 comunica\u00e7\u00e3o e \u00e9 trabalho s\u00e9rio. Hoje, cada mural que eu pinto \u00e9 uma resposta silenciosa a quem duvidou e, principalmente, uma homenagem \u00e0 quebrada que me formou e me deu essa identidade\u201d<\/p>\n<p><strong>JC: Sente que \u00e9 uma arte banalizada ainda ou o pensamento das pessoas t\u00eam mudado ao longo do tempo?<\/strong><\/p>\n<p>Mateus: \u201cO pensamento vem mudando bastante, mas a gente ainda tem um ch\u00e3o para percorrer. Antes, o graffiti era puro e simplesmente visto como vandalismo. Hoje, a gente v\u00ea ele ocupando escolas, fechando com\u00e9rcios e ganhando espa\u00e7o em eventos culturais. A arte urbana est\u00e1 come\u00e7ando a ser reconhecida pelo que ela \u00e9: uma express\u00e3o leg\u00edtima, que educa e que transforma. Cada pintura que eu fa\u00e7o \u00e9 um ato de resist\u00eancia, um grito de presen\u00e7a, e um convite para as pessoas olharem a rua com outros olhos, com mais respeito\u201d.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/9d423ccd-4fd6-4309-a9e7-aea0b5c97039-1024x576.jpg\" alt=\"\"  \/><\/p>\n<p><strong>JC: Muita gente ainda confunde picha\u00e7\u00e3o com grafite, o que \u00e9 importante entender e se informar?<\/strong><\/p>\n<p>Mateus: \u201c\u00c9 simples: a picha\u00e7\u00e3o e o graffiti nasceram do mesmo lugar, que \u00e9 a rua. A picha\u00e7\u00e3o \u00e9 o protesto, \u00e9 a marca, \u00e9 a resist\u00eancia. J\u00e1 o graffiti \u00e9 o di\u00e1logo, \u00e9 a cor, \u00e9 a reconstru\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 sobre tentar separar um do outro, \u00e9 sobre entender o contexto e a raiz. A rua n\u00e3o te ensina a julgar \u2014 ela te ensina sobre express\u00e3o, liberdade e, acima de tudo, a verdade.\u201d<\/p>\n<p><strong>JC: Hoje voc\u00ea desenvolve um projeto que apresenta o graffiti em escolas, qual a import\u00e2ncia disso e qual a recep\u00e7\u00e3o dos alunos?<\/strong><\/p>\n<p>Mateus: \u201cLevar o graffiti para dentro das escolas \u00e9 levar consci\u00eancia e oportunidade. A recep\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre incr\u00edvel porque os alunos se identificam, eles enxergam na arte uma linguagem que \u00e9 pr\u00f3xima da realidade deles. Eles aprendem que a arte tamb\u00e9m \u00e9 educa\u00e7\u00e3o, respeito e que pode gerar oportunidades. Nas oficinas que eu realizo, eu vejo jovens descobrindo talentos que nem sabiam que tinham, aprendendo sobre foco e ganhando autoestima. O graffiti na escola \u00e9 mais do que s\u00f3 pintar um muro \u2014 \u00e9 uma ferramenta poderosa de transforma\u00e7\u00e3o social e pessoal\u201d<\/p>\n<p><img wpfc-lazyload-disable=\"true\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"819\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/e7fa7e89-4b39-46ce-8b0d-ce86c83f8ad4-819x1024.jpg\" alt=\"\"  \/><\/p>\n<p><strong>JC: Voc\u00ea j\u00e1 esteve em outros Estados mostrando o seu trabalho, conte sobre como \u00e9 expandir e levar conhecimento.<\/strong><\/p>\n<p>Mateus: \u201cAntes de sair, a gente teve que fortalecer a cena aqui em Rio Claro. Eu participei e ajudei a organizar v\u00e1rios eventos importantes, como o Festival de Graffiti da UNESP \u2013 Painel da Inclus\u00e3o, o Treta do Lago, que celebra os quatro elementos do hip-hop, e a exposi\u00e7\u00e3o no Centro Cultural Paulo Rodrigues. Al\u00e9m disso, organizo a \u2018Sopa de Letras\u2019, aqui na cidade, um evento que re\u00fane a galera da cidade e regi\u00e3o e de outros estados. Esses encontros s\u00e3o a base do meu crescimento. Depois dessa caminhada, recentemente tive a honra de representar meu trabalho fora, participando do Encontro de Arte Urbana em Juiz de Fora (MG). Levar o nome da minha cidade e, principalmente, do meu bairro M\u00e3e Preta para outro estado foi um dos momentos mais marcantes\u201d.<\/p>\n<p><strong>JC: Quem quer come\u00e7ar no graffiti ou ingressar no mercado de trabalho qual o seu conselho?<\/strong><\/p>\n<p>Mateus: \u201cO conselho \u00e9 o b\u00e1sico que funciona: tem que desenhar muito, estudar muito tamb\u00e9m e, principalmente, pintar sem medo. Viva a rua, respeite a rua, e passe sempre a verdade no que voc\u00ea faz. O graffiti n\u00e3o \u00e9 sobre a fama, \u00e9 sobre a viv\u00eancia, a entrega e a sua identidade\u201d<\/p>\n<p><strong>CONHE\u00c7A MAIS<\/strong><\/p>\n<p>Para acompanhar os murais, os projetos sociais nas escolas e ver como a arte que nasce na rua tem o poder de educar, inspirar e, acima de tudo, salvar vidas, o Instagram \u00e9 @mateus_artzs. Mais informa\u00e7\u00f5es sobre encontro em escolas e outros projetos os interessados podem entrar em contato atrav\u00e9s do Whatsapp: (19) 97130-7657.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Nascido em Jundia\u00ed, Mateus Alves Pereira veio morar em Rio Claro quando tinha quatro anos. 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