{"id":119115,"date":"2025-10-20T17:32:17","date_gmt":"2025-10-20T17:32:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/119115\/"},"modified":"2025-10-20T17:32:17","modified_gmt":"2025-10-20T17:32:17","slug":"todos-estao-a-falar-de-portugal-nas-tecnologicas-americanas-diz-ceo-do-sines-dc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/119115\/","title":{"rendered":"&#8220;Todos est\u00e3o a falar de Portugal&#8221; nas tecnol\u00f3gicas americanas, diz CEO do Sines DC"},"content":{"rendered":"<p>        L\u00edder do centro de dados de Sines \u2013 um investimento de 10 mil milh\u00f5es \u2013 revela que h\u00e1 uma grande procura por Portugal por parte de tecnol\u00f3gicas americanas. Fechado o acordo com a Nvidia e a Microsoft, a Sines DC arranca com a constru\u00e7\u00e3o do segundo edif\u00edcio no final deste ano, deixando a porta aberta a parcerias com grandes tecnol\u00f3gicas. A procura \u00e9 tanta que novos clientes j\u00e1 \u201cest\u00e3o a bater \u00e0 porta\u201d para que novo edif\u00edcio esteja pronto em 2 anos.    <\/p>\n<p>Quando algu\u00e9m na Calif\u00f3rnia usa alguma aplica\u00e7\u00e3o de Intelig\u00eancia Artificial (IA), os dados est\u00e3o a ser processados em Portugal. A informa\u00e7\u00e3o chega em milisegundos ao outro lado do mundo, apesar dos 9 mil kms que separam Lisboa de Los Angeles. Este cen\u00e1rio vai tornar-se realidade a partir do primeiro trimestre de 2026.<\/p>\n<p>A partir do pr\u00f3ximo ano, mais de 12 mil chips de topo de uma das maiores fabricantes mundiais v\u00e3o come\u00e7ar a bombar no centro de dados de Sines. A pequena cidade costeira do distrito de Set\u00fabal vai receber um projeto que junta as duas companhias mais valiosas do mundo neste momento \u2013 Nvidia e Microsoft \u2013 que v\u00e3o convergir no centro de dados Sines DC.<\/p>\n<p>\u201cEsta \u00e9 a recompensa por cinco anos de trabalho duro. Vemos agora estas grandes empresas internacionais a reconhecerem as qualidades deste projeto e de Portugal\u201d, disse Robert Dunn, presidente-executivo da Start Campus.<\/p>\n<p>O centro de dados de Sines vai receber chips da Nvidia para um projeto da Microsoft, as duas cotadas de Wall Street contam com um valor combinado de 8,3 bili\u00f5es de d\u00f3lares (isso mesmo, bili\u00f5es).<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a maior instala\u00e7\u00e3o j\u00e1 feita da nova gera\u00e7\u00e3o de chips de IA da Nvidia em Portugal: s\u00e3o 12.600\u00a0 unidades de processamento gr\u00e1fico \u2013 Blackwell Ultra GB300. Estes chips serem para acelerar o uso de aplica\u00e7\u00f5es de IA, mas continuam a ser usados para videojogos, produ\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos ou realidade virtual.<\/p>\n<p>\u201cTodos est\u00e3o a falar de Portugal, do que eu tenho ouvido dos clientes americanos e at\u00e9 dos nossos concorrentes dos EUA. No \u00faltimo ano, houve uma grande procura para construir todos estes grandes centros de dados de IA nos EUA porque era r\u00e1pido, relativamente barato e havia energia. Agora vemos que j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 energia dispon\u00edvel. Est\u00e3o a ter muitas restri\u00e7\u00f5es e procuraram medidas tempor\u00e1rias como grandes turbinas de g\u00e1s para resolver o problema no curto prazo, mas que se tornaram muito caras\u201d, acrescentou o gestor.<\/p>\n<p>\u201cAgora h\u00e1 muitos projetos e est\u00e3o a pensar \u2018n\u00e3o conseguimos fazer\u2019 e est\u00e3o a procurar por outros pa\u00edses e est\u00e3o todos a olhar para a Europa e para Portugal por causa dos pre\u00e7os baixos, porque conseguimos desenvolver este campus rapidamente, porque tudo o que tinham planeado para os EUA conseguem fazer aqui. H\u00e1 muito interesse em Portugal neste momento. Ajuda muito que Portugal tem os cabos submarinos que fazem a liga\u00e7\u00e3o direta aos EUA\u201d, acrescentou o gestor em entrevista ao Jornal Econ\u00f3mico na sede da empresa em Lisboa.<\/p>\n<p>\u201cEst\u00e1 a ter lugar a febre da IA. Somos parte desta vaga. Os nossos clientes est\u00e3o a bater \u00e0 porta para tentar que o edif\u00edcio esteja conclu\u00eddo no espa\u00e7o de 24 meses. \u00c9 um desafio dado o tamanho do projeto. J\u00e1 temos todos os empreiteiros contratados e o equipamento\u201d, explica.