{"id":119601,"date":"2025-10-21T00:37:09","date_gmt":"2025-10-21T00:37:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/119601\/"},"modified":"2025-10-21T00:37:09","modified_gmt":"2025-10-21T00:37:09","slug":"eugenia-a-imperatriz-dona-da-colecao-roubada-do-louvre-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/119601\/","title":{"rendered":"Eug\u00e9nia, a Imperatriz dona da cole\u00e7\u00e3o roubada do Louvre \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Em 1860 Eug\u00e9nia viu pela primeira vez uma pe\u00e7a desenhada por <strong>Charles Frederick Worth<\/strong>, um vestido em tule branco bordado com fios de prata. Foi num baile nas Tulherias, no corpo de uma influente socialite austr\u00edaca, mulher do embaixador de \u00c1ustria, Pauline de Metternich. Uma aproxima\u00e7\u00e3o que n\u00e3o ter\u00e1 sido assim t\u00e3o inocente \u2014 pelo contr\u00e1rio.\u00a0De acordo com Didier Grumbach, empres\u00e1rio da moda que j\u00e1 trabalhou com Yves Saint Laurent e Givenchy, e autor de Histoires de la Mode, Charles Frederick Worth percebeu em Eug\u00e9nia <strong>uma oportunidade de transformar a moda do Imp\u00e9rio e fazer o pr\u00f3prio nome no meio<\/strong>. \u201cEm todos os pa\u00edses da Europa o Rei ou a Rainha criavam a moda. Maria Antonieta tinha uma costureira para dar-lhe indica\u00e7\u00f5es. A decis\u00e3o era da Rainha\u201d, escreve Grumbach sobre a \u00e9poca, destacando que n\u00e3o havia criatividade na moda francesa, at\u00e9 que Worth apareceu. O designer e costureiro ingl\u00eas chegou em Paris em 1845 e trabalhou como vendedor na Gagelin, quando come\u00e7ou a criar pe\u00e7as para a pr\u00f3pria mulher. Abriu na sequ\u00eancia um pequeno atelier, chamado House of Worth, onde apresentava as suas cria\u00e7\u00f5es com destaque para as novas formas e silhuetas, e em modelos reais \u2014<a href=\"https:\/\/observador.pt\/especiais\/das-pequenas-exibicoes-em-paris-aos-eventos-grandiosos-com-estrelas-de-hollywood-como-os-desfiles-de-moda-evoluiram-nos-ultimos-seculos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\"> o que seria os prim\u00f3rdios dos desfiles de moda.<\/a><\/p>\n<p>Com o Segundo Imp\u00e9rio em 1852, Worth percebeu que precisava chegar \u00e0 Imperatriz. Ent\u00e3o, conta Grumbach, ter\u00e1 incumbido a mulher, Marie Vernet, de visitar Pauline de Metternich, a mulher do embaixador da \u00c1ustria. Levou consigo um caderno com v\u00e1rios esbo\u00e7os de Worth e amostras de tecido. Apesar de ter sido recebida com algum ceticismo, <strong>Metternich acabou por encomendar dois vestidos<\/strong> por 300 francos, um para o dia e outro para noite. A pe\u00e7a de gala encantou a Imperatriz, que chamou Worth ao Louvre no dia seguinte. Mas ao inv\u00e9s de chegar preparado para atender aos desejos de Eug\u00e9nia,<strong> Worth levou um vestido pronto<\/strong>, todo em brocado. \u201cA imperatriz viu o vestido e odiou, porque <strong>pensou que pareciam cortinas<\/strong>. E sentiu-se absolutamente insultada porque o vestido n\u00e3o havia sido negociado, estava pronto. Ele prop\u00f4s uma cria\u00e7\u00e3o em que ela n\u00e3o interfiria\u201d, escreve Didier Grumbach. \u201cEla manda-o de volta, manda o vestido de volta. Mas, por sorte, o Imperador chega. E Worth, que n\u00e3o era t\u00edmido, explica: <strong>\u2018O brocado \u00e9 de Lyon \u2014 uma cidade republicana \u2014 ent\u00e3o acho que \u00e9 boa pol\u00edtica se a Imperatriz usasse-o algumas vezes&#8217;\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>Entre os elementos de design de Worth destacam-se as formas revolucion\u00e1rias, com silhuetas pr\u00f3prias e <strong>crinolina apenas na parte de tr\u00e1s, com a populariza\u00e7\u00e3o das anquinhas<\/strong>, assim como o uso das cores, como <strong>o tom violeta<\/strong>. Eug\u00e9nia passou a vestir quase que exclusivamente cria\u00e7\u00f5es do designer ingl\u00eas, tornando-o numa esp\u00e9cie de \u201ccostureiro n\u00e3o oficial\u201d da corte. Contudo, Worth fez quest\u00e3o que a alta sociedade soubesse que estava a costurar para a Imperatriz. Antes do encontro com a mulher de Napole\u00e3o III, um vestido do designer custava entre 300 e 400 francos \u2014 na altura que Eug\u00e9nia j\u00e1 vestia pe\u00e7as de Worth, as suas cria\u00e7\u00f5es n\u00e3o vendiam por menos de 2 mil francos. Contudo, assim como o primeiro encontro, a rela\u00e7\u00e3o entre designer e cliente n\u00e3o era sempre de simbiose.