{"id":117730,"date":"2025-10-19T19:05:11","date_gmt":"2025-10-19T19:05:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/117730\/"},"modified":"2025-10-19T19:05:11","modified_gmt":"2025-10-19T19:05:11","slug":"a-artista-ucraniana-que-conta-historias-atraves-de-azulejos-nas-fachadas-de-portimao-nit","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/117730\/","title":{"rendered":"A artista ucraniana que conta hist\u00f3rias atrav\u00e9s de azulejos nas fachadas de Portim\u00e3o \u2014 NiT"},"content":{"rendered":"<p>Cinco edif\u00edcios, quatro casas e uma oficina de autom\u00f3veis. S\u00e3o estes os projetos que Inna Iefimenko, natural da Ucr\u00e2nia, j\u00e1 realizou em Portim\u00e3o, no Algarve, desde 2019. A artista, em conjunto com o seu companheiro portugu\u00eas, Fernando Siqueira, pretende tornar a regi\u00e3o mais bonita, focando-se sempre em obras ligadas \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o nacional \u2014 que s\u00e3o pintadas \u00e0 m\u00e3o em azulejos colocados nas fachadas dos edif\u00edcios.<\/p>\n<p>\u201cO Fernando viveu quase toda a vida em Fran\u00e7a e quando regressou a Portugal, vendeu as casas que tinha para investir em Portim\u00e3o\u201d, come\u00e7a por explicar \u00e0 NiT a artista e arquiteta de 41 anos. Nesta altura, o casal decidiu restaurar v\u00e1rios edif\u00edcios no centro da cidade e Inna teve a ideia de recorrer aos azulejos pintados para decorar os empreendimentos.<\/p>\n<p>\u201cPens\u00e1mos encomendar os azulejos pintados, mas com o desenho que pretend\u00edamos\u201d, recorda.<strong> \u201cMas o Fernando perguntou porque \u00e9 que n\u00e3o desenhava eu, em vez de pedirmos. Disse-lhe que era muito complicado, mas depois comecei a investigar e a estudar como funciona esta t\u00e9cnica.\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s de v\u00e1rias experi\u00eancias, e com a ajuda de um amigo ceramista que disponibilizava o forno para trabalhar as pe\u00e7as, Inna aventurou-se na primeira fachada de um edif\u00edcio que hoje funciona como alojamento local na Rua da Barca.<\/p>\n<p>\u201cO edif\u00edcio fica perto dos cais onde se apanham sardinhas e tem muita liga\u00e7\u00e3o \u00e0 pesca, ent\u00e3o decidi contar, atrav\u00e9s dos desenhos, a hist\u00f3ria da pesca da sardinha\u201d, explica. \u201c\u00c9 uma coisa muito ic\u00f3nica de Portim\u00e3o e resolvi colocar tudo nesta fachada.\u201d<\/p>\n<p>O processo n\u00e3o foi simples e demorou cerca de seis meses a estar conclu\u00eddo. \u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a parte da pintura, <strong>h\u00e1 tamb\u00e9m a parte dos desenhos e de escolha do tema, em que recolho fotografias antigas para pensar na composi\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a\u201d<\/strong>, explica.\u00a0<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1520332 size-full\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/eac595a9a38c8015f409a08426e2de59.jpeg\" alt=\"\" width=\"1855\" height=\"1346\"  \/>Um dos projetos que ainda est\u00e1 a terminar.<\/p>\n<p>Todos os edif\u00edcios onde j\u00e1 trabalhou foram transformados em alojamentos locais, sendo que Inna tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel por geri-los em conjunto com Fernando. <strong>O projeto art\u00edstico de restaura\u00e7\u00e3o com azulejos foi batizado de \u201cVida \u00e0 Portuguesa\u201d por uma raz\u00e3o simples: em todas as obras, a tradi\u00e7\u00e3o regional \u00e9 o ponto de partida.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEscolhi este nome porque acho que realmente corresponde a tudo o que fazemos, porque esses edif\u00edcios s\u00e3o tamb\u00e9m alojamentos locais e no interior, tamb\u00e9m temos azulejos e m\u00f3veis recuperados\u201d, explica. \u201cQueremos que as pessoas sintam realmente como \u00e9 vida \u00e0 portuguesa.\u201d At\u00e9 \u00e0 data, a ucraniana confessa que muitos h\u00f3spedes elogiam o trabalho e a decora\u00e7\u00e3o dos alojamentos. \u201c\u00c9 realmente uma coisa t\u00edpica portuguesa\u201d, aponta.