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo \u00e9 arrancar a constru\u00e7\u00e3o do segundo edif\u00edcio at\u00e9 ao final do ano, que vai ser duas vezes maior em \u00e1rea face ao primeiro, mas \u201cseis vezes mais poderoso\u201d em capacidade tecnol\u00f3gica \u201ceste tem 30 MW de carga, o pr\u00f3ximo vai ter 180 MW. Estamos a instalar infraestruturas (\u2018racks\u2019, que alojam os chips e servidores) com 130 kilowatts, 10 vezes mais potentes do que h\u00e1 5 anos. No pr\u00f3ximo edif\u00edcio, esperamos ter \u2018racks\u2019 com 200 ou at\u00e9 300 kW. Isto significa que conseguimos acrescentar mais capacidade no mesmo espa\u00e7o\u201d.<\/p>\n<p>O gestor australiano diz que a Start Campus \u00e9 \u201ccortejada por muitos investidores que querem estar envolvidos no nosso projeto. Mas neste ponto, temos apoio do nosso investidor principal, Davidson Kempner. Estamos a rejeitar muitos investidores a este ponto enquanto continuamos o nosso projeto\u201d, afirmou sobre o fundo norte-americano, acionista da empresa.<\/p>\n<p>\u201cPrevemos cerca de 10 mil milh\u00f5es em atividades de constru\u00e7\u00e3o. E os clientes devem trazer investimento 4 vezes superior a este valor em termos de chips e de infraestrutura tecnol\u00f3gica\u201d, na casa dos 40 mil milh\u00f5es de euros.<\/p>\n<p>A companhia prev\u00ea arrancar com a constru\u00e7\u00e3o do segundo edif\u00edcio no final deste ano, depois de esgotada a capacidade do primeiro edif\u00edcio. \u201cOs clientes j\u00e1 est\u00e3o a fazer fila, \u00e9 excelente\u201d.<\/p>\n<p>Questionado se o acordo com a Nscale\/Nvidia\/Microsoft implica exclusividade, o gestor responde que as portas est\u00e3o abertas a todo o setor. \u201cOs contratos para o primeiro edif\u00edcio j\u00e1 est\u00e3o a decorrer. Nos novos edif\u00edcios estamos a falar com todas as companhias tecnol\u00f3gicas globais. Gostamos deles como parceiros e podemos continuar a trabalhar com eles, mas h\u00e1 muito apetite pelas novas fases. Estamos em discuss\u00f5es neste momento com muitos deles para saber quem quer estar no novo edif\u00edcio\u201d.<\/p>\n<p>Um estudo feito pela Copenhagen Economics concluiu que o setor dos centros de dados pode contribuir com at\u00e9 26 mil milh\u00f5es de euros para o PIB nacional e apoiar cerca de 50 mil empregos at\u00e9 2030.<\/p>\n<p>Do valor total, cerca de 9,2 mil milh\u00f5es s\u00e3o de efeitos diretos e 8,6 mil milh\u00f5es indiretos, com 8,4 mil milh\u00f5es a serem induzidos atrav\u00e9s do desenvolvimento do setor, de acordo com o estudo feito para a Start Campus e divulgado este ano.<\/p>\n<p>Em termos de postos de trabalho, poder\u00e1 atingir 50 mil novos postos de trabalho a tempo inteiro, entre empregos diretos, indiretos e induzidos.<\/p>\n<p>Sobre as restri\u00e7\u00f5es \u00e0s compras de chips da Nvidia que os EUA queriam impor, a medida foi cancelada j\u00e1 n\u00e3o havendo impactos para Portugal. \u201cOs clientes n\u00e3o v\u00e3o sofrer restri\u00e7\u00f5es, os chips est\u00e3o a chegar\u201d.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s tens\u00f5es geopol\u00edticas, Robert Dunn considera que a empresa tem estado a passar ao lado das mesmas. \u201cN\u00e3o estamos a sentir as tens\u00f5es. A rela\u00e7\u00e3o EUA-Portugal continua forte. Quando os clientes americanos olham para fora do pa\u00eds, Portugal surge naturalmente\u201d.<\/p>\n<p>O setor dos centros de dados \u201cest\u00e1 muito forte em Portugal\u201d, defende. O acordo com a Nvidia e a Microsoft \u201cprova que Portugal \u00e9 uma boa casa para investimentos de IA na Europa e na UE. Quando falamos de soberania de dados, Portugal parece o lugar perfeito para estar, n\u00e3o s\u00f3 por causa dos pre\u00e7os baixos e das energias renov\u00e1veis, mas tamb\u00e9m devido \u00e0 sua localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica no Atl\u00e2ntico com todos os cabos submarinos a virem de outros continentes. Est\u00e1 bem localizado para ser um grande centro de dados na UE e na Europa\u201d.<\/p>\n<p>Com as tens\u00f5es entre o ocidente e grandes pot\u00eancias como a China, a quest\u00e3o da soberania de dados vai ser importante? \u201cJ\u00e1 \u00e9. Tem sido um tema de conversa no \u00faltimo ano, mas agora estamos a ver decis\u00f5es reais para ajudar empresas e governos para ajudarem a tomar decis\u00f5es para proteger a sua soberania. Os investimentos est\u00e3o a acontecer. As pessoas est\u00e3o a acordar para isto\u201d.