\u00a0\u201cQuando a Imperatriz preferiu esperar antes de usar as suas \u00faltimas cria\u00e7\u00f5es, ele n\u00e3o hesitou em expressar a sua insatisfa\u00e7\u00e3o. A sua lend\u00e1ria persuas\u00e3o muitas vezes prevaleceu sobre a relut\u00e2ncia de Sua Majestade \u201d, l\u00ea-se numa das cr\u00f3nicas de The House of Worth: The Birth of Haute Couture.<\/p>\n<p>Foi a partir do estilo inovador e do trabalho minucioso de Charles Frederick Worth que foi criada a\u00a0Chambre Syndicale de la Haute Couture, em 1868, com regras que v\u00e3o desde a forma de constru\u00e7\u00e3o, passando pela qualidade do trabalho feito \u00e0 m\u00e3o, at\u00e9 a exig\u00eancia das pe\u00e7as \u00e0 medida. Atualmente em Fran\u00e7a <strong>o termo alta costura \u00e9 protegido pela Federa\u00e7\u00e3o de Alta Costura e Moda<\/strong>, que determina quais casas podem usar a nomenclatura.<\/p>\n<p>Um ano depois do casamento de Eug\u00e9nia e Napole\u00e3o, Louis Vuitton abriu a sua primeira loja em Paris, perto da Place Vend\u00f4me. Com malas estilo ba\u00fa de topo plano em pele, as cria\u00e7\u00f5es do artes\u00e3o eram <strong>o que a Imperatriz precisava para transportar as suas crinolinas<\/strong>. Louis Vuitton foi apontado como o fabricante de malas oficial da corte, a qual serviu durante v\u00e1rios anos. Fergus Mason relata, na sua biografia de Louis Vuitton, que Eug\u00e9nia ainda apresentou o designer para outros clientes importantes \u2014 realezas e lideran\u00e7as pol\u00edticas internacionais. Foi o caso do Governador do Egito, Ismail Pasha.<\/p>\n<p>Vuitton foi chamado para empacotar a bagagem da Imperatriz para a viagem de inaugura\u00e7\u00e3o do Canal do Suez. Eug\u00e9nia passaria dois meses no Egito e viajaria \u00e0 bordo do iate imperial, o L\u2019Aigle, junto com Pasha. O autor da biografia de Louis Vuitton relata que, para estabelecer rela\u00e7\u00f5es mais pr\u00f3ximas entre o Egito e a Fran\u00e7a, <strong>o Governador eg\u00edpcio encomendou um conjunto completo de malas do designer<\/strong>, a fim de causar uma boa impress\u00e3o na Imperatriz. Pasha ter\u00e1 sido o primeiro cliente Louis Vuitton depois da fam\u00edlia imperial.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em 1860 Eug\u00e9nia viu pela primeira vez uma pe\u00e7a desenhada por Charles Frederick Worth, um vestido em tule&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":119602,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[144],"tags":[207,205,206,203,201,202,6516,211,204,114,115,3300,186,1079,32,33],"class_list":{"0":"post-119601","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-arte-e-design","8":"tag-arte","9":"tag-arte-e-design","10":"tag-artedesign","11":"tag-arts","12":"tag-arts-and-design","13":"tag-artsanddesign","14":"tag-casas-reais","15":"tag-celebridades","16":"tag-design","17":"tag-entertainment","18":"tag-entretenimento","19":"tag-joias","20":"tag-lifestyle","21":"tag-moda","22":"tag-portugal","23":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115409364100079656","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/119601","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=119601"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/119601\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/119602"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=119601"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=119601"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=119601"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}