{"id":118329,"date":"2025-10-20T05:29:14","date_gmt":"2025-10-20T05:29:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/118329\/"},"modified":"2025-10-20T05:29:14","modified_gmt":"2025-10-20T05:29:14","slug":"quando-o-silencio-da-osteoporose-se-torna-um-problema-de-saude-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/118329\/","title":{"rendered":"Quando o sil\u00eancio da osteoporose se torna um problema de sa\u00fade p\u00fablica"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 v\u00e1rios desafios no tratamento da osteoporose em Portugal: n\u00e3o s\u00f3 existe um subdiagn\u00f3stico, ou seja, muitas pessoas com osteoporose desconhecem que t\u00eam a doen\u00e7a, frequentemente porque os m\u00e9dicos n\u00e3o consideram esta hip\u00f3tese, como h\u00e1 tamb\u00e9m muitos que, apesar de diagnosticados e de terem realizado densitometria \u00f3ssea, n\u00e3o iniciam tratamento devido a hesita\u00e7\u00f5es que, muitas vezes, n\u00e3o t\u00eam fundamento.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda um terceiro grupo de doentes, composto por aqueles que t\u00eam diagn\u00f3stico, a quem foi prescrito o tratamento, mas que n\u00e3o o cumprem. De facto, a ades\u00e3o terap\u00eautica na osteoporose \u00e9 baixa, porque estamos a falar de uma doen\u00e7a silenciosa, em que os doentes n\u00e3o sentem o real benef\u00edcio dos f\u00e1rmacos,\u00a0pelo menos no curto prazo, o que compromete a sua motiva\u00e7\u00e3o para manterem o tratamento.<\/p>\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o remete-nos para outra quest\u00e3o essencial: o reduzido n\u00edvel de literacia sobre a doen\u00e7a na popula\u00e7\u00e3o em geral. Existe uma ideia errada de que a osteoporose se manifesta atrav\u00e9s de dor quando, na realidade, trata-se de uma doen\u00e7a assintom\u00e1tica que apenas causa dor na presen\u00e7a de uma fratura.<\/p>\n<p>Estes dados revelam que muitos desconhecem o que \u00e9 a osteoporose e, mesmo quando conhecem, tendem a desvalorizar a doen\u00e7a porque a consideram uma fatalidade associada ao envelhecimento, assumindo que \u00e9 normal, \u00e0 medida que envelhecemos, ter os ossos mais fr\u00e1geis e sofrer fraturas. Mas n\u00e3o \u00e9 normal: n\u00e3o \u00e9 normal uma senhora com 75 anos fraturar a anca e ficar dependente de uma cadeira de rodas e n\u00e3o \u00e9 normal uma mulher de 65 anos sofrer uma fratura vertebral.<\/p>\n<p>Quanto aos m\u00e9dicos de medicina geral e familiar, que constituem a porta de entrada destes doentes no sistema de sa\u00fade e que os acompanham, o problema n\u00e3o reside no desconhecimento sobre a osteoporose ou as suas consequ\u00eancias, mas sim o facto de colocarem a doen\u00e7a no fim da lista de prioridades nas consultas. No entanto, a abordagem da osteoporose \u00e9 t\u00e3o simples que deveria merecer outra posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Afinal, estamos a falar de mais de 600 mil pessoas em Portugal com a doen\u00e7a, grande parte delas com\u00a0risco de fratura e grande parte delas tamb\u00e9m que, se fossem tratadas, iriam evitar ter essa fratura.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que existem outras doen\u00e7as preocupantes, como as cardiovasculares ou o cancro, mas existe uma ferramenta de uso cl\u00ednico, o FRAX, que permite avaliar rapidamente o risco real de um doente vir a sofrer uma fratura. E o seu preenchimento n\u00e3o demora mais do que 30 ou 60 segundos, pelo que \u00e9 fundamental promover a sua utiliza\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica.<\/p>\n<p><strong>\u201cO papel do reumatologista, no contexto da osteoporose, est\u00e1 mais relacionado com o apoio a situa\u00e7\u00f5es em que o m\u00e9dico de fam\u00edlia tenha d\u00favidas ou necessite de orienta\u00e7\u00e3o especializada.\u201d<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 porque, apesar de a osteoporose ser uma doen\u00e7a reum\u00e1tica, o que a coloca no \u00e2mbito da reumatologia, quando falamos de um problema que impacta tantas pessoas em Portugal como este, n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel que a reumatologia acompanhe todos os doentes, pelo que o papel do reumatologista, no contexto da osteoporose, est\u00e1 mais relacionado com o apoio a situa\u00e7\u00f5es em que o m\u00e9dico de fam\u00edlia tenha d\u00favidas ou necessite de orienta\u00e7\u00e3o especializada.<\/p>\n<p>Acabamos por ser aqueles m\u00e9dicos de \u00faltima linha no tratamento da osteoporose, ou seja, somos o garante que, no caso de haver d\u00favidas da medicina geral e familiar, tentaremos encontrar o melhor tratamento e a abordagem mais adequada para cada doente. Refiro-me, por exemplo, aos doentes mais graves, com risco muito elevado de fratura.<\/p>\n<p>Quando se fala de osteoporose, \u00e9 tamb\u00e9m importante referir que existem muitas op\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas com efic\u00e1cia comprovada na preven\u00e7\u00e3o de fraturas, que \u00e9 o grande objetivo do tratamento. Vale a pena tratar, vale a pena investir e vale a pena propor aos doentes que cumpram o tratamento, explicando-lhes o seu real benef\u00edcio.\u00a0<\/p>\n<p>Depois, existem ainda medidas muito f\u00e1ceis, n\u00e3o farmacol\u00f3gicas, que devemos adotar desde tenra idade, como garantir um aporte c\u00e1lcio de mais ou menos de 1000 a 1200 mg por dia, algo relativamente f\u00e1cil com o leite e os seus derivados, bastando dois copos de leite por dia. No entanto, como muitas pessoas abandonaram o consumo de l\u00e1cteos, devem procurar fontes alternativas.<\/p>\n<p>\u00c9 igualmente essencial a vitamina D, obtida atrav\u00e9s da exposi\u00e7\u00e3o solar ou de suplementa\u00e7\u00e3o, assim como todas as medidas que implicam a preven\u00e7\u00e3o de quedas, nomeadamente em casa e, muito importante ainda, a pr\u00e1tica de exerc\u00edcio f\u00edsico em carga. E isto n\u00e3o implica irmos para o gin\u00e1sio gastar imenso dinheiro: a partir dos 60 anos, uma simples caminhada de 40 minutos por dia \u00e9 muito importante para ganhar massa \u00f3ssea e uma medida relativamente simples e acess\u00edvel a todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>A realidade \u00e9 que a osteoporose \u00e9 uma doen\u00e7a demasiado importante, demasiado impactante na vida de quem dela sofre para a ignorar ou a considerar um problema exclusivo dos mais velhos. Havendo medidas de efic\u00e1cia comprovada para o prevenir, temos de as adotar, temos de as conhecer e n\u00e3o podemos continuar a desvalorizar um problema que afeta mais de 600 mil portugueses.<\/p>\n<p>\u00a9 2025 Guimar\u00e3es, agora!<\/p>\n<p><strong>Partilhe a sua opini\u00e3o nos coment\u00e1rios em baixo!<\/strong><\/p>\n<p>Siga-nos no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/guimaraesagora\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Facebook<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.x.com\/guimaraesagora\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">X<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/guimaraesagora\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">LinkedIn<\/a>.<br \/>Quer falar connosco? 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