{"id":118607,"date":"2025-10-20T10:38:10","date_gmt":"2025-10-20T10:38:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/118607\/"},"modified":"2025-10-20T10:38:10","modified_gmt":"2025-10-20T10:38:10","slug":"os-golfinhos-tambem-estao-a-sofrer-de-alzheimer-devido-a-estas-algas-toxicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/118607\/","title":{"rendered":"Os golfinhos tamb\u00e9m est\u00e3o a sofrer de Alzheimer devido a estas algas t\u00f3xicas"},"content":{"rendered":"<p class=\"description\">Assine a revista National Geographic agora por apenas <b>1\u20ac por m\u00eas<\/b>.<\/p>\n<p>Na quente costa leste da Fl\u00f3rida, uma equipa de cientistas deparou-se com uma revela\u00e7\u00e3o t\u00e3o incomum quanto perturbadora: os<strong> c\u00e9rebros dos golfinhos-roazes<\/strong>\u00a0(Tursiops truncatus) encalhados na Indian River Lagoon apresentam danos compar\u00e1veis aos sofridos por um <strong>ser humano com Alzheimer<\/strong>. E n\u00e3o \u00e9 um caso isolado.<\/p>\n<p>O culpado, invis\u00edvel e voraz, agita-se nas \u00e1guas: <strong>prolifera\u00e7\u00e3o de algas t\u00f3xicas<\/strong>, <strong>acelerada pelas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas<\/strong>, capazes de alterar n\u00e3o s\u00f3 a vida marinha, mas tamb\u00e9m (talvez) o nosso pr\u00f3prio destino.<\/p>\n<p>Durante quase dez anos, <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s42003-025-08796-0\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">investigadores da Universidade de Miami analisaram os tecidos cerebrais de 20 golfinhos que morreram nesse estu\u00e1rio costeiro<\/a>, uma regi\u00e3o onde a temperatura da \u00e1gua e a polui\u00e7\u00e3o por nutrientes criaram um caldo de <strong>cultura ideal para cianobact\u00e9rias e microalgas t\u00f3xicas<\/strong>.\u00a0<\/p>\n<p>A\u00ed, os cientistas identificaram n\u00edveis alarmantes de uma <strong>neurotoxina: 2,4-diaminobut\u00edrico (2,4-DAB)<\/strong>, um composto natural produzido por certas algas que, ao acumular-se no corpo dos golfinhos, causou danos estruturais e gen\u00e9ticos nos seus c\u00e9rebros. Em alguns casos, os n\u00edveis eram <strong>at\u00e9 2.900 vezes mais elevados nos meses quentes <\/strong>em compara\u00e7\u00e3o com outras esta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/litio-faz-parte-do-protocolo-do-tratamento-da-perturbacao-bipolar_669f780a_251007112100_800x800.webp.webp\" alt=\"L\u00edtio faz parte do protocolo do tratamento da perturba\u00e7\u00e3o bipolar\" class=\"image lazyload\"\/>Semelhan\u00e7a com a doen\u00e7a de Alzheimer<\/p>\n<p>Al\u00e9m da toxicidade evidente, o que deixou os investigadores sem f\u00f4lego foi a <strong>semelhan\u00e7a molecular com a doen\u00e7a de Alzheimer humana<\/strong>. Ao analisar o transcriptoma cerebral (ou seja, os genes que se expressam activamente no c\u00e9rebro), descobriram <strong>um padr\u00e3o preocupante: mais de 500 genes alterados<\/strong>, muitos deles tamb\u00e9m afectados em pacientes humanos com Alzheimer.\u00a0<\/p>\n<p>Os genes relacionados com o <strong>neurotransmissor GABA<\/strong>, vital para a comunica\u00e7\u00e3o neuronal, estavam comprometidos. Outros, que normalmente protegem a barreira hematoencef\u00e1lica, mostravam <strong>sinais de enfraquecimento<\/strong>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os cientistas detectaram um aumento na actividade de genes associados \u00e0<strong> forma\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas neurot\u00f3xicas como beta-amil\u00f3ide, tau e TDP-43<\/strong> (as tr\u00eas principais marcas patol\u00f3gicas do Alzheimer humano). O paralelismo n\u00e3o era casual: o c\u00e9rebro desses golfinhos havia come\u00e7ado a falar a mesma linguagem de deteriora\u00e7\u00e3o que conhecemos nas nossas pr\u00f3prias esp\u00e9cies mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>A