{"id":117929,"date":"2025-10-19T22:26:09","date_gmt":"2025-10-19T22:26:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/117929\/"},"modified":"2025-10-19T22:26:09","modified_gmt":"2025-10-19T22:26:09","slug":"estas-10-praias-na-lista-das-melhores-da-europa-estao-em-risco-de-desaparecer-e-uma-e-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/117929\/","title":{"rendered":"Estas 10 praias na lista das melhores da Europa est\u00e3o em risco de desaparecer (e uma \u00e9 portuguesa)"},"content":{"rendered":"<p>A Europa poder\u00e1 perder algumas das suas praias mais ic\u00f3nicas at\u00e9 ao final do s\u00e9culo devido \u00e0 subida do n\u00edvel do mar. A advert\u00eancia \u00e9 feita pela Ag\u00eancia Europeia do Ambiente (EEA), que alerta para o avan\u00e7o acelerado das \u00e1guas, com uma subida m\u00e9dia anual de 3,7 mil\u00edmetros entre 2006 e 2018 \u2014 mais do dobro do registado no s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Segundo as proje\u00e7\u00f5es, se as emiss\u00f5es de gases com efeito de estufa se mantiverem elevadas, o n\u00edvel m\u00e9dio do mar poder\u00e1 aumentar entre 0,63 e 1,02 metros at\u00e9 2100. Num cen\u00e1rio extremo, com desintegra\u00e7\u00e3o acelerada das calotes polares, a subida poder\u00e1 atingir cinco metros at\u00e9 2150.<\/p>\n<p>Com base nestas previs\u00f5es, a empresa holandesa Reinders Corporation identificou as dez praias europeias mais amea\u00e7adas pela eros\u00e3o costeira, entre as quais se encontra uma portuguesa \u2014 a Praia de Benagil, no Algarve.<\/p>\n<p><strong>Benagil, no Algarve, entre as praias mais amea\u00e7adas da Europa<\/strong><br \/>Conhecida pelas suas grutas emblem\u00e1ticas e pela crescente press\u00e3o tur\u00edstica, a Praia de Benagil, no concelho de Lagoa, surge em terceiro lugar na lista das zonas costeiras mais vulner\u00e1veis. A an\u00e1lise prev\u00ea uma perda de cerca de 70 metros de linha de costa at\u00e9 ao final do s\u00e9culo.<\/p>\n<p>O fen\u00f3meno agrava-se com o turismo descontrolado, levando as autoridades a restringirem o acesso \u00e0s embarca\u00e7\u00f5es e a limitar o tempo de perman\u00eancia dentro das grutas a dois minutos por barco. Apesar das medidas, o local continua a ser um dos pontos mais visitados da regi\u00e3o e um s\u00edmbolo do litoral algarvio.<\/p>\n<p><strong>As outras praias em risco: de Montenegro \u00e0 Irlanda<\/strong><br \/>O estudo da Reinders Corporation aponta como a mais amea\u00e7ada a praia de Sveti Stefan, no Montenegro, uma pequena pen\u00ednsula ligada \u00e0 costa por um estreito istmo e considerada um dos locais mais emblem\u00e1ticos do Adri\u00e1tico. A proje\u00e7\u00e3o indica uma perda superior a 200 metros de costa at\u00e9 2100.<\/p>\n<p>Segue-se a Porto Giunco, na Sardenha (It\u00e1lia), descrita como \u201cuma praia tropical no cora\u00e7\u00e3o do Mediterr\u00e2neo\u201d. O relat\u00f3rio prev\u00ea uma retra\u00e7\u00e3o de 107 metros, o que poder\u00e1 alterar drasticamente a paisagem natural rodeada por dunas e zimbros.<\/p>\n<p>No norte da Europa, a ilha norueguesa de V\u00e6r\u00f8y, nas Lofoten, tamb\u00e9m enfrenta riscos significativos, podendo perder 58 metros de costa. A ilha, famosa pelos seus trilhos e paisagens in\u00f3spitas, \u00e9 uma das comunidades mais isoladas da Noruega.<\/p>\n<p>J\u00e1 na Irlanda, a Keem Bay, em Achill Island \u2014 conhecida pelo filme The Banshees of Inisherin e pelas suas \u00e1guas cristalinas \u2014 poder\u00e1 recuar 40 metros at\u00e9 2100. A organiza\u00e7\u00e3o Climate Ireland alerta que o aumento do n\u00edvel do mar afetar\u00e1 \u201ctodas as \u00e1reas costeiras irlandesas\u201d, agravado por tempestades e ondas extremas.<\/p>\n<p>A lista inclui ainda a perigosa praia de Reynisfjara, na Isl\u00e2ndia, com ondas que podem atingir 40 metros de altura e onde as autoridades desaconselham qualquer atividade aqu\u00e1tica. O estudo estima uma eros\u00e3o de mais de 35 metros neste local de areia vulc\u00e2nica negra.<\/p>\n<p>No sul de Fran\u00e7a, a Plage des Marini\u00e8res, em Nice, poder\u00e1 perder cerca de 35 metros de areia at\u00e9 ao final do s\u00e9culo, enquanto a vizinha Baie des Milliardaires, perto de Antibes, enfrenta uma previs\u00e3o de 28 metros de recuo.