{"id":117863,"date":"2025-10-19T21:10:08","date_gmt":"2025-10-19T21:10:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/117863\/"},"modified":"2025-10-19T21:10:08","modified_gmt":"2025-10-19T21:10:08","slug":"o-novo-espiao-russo-que-invadiu-os-telemoveis-na-russia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/117863\/","title":{"rendered":"O novo espi\u00e3o russo que invadiu os telem\u00f3veis na R\u00fassia"},"content":{"rendered":"<p>A R\u00fassia lan\u00e7ou a Max, uma nova aplica\u00e7\u00e3o desenvolvida pela VK, uma empresa tecnol\u00f3gica russa. A plataforma foi lan\u00e7ada em mar\u00e7o e a 1 de setembro passou a ser obrigat\u00f3rio vir instalada de origem em todos os novos telem\u00f3veis vendidos no pa\u00eds. Que aplica\u00e7\u00e3o \u00e9 esta com a qual Vladimir Putin quer \u201csoberanizar\u201d a R\u00fassia na esfera digital? <\/p>\n<p>Para que serve?<\/p>\n<p>A Max permite aos utilizadores enviar mensagens, efetuar chamadas, partilhar ficheiros e transferir dinheiro entre institui\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias russas. Tendo em conta a restri\u00e7\u00e3o do Kremlin a plataformas como o WhatsApp, a \u2018super\u2019 aplica\u00e7\u00e3o Max vem postular-se como alternativa \u00e0s redes sociais mais convencionais, num esfor\u00e7o levado a cabo por Vladimir Putin para \u201csoberanizar\u201d a esfera digital.<\/p>\n<p>Segundo a <a href=\"https:\/\/www.theatlantic.com\/international\/archive\/2025\/10\/russia-super-app-max\/684524\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">The Atlantic<\/a>, o Kremlin aponta que \u201cos cidad\u00e3os v\u00e3o utiliz\u00e1-la para enviar mensagens e fazer telefonemas; os pais v\u00e3o comunicar com a escola dos seus filhos [e] os residentes ser\u00e3o capazes de provar a sua identidade aos neg\u00f3cios e ag\u00eancias governamentais\u201d, pelo que o software tem vindo a ser comparado \u00e0 plataforma chinesa WeChat.<\/p>\n<p>O que \u00e9 o WeChat?<\/p>\n<p>O WeChat \u00e9 uma aplica\u00e7\u00e3o desenvolvida pela multinacional chinesa Tencent, uma das empresas medi\u00e1ticas mais lucrativas do mundo. A aplica\u00e7\u00e3o funciona como uma rede social, al\u00e9m de disponibilizar fun\u00e7\u00f5es como servi\u00e7o de mensagens instant\u00e2neas e carteira digital, pelo que pode ser utilizada para compras (\u00e0 semelhan\u00e7a do MBWay), para chamar um t\u00e1xi ou para pagar as despesas dom\u00e9sticas.<\/p>\n<p>Segundo uma <a href=\"https:\/\/expresso.pt\/economia\/2018-03-25-A-portuguesa-que-faz-sucesso-com-a-app-mais-popular-da-China\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">not\u00edcia avan\u00e7ada pela Lusa<\/a> em 2018, \u201cem Pequim, at\u00e9 os mendigos t\u00eam hoje consigo um c\u00f3digo QR impresso para transfer\u00eancia direta de esmolas para as respetivas contas na carteira digital do WeChat\u201d.<\/p>\n<p>O WeChat n\u00e3o tem um sistema de encripta\u00e7\u00e3o ponto-a-ponto \u2013 isto \u00e9, um sistema que protege os dados pessoais dos dispositivos, garantindo que mais ningu\u00e9m tem acesso a mensagens para al\u00e9m dos utilizadores. Isto porque o Governo chin\u00eas exerce controlo direto sobre a plataforma, tendo, portanto, acesso a estes dados.<\/p>\n<p>Assim como a plataforma chinesa, tamb\u00e9m a Max representa um passo em frente na dire\u00e7\u00e3o da espionagem, na medida em que a ferramenta permite a monitoriza\u00e7\u00e3o tanto dos cidad\u00e3os russos, como dos ucranianos em territ\u00f3rio ocupado pela R\u00fassia.<\/p>\n<p>Desde o dia 1 de outubro, estudantes na regi\u00e3o ucraniana de Zapor\u00edjia, ocupada pela R\u00fassia, foram obrigados a utilizar a Max e foram banidas outras alternativas, de acordo com a Kharkiv Human Rights Protection Group (KHPG), uma organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria ucraniana.