{"id":118947,"date":"2025-10-20T15:10:11","date_gmt":"2025-10-20T15:10:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/118947\/"},"modified":"2025-10-20T15:10:11","modified_gmt":"2025-10-20T15:10:11","slug":"e-o-antipoda-da-paz-artista-colombiana-leva-debate-sobre-prostituicao-a-geneva-peace-week","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/118947\/","title":{"rendered":"&#8220;\u00c9 o ant\u00edpoda da paz&#8221;. Artista colombiana leva debate sobre prostitui\u00e7\u00e3o \u00e0 Geneva Peace Week"},"content":{"rendered":"<p>&#13;<br \/>\nFoi numa sala de confer\u00eancias do Centro de Pol\u00edtica de Seguran\u00e7a de Genebra (GCSP), no cora\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, onde diplomatas e l\u00edderes mundiais debateram esta semana o futuro da paz mundial, que Erika G\u00f3nzalez exp\u00f4s uma s\u00e9rie de dez colagens em seda, veludo e espelhos para convidar a\u00a0refletir sobre o trauma e a assimetria de poder que sustentam a prostitui\u00e7\u00e3o e a normaliza\u00e7\u00e3o dos danos infligidos aos corpos das mulheres.<br \/>&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nA exposi\u00e7\u00e3o nasce da sua viv\u00eancia pessoal, mas tamb\u00e9m da viv\u00eancia coletiva atrav\u00e9s dos testemunhos de outras mulheres nessa situa\u00e7\u00e3o, que acompanhou durante oito anos na B\u00e9lgica, pa\u00eds onde viveu e trabalhou. <b>&#8220;\u00c9 um trabalho, ao mesmo tempo muito \u00edntimo, muito pol\u00edtico e\u00a0autobiogr\u00e1fico&#8221;<\/b>, disse.\u00a0&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nEm entrevista \u00e0 RTP Not\u00edcias, Erika Gonz\u00e1lez explica que a arte \u00e9 &#8220;uma ferramenta pol\u00edtica e de sensibiliza\u00e7\u00e3o&#8221;, que d\u00e1 a oportunidade de denunciar as falsas narrativas que o patriarcado consolidou sobre o corpo e o consentimento.\u00a0\u201cA arte ajuda a desmontar os mitos que sustentam institui\u00e7\u00f5es violentas como a prostitui\u00e7\u00e3o, disfar\u00e7ada de trabalho ou de consentimento&#8221;, afirma. <br \/>&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nA artista comprometida com a defesa dos direitos das mulheres rejeita &#13;<br \/>\n&#8220;ficar de bra\u00e7os cruzados&#8221; e apela a uma sociedade menos adormecida<b>.\u00a0&#8220;Estamos super adormecidos, h\u00e1 problemas como a prostitui\u00e7\u00e3o, que preferimos n\u00e3o ver.<\/b><b>\u00a0A prostitui\u00e7\u00e3o \u00e9 um problema de todos e de todas&#8221;<\/b>, observa.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#8220;Se queremos a paz temos de enfrentar as viol\u00eancias&#8221;&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nErika Gonz\u00e1lez Ram\u00edrez defende que n\u00e3o se pode falar de paz sem enfrentar as viol\u00eancias que a negam.\u00a0<b>&#8220;Somos uma sociedade traumatizada, se queremos caminhar para &#13;<br \/>\numa cura da humanidade, temos que come\u00e7ar a falar das coisas &#13;<br \/>\ninc\u00f3modas: sem culpas, mas com responsabilidades<\/b>&#8220;.\u00a0&#13;\n<\/p>\n<p>\nA presen\u00e7a da exposi\u00e7\u00e3o \u201cASIMETRIA\u201d na Geneva Peace Week, trazida pela galeria su\u00ed\u00e7a Satellites of Art que procura causar impacto social atrav\u00e9s da promo\u00e7\u00e3o da \u201carte com sentido\u201d, n\u00e3o \u00e9 casual. Erika Gonz\u00e1lez acredita que a viol\u00eancia e a paz s\u00e3o opostos complementares que precisam de ser discutidos juntos.