<\/p>\n<p>Em Dubrovnik, na Cro\u00e1cia, a praia de Pasja\u010da, considerada uma das mais belas do mundo, corre o risco de desaparecer por completo, devido \u00e0 sua estreita faixa de areia de apenas 80 metros.<\/p>\n<p>No Reino Unido, a pitoresca Kynance Cove, na Cornualha, famosa pelas suas fal\u00e9sias e piscinas naturais, tamb\u00e9m consta da lista, com uma previs\u00e3o de 30 metros de eros\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Subida do mar \u00e9 \u201cinevit\u00e1vel\u201d, diz especialista<\/strong><br \/>O professor Giorgio Budillon, especialista em Oceanografia e F\u00edsica Atmosf\u00e9rica e vice-reitor da Universidade de N\u00e1poles Parthenope, afirmou que \u201c\u00e9 preciso ser realista\u201d. Segundo o acad\u00e9mico, \u201cn\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel travar completamente a subida do n\u00edvel do mar, uma vez que est\u00e1 parcialmente ligada \u00e0 in\u00e9rcia clim\u00e1tica, ao degelo das calotes polares e \u00e0 expans\u00e3o t\u00e9rmica dos oceanos\u201d.<\/p>\n<p>Budillon refor\u00e7a que os alertas sobre o desaparecimento de praias \u201cn\u00e3o s\u00e3o alarmismo, mas um vislumbre da realidade que nos espera caso n\u00e3o haja a\u00e7\u00e3o decisiva\u201d.<\/p>\n<p><strong>Solu\u00e7\u00f5es passam por medidas sustent\u00e1veis e planeamento urbano<\/strong><\/p>\n<p>O especialista considera que as defesas costeiras r\u00edgidas, como muralhas e quebra-mares, \u201cpodem ser \u00fateis em situa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas\u201d, mas frequentemente provocam \u201cefeitos secund\u00e1rios que agravam a eros\u00e3o noutras \u00e1reas\u201d. Em alternativa, defende solu\u00e7\u00f5es naturais e de longo prazo, como reposi\u00e7\u00e3o de areia, prote\u00e7\u00e3o de pradarias marinhas e restauro de zonas h\u00famidas e lagoas, que atuam como barreiras naturais contra inunda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em alguns casos, contudo, Budillon admite que \u201cser\u00e1 inevit\u00e1vel realojar pessoas e infraestruturas localizadas em zonas de maior vulnerabilidade\u201d.<\/p>\n<p>O professor defende ainda que o planeamento urbano europeu deve ser repensado para incluir \u201czonas de prote\u00e7\u00e3o costeira\u201d, proibir novas constru\u00e7\u00f5es em \u00e1reas de risco e adotar sistemas de alerta precoce e monitoriza\u00e7\u00e3o constante das linhas costeiras.<\/p>\n<p>Embora existam fundos comunit\u00e1rios destinados \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o das zonas costeiras, Budillon alerta que \u201cainda estamos longe de uma estrat\u00e9gia europeia unificada e vinculativa\u201d. Na sua opini\u00e3o, \u00e9 urgente passar de uma l\u00f3gica de \u201creagir depois\u201d para uma de \u201cprevenir antes\u201d, j\u00e1 que \u201cadaptar-se hoje custa muito menos do que reconstruir amanh\u00e3 o que se perdeu\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A Europa poder\u00e1 perder algumas das suas praias mais ic\u00f3nicas at\u00e9 ao final do s\u00e9culo devido \u00e0 subida&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":117930,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[27,28,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-117929","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-featured-news","11":"tag-featurednews","12":"tag-headlines","13":"tag-latest-news","14":"tag-latestnews","15":"tag-main-news","16":"tag-mainnews","17":"tag-mundo","18":"tag-news","19":"tag-noticias","20":"tag-noticias-principais","21":"tag-noticiasprincipais","22":"tag-principais-noticias","23":"tag-principaisnoticias","24":"tag-top-stories","25":"tag-topstories","26":"tag-ultimas","27":"tag-ultimas-noticias","28":"tag-ultimasnoticias","29":"tag-world","30":"tag-world-news","31":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/117929","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=117929"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/117929\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/117930"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=117929"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=117929"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=117929"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}