<\/p>\n<p>Recorde-se que, em 2020, o presidente norte-americano Donald Trump proibia qualquer transa\u00e7\u00e3o com o WeChat (e com o TikTok) sendo, na altura, acusado pelo Minist\u00e9rio dos Neg\u00f3cios Estrangeiros da China de \u201ccolocar os seus interesses ego\u00edstas acima dos princ\u00edpios do mercado e das regras internacionais\u201d, conforme noticiou a ag\u00eancia.<\/p>\n<p>J\u00e1 no ano passado, o presidente venezuelano Nicolas Maduro, que <a href=\"https:\/\/expresso.pt\/internacional\/america-latina\/2024-08-06-diz-nao-ao-whatsapp-maduro-apela-a-mudanca-para-o-telegram-e-para-o-chines-wechat-que-e-muito-bom-9b7cd27f\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">boicotava a aplica\u00e7\u00e3o WhatsApp<\/a>, defendeu o WeChat, declarando inclusivamente utilizar a aplica\u00e7\u00e3o, \u201cque \u00e9 muito boa\u201d.<\/p>\n<p>Estado pode aceder a dados pessoais para deter, multar, ou &#8220;muito pior&#8221;<\/p>\n<p>A Max contava, em agosto, com apenas 18 milh\u00f5es de registos, um n\u00famero baixo quando comparado a outras aplica\u00e7\u00f5es russas, como a VK (da empresa com o mesmo nome), semelhante ao Facebook, usada por mais de 90 milh\u00f5es de pessoas. No entanto, o baixo n\u00famero pode ser justificado com a juvenilidade da plataforma, que tem ainda menos de um ano.<\/p>\n<p>\u201cO Estado pode facilmente policiar a imposi\u00e7\u00e3o de que a Max venha j\u00e1 instalada nos telem\u00f3veis\u201d ao amea\u00e7ar empresas tecnol\u00f3gicas ou ao prender os seus executivos, escreve a The Atlantic. Para quem comprou o telem\u00f3vel antes desta data, as t\u00e1ticas de Putin s\u00e3o diferentes, passando pela limita\u00e7\u00e3o ao acesso a outras aplica\u00e7\u00f5es de mensagens.<\/p>\n<p>Chamadas de voz foram j\u00e1 restritas no WhatsApp e Telegram para toda a popula\u00e7\u00e3o russa e redes sociais como o Facebook e o Instagram foram totalmente banidas.<\/p>\n<p>Tudo o que os utilizadores da Max fizerem na aplica\u00e7\u00e3o pode ser presumivelmente acedido pelo Estado. Em termos pr\u00e1ticos, isto significa acesso a geolocaliza\u00e7\u00e3o, dados pessoais, contactos, fotografias e \u00e1udio, informa\u00e7\u00f5es que, por sua vez, poder\u00e3o ser utilizadas para deten\u00e7\u00f5es, multas, desaparecimentos, \u201cou muito pior\u201d, refere a revista americana.<\/p>\n<p>No entanto, nem sempre o ciberespa\u00e7o jogou a favor de Putin. O Expresso reuniu algumas das principais not\u00edcias dos \u00faltimos anos sobre a influ\u00eancia do Kremlin no espa\u00e7o digital.<\/p>\n<p>2019<\/p>\n<ul>\n<li>Putin pondera \u2018desligar-se\u2019 da Internet global. Embora a infraestrutura da Internet russa permane\u00e7a atualmente conectada \u00e0 rede global, o Governo det\u00e9m controle sob que informa\u00e7\u00f5es podem chegar aos cidad\u00e3os.<\/li>\n<\/ul>\n<p>2022<\/p>\n<ul>\n<li>Segundo a organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos Freedom House, a R\u00fassia foi o pa\u00eds onde a liberdade da Internet mais caiu nesse ano. A China foi o pa\u00eds com o ambiente online mais repressivo do mundo.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>A R\u00fassia aprova uma lei que criminaliza pesquisas online sobre temas considerados extremistas pelo Kremlin.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>R\u00fassia multa as empresas tecnol\u00f3gicas estrangeiras que n\u00e3o cumpram as exig\u00eancias do Kremlin quanto aos conte\u00fados publicados.<\/li>\n<\/ul>\n<p>2023<\/p>\n<ul>\n<li>O Kremlin multa a aplica\u00e7\u00e3o Reddit, por \u201cinforma\u00e7\u00e3o proibida\u201d publicada contra a vontade de Moscovo.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Texto escrito por Andr\u00e9 Sousa e editado por Ricardo Marques<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A R\u00fassia lan\u00e7ou a Max, uma nova aplica\u00e7\u00e3o desenvolvida pela VK, uma empresa tecnol\u00f3gica russa. 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