<\/p>\n<p>A Start Campus est\u00e1 envolvida no cons\u00f3rcio para a gigaf\u00e1brica de IA? \u201cSabemos que Sines est\u00e1 a ser avan\u00e7ado como potencial localiza\u00e7\u00e3o. Esperamos que o cons\u00f3rcio fale connosco a dado momento, mas ainda n\u00e3o h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o direta\u201d.<\/p>\n<p>Em termos de abastecimento de eletricidade, disse ter acertado agulhas com a gestora de rede de transporte, a REN, para ter acesso a energia. E que j\u00e1 assinou os primeiros acordos de compra de eletricidade renov\u00e1vel, o que continuar\u00e1 a fazer nos pr\u00f3ximos edif\u00edcios, com a possibilidade de acordos com centrais renov\u00e1veis na \u00e1rea. Sobre um eventual acordo com a giga-central solar Fernando Pessoa em Santiago do Cac\u00e9m, disse que \u201cpotencialmente\u201d poder\u00e1 vir a ser um dos fornecedores, mas que n\u00e3o h\u00e1 acordos fechados.<\/p>\n<p>Sobre o consumo de \u00e1gua, usada para arrefecer os edif\u00edcios dado o intenso calor que emana dos servidores, o primeiro edif\u00edcio est\u00e1 a consumir 40% de \u00e1gua do mar, que depois \u00e9 deitada novamente no mar, mas que o objetivo \u00e9 atingir 100% de uso de \u00e1gua do mar no arrefecimento. \u201cEstamos a preparar-nos para ter mais \u00e1gua do mar no resto do campus na pr\u00f3xima fase. No segundo edif\u00edcio e no resto do campus, todo o arrefecimento vai ser feito com \u00e1gua do mar. Estamos a usar o poder de arrefecimento do mar para arrefecer o centro de dados\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA reciclagem de \u00e1gua torna o centro de dados um exemplo. Temos um sistema eficiente de arrefecimento, n\u00e3o usamos \u00e1gua\u201d, pois \u00e9 reciclada, apontando que o uso de energia para bombar a \u00e1gua \u00e9 \u201cincrivelmente baixo comparado com unidades de arrefecimento a partir de ar condicionado\u201d. Consideramos que h\u00e1 zero uso efetivo de \u00e1gua. Os outros usam torres de arrefecimento e t\u00eam de usar \u00e1gua industrial para arrefecer o ar, mas n\u00f3s n\u00e3o usamos nada disso. Tentamos ser um exemplo para outros projetos\u201d.<\/p>\n<p>Houve noticias recentes de v\u00e1rias grandes companhias a investirem em centros de dados, como a Blackrock, Microsoft, Nvidia, Macquarie. Poder\u00e3o vir a ser parceiros da Start Campus? \u201cN\u00e3o procuramos investimento direto neste momento. Vai haver muitos requerimentos de capital na futura expans\u00e3o do campus. Mas j\u00e1 temos algumas parceiras que nos permitem arrancar com o pr\u00f3ximo edif\u00edcio. E o futuro investimento vir\u00e1 mais tarde, assim que tivermos os clientes.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"L\u00edder do centro de dados de Sines \u2013 um investimento de 10 mil milh\u00f5es \u2013 revela que h\u00e1&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":119116,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[27729,27,28,5032,413,15,16,14,414,933,25,26,21,22,12,13,19,20,32,23,24,33,27730,6746,26487,27731,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-119115","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-principais-noticias","8":"tag-americanas","9":"tag-breaking-news","10":"tag-breakingnews","11":"tag-centro-de-dados","12":"tag-eua","13":"tag-featured-news","14":"tag-featurednews","15":"tag-headlines","16":"tag-ia","17":"tag-inteligencia-artificial","18":"tag-latest-news","19":"tag-latestnews","20":"tag-main-news","21":"tag-mainnews","22":"tag-news","23":"tag-noticias","24":"tag-noticias-principais","25":"tag-noticiasprincipais","26":"tag-portugal","27":"tag-principais-noticias","28":"tag-principaisnoticias","29":"tag-pt","30":"tag-robert-dunn","31":"tag-sines","32":"tag-start-campus","33":"tag-tecnologicas","34":"tag-top-stories","35":"tag-topstories","36":"tag-ultimas","37":"tag-ultimas-noticias","38":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115407693022244156","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/119115","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=119115"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/119115\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/119116"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=119115"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=119115"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=119115"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}