\u00a0<\/p>\n<p>Inna dedica-se \u00e0 arte desde os tr\u00eas anos<\/p>\n<p>Inna tinha apenas seis anos quando fez a sua primeira exposi\u00e7\u00e3o de pintura na cidade natal, em Jitomir, no norte da Ucr\u00e2nia. Nos anos seguintes, a jovem prod\u00edgio foi not\u00edcia em v\u00e1rios jornais locais, o que levou a que a fam\u00edlia se mudasse para a capital ucraniana, Kiev, para que conseguisse prosseguir os estudos.<\/p>\n<p>Ali, licenciou-se em Arquitetura Urban\u00edstica pela Academia Nacional de Arquitetura e Belas Artes e passou parte da idade adulta a trabalhar como arquiteta na regi\u00e3o. Em 2010, por\u00e9m, tudo mudou quando a m\u00e3e decidiu mudar-se para Portugal.<\/p>\n<p>\u201cSempre foi uma mulher muito ativa e criativa. Houve um dia em que me ligou e disse que queria mudar de pa\u00eds e eu aceitei\u201d, conta \u00e0 NiT. \u201cUm ano e meio ano depois desta ideia j\u00e1 est\u00e1vamos c\u00e1 em Portugal.\u201d<\/p>\n<p>Na altura, a fam\u00edlia mudou-se para Vila Franca de Xira e s\u00f3 no ano seguinte, em 2011, rumou ao Algarve para abrir um restaurante: o Waterfront. Enquanto trabalhava no estabelecimento, como gerente e empregada de mesa, Inna conheceu, por acaso, o companheiro Fernando.<\/p>\n<p>\u201cO nosso restaurante \u00e9 perto da marina e ele, na altura, tinha um barco\u201d, recorda. \u201cHouve um dia em que foi beber caf\u00e9 num espa\u00e7o ao lado do nosso e levou o gato. Assim que o vi, achei-o uma pessoa extraordin\u00e1ria e fui oferecer um brinquedo para o gatinho.\u201d<\/p>\n<p>Nessa altura, em 2014, tornaram-se amigos e mais tarde, em 2016, Fernando convidou-a para trabalhar como arquiteta nos seus projetos em Fran\u00e7a, onde vivia. Neste per\u00edodo, acabaram por se apaixonar e viveram em Paris at\u00e9 2018, antes de voltarem a Portugal.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1520323\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/a4ba7ba5208967268601844369662555.jpeg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"654\"  \/>Inna e Fernando.<\/p>\n<p>Quando regressaram a Portim\u00e3o, Fernando come\u00e7ou a investir em edif\u00edcios na cidade e foi ent\u00e3o que o casal teve a ideia de arrancar com o projeto \u201cVida \u00e0 Portuguesa\u201d. <strong>Al\u00e9m da hist\u00f3ria da pesca da sardinha, Inna j\u00e1 pintou azulejos com frutos do mar, frutas, animais (sobretudo gatos) e carros cl\u00e1ssicos portugueses.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cAgora estamos fazer uma fachada perto do Teatro Tempo. \u00c9 um pr\u00e9dio grande, que est\u00e1 num s\u00edtio que apanha tr\u00eas ruas\u201d, sublinha. \u201c\u00c0 volta da porta de entrada, fiz um painel com uvas. O objetivo \u00e9 fazer, em cada porta, uma fruta diferente.\u201d Nas janelas, por sua vez, j\u00e1 pintou dois gatos e pretende, em breve, acrescentar um rato.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos alojamentos locais, tamb\u00e9m j\u00e1 pintou uma oficina mec\u00e2nica, que pertence \u00e0 fam\u00edlia. \u201c\u00c9 onde o Fernando aluga carros e caravanas cl\u00e1ssicos, al\u00e9m de arranjar autom\u00f3veis\u201d, explica. Nessa fachada, em espec\u00edfico, quis pintar marcas de carro portuguesas e acabou por encontrar uma s\u00e9rie delas.<\/p>\n<p>\u201cFui investigar e descobri que existem 14 marcas de carros portugueses,\u00a0que foram desenhadas e fabricadas c\u00e1 e que poucas pessoas conhecem\u201d, afirma. \u201cDesenhei-as na fachada e fiz outras composi\u00e7\u00f5es, como mec\u00e2nicos a arranjar os carros e fiz outros apontamentos t\u00edpicos, como sardinhas, caixas de conserva, gatos, peixes, entre outros.\u201d<\/p>\n<p>Inna tamb\u00e9m est\u00e1 dispon\u00edvel para trabalhos sob consulta e mediante a disponibilidade. Pode contact\u00e1-la atrav\u00e9s do e-mail (azulinna7@nullgmail.com).<\/p>\n<p>Carregue na galeria para conhecer algumas obras de Inna Iefimenko.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Cinco edif\u00edcios, quatro casas e uma oficina de autom\u00f3veis. 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