<\/p>\n<p><b>\u201cA prostitui\u00e7\u00e3o e a viol\u00eancia s\u00e3o o ant\u00edpoda da paz. Por isso parece-me t\u00e3o pertinente falar de prostitui\u00e7\u00e3o aqui<\/b> (na Semana da Paz de Genebra). <b>Se queremos construir a paz, temos que enfrentar as viol\u00eancias que a impedem, inclusive as que a sociedade insiste em invisibilizar&#8221;<\/b>, afirma.\u00a0<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nPara a artista o convite da organiza\u00e7\u00e3o para incluir uma exposi\u00e7\u00e3o sobre a prostitui\u00e7\u00e3o na Semana da Paz foi um gesto corajoso<b>. &#8220;Pareceu-me bastante arriscado e corajoso que quisessem visibilizar estas tem\u00e1ticas\u201d.\u00a0<\/b>&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\nO caso de Gis\u00e8le Pelicot como ponto de viragem<br \/>&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nQuestionada sobre como lida com a exposi\u00e7\u00e3o da sua experi\u00eancia pessoal atrav\u00e9s da arte, a artista explica que <b>&#8220;agora sinto-me numa posi\u00e7\u00e3o forte para poder mostrar a minha vulnerabilidade&#8221;<\/b>, devido \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o profissional que alcan\u00e7ou nos \u00faltimos anos, como jornalista, realizadora, e funcion\u00e1ria na Uni\u00e3o Europeia.\u00a0<b>&#8220;Mas h\u00e1 muitos anos, n\u00e3o teria conseguido fazer isso&#8221;, <\/b>admite.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nO principal ponto de viragem na sua trajet\u00f3ria foi o caso de Gis\u00e8le &#13;<br \/>\nPelicot, em 2024, uma mulher que, ap\u00f3s ser abusada decidiu denunciar &#13;<br \/>\npublicamente o seu violador e afirmar que &#8220;a vergonha deve &#13;<br \/>\nmudar de lado&#8221;, uma frase que deu for\u00e7a \u00e0 causa defendida pela artista colombiana.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n<b>&#8220;Um ponto de inflex\u00e3o foi o caso de Gis\u00e8le Pelicot,<\/b> ver como ela &#8211; que tinha sido violentada de forma t\u00e3o forte por algu\u00e9m que&#13;<br \/>\nela amava muito e por muitos outros homens<b>\u00a0&#8211; decide fazer um &#13;<br \/>\njulgamento aberto contra o seu violador e o seu proxeneta, porque ele &#13;<br \/>\ntamb\u00e9m era um proxeneta, e decide dizer que a vergonha tem de mudar de &#13;<br \/>\nlado&#8221;.\u00a0<\/b>\u00a0&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n<b>&#8220;Quando penso que \u00e9 dif\u00edcil falar destas tem\u00e1ticas, lembro-me disso: &#8220;a vergonha tem que mudar de lado&#8221;, <\/b>confessa<b>. &#8220;Precisamos mostrar a magnitude de uma viol\u00eancia que o sistema insiste em negar&#8221;<\/b>.\u00a0&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#8220;Somos uma mercadoria&#8221;<br \/>&#13;<br \/>\nNa exposi\u00e7\u00e3o &#8220;ASIMETRIA&#8221; a artista denuncia a desigualdade que existe entre quem paga e quem compra, raz\u00e3o pela qual n\u00e3o quis mostrar apenas a vulnerabilidade e o trauma da mulher no &#8220;papel de v\u00edtima&#8221;, quis tamb\u00e9m mostrar o outro ator da hist\u00f3ria, trazendo \u00e0 luz quem exerce a viol\u00eancia.<b>&#8220;Porque a prostitui\u00e7\u00e3o \u00e9 um ato muito violento&#8221;, <\/b>defende.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n<b>&#8220;Parece-me muito importante mostrar quem \u00e9 esse outro ator, protegido e branqueado pela sociedade, que insiste em chamar-lhe de forma politicamente correta de cliente, quando na realidade \u00e9 um violador e um abusador&#8221;<\/b>, afirma. &#8220;N\u00e3o \u00e9 porque h\u00e1 uma nota de dinheiro envolvida que n\u00e3o \u00e9 um ato abusivo&#8221;, afirma.