neurotoxina 2,4-DAB<\/p>\n<p>A descoberta \u00e9 um alerta que ultrapassa as fronteiras da biologia marinha. A neurotoxina 2,4-DAB, j\u00e1 conhecida por causar<strong> efeitos no sistema nervoso<\/strong>, agora demonstra ser perigosa mesmo em exposi\u00e7\u00f5es prolongadas e moderadas, n\u00e3o apenas em doses agudas. Por outras palavras, cada Ver\u00e3o com algas t\u00f3xicas deixava uma<strong> marca invis\u00edvel, mas duradoura<\/strong>, no c\u00e9rebro dos golfinhos. A cada esta\u00e7\u00e3o quente, as muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas acumulavam-se, como camadas geol\u00f3gicas de danos irrepar\u00e1veis.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/golfinhos_7ad96295_240705161902_800x800.jpg\" alt=\"Golfinhos\" class=\"image lazyload\"\/><\/p>\n<p><strong>Entre os genes mais alterados destaca-se o APOE<\/strong>, considerado um dos principais factores de risco para o Alzheimer em humanos. Em alguns exemplares marinhos, <strong>a sua actividade aumentou at\u00e9 6,5 vezes<\/strong>. Outros, como o <strong>NRG3<\/strong>, fundamental na forma\u00e7\u00e3o de sinapses, viram a sua actividade cair drasticamente. E genes que regulam a inflama\u00e7\u00e3o e a morte celular, como o <strong>TNFRSF25<\/strong>, foram activados descontroladamente.\u00a0<\/p>\n<p>O mais preocupante, no entanto, foi a descoberta de que <strong>os danos eram cumulativos<\/strong>. Quanto mais ver\u00f5es quentes e com prolifera\u00e7\u00e3o de algas um golfinho tinha vivido, mais profundos eram os danos gen\u00e9ticos observados nos seus c\u00e9rebros.\u00a0<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\"   src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/os-golfinhos-roazes-sao-reconhecidos-como-o-segundo-animal-mais-inteligente-do-planeta-superando-ate.webp\" alt=\"Os golfinhos-roazes s\u00e3o reconhecidos como o segundo animal mais inteligente do planeta, superando at\u00e9 mesmo os grandes s\u00edmios.\" class=\"lazyload\" width=\"800\" height=\"1000\" data-aspectratio=\"800\/1000\"\/>&#13;Pixabay<\/p>\n<p>Os golfinhos-roazes s\u00e3o reconhecidos como o segundo animal mais inteligente do planeta, superando at\u00e9 mesmo os grandes s\u00edmios.<\/p>\n<p>E em humanos?<\/p>\n<p>Os golfinhos-roazes s\u00e3o reconhecidos como <strong>o segundo animal mais inteligente do planeta<\/strong>, superando at\u00e9 mesmo os grandes s\u00edmios. O seu c\u00e9rebro, de grande tamanho em rela\u00e7\ufffd\ufffdo ao corpo e mais volumoso que o humano, sustenta uma <strong>mente capaz de se reconhecer num espelho<\/strong>, aprender linguagens gestuais e comunicar-se atrav\u00e9s de um complexo sistema de <strong>estalos e assobios<\/strong>. Al\u00e9m disso, algumas f\u00eameas usam esponjas para proteger o focinho enquanto procuram alimento, um comportamento que aprendem com as suas m\u00e3es e que revela a exist\u00eancia de uma forma rudimentar de cultura.\u00a0<\/p>\n<p>Se as prolifera\u00e7\u00f5es de algas t\u00f3xicas se antecipam, prolongam e intensificam e, com elas, os riscos para todos os organismos que dependem da \u00e1gua se multiplicam, isso inclui tamb\u00e9m os humanos?\u00a0<\/p>\n<p>Os cientistas salientam que ainda <strong>n\u00e3o se pode afirmar com certeza que a toxina 2,4-DAB cause Alzheimer na nossa esp\u00e9cie<\/strong>. Mas o espelho molecular que os golfinhos oferecem obriga-nos a olhar com aten\u00e7\u00e3o. Se eles, aqui uma esp\u00e9cie de \u201ccan\u00e1rio na mina\u201d, est\u00e3o a mostrar sinais de uma doen\u00e7a que acreditamos ser exclusiva da nossa velhice, talvez seja hora de ouvir o mar. Porque o que afecta o oceano n\u00e3o fica no oceano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Assine a revista National Geographic agora por apenas 1\u20ac por m\u00eas. 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