\u00a0&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n<b>&#8220;Somos uma mercadoria&#8221;<\/b>, considera a feminista, denunciando que existe na prostitui\u00e7\u00e3o uma desumaniza\u00e7\u00e3o dos homens em rela\u00e7\u00e3o ao corpo das mulheres.\u00a0Raz\u00e3o pela qual quis representar esse sentimento na obra &#8220;Cu\u00e1nto me cobra&#8221; (Quanto me cobras?, na tradu\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas), que questiona\u00a0<b>&#8220;por quanto posso comprar-te?&#8221;, &#8220;quanto custa o teu consentimento?.\u00a0<\/b>&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nMas \u00e9 o consentimento um ato livre?&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n\u00a0<br \/>&#13;<br \/>\nErika Gonz\u00e1lez Ram\u00edrez questiona a no\u00e7\u00e3o de consentimento numa sociedade patriarcal, onde considera que &#8220;a grande maioria das mulheres&#8221; sofre algum tipo de viol\u00eancia, e capitalista, que comercializa tudo inclus\u00edve o corpo das mulheres.\u00a0&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nPara a artista<b>, a escolha n\u00e3o pode ser considerada livre quando \u00e9 moldada pelo trauma, pela desigualdade e pela pobreza <\/b>que, na sua opini\u00e3o, \u201c\u00e9 uma viol\u00eancia em si mesma\u201d. &#8220;A imensa maioria das mulheres que vivem da prostitui\u00e7\u00e3o chegaram l\u00e1 porque t\u00eam um trauma e saem de l\u00e1 ainda com mais traumas&#8221;.\u00a0&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nInspirada pelos estudos da psiquiatra francesa Muriel Salmona, autora da obra\u00a0Le livre noir des violences sexuelles, a artista defende que<b> a prostitui\u00e7\u00e3o \u00e9 raramente um ponto de partida<\/b> e \u00e9 insepar\u00e1vel de um contexto de viol\u00eancias anteriores.\u00a0&#13;\n<\/p>\n<p>&#8220;Se \u00e9s uma menina, pobre, que j\u00e1 sofreste alguma forma de viol\u00eancia, \u00e9s uma presa f\u00e1cil do sistema de prostitui\u00e7\u00e3o&#8221;, defende.<\/p>\n<p>Em ASIMETR\u00cdA, cujas obras podem ser observadas nas redes sociais da <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/minotauracollage\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">artista<\/a>, Erika Gonz\u00e1lez denuncia a viol\u00eancia, o trauma e a assimetr\u00eda de poder abrindo caminho para o di\u00e1logo, &#8220;sem culpas, mas com responsabilidades&#8221;, lembrando que\u00a0falar do inc\u00f3modo \u00e9 o primeiro passo para construir a paz.\u00a0<\/p>\n<p>A Semana da Paz de Genebra contou tamb\u00e9m com a exibi\u00e7\u00e3o do <b>document\u00e1rio\u00a0<a href=\"https:\/\/www.theillusionofabundance.com\/pt?fbclid=PAZXh0bgNhZW0CMTEAAaePNLi9yK_RI0uiCMNxvn9FAy0qI6-llqzPakZeLZwiegTxSN-21T8_X6hr3w_aem_IXKoYjOaZyWe6gk_6VjEFg\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">The Illusion of Abundance<\/a>, co-produzido por Erika G\u00f3nzalez, que destaca o papel fundamental de tr\u00eas mulheres latino-americanas na defesa do ambiente e dos territ\u00f3rios.<\/b>\u00a0 O filme foi selecionado para mais de 140 festivais em todo o mundo e recebeu mais de 30 pr\u00e9mios internacionais.\u00a0<\/p>\n<p><script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#13; 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